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terça-feira, fevereiro 17, 2026

Morte de Sharon Tate


 

No dia 8 de agosto de 1969, Sharon Tate, atriz de 26 anos conhecida por filmes como O Vale das Bonecas, estava a cerca de duas semanas do parto - grávida de oito meses e meio de seu primeiro filho com o diretor Roman Polanski.

Ela passou a tarde em casa, no número 10050 de Cielo Drive, em Benedict Canyon (Los Angeles), almoçando com duas amigas e desabafando sobre o desapontamento: Polanski, que estava em Londres trabalhando no filme O Dia do Golfinho, havia adiado por alguns dias seu retorno.

À tarde, ele telefonou para ela, assim como as irmãs de Sharon, Debra e Patti, que pediram para passar a noite na casa - pedido que Sharon recusou gentilmente, preferindo descansar.

À noite, Sharon saiu para jantar com amigos no restaurante El Coyote, um lugar mexicano simples e favorito dela em Hollywood. O grupo - composto por Jay Sebring (seu cabeleireiro e ex-namorado), Abigail Folger (herdeira da fortuna do café Folgers) e Wojciech Frykowski (amigo de Polanski e namorado de Folger) - retornou à residência por volta das 22h30.

Na propriedade também estavam o caseiro William Garretson, que morava em uma casa de hóspedes menor e afastada, e seu amigo Steven Parent, um estudante de 18 anos que visitava Garretson.

Nas primeiras horas da madrugada de 9 de agosto, por ordem de Charles Manson - líder de um grupo sectário conhecido como “Família Manson” -, quatro de seus seguidores (todos jovens entre 20 e 23 anos) invadiram a casa: Charles “Tex” Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian (esta última atuando como vigia).

O ataque foi brutal e aleatório em aparência, mas motivado pela obsessão de Manson com uma suposta guerra racial apocalíptica (“Helter Skelter”, inspirada em uma música dos Beatles) e ressentimentos pessoais.

Steven Parent foi o primeiro a morrer: ao tentar sair de carro da propriedade, deparou-se com o grupo e foi baleado quatro vezes por Watson com um revólver .22.

Dentro da casa, os invasores reuniram os moradores na sala de estar. Tate e Sebring foram amarrados pelo pescoço com uma corda jogada sobre uma viga; Sebring foi baleado e esfaqueado sete vezes.

Frykowski tentou fugir pela porta dos fundos, mas foi perseguido, baleado duas vezes, golpeado na cabeça e esfaqueado 51 vezes. Folger também escapou brevemente, mas foi alcançada e esfaqueada 28 vezes.

Sharon Tate, implorando pela vida do bebê, foi esfaqueada 16 vezes (muitas no peito, abdômen e costas), causando hemorragia massiva que matou tanto ela quanto o feto (postumamente chamado Paul Richard Polanski). Susan Atkins usou o sangue de Tate para escrever “PIG” (porco) na porta da frente - um detalhe que chocou a todos.

No total, os cinco corpos apresentaram 102 ferimentos de faca. Na noite seguinte (9 para 10 de agosto), o mesmo grupo, agora com Manson presente e acrescido de Leslie Van Houten e Steve Grogan, invadiu a casa de Leno e Rosemary LaBianca, um casal de donos de mercearia.

Manson amarrou o casal, roubou-os e saiu; os seguidores restantes os esfaquearam repetidamente (Leno sofreu 26 ferimentos, incluindo marcas de garfo; Rosemary, 41), deixando mensagens sangrentas como “DEATH TO PIGS” e “RISE” nas paredes.

As investigações iniciais foram lentas e confusas, mas em outubro de 1969, após a prisão de Manson e parte do grupo por outros crimes (como o assassinato de Gary Hinman), Susan Atkins confessou detalhes em conversas com detentas, levando à identificação dos culpados.

O julgamento de 1970-1971 foi um dos mais midiáticos da história americana, com Manson e seguidoras exibindo comportamentos teatrais (cabeças raspadas, interrupções). Todos foram condenados à morte em 1971.

A revelação de que os crimes foram aleatórios (Manson queria imitar um assassinato anterior e culpar os Panteras Negras) gerou pânico generalizado em Los Angeles. Celebridades e ricos temiam ser alvos; muitos abandonaram a cidade temporariamente, instalaram alarmes sofisticados, contrataram guarda-costas armados e enviaram filhos para fora da Califórnia.

O ator Christopher Jones, amigo próximo de Tate e estrela de A Filha de Ryan, sofreu colapso psicológico e precisou ser dublado por David Lean no filme. Steve McQueen compareceu armado ao funeral de Jay Sebring.

O jornalista Dominick Dunne descreveu o clima: uma “convulsão social” em que paranoia e medo se multiplicaram, alterando permanentemente a vida social de Hollywood - menos festas, mais desconfiança.

Sharon Tate foi sepultada em 13 de agosto de 1969 no Holy Cross Cemetery, em Culver City, com o filho natimorto em seus braços. Anos depois, sua mãe Doris e irmã Patti foram enterradas no mesmo local, compartilhando a lápide.

Em 1972, a Suprema Corte da Califórnia declarou a pena de morte inconstitucional temporariamente, comutando as sentenças para prisão perpétua. Linda Kasabian, que não matou ninguém e atuou como vigia, recebeu imunidade e foi a principal testemunha da acusação, liderada pelo promotor Vincent Bugliosi.

Em 1974, Bugliosi publicou Helter Skelter, relato detalhado do caso que se tornou o livro de true crime mais vendido da história, com mais de 7 milhões de cópias.

Susan Atkins morreu na prisão em 2009 (de câncer). Charles Manson faleceu em 2017 (aos 83 anos). Os demais condenados principais - Tex Watson, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten - tiveram pedidos de liberdade condicional negados por décadas.

Van Houten foi libertada em 2023 após 53 anos presa. Krenwinkel, a mais antiga presa feminina da Califórnia, teve recomendações de liberdade em 2022 e 2025, mas o governador Gavin Newsom vetou ambas, alegando risco à sociedade.

