Joseph Boxhall: O homem que voltou do Titanic
Naquela noite, o
oceano parecia infinito. O Titanic
avançava silenciosamente pelo Atlântico Norte, carregando mais de duas mil
pessoas e a confiança de uma época que acreditava ter construído um navio quase
impossível de destruir.
Na ponte de
comando estava Joseph Groves Boxhall. Tinha apenas 28 anos. Era o quarto
oficial do Titanic e
vinha de uma família onde o mar fazia parte da própria história.
Desde os 15
anos, Boxhall conhecia a vida a bordo de navios. Havia viajado pelo mundo,
aprendido a navegar e construído uma carreira respeitável na marinha mercante. Mas
naquela madrugada ele descobriria que nenhum treinamento seria suficiente para
prepará-lo para o que estava prestes a acontecer.
14 de abril de 1912.
Pouco antes da meia-noite, o vigia avistou algo no horizonte. Um iceberg. O alerta foi dado. As ordens foram transmitidas. O navio tentou desviar. Mas era tarde demais. Às 23h40, aproximadamente, o casco do Titanic encontrou o gelo. O impacto não pareceu, naquele primeiro instante, anunciar uma catástrofe. Mas, abaixo da linha d'água, o destino do navio já estava selado.
Boxhall recebeu
a missão de verificar os danos. Percorreu áreas do navio e começou a
compreender que aquilo não era apenas uma colisão. Era uma emergência.
Enquanto
passageiros ainda tentavam compreender o que estava acontecendo, a tripulação
trabalhava contra o relógio. Boxhall participou dos esforços para avaliar a
situação e recebeu a responsabilidade de lançar foguetes de sinalização, numa
tentativa desesperada de chamar a atenção de algum navio que pudesse estar
próximo.
No horizonte,
porém, não havia resposta. O Titanic
continuava afundando. Então veio uma das decisões que marcariam para sempre a
vida daquele jovem oficial. Boxhall recebeu o comando do bote salva-vidas nº 2.
O bote foi
baixado ao mar. Atrás dele ficava o Titanic.
À frente, apenas a escuridão do Atlântico. Poucas horas depois, o navio desapareceria
sob as águas.
Na manhã de 15
de abril, o RMS Carpathia
chegou à região e começou a recolher os sobreviventes. Boxhall estava vivo. Mas
o homem que entrou naquele bote não era mais o mesmo que havia embarcado no Titanic alguns dias antes.
Ele havia
testemunhado uma das maiores tragédias marítimas da história. E teria de
conviver com essa lembrança pelo resto da vida. Depois do desastre, Boxhall
prestou depoimento nos inquéritos realizados nos Estados Unidos e na
Grã-Bretanha.
Continuou
trabalhando no mar e, durante a Primeira Guerra Mundial, chegou a comandar um
navio. Mas o Titanic
nunca deixou completamente sua história. Durante muitos anos, evitou falar
sobre a tragédia.
Décadas mais
tarde, entretanto, passou a colaborar com historiadores e participou como
consultor na produção de *A Night
to Remember*, filme de 1958 que retratou o naufrágio.
Joseph Groves
Boxhall faleceu em 1967, aos 83 anos. Mas existe um detalhe particularmente
simbólico em sua história. Suas cinzas foram espalhadas no Atlântico, na região
do naufrágio do Titanic,
conforme sua vontade.
Depois de mais
de meio século, ele voltou ao lugar onde sua vida havia mudado para sempre. Naquela
noite de 1912, Boxhall deixou o Titanic
dentro de um pequeno bote. Em 1967, retornou ao oceano como cinzas.
O navio
desapareceu nas profundezas. Mas algumas histórias nunca afundam. A de Joseph Boxhall é
uma delas.









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