Steve McQueen: o eterno “Rei da Frieza” que transformou rebeldia em lenda do cinema.
Poucos atores conseguiram construir uma
imagem tão marcante quanto Steve McQueen. Dono de um estilo inconfundível,
olhar intenso e poucas palavras, ele personificou o herói silencioso, duro e
determinado, tornando-se um dos maiores ícones da história do cinema.
Conhecido mundialmente como “The King of
Cool” (“O Rei da Frieza” ou “O Rei do Estilo”),
McQueen conquistou gerações com personagens fortes e inesquecíveis, especialmente
em filmes de ação e aventura. Seu papel mais lembrado continua sendo o do
prisioneiro francês Henri Charrière, no clássico Papillon (1973), ao lado de
Dustin Hoffman.
O filme, baseado em fatos, narra a
impressionante história de um homem condenado injustamente que enfrenta anos de
sofrimento em uma colônia penal francesa sem jamais abandonar o sonho da
liberdade. A interpretação de McQueen permanece como uma das mais intensas de
sua carreira.
Uma infância marcada por dificuldades.
Terence Steven McQueen nasceu em 24 de março
de 1930, na pequena cidade de Beech Grove, no estado de Indiana, Estados
Unidos. Sua infância esteve longe de ser tranquila. Filho de pais separados,
passou parte dos primeiros anos vivendo com os avós em uma fazenda no Missouri.
Mais tarde, retornou para morar com a mãe,
convivendo em ambientes conturbados e, muitas vezes, violentos. Na
adolescência, envolveu-se com pequenos delitos, frequentou más companhias e
acabou sendo enviado para um reformatório na Califórnia.
Curiosamente, foi naquele ambiente que
encontrou disciplina e começou a mudar sua vida. Anos depois, já famoso,
McQueen costumava visitar o local para conversar com jovens internos,
incentivando-os a não repetir seus próprios erros.
Aos quinze anos, abandonou a família e passou
a sobreviver exercendo diversos trabalhos: foi marinheiro da Marinha Mercante,
carregador, frentista de posto de gasolina, vendedor e operário. Sua vida
parecia destinada ao anonimato, até descobrir a atuação.
O início da carreira
Enquanto estudava interpretação em Nova York,
Steve McQueen aceitou pequenos papéis em produções teatrais para ganhar cerca
de quinze dólares por semana. O dinheiro era pouco, mas foi suficiente para
abrir as portas de uma carreira extraordinária.
Seu primeiro trabalho no cinema foi uma
participação sem créditos em Marcado pela Sarjeta (Somebody Up There Likes Me,
1956), estrelado por Paul Newman. Nos anos seguintes, alternou papéis entre
cinema e televisão.
Entre 1958 e 1961, tornou-se conhecido do
grande público ao interpretar o caçador de recompensas Josh Randall na série de
faroeste Procurado Vivo ou Morto (Wanted: Dead or Alive), sucesso da emissora
CBS que produziu 94 episódios.
Na mesma época, Hollywood já enxergava nele o
sucessor natural de James Dean, morto precocemente em 1955. Ambos
compartilhavam uma imagem de rebeldia, autenticidade e inconformismo que
fascinava o público.
A consagração nas telas
A verdadeira projeção internacional veio com
o clássico Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960), dirigido por
John Sturges. Ao lado de grandes nomes como Yul Brynner, Charles Bronson, James
Coburn e Robert Vaughn, McQueen chamou atenção por seu carisma e presença de
cena.
Poucos anos depois, estrelou outro clássico
absoluto do cinema: Fugindo do Inferno (The Great Escape, 1963). Sua memorável
tentativa de escapar dos alemães pilotando uma motocicleta tornou-se uma das
sequências mais famosas da história do cinema.
Embora as manobras mais perigosas tenham sido
realizadas por um piloto profissional, McQueen executou boa parte das cenas,
graças à sua enorme habilidade sobre duas rodas.
Vieram ainda produções marcantes como:
O Canhoneiro do Yang-Tsé (The Sand Pebbles,
1966), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator;
Bullitt (1968), cuja espetacular perseguição
automobilística pelas ruas de São Francisco revolucionou o cinema de ação e
permanece referência até hoje;
Le Mans (1971), uma verdadeira homenagem ao
automobilismo;
Os Implacáveis (The Getaway, 1972);
Papillon (1973);
Inferno na Torre (The Towering Inferno,
1974), um dos maiores sucessos da década.
