Nadav Ben Yehuda: o alpinista que arriscou a própria vida para salvar um desconhecido
Nadav Ben Yehuda, nascido em
29 de fevereiro de 1988, é um alpinista israelense, profissional de busca e
salvamento, fotógrafo e palestrante. Sua trajetória é marcada por grandes
desafios nas montanhas mais extremas do planeta – e, sobretudo, por episódios
em que colocou a própria vida em risco para salvar outras pessoas.
Em 2012, durante uma escalada
no Monte Everest, quando estava a aproximadamente 300 metros do cume, Ben
Yehuda encontrou o alpinista turco Aydin Irmak, inconsciente e gravemente
ferido. Em vez de continuar em direção ao cume, decidiu interromper sua própria
escalada e iniciar uma operação de resgate.
A descida foi extremamente
perigosa. Ben Yehuda precisou retirar as luvas da mão direita, enquanto seu
sistema de oxigênio também deixou de funcionar. Mesmo enfrentando temperaturas
extremas e colocando a própria vida em risco, conseguiu levar Irmak de volta
com vida.
O esforço, porém, teve um
preço alto. Ben Yehuda sofreu graves lesões pelo frio e chegou a enfrentar o risco
de amputação dos dedos da mão direita. Pelo ato de coragem e voluntariado,
recebeu uma Medalha Presidencial de Honra durante uma cerimônia de premiação
por voluntariado. Naquela temporada de primavera de 2012, dez alpinistas
morreram no Everest.
No mesmo ano, em 9 de março,
Ben Yehuda estabeleceu um recorde israelense na categoria Run-Up, ao
subir 19.721 degraus da Torre Moshe Aviv, o arranha-céu mais alto de Israel,
completando a subida 13 vezes consecutivas.
Em setembro, levou ao cume do Monte
Kazbek, na Geórgia, a bandeira de Israel que havia recebido do então presidente
Shimon Peres. No mês seguinte, realizou uma escalada alpina solo das duas
montanhas mais altas dos Pireneus.
A lista de seus feitos continuou crescendo.
Em 2014, Ben Yehuda escalou duas
montanhas com mais de 8.000 metros em uma única temporada. No cume do Cho Oyu,
a sexta montanha mais alta do mundo, a 8.206 metros de altitude, ergueu também
um cartão de doação de órgãos, chamando atenção para a importância da doação.
Ainda naquele ano, sua
experiência em situações extremas foi novamente colocada à prova. Após o
desastre provocado pela tempestade de neve no Himalaia nepalês, ele foi
convocado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela Embaixada de
Israel no Nepal para participar de operações de busca e salvamento.
O desastre, associado à
passagem do ciclone Hudhud, deixou dezenas de mortos, desaparecidos e feridos,
incluindo quatro israelenses.
Pouco depois, no final de
outubro, Ben Yehuda participou de outra missão de resgate no Nepal, desta vez
após um ônibus capotar e despencar de um penhasco na região de Langtang. O
acidente deixou 14 mortos e mais de 50 feridos, entre eles turistas
israelenses.
Em 2014, foi escolhido pela
Associação Israelense de Esportes Competitivos Não Olímpicos para o prêmio de Melhor
Atleta na modalidade de escalada alpina.
Em janeiro de 2015, escalou o Monte
Kilimanjaro, o ponto mais alto da África. No cume, fez um pedido de casamento à
sua companheira, Lena Malenkovich. Os dois se casaram naquele mesmo ano.
Também em 2015, Ben Yehuda
tornou-se o primeiro israelense a alcançar o cume do Monte Elbrus durante o
inverno, enfrentando temperaturas que podem cair abaixo de −50 °C e ventos
extremamente fortes.
Em 1º de maio de 2016,
alcançou uma de suas maiores conquistas: tornou-se o primeiro israelense a
chegar ao cume do Annapurna I, com 8.091 metros, uma das montanhas mais
perigosas do planeta.
No cume, carregou a bandeira
de Israel e outra bandeira contendo os nomes de israelenses que haviam morrido em
desastres no Nepal – pessoas que, em alguns casos, ele próprio havia ajudado a
procurar durante operações de resgate.
Em fevereiro de 2017, foi
incluído pela revista Forbes em uma lista de pessoas influentes com
menos de 30 anos. Meses depois, em setembro, realizou uma ascensão rápida ao Manaslu,
de 8.163 metros, sem utilizar oxigênio suplementar nem passar por um período
convencional de pré-aclimatação. Toda a expedição levou apenas 14 dias.
Mas talvez um dos episódios
mais dramáticos de sua trajetória tenha acontecido em maio de 2018, durante uma
tentativa de ascensão ao Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo.
Sem utilizar oxigênio
suplementar, Ben Yehuda sofreu uma queda abaixo do cume e ficou gravemente
ferido. Inicialmente, chegou a ser considerado morto. Sozinho, passou uma noite
e parte do dia seguinte em condições extremas, a mais de 8.000 metros de
altitude.
Contra todas as expectativas,
foi localizado e resgatado com vida. Sobreviveu, mas sofreu graves queimaduras
e outros ferimentos. A história de Nadav Ben Yehuda não é apenas uma coleção de
recordes e conquistas nas montanhas. É também uma história sobre coragem,
resistência e escolhas.
No Everest, quando estava a
poucos minutos de uma possível conquista pessoal, ele escolheu voltar para
salvar um homem que sequer conhecia. Porque, para algumas pessoas, chegar ao
cume é uma conquista. Salvar uma vida é algo muito maior.



