Watson permanece preso. O caso Tate-LaBianca marcou o fim simbólico da era hippie dos anos 1960, revelando as sombras da contracultura e deixando um legado de trauma em Hollywood e na psique americana.

Além do mais


Além disso, assim como o país mais feliz e autossuficiente é aquele que precisa de pouca ou nenhuma importação - pois depende minimamente de fatores externos imprevisíveis -, também o homem mais feliz e verdadeiramente afortunado é aquele cuja riqueza interior lhe basta plenamente e que requer, para seu entretenimento, prazer e sentido na vida, muito pouco ou quase nada do mundo exterior.

Pois semelhante “importação” - ou seja, a busca incessante por estímulos, validações, bens, companhia ou distrações alheias - costuma ser cara demais: cobra alto preço em tempo, energia e tranquilidade; gera dependência de circunstâncias volúveis; expõe a perigos constantes (decepções, traições, perdas, inveja alheia).

Provoca desgosto frequente quando o suprimento externo falha ou se revela inferior ao esperado; e, no fundo, oferece apenas um pobre e instável substituto para aquilo que o próprio “solo” interior poderia produzir em abundância e com autenticidade. Do exterior, dos outros, da sociedade em geral, nunca se pode esperar muito - e, na maioria das vezes, esperar pouco já é prudente.

Os acontecimentos da vida cotidiana confirmam isso de forma implacável: amizades se desfazem por motivos mesquinhos, amores se transformam em indiferença ou rancor, reputações são construídas com esforço e destruídas num instante por fofocas ou mal-entendidos, honrarias e aplausos vêm e vão como modas passageiras, e até as maiores conquistas materiais se mostram insuficientes quando a saúde fraqueja ou o tédio se instala.

A sucessão de eventos - promoções que não trazem paz, viagens que logo se esquecem, festas que deixam vazio maior no dia seguinte - revela sempre a mesma lição: o que vem de fora é transitório, incerto e, em última análise, incapaz de preencher o vazio essencial do ser.

O que alguém pode ser verdadeiramente para outrem tem limites bastante estreitos. Podemos oferecer companhia, apoio temporário, palavras de consolo, risos compartilhados, até mesmo amor - mas nunca podemos habitar a consciência alheia, nem curar suas angústias mais profundas, nem a livrar do confronto inevitável consigo mesma.

No final das contas, cada um permanece só. E então se trata precisamente disso: saber quem está só. Se nessa solidão inevitável encontramos um companheiro interessante, culto, sereno e capaz de se entreter com seus próprios pensamentos, leituras, memórias e criações, então a solidão se torna um refúgio privilegiado.

Se, ao contrário, nela só encontramos tédio, inquietação, remorsos ou um vazio insuportável, então a solidão se transforma em castigo - e é exatamente aí que reside a diferença decisiva entre o homem sábio e o homem comum. Cultivar essa riqueza interior - por meio da reflexão, do estudo, da arte, da observação lúcida da própria mente, do cultivo de um temperamento equilibrado e de uma imaginação fecunda - é, portanto, o maior investimento que se pode fazer.

Ele nos torna menos vulneráveis aos caprichos do destino, menos dependentes das flutuações do mundo social e mais capazes de atravessar, com dignidade e até com uma certa alegria discreta, as inevitáveis tormentas e calmarias da existência.

Essa ideia, tão cara a Schopenhauer, não é um convite ao isolamento misantropo, mas a uma independência serena: saber que o centro da vida está dentro de nós mesmos, e que tudo o mais - por mais atraente que pareça - é, em última instância, acessório.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Essenciais

 

Primeiro, só serviços essenciais. Depois, só produtos essenciais. Logo, só pessoas "essenciais". Quando você perceber que não está entre os "essenciais" do sistema, não poderá fazer mais nada.

Eliot Ness

Durante a pandemia de COVID-19, que começou em 2020 e se estendeu por anos, governos do mundo inteiro - incluindo o Brasil - adotaram o conceito de "serviços essenciais" e "trabalhadores essenciais" como base para as regras de lockdown e quarentena.

Supermercados, farmácias, hospitais, transporte público, bancos e indústrias de alimentos continuaram funcionando, enquanto bares, academias, salões de beleza, escolas e grande parte do comércio foram fechados por meses.

Milhões de pessoas foram obrigadas a ficar em casa, exceto quem exercia funções consideradas "essenciais" pelo poder público. No Brasil, decretos federais, estaduais e municipais definiram listas de atividades permitidas. Governadores e prefeitos decidiam o que era ou não essencial - muitas vezes de forma arbitrária ou influenciada por pressões econômicas e políticas.

Trabalhadores de aplicativos de entrega, motoristas de ônibus, funcionários de supermercados, médicos, enfermeiros e policiais foram classificados como "essenciais" e tiveram que continuar trabalhando, expostos ao risco de contaminação, sem muitas opções de proteção ou remuneração extra.

Enquanto isso, donos de pequenos negócios, autônomos, artistas, professores particulares e milhões de informais foram impedidos de exercer suas atividades, levando a desemprego em massa, endividamento e aumento da pobreza.

O termo "essencial" ganhou um significado quase orwelliano: quem era "essencial" podia circular, trabalhar e sobreviver economicamente; quem não era, ficava confinado, dependendo de auxílios emergenciais (como o auxílio emergencial de 2020-2021) que, embora ajudaram muita gente, eram temporários e insuficientes para muitos.

A frase "fique em casa" soava nobre para uns, mas para outros significava perda de renda, isolamento forçado e dependência total do Estado ou de familiares. Com o tempo, a distinção se aprofundou: vacinas foram priorizadas para grupos "essenciais" (profissionais de saúde, idosos, forças de segurança), enquanto outros esperavam meses.

Medidas de controle, como passaportes vacinais em alguns lugares, reforçaram a ideia de que certos direitos (trabalhar, viajar, entrar em espaços públicos) dependiam de cumprir critérios impostos pelo sistema.

Quem não se enquadrava - por escolha, desconfiança ou barreiras de acesso - era marginalizado. Essa lógica de "essencialidade" revelou algo mais profundo: em momentos de crise, o sistema decide quem importa e quem pode ser descartado ou controlado.

