Ele tentou fugir. Mas não conseguiu.
Entre os vestígios da erupção
do Vesúvio, em Pompeia, foi encontrado o corpo de um homem de aproximadamente
30 anos que parece ter morrido enquanto tentava escapar da catástrofe que, no
ano 79 d.C., destruiu a cidade romana.
O homem caminhava sobre uma
espessa camada de lapilli – pequenas pedras e fragmentos vulcânicos lançados
durante a erupção. Uma de suas pernas apresentava sinais de uma grave infecção,
o que provavelmente dificultava seus movimentos e lhe causava intensa dor.
Mesmo assim, ele carregava
consigo um pequeno saco com dinheiro: 20 denários de prata e dois asses de
bronze. As moedas haviam sido cunhadas em diferentes períodos da história
romana, algumas com até dois séculos de diferença entre si.
Entre elas estava um denário
legionário de Marco Antônio, associado à sua XXI Legião – uma moeda que já
tinha cerca de um século de existência quando Pompeia foi destruída.
Tudo indica que aquele homem
estava tentando sobreviver. Em determinado momento, uma violenta onda de
material vulcânico atingiu a região. Ele caiu de costas sobre o lapilli, ainda
segurando o dinheiro junto ao peito.
Mas o golpe final veio de
outra direção. Uma enorme pedra, provavelmente desprendida da estrutura de uma
construção, atingiu sua cabeça e a parte superior do corpo. O bloco pesava
cerca de 300 quilos e acabou esmagando o fugitivo, prendendo-o sobre a camada
de material vulcânico.
Durante muito tempo, a imagem
de Pompeia ficou associada às vítimas surpreendidas e mortas quase
instantaneamente pelos fluxos piroclásticos – correntes extremamente quentes e
rápidas de gases e partículas vulcânicas que atravessaram a cidade.
Mas o homem encontrado entre
os escombros conta uma história um pouco diferente. Ele parece ter percebido o
perigo. Tentou fugir.
Talvez tenha acreditado que
ainda havia uma chance. Levou consigo aquilo que possuía de valor e avançou,
apesar da perna ferida, enquanto o Vesúvio transformava Pompeia em um cenário
de morte e destruição.
Não sabemos seu nome. Não
sabemos para onde pretendia ir. Não sabemos se tinha família esperando por ele.
Sabemos apenas que, há quase dois mil anos, um homem correu – ou tentou correr –
para escapar de uma das maiores catástrofes da Antiguidade.
E acabou eternizado exatamente
no instante em que sua fuga terminou. Pompeia não preservou apenas uma cidade.
Preservou também o último esforço de um homem para sobreviver.









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