Propaganda

This is default featured slide 1 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.This theme is Bloggerized by Lasantha Bandara - Premiumbloggertemplates.com.

This is default featured slide 2 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.This theme is Bloggerized by Lasantha Bandara - Premiumbloggertemplates.com.

This is default featured slide 3 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.This theme is Bloggerized by Lasantha Bandara - Premiumbloggertemplates.com.

This is default featured slide 4 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.This theme is Bloggerized by Lasantha Bandara - Premiumbloggertemplates.com.

This is default featured slide 5 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.This theme is Bloggerized by Lasantha Bandara - Premiumbloggertemplates.com.

sexta-feira, outubro 09, 2026

Quem é deus?


Quando crescemos, por que Deus não vira uma fábula?

Na infância, ouvimos histórias sobre o bicho-papão, Papai Noel, a cegonha que traz os bebês, fadas e tantos outros personagens fantásticos. Durante algum tempo, acreditamos naquilo porque confiamos nos adultos que nos contavam essas histórias.

Com o passar dos anos, porém, somos esclarecidos. Descobrimos serem apenas fábulas, tradições ou histórias criadas para explicar aquilo que ainda não compreendíamos. Com Deus, porém, parece diferente.

Você cresce e vê praticamente todos à volta adorando, temendo e obedecendo a um ser invisível que ninguém jamais viu. Dizem que ele está “lá em cima”, observando cada pensamento, cada palavra e cada atitude; premiando alguns, castigando outros e determinando o que devemos ou não devemos fazer.

E quase ninguém pergunta: como sabemos disso? Alguns de nós, entretanto, começamos a questionar. Onde está Deus? Se Deus existe e é onipotente, por que o mundo continua mergulhado em guerras, fome, injustiça e sofrimento?

Se Deus é perfeitamente bom, por que permite que crianças nasçam com doenças graves, cegueira, surdez, deficiências ou transtornos mentais? Como sabemos que a Bíblia é realmente um livro sagrado e não simplesmente uma coleção de textos escritos, reunidos e preservados por seres humanos ao longo dos séculos?

Se existem milhares de religiões e diferentes concepções de Deus espalhadas pelo planeta, por que alguém deveria ter certeza de que a sua religião é a única verdadeira? E, talvez, a pergunta mais incômoda de todas: será que existe mesmo, em algum lugar, esse ser supremo que nos ensinaram a imaginar?

Quando olhamos para o céu, não encontramos necessariamente um paraíso. Encontramos um universo imenso, antigo e praticamente inimaginável em sua dimensão. Galáxias, estrelas, planetas, nebulosas e fenômenos que desafiam nossa compreensão.

Diante dessa imensidão, talvez seja necessário admitir que aquilo que chamamos de “céu” pode ser muito diferente do lugar que aprendemos a imaginar na infância.

E então surge outra questão: se a Bíblia foi realmente inspirada por um Deus perfeito, bondoso e amoroso, por que encontramos nela passagens que hoje nos parecem moralmente perturbadoras?

Em Êxodo 21:7-8, por exemplo, aparecem leis relacionadas à venda de uma filha como serva. Em Levítico 25:44, são apresentadas orientações sobre a aquisição de escravos entre povos vizinhos.

Em 1 Coríntios 14:34, encontramos a conhecida orientação para as mulheres permanecerem caladas nas igrejas e serem submissas. Há ainda passagens que descrevem guerras, punições severas, submissão, escravidão e violência em nome de uma ordem considerada divina.

Em Mateus 10:34-36, Jesus aparece dizendo que não veio trazer paz, mas espada, e fala sobre a divisão entre familiares. Em outros trechos, encontramos uma visão do mundo que pertence claramente ao universo cultural e científico da Antiguidade.

Em Gênesis 3:14, por exemplo, a serpente é condenada a rastejar e comer pó como consequência de uma maldição. Há também passagens em que determinadas enfermidades ou comportamentos são associados à ação de demônios, como em Mateus 12:22, Marcos 9:25 e Lucas 8:27.

Hoje sabemos que cegueira, surdez, doenças mentais e inúmeras outras condições possuem explicações biológicas, neurológicas e psicológicas. Não precisamos mais recorrer a demônios para explicar aquilo que antes parecia inexplicável.

E talvez seja justamente aí que esteja o ponto central. Quando o conhecimento avança, algumas explicações antigas deixam de ser necessárias. O trovão já não precisa ser a manifestação da ira de um deus. Uma doença não precisa ser necessariamente uma punição divina. Um eclipse não precisa ser um sinal sobrenatural. E o universo não precisa ser pequeno apenas porque os homens antigos assim o imaginaram.

Isso não significa que toda pessoa religiosa seja ignorante, má ou incapaz de pensar. Muito pelo contrário. Existem pessoas profundamente inteligentes, honestas e generosas que encontram na religião uma fonte de conforto, esperança e sentido. A questão é outra.

Uma crença deixa de ser verdadeira simplesmente porque muitas pessoas acreditam nela? E mais: se uma ideia precisa ser protegida contra perguntas, ela realmente é uma verdade?

Talvez o maior problema não esteja em acreditar em Deus. O problema começa quando a crença se transforma em certeza e exige obediência, dinheiro, medo e silêncio.

É nesse momento que a fé pode deixar de ser uma experiência pessoal e transformar-se em instrumento de poder. E aqui surge uma pergunta particularmente desconfortável: se Deus é amor, por que algumas pessoas utilizam o nome dele para enriquecer às custas da fé e da fragilidade dos outros?

Se Deus conhece tudo, por que precisa de intermediários? Se Deus é onipotente, por que precisa de templos luxuosos? Se Deus é infinitamente poderoso, por que depende da contribuição financeira de pessoas pobres?