Trabalhadores de baixa renda, muitas vezes negros, pobres ou periféricos, foram os mais expostos e os que mais morreram proporcionalmente, enquanto elites podiam se isolar em casas confortáveis ou trabalhar remotamente.

A pandemia acelerou uma tendência que já existia: a concentração de poder nas mãos de quem define o que é "essencial" - governos, grandes corporações e instituições internacionais.

Quando o próximo evento de controle global chegar (seja outra pandemia, crise climática, ciberataque ou instabilidade econômica), a pergunta será a mesma: você estará na lista dos "essenciais"?

Ou será daqueles que, sem permissão oficial, não poderão fazer mais nada - nem trabalhar, nem se locomover livremente, nem exercer direitos básicos? A frase atribuída a Eliot Ness (o famoso agente que combateu Al Capone na era da Lei Seca nos EUA) serve como alerta: em tempos de restrição, o que começa como medida de "proteção" pode evoluir para um mecanismo de exclusão e dominação.

A pandemia nos mostrou na prática como isso funciona. Cabe a cada um refletir: quem define o essencial? E o que acontece quando você deixa de ser?

Bill Gates: Antivírus ou vírus?

 

Depois da pandemia de COVID-19, o mundo nunca mais será o mesmo. Esse vírus, que para muitos parece ter origens questionáveis e possivelmente manipuladas em laboratório, tem sido usado politicamente por aqueles que buscam maior controle sobre as populações comuns do planeta.

Em 2015, durante uma famosa palestra no TED em Vancouver (Canadá), Bill Gates alertou o mundo sobre os riscos de uma grande pandemia. Ele disse: "Se alguma coisa for capaz de matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é provável que seja um vírus altamente infeccioso, e não uma guerra".

Gates enfatizou que não eram mísseis, mas micróbios que representavam o maior risco de catástrofe global, e criticou a falta de preparação mundial, comparando-a à ausência de um sistema equivalente aos exercícios militares para pandemias.

Ele mencionou lições da epidemia de Ebola (2014-2016) e defendeu investimentos em pesquisa de vacinas, simulações e treinamento de profissionais de saúde.

Em outra ocasião, em 2018, Gates expressou preocupação com o rápido crescimento populacional em países pobres da África, segundo relatório da sua fundação e entrevistas (como à Reuters e ao Financial Times).

Ele destacou que o aumento demográfico poderia ameaçar os avanços na redução da pobreza e na saúde global, defendendo investimentos em saúde, educação e acesso a métodos de planejamento familiar para equilibrar esse crescimento.

Será mera coincidência que, poucos anos depois, em 2019-2020, o mundo enfrentasse a pandemia de SARS-CoV-2 (o coronavírus causador da COVID-19)?

O vírus se espalhou rapidamente, causando milhões de mortes (mais de 7 milhões confirmadas globalmente até agora, com estimativas maiores considerando excessos de mortalidade), lockdowns em massa, crises econômicas e mudanças profundas nos hábitos sociais e políticos.

Bill Gates é visto por muitos como um grande filantropo, através da Bill & Melinda Gates Foundation, que investe bilhões em saúde global, erradicação de doenças e vacinas.

No entanto, críticos e teorias da conspiração o acusam de promover agendas de despovoamento mundial, especialmente por causa de investimentos em empresas farmacêuticas e apoio a programas de vacinação em massa.

Uma fala dele em 2010 (em outro TED Talk sobre mudanças climáticas) foi frequentemente tirada de contexto: ele mencionou que avanços em vacinas, saúde e serviços reprodutivos poderiam ajudar a reduzir o crescimento populacional em até 10-15% (por meio da queda na mortalidade infantil, levando famílias a terem menos filhos), mas não defendeu redução forçada ou eliminação de pessoas.

A pandemia trouxe à tona muitas questões "esquisitas": restrições de liberdade, vigilância digital, aceleração de tecnologias como vacinas de mRNA, e um foco intenso em medidas de controle populacional.

Para alguns, o vírus serve como cortina de fumaça para agendas maiores de controle global, incluindo a chamada "Grande Reinicialização" ou transformações econômicas e sociais.

No Brasil, a situação da saúde pública sempre foi precária. Décadas de governos deixaram hospitais sucateados, com falta crônica de leitos de UTI, equipamentos, medicamentos e profissionais qualificados. O SUS, apesar de ser um sistema admirado internacionalmente por sua abrangência, sofria com subfinanciamento e má gestão.

Quando a pandemia chegou, em 2020, governadores e prefeitos de repente passaram a priorizar "salvar vidas" acima de tudo: decretaram lockdowns, fecharam comércios, suspenderam aulas e investiram bilhões em hospitais de campanha e compra de insumos.

Muitos questionam se essa repentina preocupação foi genuína ou se serviu para justificar medidas autoritárias, endividamento público e transferência de recursos.

A pandemia no Brasil foi especialmente trágica: o país registrou mais de 700 mil mortes oficiais por COVID-19 (um dos maiores números absolutos do mundo), com colapso de sistemas de saúde em cidades como Manaus (2021), atrasos na vacinação inicial e intensos debates políticos sobre tratamentos, máscaras e isolamento.

Não sei exatamente onde tudo isso vai parar, mas parece claro que estamos em um período de grandes transformações - e muitas delas não parecem apontar para algo positivo para as pessoas comuns.

O que vem a seguir pode envolver mais controle, menos liberdades individuais e uma redefinição profunda da sociedade. Cabe a cada um refletir e questionar o que está por trás dessas mudanças.

domingo, fevereiro 15, 2026

Regina Dourado - Atriz Brasileira


Regina Maria Dourado, conhecida artisticamente como Regina Dourado, foi uma talentosa atriz, dançarina e diretora teatral brasileira. Nascida em 22 de agosto de 1952, na cidade de Irecê, no interior da Bahia (embora algumas fontes mencionem Salvador como local de nascimento), ela faleceu em 27 de outubro de 2012, em Salvador, aos 59 anos.

