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sábado, outubro 24, 2026

Uma geração que passou


 

Uma geração que passou: a infância que nunca mais vai voltar

Há uma geração que guarda no coração lembranças de um tempo que não volta mais. Uma época em que a felicidade morava nas coisas simples, nas brincadeiras de rua e na liberdade de ser criança.

Era a geração que ia à escola a pé e voltava para casa pensando apenas em terminar a lição o mais rápido possível para sair e brincar. Uma geração que passava boa parte do tempo livre na rua, correndo, pulando, inventando jogos e fazendo amizades que, muitas vezes, duravam a vida inteira.

Era a geração que brincava de esconde-esconde até o anoitecer, jogava bola na rua, pulava corda, brincava de amarelinha e construía castelos de lama. A mesma que tomava banho de chuva, mergulhava em rios, lagoas e açudes e voltava para casa com os pés sujos, os joelhos ralados e um sorriso que não cabia no rosto.

Havia quem colecionasse bolinhas de gude, quem soltasse pipa, quem construísse brinquedos com pedaços de madeira e papel. Alguns faziam arapucas para capturar passarinhos ou saíam pelo mato com estilingues.

Eram costumes de uma época em que a infância acontecia, sobretudo, ao ar livre – embora hoje também saibamos que a natureza e os animais merecem nosso cuidado e respeito.

Era a geração dos pirulitos com apito, das guloseimas azedinhas, dos brinquedos improvisados e das brincadeiras inventadas na hora. Não precisávamos de celulares, internet ou videogames sofisticados para nos divertir. Bastava reunir os amigos, ter um pouco de imaginação e encontrar um lugar onde a brincadeira pudesse começar.

Depois vieram os discos, as fitas cassete, os videocassetes, os disquetes e os walkmans. Guardávamos fotografias em álbuns, recortávamos figuras, trocávamos bilhetes e esperávamos ansiosamente por programas de televisão. Quem não se lembra de ver o pai tentando consertar a TV ou subir no telhado para ajustar a antena, enquanto alguém gritava da sala: “Agora ficou bom!”?

Era também a geração que tinha pais que pareciam estar sempre por perto, mesmo quando a vida era difícil. A geração que ria baixinho debaixo das cobertas para que eles não percebessem que ainda estava acordada.

Que ouvia histórias dos mais velhos, respeitava os horários de casa e aprendia, nas pequenas experiências cotidianas, algumas das lições que levaria para a vida inteira.

Tínhamos pouco, mas compartilhávamos muito. Dividíamos brinquedos, lanches, segredos e sonhos. As briguinhas aconteciam, como em qualquer infância, mas muitas vezes bastava um convite para brincar novamente para a amizade recomeçar.

Nem tudo era perfeito, é verdade. Também havia dificuldades, limitações e tristezas. Mas existiam momentos de alegria que ficaram guardados na memória como pequenos tesouros.

Hoje, muita coisa mudou. As crianças têm outros brinquedos, outras formas de comunicação e um mundo inteiro ao alcance das mãos. A tecnologia trouxe benefícios extraordinários, mas também transformou a maneira como as pessoas convivem, brincam e constroem suas relações.

Não podemos afirmar que as crianças de antigamente eram mais felizes do que as de hoje. Cada geração tem suas alegrias e seus desafios. O que podemos dizer é que a nossa infância teve uma maneira própria de existir, com experiências que dificilmente se repetirão da mesma forma.

E talvez seja isso que mais emocione quando olhamos para trás: perceber que o tempo levou as ruas de terra, os velhos quintais, as brincadeiras intermináveis e muitos daqueles amigos. Alguns seguiram caminhos diferentes; outros já partiram.

Nossos pais envelheceram, nossas casas mudaram e nós também deixamos de ser aquelas crianças que acreditavam que o mundo era grande, mas que o dia nunca terminaria. Ah, que saudade daquele tempo!

Se pudéssemos voltar por alguns minutos, talvez não quiséssemos mudar absolutamente nada. Gostaríamos apenas de correr mais uma vez pela rua, ouvir a voz dos nossos pais chamando para entrar, encontrar os amigos de antigamente e sentir, mesmo que por um instante, aquela alegria simples de não ter pressa de crescer.

Mas o tempo não volta. A infância passou, e aquela geração também está passando. O que permanece são as lembranças, as histórias contadas aos filhos e netos e a saudade de uma época que, apesar de todas as suas imperfeições, continua viva em nós.

Porque uma geração pode desaparecer, os costumes podem mudar e o mundo pode se transformar. Mas certas lembranças nunca envelhecem. Elas permanecem guardadas no coração, lembrando-nos de quem fomos, de onde viemos e de tudo aquilo que o tempo jamais conseguirá apagar.

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