Daisy e Cookie - As Cutter Sisters: Um exemplo da representação erótica nos anos 1920.
Daisy e Cookie, conhecidas como The Cutter
Sisters, foram dançarinas das famosas Ziegfeld Follies (espetáculos de
variedades de Florenz Ziegfeld em Nova York) entre 1924 e 1931. Elas foram
fotografadas por Alfred Cheney Johnston (1885–1971), fotógrafo oficial das
produções de Ziegfeld por mais de 15 anos.
Johnston capturava as performers em poses
elegantes, muitas vezes seminuas ou com figurinos extravagantes, refletindo o
glamour e a sensualidade estilizada da época - imagens que hoje seriam
classificadas como softcore ou artísticas, mas que ajudavam a popularizar o nu fotográfico
no entretenimento.
A história das representações eróticas
abrange pinturas, esculturas, fotografias, literatura, teatro, música e outras
formas artísticas que retratam a sexualidade humana ao longo dos séculos.
Praticamente todas as civilizações, antigas e modernas, produziram tais
imagens.
Nas culturas mais antigas, o sexo era
frequentemente ligado a forças divinas ou sobrenaturais, integrando-se às
religiões - como nos templos hindus da Índia (com esculturas explícitas de
Khajuraho), nas tradições tântricas ou nos afrescos eróticos de Pompeia (gregos
e romanos).
Em regiões asiáticas como Índia, Nepal, Japão
e China, o erotismo artístico carregava significados espirituais profundos
dentro das religiões locais. Com o avanço das tecnologias de reprodução, o
erotismo ganhou alcance maior.
A impressão em meio-tom (halftone),
introduzida por volta de 1880, permitiu reproduzir fotografias de forma barata
e em massa, revolucionando a disseminação de imagens eróticas no início do
século XX. Antes limitadas a gravuras e xilogravuras, as publicações agora
podiam incluir fotos realistas, tornando a pornografia um produto de mercado
acessível.
Revistas "artísticas" ou naturistas
surgiram na Europa e nos EUA, como Photo Bits, Figure Photography, Nude Living
e Health & Efficiency (fundada em 1900 na Grã-Bretanha), muitas vezes
disfarçando conteúdo sensual como celebração do corpo ou da arte.
Atrizes burlescas posavam seminuas em capas,
chocando a moral da época. Nos Estados Unidos, as Tijuana Bibles - quadrinhos
eróticos clandestinos de bolso (oito páginas, em preto e branco) - surgiram na
década de 1920 e explodiram nos anos 1930 durante a Grande Depressão.
Parodiavam personagens famosos de tiras (como
Tillie the Toiler ou Maggie e Jiggs) ou celebridades, com cenas explícitas e
humor grosseiro. Vendidas ilegalmente em bares e de mão em mão, representaram
uma forma barata e portátil de pornografia popular.
Na Segunda Guerra Mundial, o termo pin-up
surgiu para descrever fotos de revistas e calendários "fixadas" nas
paredes por soldados. Inicialmente focadas em pernas (como Betty Grable),
passaram a enfatizar seios nos anos 1950, com Marilyn Monroe como ícone.
A partir de 1953, a revista Playboy, fundada
por Hugh Hefner com uma foto de Monroe como centerfold, marcou o início das
revistas masculinas modernas, elevando o erotismo a um produto mainstream e
sofisticado.
No pós-guerra britânico, publicações como
Beautiful Britons, Spick and Span (com ênfase em meias e lingerie) e a mais
ousada Kamera (de Harrison Marks, com contribuições criativas de Pamela Green)
apresentavam poses sedutoras e nu artístico.
Assim, Daisy e Cookie exemplificam a transição do erotismo teatral e fotográfico dos anos 1920 para as formas de massa que dominariam o século XX, refletindo mudanças culturais, tecnológicas e na percepção do corpo e da sexualidade.









0 Comentários:
Postar um comentário