Regina iniciou sua carreira ainda jovem, aos 15 anos, na Companhia Baiana de Comédias, e construiu uma trajetória marcante no teatro, cinema e, especialmente, na televisão. Ao longo de mais de quatro décadas, destacou-se por interpretações vibrantes, com carisma e presença cênica inconfundíveis.

Ela se notabilizou por papéis de mulheres fortes, sensuais e populares, muitas vezes com traços cômicos ou popularescos, conquistando o carinho do público brasileiro. Entre suas participações mais lembradas na TV Globo estão novelas clássicas como:

Pai Herói (1979). Pão Pão, Beijo Beijo (1983), onde interpretou Lalá Sereno, Roque Santeiro (1985), Felicidade (1991), Renascer (1993), como a marcante Morena, Tropicaliente (1994), como Serena, Explode Coração (1995), novela de Glória Perez que trouxe sua maior consagração popular, O Rei do Gado (1996), como Magú, Anjo Mau (1997), como Alzira, Esperança (2002), América (2005)

Além das novelas, integrou o elenco de importantes minisséries, como Lampião e Maria Bonita (1982), onde interpretou a contestadora Joana Bezerra; O Pagador de Promessas (1988), como Branca da Silva Assis; e O Sorriso do Lagarto (1992), como Neide.

Sua consagração nacional veio especialmente em Explode Coração (1995), onde deu vida à inesquecível Lucineide Salgado, ao lado de Rogério Cardoso (o Salgadinho).

A personagem, com seu jeito extrovertido e bordão marcante "Stop Salgadinho!" (acompanhado de variações como "Me poupe, me economize!"), tornou-se um fenômeno popular na época, rendendo à atriz enorme simpatia do público e fixando-a na memória coletiva como uma das figuras mais carismáticas das novelas dos anos 1990.

Nos anos 2000, Regina também atuou em produções do SBT (Seus Olhos, 2004) e da Record, onde fez Bicho do Mato (2006-2007), interpretando Wanda, mãe de Betinha, e seu último trabalho na televisão: a novela Caminhos do Coração (2007-2008).

Em 2003, Regina foi diagnosticada com câncer de mama na mama direita, enfrentando cirurgias, quimioterapia e radioterapia. Ela lutou bravamente contra a doença por quase uma década, mas cerca de sete anos depois o câncer comprometeu também o seio esquerdo.

Em entrevistas posteriores, seu irmão Oscar Dourado revelou que, em certa fase, ela optou por interromper tratamentos mais agressivos, o que, segundo ele, acabou "abreviando a vida".

A atriz manteve a doença em sigilo por um tempo, inclusive da família próxima. No dia 20 de outubro de 2012, Regina foi internada no Hospital Português, em Salvador, devido a complicações graves decorrentes da doença.

A metástase havia atingido a medula óssea, levando a um quadro terminal e irreversível. Mantida sedada em um quarto da instituição, ela sofreu uma parada cardíaca e faleceu na manhã de 27 de outubro de 2012.

Regina Dourado deixou um legado de talento, alegria e representatividade, especialmente para atrizes baianas e para papéis que misturavam sensualidade, humor e força popular.

Sua partida foi lamentada por colegas, fãs e pela imprensa, que a recordam como uma artista exuberante e inesquecível da televisão brasileira.

Ted Bundy


 

Ted Bundy, nascido Theodore Robert Bundy, veio ao mundo em 24 de novembro de 1946, em Burlington, nos Estados Unidos. Tornou-se um dos mais conhecidos e perturbadores assassinos em série da história americana, responsável por uma sequência de sequestros e homicídios que chocaram o país na década de 1970.

Durante quase dez anos, Bundy negou envolvimento nos crimes. Somente às vésperas de sua execução, em 1989, confessou oficialmente 30 homicídios cometidos entre 1974 e 1978, em sete estados. Investigadores, entretanto, acreditam que o número real de vítimas possa ser significativamente maior.

Bundy era descrito como inteligente, articulado e fisicamente atraente - características que utilizava para conquistar a confiança de suas vítimas e também para manipular a opinião pública.

Costumava abordar jovens mulheres em locais públicos, fingindo estar ferido (com o braço engessado ou apoiado em muletas) ou apresentando-se como figura de autoridade. Após conquistar a confiança delas, as dominava e as levava para locais isolados, onde cometia agressões e homicídios.

Em diversos casos, retornava às cenas dos crimes. Ele próprio admitiu comportamentos profundamente perturbadores, como a permanência junto aos corpos por dias e a decapitação de ao menos doze vítimas, mantendo algumas cabeças em seu apartamento por certo período.

Também confessou ter cometido atos de necrofilia. Em outras ocasiões, invadia residências durante a madrugada e atacava as vítimas enquanto dormiam.

Primeira prisão e escalada dos crimes

Em 1975, Bundy foi preso em Utah por sequestro e tentativa de agressão criminosa, após o ataque contra Carol DaRonch, que conseguiu escapar e fornecer à polícia uma descrição detalhada do agressor e do veículo - um Volkswagen que se tornaria peça-chave na investigação.

Naquele período, jovens mulheres começaram a desaparecer nos estados de Washington e Oregon, e a cooperação entre autoridades estaduais foi essencial para ligar os casos.

Enquanto respondia a acusações no Colorado, Bundy protagonizou duas fugas audaciosas da prisão em 1977. Na segunda, conseguiu escapar definitivamente da custódia e seguiu para a Florida, onde cometeu novos crimes.

Crimes na Flórida e captura definitiva

Em janeiro de 1978, invadiu a casa da irmandade feminina Chi Omega, na Florida State University, atacando várias estudantes. Duas morreram e outras sobreviveram com graves ferimentos. Pouco depois, assassinou Kimberly Leach, de 12 anos.

Em fevereiro de 1978, foi preso em Pensacola, dirigindo um carro roubado. Provas testemunhais e evidências forenses - incluindo marcas de mordida que foram comparadas à sua arcada dentária - contribuíram para sua condenação.

Julgamentos e execução

Formado em psicologia e com experiência em estudos de direito, Bundy atuou como seu próprio advogado em parte dos julgamentos, explorando a atenção da mídia e demonstrando frieza e eloquência que intrigavam a opinião pública. Chegou a receber cartas de admiradoras durante o processo.

