A Caverna Veryovkina, considerada o ponto
mais profundo acessível no interior da Terra conhecido até hoje, desperta
fascínio por representar o limite da exploração subterrânea humana.
Esse sonho de descer ao coração do planeta,
imortalizado por Júlio Verne em seu clássico romance "Viagem ao Centro da
Terra" (publicado em 1864), continua inspirando espeleólogos.
Embora nenhuma caverna nos leve literalmente
ao centro da Terra (que fica a cerca de 6.371 km de profundidade), a Veryovkina
permite chegar o mais próximo possível desse sonho - mais de 2 km abaixo da
superfície.
Localizada no Maciço Arabika, na cordilheira
do Cáucaso, entre as montanhas Krepost e Zont, na região da Abkhazia (um território
de status disputado, considerado internacionalmente parte da Geórgia), a
caverna possui uma entrada relativamente pequena (cerca de 3 m × 4 m) a
aproximadamente 2.285 metros acima do nível do mar.
Sua profundidade confirmada atualmente é de
2.209 metros (segundo medições mais recentes de 2024 e listas atualizadas em
2025), o que a coloca como a segunda caverna mais profunda do mundo, atrás
apenas da Krubera-Voronja (cerca de 2.224 m), também na mesma região.
Em muitos contextos e registros anteriores
(como o Guinness World Records de 2018), ela ainda é citada com 2.212 metros,
marca alcançada em 2018 e que por anos a manteve como recordista absoluta.
História da Exploração
A descoberta da caverna ocorreu em 1968, por
espeleólogos da cidade russa de Krasnoyarsk, que desceram inicialmente até 115
metros. O progresso foi lento nas décadas seguintes:
Em 1986, um grupo de Moscou, liderado por
Oleg Parfenov, alcançou 440 metros.
A partir dos anos 2000, o clube Perovo-Speleo
(PSC), de Moscou, assumiu a liderança das expedições, realizando incursões
regulares.
Entre 2015 e 2018, o grupo quebrou recordes
sucessivamente: em agosto de 2017 chegou a 2.204 m (novo recorde mundial na
época), e em março de 2018 alcançou os famosos 2.212 metros, no sump terminal
(poço inundado final, chamado "Captain Nemo's Last Stand" em algumas
expedições). Em 2019, a profundidade foi mantida/reconfirmada em 2.212 m.
Em 2023, uma expedição usou drone subaquático
para mapear o sifão inferior, aumentando temporariamente para 2.223 metros. Porém,
em agosto de 2024, nova revisão e medições ajustaram o valor oficial para 2.209
metros (incluindo cerca de 26 m no sifão inferior).
O sistema total mapeado ultrapassa 17,5 km de
túneis e galerias, com poços verticais impressionantes (alguns de mais de 100-200
m), estreituras apertadas, rios subterrâneos e lagos.
Para chegar ao fundo, os exploradores montam
acampamentos permanentes em profundidades como -600 m, -1.350 m e -2.100 m -
uma logística semelhante à de escaladas em montanhas de 8.000 m, mas no sentido
descendente. A descida completa pode levar vários dias.
Perigos e Incidentes Marcantes
A Veryovkina é extremamente perigosa: chuvas
intensas podem causar inundações súbitas (como em 2018, quando uma equipe
escapou por pouco de uma enchente), hipotermia, quedas e desorientação.
Em 2021, o corpo de Sergei Kozeev, um
explorador que tentou descer sozinho em 2020, foi encontrado a cerca de 1.100
metros de profundidade - um lembrete trágico dos riscos de incursões sem equipe
e preparação adequada.
Apesar disso, as expedições continuam
revelando surpresas: formas de vida adaptadas à escuridão total (troglóbios),
como pequenos invertebrados, e até bactérias em sedimentos profundos, ajudando
a entender ecossistemas extremos.
A Caverna Veryovkina simboliza o espírito
humano de exploração: metade de século, dezenas de expedições e esforço
coletivo de espeleólogos russos transformaram uma fenda modesta em uma das
maiores conquistas da espeleologia mundial. Ela nos lembra que, mesmo no nosso
planeta, ainda há lugares inexplorados e misteriosos bem debaixo dos nossos
pés.