E, se Deus realmente deseja ser conhecido por todos, por que deixou o mundo dividido em milhares de religiões, cada uma afirmando possuir a verdade? Talvez não tenhamos respostas definitivas para essas perguntas.

Mas talvez não seja necessário ter. Questionar não é necessariamente negar. Duvidar não é necessariamente odiar. Pensar não é pecado. Talvez a verdadeira liberdade comece justamente quando deixamos de ter receio de perguntar.

Durante a infância, aprendemos que algumas histórias eram apenas histórias. Depois crescemos e começamos a separar fantasia de realidade. Talvez seja justamente nesse momento que devêssemos aplicar o mesmo critério a todas as nossas crenças: não acreditar simplesmente porque nos ensinaram, mas perguntar por que devemos acreditar.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja: “Você acredita em Deus?”

Mas esta: “Se você tivesse nascido em outra época, em outro país e dentro de outra religião, você acreditaria exatamente na mesma coisa?”

Se a resposta for não, talvez devêssemos pensar um pouco mais sobre quanto da nossa fé vem de uma escolha consciente e quanto dela simplesmente herdamos.

Afinal, uma verdade que não suporta perguntas talvez não seja uma verdade. Talvez seja apenas uma crença que nunca permitimos que fosse questionada. Você acredita que tudo isso seja obra de um Deus perfeitamente bom e amoroso?

A Bíblia realmente é um livro inspirado por um Deus bondoso – ou é um conjunto de textos humanos, escritos em épocas diferentes, refletindo os conhecimentos, os valores, os medos e as contradições daqueles que os escreveram?

A resposta, talvez, esteja menos nos templos e mais na coragem de pensar.

O mundo vai continuar girando


 

Você vai morrer. Talvez não hoje, nem amanhã. Talvez ainda faltem muitos anos. Mas haverá um dia em que você não estará mais aqui. E, nesse dia, alguém estará rindo. Alguém estará chorando. Uma criança estará nascendo, enquanto outra pessoa estará dando seu último suspiro.

Haverá gente comemorando uma conquista, alguém reclamando do trânsito, outro preocupado com uma conta para pagar e muitos simplesmente seguindo a rotina de sempre. O sol vai nascer.

As pessoas vão sair de casa. Os ônibus continuarão circulando. Os mercados abrirão suas portas. Alguém publicará uma fotografia nas redes sociais. Alguém se apaixonará. Alguém terminará um relacionamento. Alguém fará planos sem imaginar que talvez não tenha tanto tempo quanto pensa.

E o mundo continuará girando. Talvez algumas pessoas sintam sua falta. Algumas lembrarão do seu rosto, da sua voz, das suas histórias e até das coisas que você dizia. Outras, com o passar dos anos, esquecerão seu nome.

É assim que a vida funciona. A memória humana também tem seus limites. Por isso, não desperdice sua existência tentando agradar a todos. Não passe a vida inteira acumulando coisas que você não poderá levar.

Não adie indefinidamente aquele abraço, aquela conversa, aquele pedido de desculpas ou aquele sonho que continua esperando por você. Não viva como se tivesse recebido uma promessa de eternidade. Você não recebeu.

A vida não nos avisa qual será o último dia. Talvez seja justamente por isso que cada manhã deveria ser recebida como uma oportunidade, e não como uma obrigação. Viva.

Ame enquanto houver amor para oferecer. Ria sem culpa. Viaje quando puder. Leia os livros que despertam sua curiosidade. Escreva aquilo que precisa ser dito. Sente-se ao lado de quem você ama. Perdoe quando o perdão fizer sentido.

Afaste-se de quem transforma sua vida em sofrimento. E, principalmente, não deixe para depois tudo aquilo que faz você se sentir verdadeiramente vivo. Porque um dia você será apenas uma lembrança.

E, quando esse dia chegar, o mundo não vai parar para lamentar sua ausência. O mundo vai continuar girando. Então, enquanto você ainda estiver aqui, viva como quem sabe disso.

Não para viver com medo da morte, mas para aprender a respeitar a vida. Porque talvez a grande tragédia não seja morrer. Talvez seja chegar ao fim e perceber que passamos a maior parte do tempo apenas existindo.

quinta-feira, outubro 08, 2026

Como a estupidez transforma pessoas boas em monstros?


 

O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer viveu de perto a ascensão do nazismo e percebeu algo assustador: a estupidez pode ser mais perigosa do que a própria maldade. Bonhoeffer não estava falando apenas de falta de inteligência.

Ele se referia à capacidade de uma pessoa deixar de pensar por conta própria, aceitar ideias sem questionar e seguir a maioria, mesmo quando percebe que alguma coisa está errada.

Essa ideia ajuda a entender como pessoas comuns podem acabar apoiando sistemas cruéis e praticando coisas que, em outras circunstâncias, jamais fariam.

Décadas depois, os experimentos de Solomon Asch sobre conformidade social e os estudos de Stanley Milgram sobre obediência à autoridade mostraram algo igualmente inquietante: a pressão do grupo, o medo de ser diferente e a autoridade podem influenciar profundamente nossas decisões.

Mas isso não ficou no passado. Hoje, as redes sociais, os algoritmos, as bolhas digitais e a polarização criaram um ambiente em que as pessoas podem viver cercadas apenas por opiniões que confirmam aquilo em que já acreditam.

E, quando todos ao nosso redor pensam da mesma maneira, discordar começa a parecer errado. Por que pessoas inteligentes deixam de pensar por si mesmas? Por que pessoas consideradas boas obedecem a sistemas destrutivos? Como alguém pode abandonar o próprio julgamento moral apenas para não ficar contra a maioria?