Foi condenado à morte pelos crimes cometidos na Flórida e executado na cadeira elétrica em 24 de janeiro de 1989, na Prisão Estadual da Flórida, em Raiford. Suas últimas palavras foram dirigidas a seu advogado e a um líder religioso que o acompanhava.

Infância e possíveis influências

Bundy foi criado inicialmente pelos avós maternos. Sua mãe, Eleanor Louise Cowell, era apresentada como sua irmã, situação que só mudou quando ela se casou com Johnny Bundy, cujo sobrenome Ted adotaria. Relatos indicam que o avô tinha comportamento violento dentro de casa, o que pode ter contribuído para um ambiente familiar instável.

Na juventude, trabalhou em uma linha telefônica de prevenção ao suicídio em Seattle - ironicamente ao lado da futura escritora Ann Rule, que mais tarde escreveria sobre ele. Também teve um relacionamento duradouro com Elizabeth Kloepfer, cuja filha dizia tratar como se fosse sua própria.

Perfil psicológico e legado

Especialistas frequentemente descrevem Bundy como portador de traços psicopáticos: ausência de empatia, manipulação, narcisismo e necessidade de controle. Ele próprio afirmou ter desenvolvido um “apetite” por pornografia violenta, que dizia alimentar suas fantasias.

A biógrafa Ann Rule o chamou de “sociopata sádico”, enquanto sua advogada Polly Nelson o descreveu como “a própria definição do mal sem coração”.

Mesmo décadas após sua execução, o caso continua despertando interesse. Sua história foi retratada em livros, séries, documentários e filmes, mantendo-se como objeto de estudo na criminologia e na psicologia forense. Segundo a BBC, Bundy permanece como uma das figuras criminosas que mais intrigam os Estados Unidos.

Estima-se que possa ter feito até 65 vítimas. Embora tenha confessado 30 assassinatos, muitos casos permanecem sem solução definitiva. Sua trajetória expôs falhas na cooperação entre estados na época e contribuiu para avanços na integração de bancos de dados e no uso de evidências forenses nos Estados Unidos.

A história de Ted Bundy não é apenas o relato de um criminoso, mas também um lembrete sombrio de como aparência, inteligência e carisma podem mascarar intenções destrutivas, e de como a sociedade pode ser surpreendida por aqueles que parecem perfeitamente integrados a ela.

sábado, fevereiro 14, 2026

A Dança Eterna do Sol e da Lua: Lição de Humildade Cósmica


 

Seja humilde, pois até o Sol, com toda a sua imensa grandeza e esplendor, desaparece no horizonte ao fim do dia e cede espaço para que a Lua, mais discreta e serena, possa brilhar no céu noturno.

Essa alternância simples e constante da natureza nos oferece uma lição profunda: ninguém é indispensável o tempo todo. O que parece ser o centro do universo em determinado momento - irradiando luz, calor e protagonismo - inevitavelmente se recolhe, abrindo caminho para que outros também revelem sua importância.

Há um ritmo silencioso que governa todas as coisas, um compasso invisível que distribui luz e sombra com perfeita harmonia. A humildade não diminui nossa grandeza; ao contrário, torna-a mais nobre.

Ela nos permite reconhecer que o brilho coletivo sustenta o mundo. Assim como o Sol não disputa espaço com a Lua, nem a Lua inveja o Sol, cada qual cumpre sua função no tempo certo.

Não há rivalidade no céu, apenas complementaridade. Um ilumina o trabalho, o outro inspira o descanso. Um aquece os campos, o outro guia os viajantes na escuridão. Ambos são necessários.

A natureza inteira confirma essa verdade. As estações se sucedem, as marés sobem e descem, as árvores florescem e perdem suas folhas. Nada permanece no auge para sempre - e essa é precisamente a beleza do ciclo.

O que hoje está no topo amanhã pode estar recolhido, não como sinal de fracasso, mas como parte da ordem natural das coisas. No auge do sucesso, lembre-se: amanhã será a vez de outro brilhar. E quando chegar à sua vez de se recolher, faça-o com serenidade. Há dignidade tanto no aplauso quanto no silêncio.

A verdadeira sabedoria está em iluminar sem ofuscar, liderar sem esmagar, vencer sem humilhar. Está em aceitar a noite com a mesma graça com que se recebe o dia, compreendendo que a alternância não é perda, mas continuidade.

Ser humilde é entender que fazemos parte do ciclo - e que, no grande céu da existência, cada luz tem seu momento exato de brilhar.

Vivencias


A infância é uma fase decisiva na formação da personalidade, do caráter e dos padrões emocionais que nos acompanham ao longo da vida. Muitos dos valores, crenças e modos automáticos de reagir ao mundo são assimilados nesse período, frequentemente de maneira implícita, antes mesmo de termos maturidade para refletir conscientemente sobre o que estamos vivenciando.

O ambiente familiar, a qualidade dos vínculos afetivos e as experiências de cuidado ou de abandono moldam a forma como aprendemos a confiar, a amar, a nos proteger e a nos posicionar diante das dificuldades.

Aquilo que a criança internaliza como “normal” tende a se tornar, mais tarde, o seu referencial de mundo - ainda que esse padrão seja doloroso ou disfuncional. Experiências traumáticas, especialmente abusos físicos, sexuais ou emocionais, bem como negligência, rejeição constante ou exposição à violência, deixam marcas profundas.

Desde as formulações de Sigmund Freud até as abordagens contemporâneas da neurociência e da psicologia do desenvolvimento, reconhece-se que eventos traumáticos podem ser reprimidos ou dissociados como mecanismo de proteção.

A mente, tentando preservar a sobrevivência psíquica, “afasta” da consciência aquilo que é excessivamente doloroso. Contudo, o fato de uma memória não estar claramente acessível não significa que o trauma tenha desaparecido. Ele continua a influenciar comportamentos, emoções e escolhas de maneira indireta, muitas vezes silenciosa. Pode manifestar-se como:

Dificuldades nos relacionamentos, incluindo medo intenso de abandono, desconfiança excessiva ou repetição de padrões afetivos prejudiciais.

