Na noite de 28 de março de 1982, o vulcão El
Chichón, localizado no estado de Chiapas, no sul do México, despertou com uma
violência que surpreendeu as comunidades próximas.
Uma gigantesca coluna de cinzas e gases subiu
em direção à atmosfera, enquanto explosões, tremores e a queda de material
vulcânico anunciavam o início de uma das mais importantes erupções da história
mexicana recente.
Durante séculos, o El Chichón permaneceu
relativamente desconhecido fora da região. Muitos moradores viviam nas
proximidades sem imaginar a dimensão do perigo que se escondia sob aquela
montanha.
Quando o vulcão entrou em atividade, a rotina
de comunidades inteiras foi interrompida, e milhares de pessoas precisaram
abandonar suas casas. Mas aquela primeira explosão era apenas o começo.
Uma tragédia anunciada em meio à incerteza
Nos meses anteriores à catástrofe, moradores
haviam percebido pequenos terremotos e outros sinais de atividade vulcânica.
Entretanto, o El Chichón era pouco estudado, e não havia uma preparação
adequada para enfrentar uma erupção daquela magnitude.
A explosão de 28 de março foi, portanto, uma
surpresa para as autoridades e para boa parte da população. A coluna de cinzas
e gases atingiu aproximadamente 16 a 17 quilômetros de altitude.
Cinzas vulcânicas cobriram localidades,
prejudicaram plantações e provocaram danos a casas e à infraestrutura. A
visibilidade diminuiu drasticamente em algumas áreas, dificultando o transporte
e as operações de emergência. O pior, porém, ainda estava por vir.
As explosões de abril: o momento mais mortal
Entre 3 e 4 de abril, novas explosões, ainda
mais devastadoras, atingiram a região. Correntes piroclásticas – misturas
extremamente quentes de gases, cinzas e fragmentos de rocha que descem pelas
encostas em alta velocidade – avançaram sobre povoados, destruindo construções
e matando milhares de pessoas.
Nove comunidades foram arrasadas. Estimativas
científicas apontam para aproximadamente 2 mil mortes, fazendo da erupção do El
Chichón a mais mortal catástrofe vulcânica da história registrada do México.
Um dos aspectos mais trágicos foi que, após a
atividade inicial diminuir, alguns moradores receberam autorização para voltar
para casa. Quando as explosões mais violentas ocorreram, entre 3 e 4 de abril,
parte da população já havia retornado à região de risco.
O vulcão que afetou o planeta
Os efeitos da erupção ultrapassaram as
fronteiras mexicanas. O vulcão liberou uma quantidade excepcionalmente grande
de dióxido de enxofre na estratosfera. Esse gás deu origem a aerossóis de
sulfato que se espalharam pelo planeta, refletindo parte da radiação solar e
provocando um resfriamento temporário da superfície terrestre.
A nuvem vulcânica também afetou a aviação e foi
acompanhada por instrumentos científicos em diferentes partes do mundo. O
episódio tornou-se importante para o estudo das relações entre grandes erupções
vulcânicas e o clima global.
Uma lição que permanece
A tragédia do El Chichón demonstrou que um
vulcão pouco conhecido não é necessariamente um vulcão inofensivo. Também
revelou como a falta de monitoramento, a comunicação deficiente e a dificuldade
de avaliar os riscos podem transformar um fenômeno natural em uma catástrofe
humana.
Em 1982, milhares de pessoas perderam suas
casas, seus meios de sobrevivência e seus familiares. A paisagem mudou
radicalmente, e o vulcão, que antes passava quase despercebido, tornou-se um dos
exemplos mais marcantes dos perigos da atividade vulcânica.
A montanha não precisava ser a mais famosa do
mundo para representar um perigo imenso. Bastou uma semana para mudar a
história de toda uma região.
Fontes para aprofundamento: Serviço Geológico
dos Estados Unidos (USGS) e Programa Global de Vulcanismo do Instituto
Smithsonian.





