Talvez uma das maiores ameaças não seja o homem que sabe que está fazendo o mal, mas aquele que deixa de pensar e acredita que obedecer é mais importante do que questionar.

Porque, quando o pensamento crítico desaparece, qualquer ideia pode encontrar um lugar para crescer.

Malas das Vítimas do Holocausto

Malas de pessoas enviadas para campos de concentração: cada mala é uma família, uma vida!


Em exposição permanente no Museu da Segunda Guerra Mundial, em Gdansk, na Polônia, estão algumas malas que pertenceram às vítimas do Holocausto. São objetos simples. Malas comuns, como as que qualquer pessoa poderia levar em uma viagem.

Mas, diante delas, é impossível não pensar nas pessoas que as carregaram e no destino que as esperava. O Museu da Segunda Guerra Mundial de Gdansk é dedicado à história do conflito e está instalado em uma cidade que ocupa um lugar importante nesse episódio.

Foi na região de Gdansk que, em setembro de 1939, ocorreu um dos primeiros ataques da Alemanha contra a Polônia, na Península de Westerplatte. Em 1º de setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia. Era o início da Segunda Guerra Mundial na Europa. Poucos dias depois, em resposta à agressão, Grã-Bretanha e França declararam guerra à Alemanha nazista.

A ocupação alemã da Polônia foi extremamente violenta. Depois de derrotar o Exército polonês, os nazistas iniciaram uma política de terror contra a população. Milhares de civis foram assassinados. Centenas de milhares foram expulsos de suas casas e muitos outros foram enviados para o trabalho forçado.

O objetivo não era apenas ocupar o território. Os nazistas pretendiam destruir a identidade nacional e cultural da Polônia, eliminar suas lideranças e transformar grande parte da população em mão de obra submetida aos interesses alemães.

Professores, padres, intelectuais, políticos e outras pessoas consideradas capazes de organizar alguma forma de resistência foram perseguidos e mortos. Muitos outros foram presos e enviados para campos de concentração.

Na primavera de 1940, os alemães colocaram em prática a chamada AB-Aktion, uma operação destinada a eliminar pessoas consideradas parte da possível liderança da sociedade polonesa. Milhares foram executados. Outros foram enviados para campos como Auschwitz e Stutthof.

Ao mesmo tempo, Hitler pretendia "germanizar" parte da Polônia. Para isso, centenas de milhares de poloneses foram expulsos de suas casas e substituídos por pessoas de origem alemã. Na região de Zamosc, entre 1942 e 1943, cerca de 100 mil civis poloneses foram expulsos. Entre eles estavam aproximadamente 30 mil crianças.

Famílias foram separadas. Muitas pessoas foram enviadas para campos de concentração ou para o trabalho escravo. Mais de 4 mil crianças foram levadas para a Alemanha por serem consideradas "adequadas" para a germanização.

No total, pelo menos 20 mil crianças polonesas foram retiradas de suas famílias e submetidas a políticas destinadas a apagar sua identidade. Mas havia uma contradição cruel.

Enquanto expulsavam, prendiam e matavam parte da população, os nazistas também precisavam da mão de obra polonesa para manter funcionando a máquina de guerra alemã. Poloneses fisicamente capazes eram obrigados a trabalhar. A perseguição atingia até crianças a partir dos 12 anos.

Pessoas eram capturadas nas ruas, nas estações de trem, nos mercados e nas igrejas. Também havia operações em aldeias e bairros para completar as cotas de trabalhadores exigidas pelos alemães. Quem tentava escapar do trabalho forçado podia ser preso e enviado para um campo de concentração. Em muitos casos, a família também era punida.

Entre 1939 e 1945, pelo menos 1,5 milhão de cidadãos poloneses foram deportados para o território alemão para trabalhar à força. Centenas de milhares de outros foram presos em campos de concentração nazistas.

As condições eram desumanas. Wallace Witkowski, sobrevivente daquele período, descreveu uma rotina em que pessoas saudáveis, a partir dos 14 anos, precisavam trabalhar cerca de dez horas por dia, seis dias por semana. Quem não cumprisse as exigências poderia ser enviado para campos de trabalho ou para fábricas ligadas à máquina de guerra alemã.

A repressão também atingia a população civil como forma de vingança. Quando grupos de resistência atacavam soldados alemães, os nazistas respondiam com prisões em massa e execuções. Civis eram frequentemente capturados e mortos como represália.

Nas chamadas operações de "pacificação", aldeias inteiras podiam ser esvaziadas. Muitas pessoas eram expulsas de suas casas e enviadas para campos de concentração ou para o trabalho forçado.

Enquanto tudo isso acontecia, um governo polonês no exílio foi organizado, inicialmente sediado na França e posteriormente em Londres, sob a liderança de Władysław Sikorski.

E então voltamos às malas.

Elas parecem apenas objetos antigos dentro de um museu. Mas cada uma delas carrega uma história. Alguém escolheu aquela mala. Colocou dentro dela algumas roupas, talvez documentos, fotografias ou objetos pessoais. Talvez acreditasse que estava apenas sendo levado para outro lugar. Talvez imaginasse que voltaria para casa. Não voltou.

Para muitas das vítimas, aquela foi a última viagem. É por isso que essas malas impressionam tanto. Elas não são apenas peças de museu. São testemunhas silenciosas de uma época em que milhões de pessoas perderam suas casas, suas famílias, sua liberdade e, muitas vezes, a própria vida.