Problemas de autoestima, com sentimentos persistentes de inadequação, culpa ou vergonha.

Ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou comportamentos autodestrutivos, como vícios e impulsividade.

Reações emocionais intensas e aparentemente desproporcionais a situações cotidianas - os chamados “gatilhos”, que reativam experiências passadas não elaboradas.

Pesquisas atuais em psicologia e psiquiatria também demonstram que traumas na infância podem impactar o próprio funcionamento biológico, afetando a regulação do estresse, o sono, o sistema imunológico e até a saúde cardiovascular.

Ou seja, o trauma não é apenas uma lembrança psicológica: ele pode se inscrever no corpo. Diante disso, é legítimo questionar o ditado popular de que “o tempo cura tudo”. O tempo, por si só, não resolve traumas de infância. Sem elaboração consciente e apoio adequado, os efeitos tendem a se perpetuar - e, em alguns casos, a se intensificar - influenciando a vida emocional, profissional e relacional por décadas.

Muitas pessoas vivem sob a influência dessas marcas sem perceber claramente a origem de seus comportamentos. Agem, reagem, afastam-se ou sabotam oportunidades “sem saber por quê”.

Esse desconhecimento pode gerar frustração e a sensação de que há algo errado consigo mesmas, quando, na verdade, trata-se de feridas antigas ainda não cuidadas.

A boa notícia é que é possível trabalhar esses traumas. A psicoterapia psicodinâmica ou psicanalítica pode ajudar a trazer à consciência conteúdos reprimidos, ressignificar experiências e elaborar emoções.

Outras abordagens baseadas em evidências, como o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), a terapia cognitivo-comportamental focada em trauma e técnicas de regulação emocional e integração corporal, apresentam resultados consistentes na redução dos sintomas e no fortalecimento da autonomia psíquica.

O processo terapêutico não apaga o passado, mas transforma a relação que a pessoa estabelece com ele. O que antes era uma ferida aberta pode tornar-se uma cicatriz integrada à história pessoal - não mais um comando invisível que determina escolhas e reações.

Se essa reflexão nasce de uma experiência própria ou da observação de alguém próximo, reconhecer a influência do passado já é um passo imenso. Buscar ajuda profissional - de um psicólogo ou psiquiatra especializado em trauma - pode representar o início de um caminho de reconstrução.

As marcas da infância não precisam definir o destino de ninguém; com apoio adequado, é possível construir novas narrativas, novos vínculos e uma relação mais saudável consigo mesmo.

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Franz Stofel




Xaver Stärfel, conhecido também por Franz Stofel, nasceu em 5 de outubro de 1915, em Hamburgo, na Alemanha. Foi um oficial da SS nazista, com patente de SS-Hauptscharführer (equivalente aproximado a sargento-mor), e atuou como comandante em campos de concentração e subcampos durante a Segunda Guerra Mundial.

Após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, Stärfel serviu inicialmente no Reichswehr (forças armadas da República de Weimar) entre 1934 e 1935. Em abril de 1936, ingressou na SS em busca de uma carreira militar mais promissora e foi designado para a SS-Totenkopfverbände (unidades de caveira, responsáveis pela administração e guarda dos campos de concentração nazistas).

Ele foi enviado ao campo de concentração de Dachau em março de 1939, onde permaneceu até janeiro de 1944, atuando em diversas funções de supervisão e guarda.

Em meados de janeiro de 1944, foi transferido para o complexo de Mittelbau-Dora (um campo criado principalmente para o trabalho forçado na produção de armas secretas, como os foguetes V-2 na fábrica subterrânea Mittelwerk).

A partir de agosto de 1944, Stärfel assumiu o cargo de Kommandoführer (comandante de destacamento) responsável pela construção e operação do subcampo de Kleinbodungen, um dos muitos subcampos de Mittelbau-Dora.

Entre outubro de 1944 e janeiro de 1945, ele foi o comandante efetivo desse subcampo, que abrigava cerca de 620 prisioneiros (majoritariamente estrangeiros, incluindo soviéticos, poloneses e outros), forçados a trabalhar em condições extremas na Mittelwerk, produzindo e reparando componentes dos mísseis V-2.

O regime era brutal, com alta mortalidade por exaustão, desnutrição, doenças e punições arbitrárias. Com a aproximação das tropas aliadas (especificamente as forças americanas) no início de abril de 1945, Stärfel recebeu ordens da SS para evacuar o subcampo de Kleinbodungen em 4 de abril.

No dia seguinte, 5 de abril, cerca de 610 prisioneiros foram retirados sob escolta de 45 guardas da SS. Inicialmente, pretendia-se transportá-los de trem até Herzberg (no Harz), mas, devido ao risco constante de ataques aéreos aliados e à desorganização das ferrovias, Stärfel optou por conduzir os prisioneiros em uma marcha da morte (Todesmarsch) rumo ao campo de Bergen-Belsen, ainda sob controle nazista.

A marcha foi extremamente penosa: os prisioneiros, muitos já debilitados, marcharam por dias em condições precárias, usando tamancos de madeira, com pouca comida e água, sob vigilância armada e punições violentas.

Relatos indicam que execuções sumárias ocorreram durante o trajeto para eliminar os que não conseguiam acompanhar o ritmo. Em 11 de abril de 1945, apenas 590 prisioneiros chegaram a Bergen-Belsen; 20 haviam morrido no caminho ou conseguido fugir (embora fugas bem-sucedidas fossem raras nessas marchas).

Quatro dias depois, em 15 de abril, tropas britânicas libertaram Bergen-Belsen, encontrando um cenário de horror: cerca de 60 mil sobreviventes em estado crítico de desnutrição e doenças, além de aproximadamente 10-13 mil corpos não enterrados.

Os guardas da SS, incluindo Stärfel, foram imediatamente detidos pelos britânicos, forçados a carregar e enterrar os cadáveres expostos e, em seguida, interrogados.

Stärfel foi julgado no Julgamento de Belsen (Belsen Trial), um processo militar britânico realizado em Lüneburg entre setembro e novembro de 1945, contra Josef Kramer (o último comandante de Bergen-Belsen) e outros 44 acusados.