Esses filmes consolidaram McQueen como o
principal representante do herói moderno: um homem de poucas palavras,
independente, corajoso e extremamente determinado. Seu estilo influenciaria
atores como Clint Eastwood, Sylvester Stallone, Bruce Willis, Mel Gibson e
muitos outros.
Um apaixonado por velocidade
Se nas telas Steve McQueen interpretava
pilotos e aventureiros, na vida real ele era exatamente isso. Apaixonado por
motocicletas desde a juventude, comprou sua primeira grande moto, uma Indian
Chief 1946, e nunca mais abandonou essa paixão. Ao longo da vida, reuniu uma
coleção com mais de cem motocicletas clássicas.
Também participou de diversas competições
automobilísticas e de motociclismo. Em 1970, disputou as tradicionais 12 Horas
de Sebring, terminando em excelente segundo lugar ao volante de um Porsche 908,
mesmo competindo com um pé lesionado.
Sua habilidade era tanta que frequentemente
dispensava dublês nas filmagens, realizando pessoalmente diversas cenas de
perseguição e direção em alta velocidade. Além disso, desenvolveu soluções
técnicas para carros de corrida, registrando inclusive patentes relacionadas ao
esporte automobilístico.
Em reconhecimento à sua contribuição ao
motociclismo, foi introduzido, em 1999, no Motorcycle Hall of Fame, homenagem
concedida após sua morte.
O homem por trás do astro
Apesar do enorme sucesso, Steve McQueen nunca
se sentiu confortável com a fama. Ele próprio se descrevia como um homem rebelde,
desconfiado e pouco sociável. Preferia interpretar personagens imperfeitos,
obstinados e complexos, distantes da figura tradicional do galã romântico.
Na metade da década de 1970, afastou-se
parcialmente de Hollywood. Passava longos períodos isolado em casa, recusando
propostas milionárias. Entre os papéis recusados estavam participações em Apocalypse
Now, de Francis Ford Coppola, e projetos ao lado de Sophia Loren.
Conta-se que seu verdadeiro entusiasmo estava
muito mais nos motores do que nos roteiros. Em certa ocasião, pediu ao seu
mecânico que lesse os roteiros enviados pelos estúdios e lhe mostrasse apenas
aqueles que realmente valessem a pena.
Vida pessoal
Steve McQueen casou-se três vezes. Seu
primeiro casamento foi com a cantora e dançarina Neile Adams, entre 1956 e
1972, união da qual nasceram seus dois filhos.
Depois casou-se com a atriz Ali MacGraw, que
conheceu durante as filmagens de Os Implacáveis (The Getaway, 1972). O
relacionamento foi um dos mais comentados de Hollywood na época, mas terminou
em divórcio em 1978.
Seu último casamento foi com a modelo Barbara
Minty, em janeiro de 1980, poucos meses antes de sua morte.
A luta contra a doença
No final da década de 1970, Steve McQueen foi
diagnosticado com mesotelioma pleural, um tipo raro e extremamente agressivo de
câncer normalmente associado à exposição ao amianto.
Na tentativa de encontrar uma cura, procurou
tratamentos alternativos no México. Mesmo bastante debilitado, ainda conseguiu
concluir seu último filme, Caçador Implacável (The Hunter, 1980).
Steve McQueen faleceu em 7 de novembro de
1980, aos 50 anos, em Ciudad Juárez, no México, pouco após uma cirurgia.
Seu corpo foi cremado, e suas cinzas foram espalhadas sobre o Oceano Pacífico,
conforme seu desejo.
Um legado eterno
Mais de quatro décadas após sua morte, Steve
McQueen permanece como um dos maiores ícones do cinema mundial. Sua influência
ultrapassa as telas e alcança o universo da moda, do automobilismo e da cultura
popular. Sua maneira de interpretar, marcada pela economia de gestos e pela
intensidade do olhar, redefiniu o conceito de protagonista no cinema de ação.
Filmes como Bullitt, Fugindo do Inferno e,
sobretudo, Papillon continuam emocionando novas gerações, comprovando que o
verdadeiro carisma não depende de efeitos especiais nem de discursos
grandiosos.
Steve McQueen conquistou a eternidade sendo
exatamente quem era: um homem inquieto, apaixonado pela velocidade, avesso às
convenções e dono de uma presença que poucos atores conseguiram igualar.
Sua trajetória demonstra ser possível
transformar uma infância difícil, marcada por abandono e rebeldia, em uma
história de superação, talento e sucesso. Steve McQueen não foi apenas um astro
de Hollywood: tornou-se uma lenda cuja imagem continua viva na memória do
cinema.










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