A Caverna Veryovkina, considerada o ponto
mais profundo acessível no interior da Terra conhecido até hoje, desperta
fascínio por representar o limite da exploração subterrânea humana.
Esse sonho de descer ao coração do planeta,
imortalizado por Júlio Verne em seu clássico romance "Viagem ao Centro da
Terra" (publicado em 1864), continua inspirando espeleólogos.
Embora nenhuma caverna nos leve literalmente
ao centro da Terra (que fica a cerca de 6.371 km de profundidade), a Veryovkina
permite chegar o mais próximo possível desse sonho - mais de 2 km abaixo da
superfície.
Localizada no Maciço Arabika, na cordilheira
do Cáucaso, entre as montanhas Krepost e Zont, na região da Abkhazia (um território
de status disputado, considerado internacionalmente parte da Geórgia), a
caverna possui uma entrada relativamente pequena (cerca de 3 m × 4 m) a
aproximadamente 2.285 metros acima do nível do mar.
Sua profundidade confirmada atualmente é de
2.209 metros (segundo medições mais recentes de 2024 e listas atualizadas em
2025), o que a coloca como a segunda caverna mais profunda do mundo, atrás
apenas da Krubera-Voronja (cerca de 2.224 m), também na mesma região.
Em muitos contextos e registros anteriores
(como o Guinness World Records de 2018), ela ainda é citada com 2.212 metros,
marca alcançada em 2018 e que por anos a manteve como recordista absoluta.
História da Exploração
A descoberta da caverna ocorreu em 1968, por
espeleólogos da cidade russa de Krasnoyarsk, que desceram inicialmente até 115
metros. O progresso foi lento nas décadas seguintes:
Em 1986, um grupo de Moscou, liderado por
Oleg Parfenov, alcançou 440 metros.
A partir dos anos 2000, o clube Perovo-Speleo
(PSC), de Moscou, assumiu a liderança das expedições, realizando incursões
regulares.
Entre 2015 e 2018, o grupo quebrou recordes
sucessivamente: em agosto de 2017 chegou a 2.204 m (novo recorde mundial na
época), e em março de 2018 alcançou os famosos 2.212 metros, no sump terminal
(poço inundado final, chamado "Captain Nemo's Last Stand" em algumas
expedições). Em 2019, a profundidade foi mantida/reconfirmada em 2.212 m.
Em 2023, uma expedição usou drone subaquático
para mapear o sifão inferior, aumentando temporariamente para 2.223 metros. Porém,
em agosto de 2024, nova revisão e medições ajustaram o valor oficial para 2.209
metros (incluindo cerca de 26 m no sifão inferior).
O sistema total mapeado ultrapassa 17,5 km de
túneis e galerias, com poços verticais impressionantes (alguns de mais de 100-200
m), estreituras apertadas, rios subterrâneos e lagos.
Para chegar ao fundo, os exploradores montam
acampamentos permanentes em profundidades como -600 m, -1.350 m e -2.100 m -
uma logística semelhante à de escaladas em montanhas de 8.000 m, mas no sentido
descendente. A descida completa pode levar vários dias.
Perigos e Incidentes Marcantes
A Veryovkina é extremamente perigosa: chuvas
intensas podem causar inundações súbitas (como em 2018, quando uma equipe
escapou por pouco de uma enchente), hipotermia, quedas e desorientação.
Em 2021, o corpo de Sergei Kozeev, um
explorador que tentou descer sozinho em 2020, foi encontrado a cerca de 1.100
metros de profundidade - um lembrete trágico dos riscos de incursões sem equipe
e preparação adequada.
Apesar disso, as expedições continuam
revelando surpresas: formas de vida adaptadas à escuridão total (troglóbios),
como pequenos invertebrados, e até bactérias em sedimentos profundos, ajudando
a entender ecossistemas extremos.
A Caverna Veryovkina simboliza o espírito
humano de exploração: metade de século, dezenas de expedições e esforço
coletivo de espeleólogos russos transformaram uma fenda modesta em uma das
maiores conquistas da espeleologia mundial. Ela nos lembra que, mesmo no nosso
planeta, ainda há lugares inexplorados e misteriosos bem debaixo dos nossos
pés.