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domingo, outubro 04, 2026

O Fugitivo de Pompeia


 

Ele tentou fugir. Mas não conseguiu.

Entre os vestígios da erupção do Vesúvio, em Pompeia, foi encontrado o corpo de um homem de aproximadamente 30 anos que parece ter morrido enquanto tentava escapar da catástrofe que, no ano 79 d.C., destruiu a cidade romana.

O homem caminhava sobre uma espessa camada de lapilli – pequenas pedras e fragmentos vulcânicos lançados durante a erupção. Uma de suas pernas apresentava sinais de uma grave infecção, o que provavelmente dificultava seus movimentos e lhe causava intensa dor.

Mesmo assim, ele carregava consigo um pequeno saco com dinheiro: 20 denários de prata e dois asses de bronze. As moedas haviam sido cunhadas em diferentes períodos da história romana, algumas com até dois séculos de diferença entre si.

Entre elas estava um denário legionário de Marco Antônio, associado à sua XXI Legião – uma moeda que já tinha cerca de um século de existência quando Pompeia foi destruída.

Tudo indica que aquele homem estava tentando sobreviver. Em determinado momento, uma violenta onda de material vulcânico atingiu a região. Ele caiu de costas sobre o lapilli, ainda segurando o dinheiro junto ao peito.

Mas o golpe final veio de outra direção. Uma enorme pedra, provavelmente desprendida da estrutura de uma construção, atingiu sua cabeça e a parte superior do corpo. O bloco pesava cerca de 300 quilos e acabou esmagando o fugitivo, prendendo-o sobre a camada de material vulcânico.

Durante muito tempo, a imagem de Pompeia ficou associada às vítimas surpreendidas e mortas quase instantaneamente pelos fluxos piroclásticos – correntes extremamente quentes e rápidas de gases e partículas vulcânicas que atravessaram a cidade.

Mas o homem encontrado entre os escombros conta uma história um pouco diferente. Ele parece ter percebido o perigo. Tentou fugir.

Talvez tenha acreditado que ainda havia uma chance. Levou consigo aquilo que possuía de valor e avançou, apesar da perna ferida, enquanto o Vesúvio transformava Pompeia em um cenário de morte e destruição.

Não sabemos seu nome. Não sabemos para onde pretendia ir. Não sabemos se tinha família esperando por ele. Sabemos apenas que, há quase dois mil anos, um homem correu – ou tentou correr – para escapar de uma das maiores catástrofes da Antiguidade.

E acabou eternizado exatamente no instante em que sua fuga terminou. Pompeia não preservou apenas uma cidade. Preservou também o último esforço de um homem para sobreviver.

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