Ted Bundy, nascido Theodore
Robert Bundy, veio ao mundo em 24 de novembro de 1946, em Burlington, nos
Estados Unidos. Tornou-se um dos mais conhecidos e perturbadores assassinos em
série da história americana, responsável por uma sequência de sequestros e
homicídios que chocaram o país na década de 1970.
Durante quase dez anos, Bundy
negou envolvimento nos crimes. Somente às vésperas de sua execução, em 1989,
confessou oficialmente 30 homicídios cometidos entre 1974 e 1978, em sete
estados. Investigadores, entretanto, acreditam que o número real de vítimas
possa ser significativamente maior.
Bundy era descrito como
inteligente, articulado e fisicamente atraente - características que utilizava
para conquistar a confiança de suas vítimas e também para manipular a opinião
pública.
Costumava abordar jovens
mulheres em locais públicos, fingindo estar ferido (com o braço engessado ou
apoiado em muletas) ou apresentando-se como figura de autoridade. Após
conquistar a confiança delas, as dominava e as levava para locais isolados,
onde cometia agressões e homicídios.
Em diversos casos, retornava
às cenas dos crimes. Ele próprio admitiu comportamentos profundamente
perturbadores, como a permanência junto aos corpos por dias e a decapitação de
ao menos doze vítimas, mantendo algumas cabeças em seu apartamento por certo
período.
Também confessou ter cometido
atos de necrofilia. Em outras ocasiões, invadia residências durante a madrugada
e atacava as vítimas enquanto dormiam.
Primeira prisão e escalada dos crimes
Em 1975, Bundy foi preso em Utah
por sequestro e tentativa de agressão criminosa, após o ataque contra Carol
DaRonch, que conseguiu escapar e fornecer à polícia uma descrição detalhada do
agressor e do veículo - um Volkswagen que se tornaria peça-chave na
investigação.
Naquele período, jovens
mulheres começaram a desaparecer nos estados de Washington e Oregon, e a
cooperação entre autoridades estaduais foi essencial para ligar os casos.
Enquanto respondia a acusações
no Colorado, Bundy protagonizou duas fugas audaciosas da prisão em 1977. Na
segunda, conseguiu escapar definitivamente da custódia e seguiu para a Florida,
onde cometeu novos crimes.
Crimes na Flórida e captura definitiva
Em janeiro de 1978, invadiu a
casa da irmandade feminina Chi Omega, na Florida State University, atacando
várias estudantes. Duas morreram e outras sobreviveram com graves ferimentos.
Pouco depois, assassinou Kimberly Leach, de 12 anos.
Em fevereiro de 1978, foi
preso em Pensacola, dirigindo um carro roubado. Provas testemunhais e
evidências forenses - incluindo marcas de mordida que foram comparadas à sua
arcada dentária - contribuíram para sua condenação.
Julgamentos e execução
Formado em psicologia e com
experiência em estudos de direito, Bundy atuou como seu próprio advogado em
parte dos julgamentos, explorando a atenção da mídia e demonstrando frieza e
eloquência que intrigavam a opinião pública. Chegou a receber cartas de admiradoras
durante o processo.
Foi condenado à morte pelos
crimes cometidos na Flórida e executado na cadeira elétrica em 24 de janeiro de
1989, na Prisão Estadual da Flórida, em Raiford. Suas últimas palavras foram
dirigidas a seu advogado e a um líder religioso que o acompanhava.
Infância e possíveis influências
Bundy foi criado inicialmente
pelos avós maternos. Sua mãe, Eleanor Louise Cowell, era apresentada como sua
irmã, situação que só mudou quando ela se casou com Johnny Bundy, cujo
sobrenome Ted adotaria. Relatos indicam que o avô tinha comportamento violento
dentro de casa, o que pode ter contribuído para um ambiente familiar instável.
Na juventude, trabalhou em uma
linha telefônica de prevenção ao suicídio em Seattle - ironicamente ao lado da
futura escritora Ann Rule, que mais tarde escreveria sobre ele. Também teve um
relacionamento duradouro com Elizabeth Kloepfer, cuja filha dizia tratar como
se fosse sua própria.
Perfil psicológico e legado
Especialistas frequentemente
descrevem Bundy como portador de traços psicopáticos: ausência de empatia,
manipulação, narcisismo e necessidade de controle. Ele próprio afirmou ter
desenvolvido um “apetite” por pornografia violenta, que dizia alimentar suas
fantasias.
A biógrafa Ann Rule o chamou
de “sociopata sádico”, enquanto sua advogada Polly Nelson o descreveu como “a
própria definição do mal sem coração”.
Mesmo décadas após sua
execução, o caso continua despertando interesse. Sua história foi retratada em
livros, séries, documentários e filmes, mantendo-se como objeto de estudo na
criminologia e na psicologia forense. Segundo a BBC, Bundy permanece como uma
das figuras criminosas que mais intrigam os Estados Unidos.
Estima-se que possa ter feito
até 65 vítimas. Embora tenha confessado 30 assassinatos, muitos casos
permanecem sem solução definitiva. Sua trajetória expôs falhas na cooperação
entre estados na época e contribuiu para avanços na integração de bancos de
dados e no uso de evidências forenses nos Estados Unidos.
A história de Ted Bundy não é apenas o relato de um criminoso, mas também um lembrete sombrio de como aparência, inteligência e carisma podem mascarar intenções destrutivas, e de como a sociedade pode ser surpreendida por aqueles que parecem perfeitamente integrados a ela.








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