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quarta-feira, outubro 07, 2026

Nadav Ben Yehuda - Alpinista Israelense


 

Nadav Ben Yehuda: o alpinista que arriscou a própria vida para salvar um desconhecido

Nadav Ben Yehuda, nascido em 29 de fevereiro de 1988, é um alpinista israelense, profissional de busca e salvamento, fotógrafo e palestrante. Sua trajetória é marcada por grandes desafios nas montanhas mais extremas do planeta – e, sobretudo, por episódios em que colocou a própria vida em risco para salvar outras pessoas.

Em 2012, durante uma escalada no Monte Everest, quando estava a aproximadamente 300 metros do cume, Ben Yehuda encontrou o alpinista turco Aydin Irmak, inconsciente e gravemente ferido. Em vez de continuar em direção ao cume, decidiu interromper sua própria escalada e iniciar uma operação de resgate.

A descida foi extremamente perigosa. Ben Yehuda precisou retirar as luvas da mão direita, enquanto seu sistema de oxigênio também deixou de funcionar. Mesmo enfrentando temperaturas extremas e colocando a própria vida em risco, conseguiu levar Irmak de volta com vida.

O esforço, porém, teve um preço alto. Ben Yehuda sofreu graves lesões pelo frio e chegou a enfrentar o risco de amputação dos dedos da mão direita. Pelo ato de coragem e voluntariado, recebeu uma Medalha Presidencial de Honra durante uma cerimônia de premiação por voluntariado. Naquela temporada de primavera de 2012, dez alpinistas morreram no Everest.

No mesmo ano, em 9 de março, Ben Yehuda estabeleceu um recorde israelense na categoria Run-Up, ao subir 19.721 degraus da Torre Moshe Aviv, o arranha-céu mais alto de Israel, completando a subida 13 vezes consecutivas.

Em setembro, levou ao cume do Monte Kazbek, na Geórgia, a bandeira de Israel que havia recebido do então presidente Shimon Peres. No mês seguinte, realizou uma escalada alpina solo das duas montanhas mais altas dos Pireneus.

A lista de seus feitos continuou crescendo.

Em 2014, Ben Yehuda escalou duas montanhas com mais de 8.000 metros em uma única temporada. No cume do Cho Oyu, a sexta montanha mais alta do mundo, a 8.206 metros de altitude, ergueu também um cartão de doação de órgãos, chamando atenção para a importância da doação.

Ainda naquele ano, sua experiência em situações extremas foi novamente colocada à prova. Após o desastre provocado pela tempestade de neve no Himalaia nepalês, ele foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela Embaixada de Israel no Nepal para participar de operações de busca e salvamento.

O desastre, associado à passagem do ciclone Hudhud, deixou dezenas de mortos, desaparecidos e feridos, incluindo quatro israelenses.

Pouco depois, no final de outubro, Ben Yehuda participou de outra missão de resgate no Nepal, desta vez após um ônibus capotar e despencar de um penhasco na região de Langtang. O acidente deixou 14 mortos e mais de 50 feridos, entre eles turistas israelenses.

Em 2014, foi escolhido pela Associação Israelense de Esportes Competitivos Não Olímpicos para o prêmio de Melhor Atleta na modalidade de escalada alpina.

Em janeiro de 2015, escalou o Monte Kilimanjaro, o ponto mais alto da África. No cume, fez um pedido de casamento à sua companheira, Lena Malenkovich. Os dois se casaram naquele mesmo ano.

Também em 2015, Ben Yehuda tornou-se o primeiro israelense a alcançar o cume do Monte Elbrus durante o inverno, enfrentando temperaturas que podem cair abaixo de −50 °C e ventos extremamente fortes.

Em 1º de maio de 2016, alcançou uma de suas maiores conquistas: tornou-se o primeiro israelense a chegar ao cume do Annapurna I, com 8.091 metros, uma das montanhas mais perigosas do planeta.

No cume, carregou a bandeira de Israel e outra bandeira contendo os nomes de israelenses que haviam morrido em desastres no Nepal – pessoas que, em alguns casos, ele próprio havia ajudado a procurar durante operações de resgate.

Em fevereiro de 2017, foi incluído pela revista Forbes em uma lista de pessoas influentes com menos de 30 anos. Meses depois, em setembro, realizou uma ascensão rápida ao Manaslu, de 8.163 metros, sem utilizar oxigênio suplementar nem passar por um período convencional de pré-aclimatação. Toda a expedição levou apenas 14 dias.

Mas talvez um dos episódios mais dramáticos de sua trajetória tenha acontecido em maio de 2018, durante uma tentativa de ascensão ao Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo.

Sem utilizar oxigênio suplementar, Ben Yehuda sofreu uma queda abaixo do cume e ficou gravemente ferido. Inicialmente, chegou a ser considerado morto. Sozinho, passou uma noite e parte do dia seguinte em condições extremas, a mais de 8.000 metros de altitude.

Contra todas as expectativas, foi localizado e resgatado com vida. Sobreviveu, mas sofreu graves queimaduras e outros ferimentos. A história de Nadav Ben Yehuda não é apenas uma coleção de recordes e conquistas nas montanhas. É também uma história sobre coragem, resistência e escolhas.

No Everest, quando estava a poucos minutos de uma possível conquista pessoal, ele escolheu voltar para salvar um homem que sequer conhecia. Porque, para algumas pessoas, chegar ao cume é uma conquista. Salvar uma vida é algo muito maior.


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