Diante delas, a história deixa de ser apenas uma sequência de datas e números. Ela ganha rosto. Ganha nome. E, sobretudo, ganha memória. Porque algumas coisas precisam ser lembradas para que jamais sejam tratadas como se nunca tivessem acontecido.. São objetos simples. Malas comuns, como as que qualquer pessoa poderia levar em uma viagem.

Mas, diante delas, é impossível não pensar nas pessoas que as carregaram e no destino que as esperava. O Museu da Segunda Guerra Mundial de Gdansk é dedicado à história do conflito e está instalado em uma cidade que ocupa um lugar importante nesse episódio.

Foi na região de Gdansk que, em setembro de 1939, ocorreu um dos primeiros ataques da Alemanha contra a Polônia, na Península de Westerplatte. Em 1º de setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia. Era o início da Segunda Guerra Mundial na Europa. Poucos dias depois, em resposta à agressão, Grã-Bretanha e França declararam guerra à Alemanha nazista.

A ocupação alemã da Polônia foi extremamente violenta. Após derrotar o Exército polonês, os nazistas iniciaram uma política de terror contra a população. Milhares de civis foram assassinados. Centenas de milhares foram expulsos de suas casas e muitos outros foram enviados para o trabalho forçado.

O objetivo não era apenas ocupar o território. Os nazistas pretendiam destruir a identidade nacional e cultural da Polônia, eliminar suas lideranças e transformar grande parte da população em mão de obra submetida aos interesses alemães.

Professores, padres, intelectuais, políticos e outras pessoas consideradas capazes de organizar alguma forma de resistência foram perseguidos e mortos. Muitos outros foram presos e enviados para campos de concentração.

Na primavera de 1940, os alemães colocaram em prática a chamada AB-Aktion, uma operação destinada a eliminar pessoas consideradas parte da possível liderança da sociedade polonesa. Milhares foram executados. Outros foram enviados para campos como Auschwitz e Stutthof.

Ao mesmo tempo, Hitler pretendia “germanizar” parte da Polônia. Para isso, centenas de milhares de poloneses foram expulsos de suas casas e substituídos por pessoas de origem alemã. Na região de Zamosc, entre 1942 e 1943, cerca de 100 mil civis poloneses foram expulsos. Entre eles estavam aproximadamente 30 mil crianças.

Famílias foram separadas. Muitas pessoas foram enviadas para campos de concentração ou para o trabalho escravo. Mais de 4 mil crianças foram levadas para a Alemanha por serem consideradas “adequadas” para a germanização.

No total, pelo menos 20 mil crianças polonesas foram retiradas de suas famílias e submetidas a políticas destinadas a apagar sua identidade. Mas havia uma contradição cruel.

Enquanto expulsavam, prendiam e matavam parte da população, os nazistas também precisavam da mão de obra polonesa para manter funcionando a máquina de guerra alemã. Poloneses fisicamente capazes eram obrigados a trabalhar. A perseguição atingia até crianças a partir dos 12 anos.

Pessoas eram capturadas nas ruas, nas estações de trem, nos mercados e nas igrejas. Também havia operações em aldeias e bairros para completar as cotas de trabalhadores exigidas pelos alemães. Quem tentava escapar do trabalho forçado podia ser preso e enviado para um campo de concentração. Em muitos casos, a família também era punida.

Entre 1939 e 1945, pelo menos 1,5 milhão de cidadãos poloneses foram deportados para o território alemão para trabalhar à força. Centenas de milhares de outros foram presos em campos de concentração nazistas.

As condições eram desumanas. Wallace Witkowski, sobrevivente daquele período, descreveu uma rotina em que pessoas saudáveis, a partir dos 14 anos, precisavam trabalhar cerca de dez horas por dia, seis dias por semana. Quem não cumprisse as exigências poderia ser enviado para campos de trabalho ou para fábricas ligadas à máquina de guerra alemã.

A repressão também atingia a população civil como forma de vingança. Quando grupos de resistência atacavam soldados alemães, os nazistas respondiam com prisões em massa e execuções. Civis eram frequentemente capturados e mortos como represália.

Nas chamadas operações de “pacificação”, aldeias inteiras podiam ser esvaziadas. Muitas pessoas eram expulsas de suas casas e enviadas para campos de concentração ou para o trabalho forçado.

Enquanto tudo isso acontecia, um governo polonês no exílio foi organizado, inicialmente sediado na França e posteriormente em Londres, sob a liderança de Władysław Sikorski.

E então voltamos às malas.

Elas parecem apenas objetos antigos dentro de um museu. Mas cada uma delas carrega uma história. Alguém escolheu aquela mala. Colocou dentro dela algumas roupas, talvez documentos, fotografias ou objetos pessoais. Talvez acreditasse que estava apenas sendo levado para outro lugar. Talvez imaginasse que voltaria para casa. Não voltou.

Para muitas das vítimas, aquela foi a última viagem. É por isso que essas malas impressionam tanto. Elas não são apenas peças de museu. São testemunhas silenciosas de uma época em que milhões de pessoas perderam suas casas, suas famílias, sua liberdade e, muitas vezes, a própria vida.

Diante delas, a história deixa de ser apenas uma sequência de datas e números. Ela ganha rosto. Ganha nome. E, sobretudo, ganha memória. Porque algumas coisas precisam ser lembradas para jamais serem tratadas como se nunca tivessem acontecido.


