Jair Bolsonaro governou o Brasil por quatro
anos (2019-2022). Durante esse período, teve três filhos na política ativa: Flávio
Bolsonaro, senador da República; Eduardo Bolsonaro, deputado federal; e Carlos
Bolsonaro, que foi vereador por mais de duas décadas no Rio de Janeiro.
Recentemente, Carlos renunciou ao mandato para disputar o Senado por Santa
Catarina nas eleições de 2026.
Desde o início de seu governo, Bolsonaro
enfrentou um cenário político conturbado. Teve embates frequentes com o Supremo
Tribunal Federal (STF), com partidos de esquerda e com setores políticos
ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Também enfrentou dificuldades dentro do
próprio Congresso, onde, apesar da força eleitoral inicial, não possuía maioria
consolidada e dependia de articulações com o chamado “Centrão”.
Um dos episódios mais marcantes foi a disputa
em torno da autonomia da Polícia Federal. Bolsonaro tentou intervir na escolha
do diretor-geral da instituição, o que gerou forte reação política e judicial,
culminando na saída do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que o acusou de
interferência política. O caso foi investigado, tornando-se um dos principais
focos de tensão institucional.
Durante a pandemia da Covid-19, o conflito
entre o Executivo federal, governadores, prefeitos e o Judiciário se
intensificou. Decisões do STF confirmaram a competência concorrente de estados
e municípios para adotar medidas sanitárias, o que, na prática, limitou a
centralização das decisões pelo governo federal.
Bolsonaro criticou duramente as restrições
impostas por governadores e manteve posicionamento contrário a lockdowns e à
obrigatoriedade de vacinas, postura que lhe rendeu apoio de uma parcela
significativa da população, mas também severas críticas.
Ao longo do mandato, Bolsonaro foi alvo de
diversas investigações e inquéritos, incluindo apurações sobre ataques ao
sistema eleitoral, disseminação de desinformação e possíveis tentativas de
interferência institucional.
Após a derrota nas eleições de 2022, o
ambiente político se agravou. Os atos de 8 de janeiro de 2023, quando
manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, marcaram profundamente
o cenário nacional.
Investigações posteriores apontaram
articulações e discursos que, segundo a acusação, teriam contribuído para um
ambiente de contestação ao resultado eleitoral.
O ex-presidente foi posteriormente julgado e
condenado por tentativa de golpe de Estado, recebendo pena de 27 anos e três
meses de prisão, que cumpre no complexo da Papuda, em Brasília.
Sua defesa sustenta que não há provas
concretas de participação direta em plano golpista e questiona a validade de
delações e interpretações adotadas no julgamento. O Judiciário, por sua vez,
afirma que houve conjunto robusto de evidências demonstrando tentativa de ruptura
institucional.
Bolsonaro também foi declarado inelegível por
decisões da Justiça Eleitoral. Sua situação de saúde é frequentemente
mencionada por seus advogados, em razão das múltiplas cirurgias decorrentes do
atentado a faca sofrido durante a campanha de 2018.
A Polícia Federal reconhece a necessidade de
acompanhamento médico, mas entende que o sistema prisional dispõe de estrutura
adequada. Até o momento, pedidos de prisão domiciliar foram negados.
Em 2018, Bolsonaro liderou uma onda eleitoral
que impulsionou a eleição de dezenas de parlamentares e governadores alinhados
ao seu discurso conservador. Contudo, com o passar do tempo - e especialmente
após 2022 - parte desses aliados se distanciou politicamente, refletindo a
dinâmica pragmática do Congresso Nacional.
Mesmo preso, Bolsonaro mantém influência
significativa sobre uma parcela expressiva do eleitorado conservador. Escolheu
o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu candidato à
Presidência em 2026.
Flávio confirmou a intenção de disputar o
cargo e vem adotando uma estratégia considerada mais moderada, buscando diálogo
com o centro político e com setores do mercado financeiro - movimento distinto
do estilo confrontacional que marcou a campanha de 2018.
Pesquisas eleitorais recentes apresentam
cenários variados: alguns levantamentos indicam disputa acirrada, com empate
técnico em determinados cenários; outros mostram vantagem para o presidente
Lula. A transferência de capital político do pai para o filho é vista como um
fator relevante, mas ainda incerto em sua real dimensão.
Caso Flávio venha a vencer as eleições, é
provável que enfrente forte escrutínio institucional, especialmente em temas
ligados a eventuais propostas de anistia ou revisão das condenações
relacionadas aos atos de 2023.
O STF já sinalizou resistência a mudanças que
possam ser interpretadas como afronta às decisões judiciais transitadas em
julgado. No Congresso, a dinâmica tende a permanecer marcada pelo protagonismo
do Centrão, bloco político que historicamente negocia apoio em troca de cargos,
verbas e influência.
Independentemente do presidente de plantão,
essa lógica tem sido uma constante da política brasileira nas últimas décadas. O
Brasil atravessa, assim, um período de polarização intensa, no qual disputas
judiciais, eleitorais e narrativas ideológicas se entrelaçam.
A família Bolsonaro permanece politicamente
ativa e mobilizada, mas enfrenta um cenário institucional adverso e um país
dividido. O patriarca está preso e inelegível por longo período, enquanto o
herdeiro político tenta transformar capital simbólico em viabilidade eleitoral
concreta.
O desfecho dessa história dependerá não
apenas das urnas, mas também da capacidade das instituições e da sociedade de
encontrar caminhos de estabilidade, diálogo e reconstrução da confiança
pública.








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