Ele foi acusado de crimes de guerra relacionados à marcha da morte de Kleinbodungen e ao tratamento geral de prisioneiros em Bergen-Belsen (embora sua principal responsabilidade tenha sido a evacuação).

O tribunal considerou-o culpado por participar do sistema de maus-tratos que resultou em mortes e sofrimentos. Condenado à morte por enforcamento, Franz Stofel foi executado em 13 de dezembro de 1945, na prisão de Hamelin, junto com outros condenados do mesmo julgamento, como Wilhelm Dörr (seu adjunto em Kleinbodungen) e Franz Höbler.

O caso de Stärfel exemplifica o papel dos suboficiais da SS-Totenkopfverbände na implementação do terror nos campos e nas evacuações finais do regime nazista, quando as marchas da morte causaram dezenas de milhares de mortes adicionais nos últimos meses da guerra.

Sua rápida condenação e execução refletem a determinação dos Aliados em punir responsáveis por esses crimes contra a humanidade logo após a libertação dos campos.

Incidente em Roswell


Segundo a mais famosa lenda da ufologia moderna, uma espaçonave extraterrestre teria se acidentado - ou, como alguns descrevem, “espatifado” - no deserto do Novo México, nos primeiros dias de julho de 1947, nas proximidades da pequena cidade de Roswell.

O episódio, que à primeira vista poderia parecer apenas mais um entre milhares de relatos de discos voadores registrados ao longo do século XX, tornou-se um dos casos mais emblemáticos e duradouros da cultura contemporânea.

O que diferencia o chamado Incidente de Roswell não é apenas a alegação de um objeto voador não identificado, mas a extraordinária vitalidade do caso ao longo das décadas e o impacto que exerceu em círculos científicos, militares, governamentais e jurídicos. Roswell transformou-se em símbolo de um suposto encobrimento oficial e no marco fundador da ufologia moderna.

Tudo ocorreu em meio a uma verdadeira onda de avistamentos nos Estados Unidos. Em 24 de junho de 1947, o piloto civil Kenneth Arnold relatou ter visto nove objetos voando em formação sobre o Monte Rainier, no estado de Washington.

Ele descreveu o movimento como “pires saltando sobre a água”, expressão que a imprensa transformou no popular termo “flying saucer” (disco voador). Nas semanas seguintes, centenas de relatos semelhantes inundaram jornais de todo o país.

Foi nesse contexto que, no final de junho ou início de julho de 1947, o fazendeiro William “Mac” Brazel encontrou destroços espalhados por seu rancho, próximo à localidade de Corona, cerca de 120 quilômetros de Roswell.

Entre os fragmentos estavam materiais leves e incomuns: lâminas metálicas finas, tiras de borracha, estruturas semelhantes a vigas de madeira leve e folhas metálicas semelhantes a papel-alumínio. Intrigado - e influenciado pelo clima de excitação provocado pelas notícias sobre discos voadores - Brazel comunicou o fato ao xerife local em 7 de julho.

No dia seguinte, 8 de julho de 1947, a base militar Roswell Army Air Field (RAAF), sede do 509º Grupo de Bombardeio - a mesma unidade responsável pelo lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki - emitiu um comunicado surpreendente: o exército havia recuperado um “disco voador” em um rancho da região.

A manchete do jornal Roswell Daily Record estampou: “RAAF Captures Flying Saucer on Ranch in Roswell Region”. A notícia rapidamente ganhou repercussão nacional e internacional.

Entretanto, menos de 24 horas depois, veio a reviravolta. Autoridades militares recuaram e afirmaram que o objeto não passava de um balão meteorológico comum, utilizado para monitoramento atmosférico.

Fotografias dos destroços foram apresentadas à imprensa como prova da explicação oficial. O episódio, aparentemente esclarecido, caiu gradualmente no esquecimento nas décadas seguintes.

O caso ressurgiu com força no final dos anos 1970, quando o físico e ufólogo Stanton Friedman entrevistou o major Jesse Marcel, oficial de inteligência da base em 1947 e responsável pela análise inicial dos destroços.

Marcel declarou que o material exibido nas fotos não era o mesmo que ele havia examinado e que a explicação do balão fora uma “cortina de fumaça”. Segundo ele, tratava-se de algo extraordinário, com propriedades incomuns - leve, resistente e aparentemente não fabricado por tecnologia conhecida à época.

A partir daí, novos relatos começaram a emergir, muitos deles tardios e controversos. Algumas testemunhas afirmaram que corpos de pequenas criaturas humanoides teriam sido recuperados, supostamente submetidos a autópsias secretas.

Surgiram também alegações de ameaças à civis para manter silêncio e de que os destroços teriam sido transportados para instalações militares altamente sigilosas, como a hoje famosa Área 51, em Nevada.

Diante da crescente pressão pública, a Força Aérea dos Estados Unidos publicou relatórios oficiais em 1994 e 1997. Neles, afirmou que os destroços pertenciam ao Projeto Mogul - um programa ultrassecreto da Guerra Fria destinado a detectar testes nucleares soviéticos por meio de trens de balões de grande altitude equipados com sensores acústicos e refletores de radar.

Quanto aos supostos “corpos alienígenas”, o relatório de 1997 sugeriu que relatos posteriores poderiam ter resultado da confusão com manequins antropomórficos utilizados em testes de queda realizados na década de 1950 - embora esses experimentos tenham ocorrido anos depois do incidente original, o que alimentou ainda mais controvérsias.

O contexto histórico também contribui para a complexidade do caso. O ano de 1947 marcava o início da Guerra Fria, período de intensa tensão entre Estados Unidos e União Soviética.

O sigilo militar era regra, especialmente em projetos estratégicos ligados à segurança nacional. Essa atmosfera favoreceu suspeitas e teorias de encobrimento, ampliadas pelo fato de Roswell abrigar uma das unidades mais estratégicas da força aérea americana.

Independentemente da explicação aceita - balão secreto ou nave extraterrestre -, o Incidente de Roswell tornou-se o epicentro da cultura ufológica mundial. Inspirou livros, documentários, filmes, séries de televisão e consolidou o imaginário popular sobre alienígenas “cinzentos” de grandes olhos negros.