Cabelo de mulheres prisioneiras, pronto para ser embarcado para a Alemanha, é encontrado na libertação do campo de extermínio de Auschwitz. Polônia, 1945.

quarta-feira, outubro 07, 2026

Nadav Ben Yehuda - Alpinista Israelense


 

Nadav Ben Yehuda: o alpinista que arriscou a própria vida para salvar um desconhecido

Nadav Ben Yehuda, nascido em 29 de fevereiro de 1988, é um alpinista israelense, profissional de busca e salvamento, fotógrafo e palestrante. Sua trajetória é marcada por grandes desafios nas montanhas mais extremas do planeta – e, sobretudo, por episódios em que colocou a própria vida em risco para salvar outras pessoas.

Em 2012, durante uma escalada no Monte Everest, quando estava a aproximadamente 300 metros do cume, Ben Yehuda encontrou o alpinista turco Aydin Irmak, inconsciente e gravemente ferido. Em vez de continuar em direção ao cume, decidiu interromper sua própria escalada e iniciar uma operação de resgate.

A descida foi extremamente perigosa. Ben Yehuda precisou retirar as luvas da mão direita, enquanto seu sistema de oxigênio também deixou de funcionar. Mesmo enfrentando temperaturas extremas e colocando a própria vida em risco, conseguiu levar Irmak de volta com vida.

O esforço, porém, teve um preço alto. Ben Yehuda sofreu graves lesões pelo frio e chegou a enfrentar o risco de amputação dos dedos da mão direita. Pelo ato de coragem e voluntariado, recebeu uma Medalha Presidencial de Honra durante uma cerimônia de premiação por voluntariado. Naquela temporada de primavera de 2012, dez alpinistas morreram no Everest.

No mesmo ano, em 9 de março, Ben Yehuda estabeleceu um recorde israelense na categoria Run-Up, ao subir 19.721 degraus da Torre Moshe Aviv, o arranha-céu mais alto de Israel, completando a subida 13 vezes consecutivas.

Em setembro, levou ao cume do Monte Kazbek, na Geórgia, a bandeira de Israel que havia recebido do então presidente Shimon Peres. No mês seguinte, realizou uma escalada alpina solo das duas montanhas mais altas dos Pireneus.

A lista de seus feitos continuou crescendo.

Em 2014, Ben Yehuda escalou duas montanhas com mais de 8.000 metros em uma única temporada. No cume do Cho Oyu, a sexta montanha mais alta do mundo, a 8.206 metros de altitude, ergueu também um cartão de doação de órgãos, chamando atenção para a importância da doação.

Ainda naquele ano, sua experiência em situações extremas foi novamente colocada à prova. Após o desastre provocado pela tempestade de neve no Himalaia nepalês, ele foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela Embaixada de Israel no Nepal para participar de operações de busca e salvamento.

O desastre, associado à passagem do ciclone Hudhud, deixou dezenas de mortos, desaparecidos e feridos, incluindo quatro israelenses.

Pouco depois, no final de outubro, Ben Yehuda participou de outra missão de resgate no Nepal, desta vez após um ônibus capotar e despencar de um penhasco na região de Langtang. O acidente deixou 14 mortos e mais de 50 feridos, entre eles turistas israelenses.

Em 2014, foi escolhido pela Associação Israelense de Esportes Competitivos Não Olímpicos para o prêmio de Melhor Atleta na modalidade de escalada alpina.

Em janeiro de 2015, escalou o Monte Kilimanjaro, o ponto mais alto da África. No cume, fez um pedido de casamento à sua companheira, Lena Malenkovich. Os dois se casaram naquele mesmo ano.

Também em 2015, Ben Yehuda tornou-se o primeiro israelense a alcançar o cume do Monte Elbrus durante o inverno, enfrentando temperaturas que podem cair abaixo de −50 °C e ventos extremamente fortes.

Em 1º de maio de 2016, alcançou uma de suas maiores conquistas: tornou-se o primeiro israelense a chegar ao cume do Annapurna I, com 8.091 metros, uma das montanhas mais perigosas do planeta.

No cume, carregou a bandeira de Israel e outra bandeira contendo os nomes de israelenses que haviam morrido em desastres no Nepal – pessoas que, em alguns casos, ele próprio havia ajudado a procurar durante operações de resgate.

Em fevereiro de 2017, foi incluído pela revista Forbes em uma lista de pessoas influentes com menos de 30 anos. Meses depois, em setembro, realizou uma ascensão rápida ao Manaslu, de 8.163 metros, sem utilizar oxigênio suplementar nem passar por um período convencional de pré-aclimatação. Toda a expedição levou apenas 14 dias.

Mas talvez um dos episódios mais dramáticos de sua trajetória tenha acontecido em maio de 2018, durante uma tentativa de ascensão ao Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo.

Sem utilizar oxigênio suplementar, Ben Yehuda sofreu uma queda abaixo do cume e ficou gravemente ferido. Inicialmente, chegou a ser considerado morto. Sozinho, passou uma noite e parte do dia seguinte em condições extremas, a mais de 8.000 metros de altitude.

Contra todas as expectativas, foi localizado e resgatado com vida. Sobreviveu, mas sofreu graves queimaduras e outros ferimentos. A história de Nadav Ben Yehuda não é apenas uma coleção de recordes e conquistas nas montanhas. É também uma história sobre coragem, resistência e escolhas.

No Everest, quando estava a poucos minutos de uma possível conquista pessoal, ele escolheu voltar para salvar um homem que sequer conhecia. Porque, para algumas pessoas, chegar ao cume é uma conquista. Salvar uma vida é algo muito maior.


Algo Precisa Ser Investigado


 

Acredito que exista algo além da simples preferência ideológica para explicar por que uma parcela significativa do eleitorado nordestino mantém, eleição após eleição, forte apoio à esquerda e, particularmente, ao PT.

