A Fossa das Marianas é o ponto mais profundo
dos oceanos da Terra, atingindo cerca de 10.984 metros de profundidade.
Localiza-se no oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas, em uma região onde
ocorre o encontro entre a Placa do Pacífico e a Placa das Filipinas, formando uma
zona de subducção.
Geologicamente, a fossa é resultado do
processo em que uma placa tectônica mergulha sob a outra. Nesse caso, a Placa
do Pacífico, mais antiga, fria e densa, afunda sob a Placa das Marianas.
Esse movimento forma não apenas a fossa
oceânica, mas também o arco vulcânico das Ilhas Marianas, criado pelo material
do manto terrestre que sobe à superfície após a liberação de água e gases da
placa subduzida.
O ponto mais profundo da fossa recebeu o nome
de Challenger Deep, após medições realizadas por navios da Marinha Real
britânica, os Challenger e Challenger II.
Exploração das profundezas
O ser humano chegou pela primeira vez ao
fundo da Fossa das Marianas em 23 de janeiro de 1960, quando o batiscafo Trieste,
da Marinha dos Estados Unidos, desceu até aproximadamente 10.916 metros de
profundidade.
A embarcação era tripulada pelo tenente Don
Walsh e pelo cientista suíço Jacques Piccard. A descida durou cerca de nove
horas, mas eles permaneceram apenas 20 minutos no fundo do oceano devido às
condições extremas de pressão.
Durante essa expedição, não foram feitas
fotografias do fundo, pois as janelas do batiscafo eram muito pequenas,
semelhantes ao tamanho de moedas, para resistirem à enorme pressão da água.
Décadas depois, novas explorações ocorreram
com submarinos robóticos. Em 1995, o robô japonês Kaikô voltou a atingir o
fundo da fossa, mas foi perdido no mar em 2003 durante uma tempestade.
Em 1985, o oceanógrafo Robert Ballard, famoso
por encontrar o Titanic, utilizou veículos submarinos controlados remotamente
para estudar o fundo do mar e comprovou que existe vida em profundidades
extremas, contrariando a antiga ideia de que abaixo de certos níveis o oceano
seria totalmente sem vida.
Essas pesquisas revelaram a existência de
organismos que vivem próximos a fontes hidrotermais, chamadas de “chaminés
submarinas”, onde o calor e os compostos químicos permitem o desenvolvimento de
formas de vida adaptadas à escuridão, ao frio e à pressão gigantesca.
Expedições modernas
Em 25 de março de 2012, o cineasta e
explorador James Cameron realizou uma descida solo até o fundo da Fossa das
Marianas na expedição Deepsea Challenge. Ele atingiu quase 11 mil metros de
profundidade e filmou o local em alta resolução, além de coletar amostras para
estudos científicos.
Cameron passou várias horas no fundo, em um
local que ainda é menos conhecido pela ciência do que a superfície de Marte. Em
2020, o veículo submarino russo não tripulado Vityaz desceu novamente à fossa
de forma totalmente autônoma, utilizando sistemas de inteligência artificial
para navegação, mapeamento, fotografia e estudo do ambiente marinho.
Importância científica
A Fossa das Marianas é um dos ambientes mais
extremos do planeta, com pressão mais de mil vezes maior que ao nível do mar,
temperaturas próximas de zero e completa escuridão. Mesmo assim, abriga formas
de vida altamente adaptadas, o que ajuda os cientistas a compreender a origem
da vida na Terra e até a possibilidade de vida em outros planetas ou luas
oceânicas.
Devido à grande profundidade, já se cogitou
utilizar fossas oceânicas para o descarte de resíduos nucleares, mas essa
prática é proibida por tratados internacionais, pois poderia causar graves
danos ambientais aos oceanos.
Conclusão
A Fossa das Marianas continua sendo um dos
lugares menos explorados do planeta. Apesar dos avanços tecnológicos, o fundo
dos oceanos ainda guarda inúmeros mistérios, novas espécies e informações
importantes sobre a geologia da Terra e a origem da vida.
Explorar essas profundezas é tão desafiador
quanto explorar o espaço, e muitos cientistas consideram o oceano profundo a
última grande fronteira ignorada do nosso planeta.










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