A própria cidade de Roswell transformou o episódio em parte de sua identidade cultural e econômica, com museus temáticos, lojas especializadas e festivais anuais que atraem turistas de várias partes do mundo.

Mais de 75 anos depois, o caso continua dividindo opiniões entre céticos, pesquisadores independentes e entusiastas do fenômeno UFO. Para alguns, trata-se de um mal-entendido amplificado pelo contexto da época; para outros, é a evidência de um dos maiores segredos governamentais já mantidos.

Seja qual for a verdade, Roswell permanece como símbolo do fascínio humano pelo desconhecido - uma narrativa situada na delicada fronteira entre história, mistério e imaginação coletiva.

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Entre Grades e Urnas: Poder, Prisão e Herança Política no Brasil


 

Jair Bolsonaro governou o Brasil por quatro anos (2019-2022). Durante esse período, teve três filhos na política ativa: Flávio Bolsonaro, senador da República; Eduardo Bolsonaro, deputado federal; e Carlos Bolsonaro, que foi vereador por mais de duas décadas no Rio de Janeiro. Recentemente, Carlos renunciou ao mandato para disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026.

Desde o início de seu governo, Bolsonaro enfrentou um cenário político conturbado. Teve embates frequentes com o Supremo Tribunal Federal (STF), com partidos de esquerda e com setores políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Também enfrentou dificuldades dentro do próprio Congresso, onde, apesar da força eleitoral inicial, não possuía maioria consolidada e dependia de articulações com o chamado “Centrão”.

Um dos episódios mais marcantes foi a disputa em torno da autonomia da Polícia Federal. Bolsonaro tentou intervir na escolha do diretor-geral da instituição, o que gerou forte reação política e judicial, culminando na saída do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que o acusou de interferência política. O caso foi investigado, tornando-se um dos principais focos de tensão institucional.

Durante a pandemia da Covid-19, o conflito entre o Executivo federal, governadores, prefeitos e o Judiciário se intensificou. Decisões do STF confirmaram a competência concorrente de estados e municípios para adotar medidas sanitárias, o que, na prática, limitou a centralização das decisões pelo governo federal.

Bolsonaro criticou duramente as restrições impostas por governadores e manteve posicionamento contrário a lockdowns e à obrigatoriedade de vacinas, postura que lhe rendeu apoio de uma parcela significativa da população, mas também severas críticas.

Ao longo do mandato, Bolsonaro foi alvo de diversas investigações e inquéritos, incluindo apurações sobre ataques ao sistema eleitoral, disseminação de desinformação e possíveis tentativas de interferência institucional.

Após a derrota nas eleições de 2022, o ambiente político se agravou. Os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, marcaram profundamente o cenário nacional.

Investigações posteriores apontaram articulações e discursos que, segundo a acusação, teriam contribuído para um ambiente de contestação ao resultado eleitoral.

O ex-presidente foi posteriormente julgado e condenado por tentativa de golpe de Estado, recebendo pena de 27 anos e três meses de prisão, que cumpre no complexo da Papuda, em Brasília.

Sua defesa sustenta que não há provas concretas de participação direta em plano golpista e questiona a validade de delações e interpretações adotadas no julgamento. O Judiciário, por sua vez, afirma que houve conjunto robusto de evidências demonstrando tentativa de ruptura institucional.

Bolsonaro também foi declarado inelegível por decisões da Justiça Eleitoral. Sua situação de saúde é frequentemente mencionada por seus advogados, em razão das múltiplas cirurgias decorrentes do atentado a faca sofrido durante a campanha de 2018.

A Polícia Federal reconhece a necessidade de acompanhamento médico, mas entende que o sistema prisional dispõe de estrutura adequada. Até o momento, pedidos de prisão domiciliar foram negados.

Em 2018, Bolsonaro liderou uma onda eleitoral que impulsionou a eleição de dezenas de parlamentares e governadores alinhados ao seu discurso conservador. Contudo, com o passar do tempo - e especialmente após 2022 - parte desses aliados se distanciou politicamente, refletindo a dinâmica pragmática do Congresso Nacional.

Mesmo preso, Bolsonaro mantém influência significativa sobre uma parcela expressiva do eleitorado conservador. Escolheu o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu candidato à Presidência em 2026.

Flávio confirmou a intenção de disputar o cargo e vem adotando uma estratégia considerada mais moderada, buscando diálogo com o centro político e com setores do mercado financeiro - movimento distinto do estilo confrontacional que marcou a campanha de 2018.

Pesquisas eleitorais recentes apresentam cenários variados: alguns levantamentos indicam disputa acirrada, com empate técnico em determinados cenários; outros mostram vantagem para o presidente Lula. A transferência de capital político do pai para o filho é vista como um fator relevante, mas ainda incerto em sua real dimensão.

Caso Flávio venha a vencer as eleições, é provável que enfrente forte escrutínio institucional, especialmente em temas ligados a eventuais propostas de anistia ou revisão das condenações relacionadas aos atos de 2023.

O STF já sinalizou resistência a mudanças que possam ser interpretadas como afronta às decisões judiciais transitadas em julgado. No Congresso, a dinâmica tende a permanecer marcada pelo protagonismo do Centrão, bloco político que historicamente negocia apoio em troca de cargos, verbas e influência.

Independentemente do presidente de plantão, essa lógica tem sido uma constante da política brasileira nas últimas décadas. O Brasil atravessa, assim, um período de polarização intensa, no qual disputas judiciais, eleitorais e narrativas ideológicas se entrelaçam.

A família Bolsonaro permanece politicamente ativa e mobilizada, mas enfrenta um cenário institucional adverso e um país dividido. O patriarca está preso e inelegível por longo período, enquanto o herdeiro político tenta transformar capital simbólico em viabilidade eleitoral concreta.

O desfecho dessa história dependerá não apenas das urnas, mas também da capacidade das instituições e da sociedade de encontrar caminhos de estabilidade, diálogo e reconstrução da confiança pública.