Digo isso não como ninguém de fora, mas como nordestino, que conversa diariamente com pessoas de diferentes posições políticas, tanto pessoalmente quanto pelas redes sociais.

Nessas conversas, percebo que existe uma parcela expressiva de nordestinos que é contrária ao PT e que não se sente representada por suas propostas. Isso levanta uma questão legítima: quais são, afinal, os fatores que explicam a enorme diferença entre essas percepções individuais e os resultados eleitorais observados em grande parte da região?

É preciso considerar diversos elementos: tradição política, programas sociais, identificação ideológica, influência de lideranças locais, estrutura partidária, desigualdades históricas, comportamento eleitoral e até a maneira como as campanhas conseguem dialogar com diferentes segmentos da população.

Também existe uma preocupação que precisa ser tratada com seriedade: a presença e a influência de organizações criminosas em determinadas áreas do Nordeste.

Se houver evidências de interferência dessas organizações sobre eleitores, candidatos, campanhas ou processos eleitorais, isso deve ser rigorosamente investigado pelas autoridades competentes. Não se pode, entretanto, transformar suspeitas em conclusões sem provas.

O mesmo vale para as urnas eletrônicas. É legítimo questionar, fiscalizar e exigir transparência sobre qualquer processo eleitoral. Porém, afirmar que as urnas estejam manipuladas ou que determinado território eleitoral tenha sido deliberadamente fraudado exige evidências concretas e verificáveis.

Sem elas, a suspeita permanece apenas como hipótese. O que me incomoda, portanto, não é simplesmente o resultado das eleições, mas a sensação de que algumas questões importantes merecem ser estudadas com muito mais profundidade.

Uma democracia saudável não deveria temer perguntas. Ao contrário: deveria estimular a fiscalização, a transparência, o acesso aos dados e a investigação independente sempre que surgirem dúvidas relevantes.

Talvez existam explicações perfeitamente legítimas para o comportamento eleitoral nordestino. Talvez haja fatores políticos, sociais, econômicos e históricos que ainda não compreendemos completamente. E, se existirem irregularidades, elas também precisam ser descobertas.

O caminho, em qualquer dos casos, é o mesmo: menos paixão, menos certezas e mais investigação.

Porque questionar o resultado de uma eleição é legítimo. O que não é legítimo é transformar uma suspeita em verdade sem apresentar provas – seja para acusar, seja para defender.

terça-feira, outubro 06, 2026

Yap – Ilha da Federados da Micronésia


 

Yap: a ilha onde pedras gigantes têm valor

Yap, é um dos quatro estados que formam os Estados Federados da Micronésia. Localizado na porção mais ocidental da federação, o arquipélago encontra-se aproximadamente entre Guam e Palau, no Oceano Pacífico.

O estado possui cerca de 102 km² de área e é formado principalmente pelas ilhas de Yap, Gagil-Tomil e Rumung. Sua capital é Colônia. Além dessas ilhas, o estado administra diversos atóis e ilhas exteriores, entre eles Ulithi, Woleai, Fais, Ifalik, Lamotrek, Ngulu e Sorol. Em 2010, Yap tinha aproximadamente 11.377 habitantes.

Os habitantes de Yap possuem uma longa tradição de navegação pelo Pacífico. Durante séculos, seus navegadores percorreram enormes distâncias em canoas, utilizando conhecimentos sofisticados de orientação pelas estrelas, correntes marítimas, ventos e ondas.

Essa tradição chegou aos tempos modernos, com embarcações de Yap navegando até as Ilhas Marianas e Palau. A ilha de Yap, conhecida tradicionalmente como Wa'ab, foi povoada por diferentes grupos de migrantes austronésios provenientes de regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico.

A língua yap pertence à família das línguas austronésias e apresenta características próprias desenvolvidas ao longo de sua história. As demais ilhas do estado apresentam influências culturais distintas, incluindo fortes elementos polinésios.

Ulithi e Woleai, por exemplo, mantêm estreitas relações culturais e linguísticas com outras comunidades da região da Micronésia. Yap possui cinco línguas oficiais: inglês, yap, ulithiano, woleaiano e satawalês. A economia local baseia-se principalmente na agricultura de subsistência, na pesca e no turismo.

Mas talvez nada desperte tanta curiosidade sobre Yap quanto seu antigo sistema de troca baseado nas famosas pedras rai. Os rai são enormes discos de calcário, geralmente com um orifício no centro. Alguns possuem apenas alguns centímetros de diâmetro; outros podem atingir vários metros e pesar toneladas.

Essas pedras eram tradicionalmente produzidas em outras ilhas, especialmente em Palau, e transportadas por mar até Yap – uma tarefa extremamente perigosa e trabalhosa.

O valor de um rai não dependia apenas de seu tamanho. Sua importância também estava relacionada à história da pedra, à dificuldade de sua obtenção, ao esforço necessário para transportá-la e à reputação das pessoas envolvidas em sua aquisição.

O mais extraordinário é que a pedra nem sequer precisava ser fisicamente transportada para a propriedade mudar de mãos. A comunidade conhecia quem era o proprietário de cada peça, mesmo quando ela permanecia no mesmo lugar.

Assim, os rai funcionavam como uma espécie de registro público de riqueza e propriedade. Grandes pedras podiam representar valores muito elevados e ser utilizadas em importantes acordos, alianças e transações.

Pedras menores tinham usos mais cotidianos. Seu valor, portanto, não era simplesmente uma questão de tamanho, mas de tradição, história e reconhecimento social.

Esse sistema desafia nossa ideia moderna de dinheiro. Não havia cédulas, bancos ou moedas circulando de mão em mão. Havia confiança, memória coletiva e reconhecimento social. Hoje, os rai continuam espalhados pela ilha de Yap, principalmente em locais tradicionais e diante de casas comunitárias.

