Mangystau (ou Mangystau
Oblast) é uma das regiões mais fascinantes e menos conhecidas da Ásia Central.
Localizada no extremo oeste do Cazaquistão, às margens do Mar Cáspio, sua
paisagem lembra outro planeta: cânions de calcário branco, desertos intermináveis,
montanhas esculpidas pelo vento e depressões que estão abaixo do nível do mar.
A capital regional é a cidade
de Aktau, o principal porto cazaque no Mar Cáspio. A região possui cerca
de 165 mil km² e faz fronteira com o Turcomenistão, o Uzbequistão e outras
regiões do Cazaquistão.
Uma terra que já foi fundo do oceano
Há dezenas de milhões de anos,
toda a região estava coberta pelo antigo Oceano Tétis. Quando as águas
recuaram, deixaram para trás uma imensa quantidade de rochas calcárias, fósseis
marinhos e formações geológicas extraordinárias. Ainda hoje é comum encontrar
fósseis de moluscos, dentes de tubarões e outros organismos marinhos espalhados
pelo deserto, testemunhando esse passado remoto.
Bozzhyra: a paisagem mais impressionante
O maior símbolo de Mangystau é
o Vale de Bozzhyra (Bozjyra), uma enorme depressão cercada por falésias brancas
que chegam a centenas de metros de altura. As formações rochosas receberam
nomes curiosos, como “As Presas”, “A Iurta” e “O Navio”,
devido às suas formas peculiares.
Ao nascer e ao pôr do sol, as
rochas mudam de cor, passando do branco para tons dourados e avermelhados. Não
é raro que visitantes comparem a paisagem à superfície da Lua ou de Marte.
O ponto mais baixo do Cazaquistão.
Mangystau abriga a Depressão de
Karagiye, situada aproximadamente 132 metros abaixo do nível do mar,
tornando-se o ponto mais baixo de todo o Cazaquistão e um dos mais baixos da
Ásia Central.
A origem dessa gigantesca
depressão ainda desperta debates entre geólogos, embora seja geralmente
atribuída a processos tectônicos e erosivos de longa duração.
As misteriosas mesquitas subterrâneas
Muito antes da chegada do
turismo moderno, Mangystau tornou-se um importante centro espiritual do
islamismo sufista. Entre os locais mais venerados está a Mesquita Subterrânea
de Beket-Ata, escavada diretamente na rocha durante o século XVIII.
Peregrinos de todo o
Cazaquistão viajam até lá para orações e devoções. Existem ainda outras
mesquitas subterrâneas, construídas em cavernas naturais ou escavadas nas
encostas calcárias, algumas com vários séculos de existência.
A riqueza escondida sob o deserto.
Apesar da aparência árida,
Mangystau é uma das regiões economicamente mais importantes do Cazaquistão. A
partir da era soviética, foram descobertas enormes reservas de petróleo e gás
natural.
Atualmente, cerca de um quarto
da produção petrolífera do país provém dessa região. Oleodutos, refinarias e o
porto de Aktau fazem de Mangystau uma peça estratégica para a economia cazaque
e para o comércio através do Mar Cáspio.
O Vale das Esferas
Outro fenômeno geológico
intrigante é Torysh, conhecido como o “Vale das Bolas”. Ali
encontram-se milhares de enormes pedras quase perfeitamente esféricas, algumas
com mais de três metros de diâmetro.
Durante muito tempo, surgiram
lendas atribuindo essas formações a gigantes, meteoritos ou civilizações
antigas. Hoje os geólogos explicam que elas se formaram lentamente pela
cimentação de sedimentos ao redor de um núcleo mineral, seguida de milhões de
anos de erosão.
Clima extremo
Mangystau possui um clima
extremamente seco. No verão, as temperaturas ultrapassam frequentemente os 40
°C, enquanto no inverno podem cair abaixo de −20 °C em algumas
áreas. A vegetação é escassa e predominam estepes áridas, desertos salinos e
arbustos resistentes à seca.
Um destino ainda pouco explorado.
Embora o turismo venha
crescendo nos últimos anos, Mangystau continua sendo um dos destinos mais
isolados do mundo. Grande parte das atrações só pode ser alcançada em veículos
com tração nas quatro rodas, cruzando centenas de quilômetros de deserto.
Essa dificuldade de acesso
ajudou a preservar paisagens praticamente intocadas, onde o silêncio é absoluto
e a sensação de isolamento é comparável às grandes expedições pelo Saara ou
pelo deserto de Gobi.
Mangystau reúne geologia,
arqueologia, espiritualidade e história em um único lugar. É uma região onde se
encontram fósseis de um oceano desaparecido, monumentos religiosos escavados na
pedra, desertos de aparência extraterrestre e uma das maiores reservas de
petróleo da Ásia Central.
Por isso, muitos viajantes a
consideram uma das últimas grandes fronteiras do turismo de aventura e um dos
cenários naturais mais extraordinários do planeta.



























