The Statement (A Confissão): culpa, perseguição e os fantasmas da guerra
The Statement — lançado no Brasil com o título A Confissão — é um filme de
drama e suspense produzido em 2003, dirigido por Norman Jewison e estrelado por
um elenco de grande destaque, entre eles Michael Caine, no papel de Pierre
Brossard; Tilda Swinton, como Anne-Marie Levy; Jeremy Northam, interpretando o
coronel Roux; além de Alan Bates, Charlotte Rampling, Ciarán Hinds e Matt
Craven.
O roteiro é
inspirado na trajetória real de Paul Touvier, integrante da polícia da França
de Vichy, acusado de crimes contra a humanidade cometidos durante a Segunda
Guerra Mundial.
A obra mistura fatos históricos e ficção para
explorar não apenas os crimes do passado, mas também o silêncio, a culpa e as
alianças obscuras que permaneceram por décadas após o conflito.
Em 1944,
Touvier, então membro da Milícia Francesa e colaborador do regime nazista que
ocupava a França, esteve envolvido na prisão e execução de sete judeus
franceses.
O massacre ocorreu como represália ao
assassinato de um ministro do governo de Vichy pelo Maquis, grupo ligado à
resistência francesa contra a ocupação alemã.
Após o término
da guerra, enquanto inúmeros colaboradores eram julgados, Touvier conseguiu
escapar da justiça por décadas. Sua fuga foi sustentada por uma complexa rede
de apoio formada por simpatizantes e figuras religiosas ligadas a setores
conservadores, circunstância que gerou intensos debates e controvérsias
envolvendo instituições e responsabilidades morais no pós-guerra.
Somente em 1989
ele foi localizado e preso em um priorado na cidade de Nice, no sul da França.
Em 1994, acabou condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade,
tornando-se um dos poucos franceses julgados e condenados por colaboração
direta com o regime nazista. Morreu na prisão em 1996.
O filme utiliza
esse contexto histórico como ponto de partida, mas desenvolve uma narrativa
própria, centrada na figura fictícia de Pierre Brossard, personagem interpretado
por Michael Caine.
Logo nos minutos
iniciais, uma curiosidade chama a atenção dos espectadores: um homem procura
Brossard carregando sua fotografia. Na imagem, ao lado do personagem de Caine,
aparece o próprio diretor Norman Jewison, caracterizado como um padre — uma
participação discreta, mas simbólica, que reforça o clima de mistério e
perseguição presente ao longo da obra.
Enredo
Pierre Brossard
é um antigo policial francês que colaborou com os nazistas durante a ocupação
da França. Em junho de 1944, ele participa da captura e do fuzilamento de sete
judeus em uma pequena cidade do interior francês, ato que marcaria para sempre
seu destino.
Com o fim da
guerra e a libertação do país, Brossard é condenado à morte in
absentia — isto é, à revelia — e desaparece por décadas, protegido
por uma rede clandestina composta por religiosos e antigos colaboradores do
regime de Vichy que ocupam posições influentes.
Entretanto, o
passado começa a cobrar seu preço. Já envelhecido e vivendo sob constante
vigilância, Brossard passa a ser alvo de sucessivas tentativas de assassinato,
inicialmente atribuídas a grupos judeus dedicados à caça de antigos criminosos
nazistas.
A juíza
Anne-Marie Levy, interpretada por Tilda Swinton, e o coronel Roux, da
inteligência do exército francês, iniciam então uma corrida contra o tempo para
encontrá-lo antes que seja morto.
Lentamente, ambos concluem que os atentados
podem ter origem em algo ainda mais perturbador: não seriam movidos apenas por
vingança, mas articulados por membros influentes do próprio establishment
francês — homens com passados comprometidos pela colaboração durante a guerra e
interessados em impedir que antigos segredos venham à tona.
À medida que a
trama avança, o suspense cresce em torno das alianças políticas, da corrupção
moral e da dificuldade de uma sociedade confrontar suas próprias sombras
históricas. Apesar dos esforços de Levy e Roux, eles chegam tarde demais.
Após uma série de tentativas fracassadas, uma
conspiração cuidadosamente arquitetada alcança seu objetivo, e Brossard é morto
por alguém ligado ao próprio esquema que desejava silenciá-lo. Quando o coronel
finalmente chega ao local, ainda o encontra agonizando, mas incapaz de impedir
seu último suspiro.
Mais do que um
thriller político, A Confissão é uma reflexão sobre memória, justiça
e responsabilidade histórica. O filme questiona até que ponto crimes do passado
podem realmente permanecer enterrados e mostra como guerras não terminam quando
cessam os combates — seus ecos continuam vivos nas consciências, nos arquivos
ocultos e nas verdades que muitos preferem não recordar.
Além disso, a produção possui valor especial
na carreira de seus realizadores. Foi o último filme do consagrado ator Alan
Bates e também a despedida cinematográfica de Norman Jewison, diretor
responsável por obras marcantes como No Calor da Noite, deixando em
The
Statement um encerramento digno de sua trajetória no cinema.









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