Palmanova é uma comuna (município) italiana
localizada na região do Friuli-Venezia Giulia, na província (atual entidade
descentralizada regional) de Udine, no nordeste da Itália.
Com uma população estimada em cerca de 5.300
a 5.400 habitantes (dados recentes de 2025 indicam aproximadamente 5.312
habitantes), a cidade se estende por uma área de 13 km², resultando em uma
densidade populacional de cerca de 400-411 habitantes por km².
Faz fronteira com as comunas de Bagnaria
Arsa, Gonars, San Vito al Torre, Santa Maria la Longa, Trivignano Udinese e
Visco. Fundada em 7 de outubro de 1593 pela República de Veneza (Sereníssima
República), Palmanova foi projetada como uma cidade-fortaleza ideal do final do
Renascimento, com o objetivo de proteger as fronteiras orientais contra
possíveis invasões otomanas e austríacas.
Seu traçado urbano único, em forma de estrela
de nove pontas (nove baluartes), foi concebido por arquitetos e engenheiros
venezianos, com destaque para o influente Vincenzo Scamozzi.
Essa forma geométrica perfeita permitia uma
defesa mútua entre os pontos da estrela, tornando-a um dos exemplos mais bem-sucedidos
de "cidade ideal fortificada" já construída.
As fortificações originais venezianas dos
séculos XVI e XVII incluem dois círculos concêntricos de muralhas com nove
baluartes e nove ravellins (estruturas defensivas avançadas).
No início do século XIX, Napoleão Bonaparte
acrescentou um terceiro círculo externo com nove lunetas (fortificações em
meia-lua), ampliando ainda mais o sistema defensivo e consolidando o formato
estelar característico.
A cidade permaneceu sob domínio veneziano por
cerca de dois séculos. Em 1797, as tropas francesas de Napoleão ocuparam
Palmanova durante a campanha da Itália, e em 1797-1798, com o Tratado de Campo
Formio, a República de Veneza foi dissolvida.
A fortaleza passou então para o controle
austríaco (1798–1805), foi incorporada ao Reino da Itália napoleônico (1806-1814)
e, após o plebiscito de 1866, uniu-se definitivamente ao Reino da Itália.
Durante as duas Guerras Mundiais, serviu como
base de apoio, inclusive hospitalar, mas preservou sua estrutura intacta. Em
1960, Palmanova foi declarada Monumento Nacional italiano.
Em 9 de julho de 2017, suas fortificações
venezianas foram inscritas na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, como parte
do sítio transnacional "Obras de Defesa Venezianas entre os séculos XVI e
XVII: Stato da Terra - Stato da Mar Ocidental" (junto com cidades como
Bergamo e Peschiera del Garda na Itália, e outras na Croácia e Montenegro).
O centro histórico impressiona pela simetria
perfeita. A Piazza Grande (ou Piazza d'Armi), de formato hexagonal, é o coração
da cidade e ponto de partida das seis ruas radiais principais (embora o desenho
estelar tenha nove direções defensivas).
Dela se avista o traçado urbano radiado e
concentram-se as principais atrações: A Catedral do Santissimo Redentore
(Duomo), com elementos renascentistas e barrocos; A Loggia dei Mercanti (ou
Loggia della Gran Guardia);
O Palazzo del Provveditore Generale (antiga
residência do governador veneziano); Outros edifícios históricos importantes,
como o Museo Storico Civico (que exibe artefatos militares e da história
local).
As três portas monumentais de entrada - Porta
Udine, Porta Cividale e Porta Aquileia - estão perfeitamente conservadas e
representam acessos icônicos. É possível percorrer as muralhas a pé ou de
bicicleta (o perímetro é acessível gratuitamente), admirar as galerias de
saída, pontes venezianas, fossos e as lunetas napoleônicas.
Palmanova é hoje um destino imperdível para
quem aprecia história militar, arquitetura renascentista e urbanismo planejado.
Reconhecida também como um dos "Borghi più belli d'Italia" (vilarejos
mais bonitos da Itália) desde 2018, oferece uma experiência única: caminhar por
uma cidade que parece saída de um desenho geométrico perfeito, preservada por
mais de quatro séculos.
Vale a pena visitar especialmente durante eventos históricos ou recriações de época que celebram sua fundação veneziana.









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