E
se aquilo que você chama de “loucura” for, na verdade, a coragem de finalmente
ser você mesmo?
Khalil Gibran
escreveu uma das mais profundas reflexões sobre liberdade, identidade e as
máscaras que utilizamos para sobreviver ao mundo.
“Perguntais-me
como me tornei louco. Aconteceu assim: um dia, despertei de um sono profundo e
percebi que todas as minhas máscaras haviam sido roubadas – as sete máscaras
que eu mesmo havia confeccionado e usado ao longo de sete vidas.
Desesperado,
corri pelas ruas, sem máscara, gritando:
– Ladrões!
Ladrões! Malditos ladrões!
As pessoas riam
de mim. Algumas fugiam assustadas. Até que um rapaz, do alto de um telhado,
gritou:
– É um louco!
Olhei para cima.
Naquele instante, o sol beijou pela primeira vez a minha face nua. E algo dentro
de mim mudou.
Minha alma
inflamou-se de amor pelo sol. Pela primeira vez, eu estava diante do mundo sem
esconder quem era. E, naquele momento, percebi que não queria mais minhas
máscaras de volta.
Então gritei:
– Benditos sejam
os ladrões que roubaram minhas máscaras!
Foi assim que me
tornei louco. E encontrei, na minha loucura, uma liberdade que jamais havia
conhecido: a liberdade de não precisar ser compreendido.”
–
Khalil Gibran, em O Louco
Talvez essa
história não seja sobre loucura. Talvez seja sobre libertação.
Quantas máscaras utilizamos diariamente para agradar, para sermos aceitos, para
esconder nossas fragilidades ou para representar aquilo que os outros esperam
de nós?
A máscara do
forte. A máscara do feliz. A máscara do profissional perfeito. A máscara
daquele que diz “está tudo bem”, quando, por dentro, está desmoronando.
Com o passar dos
anos, algumas máscaras deixam de ser proteção e se tornam prisão. E talvez
exista um momento na vida em que precisamos perdê-las – mesmo que as pessoas
nos chamem de loucos, diferentes ou incompreendidos.
Porque há uma liberdade extraordinária em poder olhar para o mundo sem precisar fingir. Talvez o verdadeiro ato de coragem seja retirar a máscara e descobrir quem somos quando já não precisamos impressionar ninguém.









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