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domingo, março 22, 2026

A Fossa das Marianas


 

A Fossa das Marianas é o ponto mais profundo dos oceanos da Terra, atingindo cerca de 10.984 metros de profundidade. Localiza-se no oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas, em uma região onde ocorre o encontro entre a Placa do Pacífico e a Placa das Filipinas, formando uma zona de subducção.

Geologicamente, a fossa é resultado do processo em que uma placa tectônica mergulha sob a outra. Nesse caso, a Placa do Pacífico, mais antiga, fria e densa, afunda sob a Placa das Marianas.

Esse movimento forma não apenas a fossa oceânica, mas também o arco vulcânico das Ilhas Marianas, criado pelo material do manto terrestre que sobe à superfície após a liberação de água e gases da placa subduzida.

O ponto mais profundo da fossa recebeu o nome de Challenger Deep, após medições realizadas por navios da Marinha Real britânica, os Challenger e Challenger II.

Exploração das profundezas

O ser humano chegou pela primeira vez ao fundo da Fossa das Marianas em 23 de janeiro de 1960, quando o batiscafo Trieste, da Marinha dos Estados Unidos, desceu até aproximadamente 10.916 metros de profundidade.

A embarcação era tripulada pelo tenente Don Walsh e pelo cientista suíço Jacques Piccard. A descida durou cerca de nove horas, mas eles permaneceram apenas 20 minutos no fundo do oceano devido às condições extremas de pressão.

Durante essa expedição, não foram feitas fotografias do fundo, pois as janelas do batiscafo eram muito pequenas, semelhantes ao tamanho de moedas, para resistirem à enorme pressão da água.

Décadas depois, novas explorações ocorreram com submarinos robóticos. Em 1995, o robô japonês Kaikô voltou a atingir o fundo da fossa, mas foi perdido no mar em 2003 durante uma tempestade.

Em 1985, o oceanógrafo Robert Ballard, famoso por encontrar o Titanic, utilizou veículos submarinos controlados remotamente para estudar o fundo do mar e comprovou que existe vida em profundidades extremas, contrariando a antiga ideia de que abaixo de certos níveis o oceano seria totalmente sem vida.

Essas pesquisas revelaram a existência de organismos que vivem próximos a fontes hidrotermais, chamadas de “chaminés submarinas”, onde o calor e os compostos químicos permitem o desenvolvimento de formas de vida adaptadas à escuridão, ao frio e à pressão gigantesca.

Expedições modernas

Em 25 de março de 2012, o cineasta e explorador James Cameron realizou uma descida solo até o fundo da Fossa das Marianas na expedição Deepsea Challenge. Ele atingiu quase 11 mil metros de profundidade e filmou o local em alta resolução, além de coletar amostras para estudos científicos.

Cameron passou várias horas no fundo, em um local que ainda é menos conhecido pela ciência do que a superfície de Marte. Em 2020, o veículo submarino russo não tripulado Vityaz desceu novamente à fossa de forma totalmente autônoma, utilizando sistemas de inteligência artificial para navegação, mapeamento, fotografia e estudo do ambiente marinho.

Importância científica

A Fossa das Marianas é um dos ambientes mais extremos do planeta, com pressão mais de mil vezes maior que ao nível do mar, temperaturas próximas de zero e completa escuridão. Mesmo assim, abriga formas de vida altamente adaptadas, o que ajuda os cientistas a compreender a origem da vida na Terra e até a possibilidade de vida em outros planetas ou luas oceânicas.

Devido à grande profundidade, já se cogitou utilizar fossas oceânicas para o descarte de resíduos nucleares, mas essa prática é proibida por tratados internacionais, pois poderia causar graves danos ambientais aos oceanos.

Conclusão

A Fossa das Marianas continua sendo um dos lugares menos explorados do planeta. Apesar dos avanços tecnológicos, o fundo dos oceanos ainda guarda inúmeros mistérios, novas espécies e informações importantes sobre a geologia da Terra e a origem da vida.

Explorar essas profundezas é tão desafiador quanto explorar o espaço, e muitos cientistas consideram o oceano profundo a última grande fronteira ignorada do nosso planeta.


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