Yap permanece como um dos lugares mais fascinantes da Micronésia: uma sociedade insular onde antigas tradições de navegação, cultura e economia sobreviveram ao contato com o mundo moderno.

E talvez sua maior lição esteja justamente nas gigantescas pedras que permanecem imóveis: para que algo tenha valor, nem sempre é necessário que possa ser carregado. Às vezes, basta que todos reconheçam que aquilo pertence a alguém.

Um dia de Fúria - Filme



Um Dia de Fúria (Falling Down, 1993) é um drama policial dirigido por Joel Schumacher, com Michael Douglas no papel de William Foster e Robert Duvall como o sargento Martin Prendergast.

Foster é um homem divorciado e desempregado que, em um dia extremamente quente, abandona o carro preso no trânsito de Los Angeles e decide atravessar a cidade a pé para chegar à casa da ex-mulher a tempo do aniversário da filha.

O que começa como uma simples tentativa de chegar à festa transforma-se em uma jornada de violência. Ao longo do caminho, pequenos conflitos e situações cotidianas despertam a revolta de Foster, que passa a reagir de maneira cada vez mais agressiva contra comerciantes, integrantes de gangues, trabalhadores e outras pessoas que cruzam seu caminho.

Por trás de sua fúria estão a perda do emprego, o fracasso do casamento, a sensação de abandono e a incapacidade de aceitar que sua antiga vida chegou ao fim. Suas atitudes também funcionam como uma crítica às desigualdades sociais, à economia, ao consumismo e às contradições do chamado sonho americano.

Enquanto Foster mergulha progressivamente na violência, o sargento Prendergast, em seu último dia antes da aposentadoria, começa a investigar seus passos. O policial também carrega suas próprias frustrações, mas mantém uma percepção mais lúcida sobre os acontecimentos.

O título original, Falling Down – literalmente, “caindo” – relaciona-se ao colapso psicológico do protagonista e à conhecida canção infantil “London Bridge Is Falling Down”, que aparece como motivo recorrente ao longo da história.

O filme provocou discussões justamente por apresentar Foster de maneira ambígua: ao mesmo tempo em que revela as circunstâncias sociais e pessoais que contribuíram para sua revolta, também mostra que sua violência não pode ser justificada.

Como observou Kirk Douglas, pai de Michael Douglas, o personagem é simultaneamente vítima e responsável por seus atos, mas o filme não os legitima.

A produção também enfrentou controvérsias. Organizações coreano-americanas protestaram contra a representação de minorias, especialmente a do proprietário de uma mercearia coreana.

O filme ainda foi associado ao estereótipo do “homem branco furioso”, expressão que passou a ser frequentemente utilizada nas discussões sobre a obra.

Com orçamento de aproximadamente US$ 25 milhões, Um Dia de Fúria arrecadou cerca de US$ 40,9 milhões. A crítica recebeu o filme de maneira dividida, justamente por sua mistura de drama, violência, humor negro e crítica social.

Mais de três décadas depois, Um Dia de Fúria continua provocando uma pergunta incômoda: em que momento a frustração de um homem deixa de ser apenas sofrimento e se transforma em violência?

Talvez seja essa a força do filme: não apresentar um herói, mas um homem em processo de desintegração, enquanto revela uma sociedade na qual pequenas frustrações, quando acumuladas, podem transformar desespero em fúria.

segunda-feira, outubro 05, 2026

A Espera



 

A arte de não esperar

Ela estava sentada sozinha, olhando o movimento das folhas que o vento fazia dançar. Não parecia esperar ninguém. E talvez fosse justamente isso que chamasse a atenção: havia nela uma serenidade estranha, dessas que só aparecem após muitas tempestades.

– Está à espera de alguém? – perguntou-lhe uma voz.

Ela sorriu.

– Já não.

– Como assim?

– Já não espero ninguém. Estou apenas aqui, sentindo a brisa passar.

A resposta parecia simples, mas carregava dentro dela uma vida inteira.

– E a sua família?

Ela demorou alguns segundos antes de responder.

– Tenho família. Filhos, pessoas que amo. Mas deixei de esperá-los.

– Estão zangados com você?

– Não. Estamos bem. Talvez até melhor do que antes. Apenas aprendemos a viver sem a obrigação da presença.

O outro ficou em silêncio. Talvez porque certas respostas não sejam compreendidas de imediato. Algumas precisam envelhecer em nós antes de fazer sentido.

– Mas uma mãe não deve esperar pelos filhos?

Ela olhou novamente para as árvores.

– Durante muitos anos, pensei que sim. Acreditei que esperar fosse uma das formas mais bonitas de amar. Até descobrir que, às vezes, por trás da espera existe uma coisa que não queremos admitir: o desejo de possuir.

Possuir o tempo do outro. Possuir sua presença. Possuir suas escolhas. Foi então que compreendi uma verdade dolorosa: ninguém pertence a ninguém. Nem os filhos pertencem aos pais. Nem os pais pertencem aos filhos.

Somos apenas encontros nesta longa travessia chamada vida. Os filhos chegam pelas nossas mãos, mas não foram feitos para permanecer nelas. Um dia, inevitavelmente, abrem as próprias asas. Partem. Amam outras pessoas. Constroem outras casas. Escolhem outros caminhos.

E nós precisamos aprender a não transformar o amor em uma corrente. Porque amar também é saber abrir a mão. Talvez seja essa uma das mais difíceis lições da existência: compreender que aquilo que mais amamos precisa ser livre para ir embora.

