Propaganda

sexta-feira, setembro 25, 2026

Jardel Filho - A arte de representar

  


Alguns atores interpretam personagens. Outros parecem nascer para viver muitas vidas. Jardel Filho foi um deles.

Jardel Frederico de Bôscoli Filho nasceu em São Paulo, em 24 de julho de 1927, durante uma temporada artística da companhia de seu pai. Filho do empresário teatral Jardel Jercolis e da atriz Lídia Bôscoli, nasceu praticamente no teatro.

Sua chegada ao mundo, porém, não foi cercada de conforto. Por dificuldades financeiras, sua mãe permaneceu mais de um mês na maternidade, até que fosse possível pagar as despesas do parto e retornar ao Rio de Janeiro.

Na adolescência, Jardel chegou a tentar a carreira militar. Mas havia outro chamado, mais forte: o palco. Estreou na Companhia Dulcina & Odilon e, posteriormente, trabalhou ao lado de grandes nomes como Bibi Ferreira e Henriette Morineau.

No cinema, iniciou uma longa trajetória em 1949, com “Dominó Negro”. Mais tarde, trabalhou na Companhia Cinematográfica Vera Cruz e participou de filmes importantes, como Floradas na Serra e Uma Pulga na Balança.

Sua carreira cinematográfica chegou a cerca de 30 filmes, incluindo obras fundamentais do cinema brasileiro, como Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade; Terra em Transe, de Glauber Rocha; Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco; O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira; e Rio Babilônia, de Neville d'Almeida, seu último trabalho no cinema, lançado após sua morte.

No teatro, também deixou sua marca. Pela peça Jazebel, recebeu a Medalha de Ouro da ABCT. Mas foi na televisão que Jardel Filho conquistou uma enorme legião de admiradores.

Participou de aproximadamente 17 novelas e minisséries, entre elas O Bofe, Verão Vermelho, O Bem-Amado, O Homem que Deve Morrer, Fogo Sobre Terra, Coração Alado, Brilhante, O Espantalho e Memórias de Amor.

Entre seus personagens mais lembrados está o Dr. Juarez Leão, de O Bem-Amado. Um homem marcado pela morte da esposa, que encontra em Telma uma nova razão para continuar vivendo e exercendo a medicina, enquanto enfrenta os desmandos de Odorico Paraguaçu e sua obsessão em conseguir um morto para inaugurar o cemitério de Sucupira.

Jardel Filho, entretanto, não teve tempo de assistir ao encerramento de sua própria história. Faleceu em plena atividade.

Em 19 de fevereiro de 1983, aos 55 anos, sofreu um ataque cardíaco em sua residência, no Rio de Janeiro. Naquele período, estava gravando os capítulos finais da novela Sol de Verão, de Manoel Carlos, na Rede Globo.

Sua morte provocou mudanças na trama. Seu personagem, Heitor, deixou a história através de uma viagem repentina, e o encerramento da novela precisou ser antecipado.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

No mesmo ano, recebeu uma homenagem póstuma do então governador Chagas Freitas, que deu seu nome ao recém-construído viaduto da Rua Soares Cabral.

Na vida pessoal, Jardel Filho foi casado com a empresária Maria Augusta Nielsen e com as atrizes Márcia de Windsor, Glauce Rocha e Miriam Pérsia. Deixou duas filhas, Tânia Boscoli, atriz, e Adriana de Boscoli, produtora, além dos netos José Maria e Frederico de Boscoli.

Jardel Filho viveu apenas 55 anos. Mas talvez essa seja uma das principais características da arte: o artista parte, enquanto seus personagens continuam vivendo na memória de quem os conheceu.

Jardel Filho não apenas representou. Ele viveu muitas vidas diante das câmeras, no palco e na imaginação de várias gerações. E, quando as luzes se apagaram definitivamente, a sua arte permaneceu.

0 Comentários: