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segunda-feira, outubro 12, 2026

Richard Roose – Morto na Fervura



Richard Roose: o cozinheiro condenado a morrer fervido vivo por ordem de Henrique VIII.

Em 1531, durante o reinado de Henrique VIII, um caso de envenenamento chocou a Inglaterra e terminou com uma das execuções mais cruéis da história do país. Richard Roose era cozinheiro do bispo de Rochester, John Fisher, um dos religiosos que entraram em conflito com o rei.

Em 18 de fevereiro de 1531, Roose preparou uma refeição que foi servida a Fisher, a seus convidados e a pessoas pobres que costumavam receber esmolas nas proximidades da residência episcopal.

Pouco depois, vários deles adoeceram gravemente. Duas pessoas morreram: um homem chamado Curen e uma viúva identificada como Alice Tryppt. A suspeita recaiu sobre a sopa preparada pelo cozinheiro.

O próprio Fisher não adoeceu porque, por razões desconhecidas, não havia comido naquela ocasião.

Preso e submetido a interrogatório sob tortura, Roose confessou ter colocado uma substância na comida. Segundo seu relato, pretendia apenas provocar uma indisposição intestinal, como uma brincadeira, e não matar ninguém.

Henrique VIII, porém, exigiu uma punição exemplar. Em vez de tratar o episódio apenas como um caso de envenenamento e homicídio, o rei promoveu uma mudança na legislação para classificar o envenenamento de pessoas como crime de alta traição, sujeito à morte por fervura.

A medida foi aprovada por meio de uma lei específica em 1531. Roose foi condenado sem o procedimento habitual de julgamento por júri e executado em Smithfield, Londres, em 5 de abril de 1532.

Foi amarrado e colocado em um recipiente com água fervente, onde morreu de maneira brutal. Mas por que Henrique VIII demonstrou tanta determinação em puni-lo?

Uma das hipóteses levantadas é que o rei desejasse eliminar qualquer suspeita de envolvimento no atentado contra John Fisher, por quem nutria divergências políticas e religiosas.

Outra teoria atribuiu a iniciativa à família de Ana Bolena, que também teria motivos para desejar o afastamento do bispo. Entretanto, não há provas conclusivas de que Henrique VIII ou a família Bolena tenham ordenado o envenenamento.

O episódio também ocorreu em um período de profundas tensões religiosas e políticas na Inglaterra. Fisher se opunha à ruptura de Henrique VIII com a Igreja de Roma e, anos depois, seria executado por ordem do próprio monarca, em 1535.

O caso de Richard Roose permanece como um exemplo extremo de como o poder real podia transformar a legislação em instrumento de punição e intimidação. Uma lei criada especificamente para agravar a pena de determinado crime converteu um método de execução particularmente cruel em castigo legal.

E fica uma reflexão incômoda: o ser humano costuma se orgulhar de sua racionalidade, mas a história está repleta de episódios em que o poder, a vingança e a crueldade parecem ter falado mais alto do que a razão.

Afinal, o que nos torna verdadeiramente racionais: a capacidade de pensar ou a capacidade de reconhecer os limites da nossa própria crueldade?

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