Primeiro, só serviços essenciais. Depois, só
produtos essenciais. Logo, só pessoas "essenciais". Quando você
perceber que não está entre os "essenciais" do sistema, não poderá
fazer mais nada.
Eliot Ness
Durante a pandemia de COVID-19, que começou
em 2020 e se estendeu por anos, governos do mundo inteiro - incluindo o Brasil -
adotaram o conceito de "serviços essenciais" e "trabalhadores
essenciais" como base para as regras de lockdown e quarentena.
Supermercados, farmácias, hospitais,
transporte público, bancos e indústrias de alimentos continuaram funcionando,
enquanto bares, academias, salões de beleza, escolas e grande parte do comércio
foram fechados por meses.
Milhões de pessoas foram obrigadas a ficar em
casa, exceto quem exercia funções consideradas "essenciais" pelo
poder público. No Brasil, decretos federais, estaduais e municipais definiram
listas de atividades permitidas. Governadores e prefeitos decidiam o que era ou
não essencial - muitas vezes de forma arbitrária ou influenciada por pressões
econômicas e políticas.
Trabalhadores de aplicativos de entrega,
motoristas de ônibus, funcionários de supermercados, médicos, enfermeiros e
policiais foram classificados como "essenciais" e tiveram que
continuar trabalhando, expostos ao risco de contaminação, sem muitas opções de
proteção ou remuneração extra.
Enquanto isso, donos de pequenos negócios,
autônomos, artistas, professores particulares e milhões de informais foram
impedidos de exercer suas atividades, levando a desemprego em massa,
endividamento e aumento da pobreza.
O termo "essencial" ganhou um
significado quase orwelliano: quem era "essencial" podia circular,
trabalhar e sobreviver economicamente; quem não era, ficava confinado,
dependendo de auxílios emergenciais (como o auxílio emergencial de 2020-2021)
que, embora ajudaram muita gente, eram temporários e insuficientes para muitos.
A frase "fique em casa" soava nobre
para uns, mas para outros significava perda de renda, isolamento forçado e
dependência total do Estado ou de familiares. Com o tempo, a distinção se
aprofundou: vacinas foram priorizadas para grupos "essenciais"
(profissionais de saúde, idosos, forças de segurança), enquanto outros
esperavam meses.
Medidas de controle, como passaportes
vacinais em alguns lugares, reforçaram a ideia de que certos direitos
(trabalhar, viajar, entrar em espaços públicos) dependiam de cumprir critérios
impostos pelo sistema.
Quem não se enquadrava - por escolha,
desconfiança ou barreiras de acesso - era marginalizado. Essa lógica de
"essencialidade" revelou algo mais profundo: em momentos de crise, o
sistema decide quem importa e quem pode ser descartado ou controlado.
Trabalhadores de baixa renda, muitas vezes
negros, pobres ou periféricos, foram os mais expostos e os que mais morreram
proporcionalmente, enquanto elites podiam se isolar em casas confortáveis ou
trabalhar remotamente.
A pandemia acelerou uma tendência que já
existia: a concentração de poder nas mãos de quem define o que é
"essencial" - governos, grandes corporações e instituições
internacionais.
Quando o próximo evento de controle global
chegar (seja outra pandemia, crise climática, ciberataque ou instabilidade
econômica), a pergunta será a mesma: você estará na lista dos
"essenciais"?
Ou será daqueles que, sem permissão oficial,
não poderão fazer mais nada - nem trabalhar, nem se locomover livremente, nem
exercer direitos básicos? A frase atribuída a Eliot Ness (o famoso agente que
combateu Al Capone na era da Lei Seca nos EUA) serve como alerta: em tempos de
restrição, o que começa como medida de "proteção" pode evoluir para
um mecanismo de exclusão e dominação.
A pandemia nos mostrou na prática como isso
funciona. Cabe a cada um refletir: quem define o essencial? E o que acontece
quando você deixa de ser?








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