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quinta-feira, março 26, 2026

Flamingos no Lago Logipi - Quênia


Flamingos no Lago Logipi – Quênia: Um espetáculo rosa no Vale do Rift

No norte remoto do Quênia, o Lago Logipi transforma-se, periodicamente, em um dos cenários mais impressionantes da natureza: uma vasta “cidade rosa” formada por centenas de milhares de flamingos.

Todos os anos, especialmente entre abril e junho (período das chuvas longas), bandos massivos de flamingos migram para os lagos alcalinos do Vale do Rift. O Lago Logipi, uma salina sazonal localizada na extremidade norte do árido Vale Suguta, é um dos principais destinos.

Em condições ideais, o lago fica coberto por uma mancha rosa vibrante em constante movimento, visível até do alto. O Logipi é um lago raso e alcalino, separado do Lago Turkana por um complexo vulcânico chamado “The Barriers”, cujos últimos vulcões entraram em erupção no final do século XIX ou início do XX.

Com cerca de 6 km de largura por 3 km de comprimento e profundidade máxima de apenas 3 a 5 metros, suas águas ricas em bicarbonato de sódio têm pH entre 9,5 e 10,5 e salinidade que varia de menos de 20 g/L a mais de 50 g/L.

Fontes termais no norte e rochas ao sul ajudam a manter o lago úmido mesmo na estação seca. Durante as chuvas fortes, o rio Suguta enche o lago temporário Alablab, que se une ao Logipi, expandindo sua superfície e criando condições perfeitas para o florescimento de algas.

É exatamente essa abundância de cianobactérias (principalmente Arthrospira, antes chamada Spirulina) e plâncton que atrai os flamingos. Eles se alimentam filtrando a água com o bico invertido, transformando o lago em um imenso buffet natural. No Logipi convivem duas espécies principais:

Lesser Flamingo (Phoeniconaias minor): o menor e mais brilhante da família, predominante na África Subsaariana e na Índia. É o grande protagonista das concentrações massivas.

Greater Flamingo (Phoenico pterus roseus): maior e mais distribuído, presente também na Europa, Oriente Médio e Índia.

A famosa coloração rosa dos flamingos não é genética: vem da dieta. Os pigmentos carotenoides das algas e pequenos crustáceos se acumulam nas penas, tornando os Lesser Flamingos mais intensamente rosados que os Greater.

Em 2024, após chuvas acima da média, uma pesquisa aérea registrou cerca de 737 mil Lesser Flamingos no Logipi - algo entre 30% e 50% de toda a população da África Oriental. O bando persistiu durante 2025, com evidências de reprodução bem-sucedida, destacando o lago como um refúgio vital de conservação global.

Além dos flamingos, o local recebe pelicanos, outras aves migratórias e animais do entorno, tornando o Vale Suguta um dos espetáculos mais autênticos e menos visitados do Quênia.

Dica para observadores: a quantidade de flamingos depende diretamente da concentração de algas. Quanto mais produtivo o lago, maior o “flamboyance” (nome coletivo para um grupo de flamingos).

Em anos de boas chuvas, o Logipi pode rivalizar com os famosos lagos Nakuru e Bogoria. Um fenômeno que lembra que a natureza ainda guarda lugares mágicos, onde o deserto se pinta de rosa e a vida explode em cores vibrantes. 


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