– E quando eles não chegam? – perguntou o outro.

Ela sorriu outra vez.

– Então a vida acontece mesmo assim.

Essa talvez tenha sido a maior descoberta dos seus últimos anos. Quando deixou de esperar, começou a perceber. Percebeu o vento. O silêncio das manhãs. A luz entrando pela janela. O café tomado lentamente.

As lembranças que chegavam sem avisar. Percebeu que a vida não deixa de acontecer porque alguém não veio. Nós é que, muitas vezes, ficamos parados diante de uma porta que talvez nunca mais se abra. E envelhecemos esperando.

Esperamos uma ligação. Uma visita. Um abraço. Um pedido de desculpas. Um amor que partiu. Um filho que se afastou. Um passado que já não pode voltar. Esperamos tanto que, sem perceber, deixamos de viver o que ainda está diante de nós.

Ela havia aprendido, finalmente, que esperar demais pode ser uma maneira silenciosa de abandonar a própria vida. Não se tratava de deixar de amar. Ao contrário. Ela amava mais. Só havia aprendido a amar sem algemas. Porque o amor verdadeiro não diz:

“Fique porque preciso de você.”

Diz:

“Vá, se precisar ir. Seja feliz, mesmo que sua felicidade não aconteça ao meu lado.”

Isso dói. Dói profundamente. Mas há uma beleza quase inexplicável nesse tipo de amor: ele não exige posse para existir. É amor que não prende. Amor que não cobra. Amor que não transforma saudade em culpa. Amor que permite ao outro voar.

– E você nunca se sente sozinha? – perguntou a voz.

Ela respirou profundamente.

– Às vezes.

Olhou para o céu.

– Mas aprendi que solidão não é necessariamente estar sem alguém. Às vezes, a pior solidão é estar cercado de pessoas e continuar esperando que alguma delas preencha o vazio que existe em nós.

Fez uma pausa.

– Hoje, quando estou sozinha, não sinto que estou abandonada. Sinto apenas que estou comigo. E talvez isso seja uma das maiores conquistas de uma vida inteira: aprender a fazer companhia a si mesmo.

Ela levantou-se devagar. O vento continuava passando. Nenhum filho havia chegado. Nenhuma visita inesperada. Nenhuma promessa havia sido cumprida. E, ainda assim, havia paz.

Porque ela finalmente compreendera que algumas pessoas fazem parte da nossa história sem precisar estar presentes em todas as páginas. Algumas ficam. Outras partem. Algumas retornam. Outras permanecem apenas na memória. E tudo bem.

A vida não nos promete permanências. Promete apenas movimento. Por isso, naquela tarde, ela não esperava ninguém. Apenas sentia a brisa passar pelo rosto.

E talvez tenha sido naquele instante que descobriu a mais silenciosa das liberdades: quando deixamos de esperar que alguém volte, descobrimos que ainda temos asas para continuar voando.

O que existe do outro lado da foto?


 

Quando olhamos para uma fotografia, vemos apenas aquilo que ela conseguiu registrar. Um rosto, uma paisagem, uma casa, uma rua, um momento congelado no tempo. A imagem nos oferece uma certeza: aquilo que está diante dos nossos olhos realmente aconteceu. Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos:

O que existe do outro lado da foto?

Se virarmos a fotografia, talvez encontremos apenas uma superfície branca. Talvez alguém tenha escrito uma data, um nome ou uma pequena dedicatória. Mas existe algo muito maior que não está registrado nela: tudo aquilo que aconteceu depois daquele instante.

Imagine uma fotografia de uma família reunida em uma tarde qualquer. Todos estão sorrindo. Olhando para aquela imagem muitos anos depois, podemos imaginar que aquele foi um momento feliz.

Entretanto, não sabemos o que aconteceu na semana seguinte. Quem adoeceu? Quem partiu? Quem se apaixonou? Quem se separou? Quem mudou de cidade? Quem morreu? Quem continuou ao lado daqueles que aparecem na fotografia?

A fotografia congelou aquele instante, mas a vida não congelou. É justamente aí que a fotografia se transforma em uma metáfora extraordinária para a existência humana.

Nossa vida também é feita de fotografias. O passado é aquilo que conseguimos enxergar. Conhecemos os acontecimentos que já ocorreram porque podemos recordá-los. Sabemos onde estivemos, quem amamos, quais escolhas fizemos, quais erros cometemos e quais caminhos percorremos.

Mas o futuro é diferente. O futuro é o outro lado da fotografia que ainda não conseguimos virar. Podemos fazer planos, estabelecer metas, imaginar possibilidades e até acreditar que sabemos o que acontecerá amanhã. Mas, na verdade, estamos apenas projetando imagens dentro da nossa cabeça.

Um jovem termina a faculdade e imagina como será sua vida profissional. Ele pensa que trabalhará em determinada empresa, construirá uma carreira e terá estabilidade. Mas uma oportunidade inesperada pode levá-lo para outro caminho.

Uma pessoa conhece alguém e acredita ter encontrado o amor definitivo. Faz planos, imagina envelhecer ao lado daquela pessoa e constrói mentalmente um futuro inteiro. Entretanto, ninguém sabe o que existe depois daquele encontro. A relação pode durar cinquenta anos ou terminar alguns meses depois.

Alguém compra uma passagem e embarca para outra cidade, acreditando que está apenas fazendo uma viagem. Não sabe que, naquele lugar, poderá conhecer uma pessoa importante, receber uma proposta de trabalho, fazer uma amizade ou decidir que mudará completamente sua trajetória.

É assim que a vida funciona. Vivemos sempre diante de uma fotografia que ainda não foi revelada. Talvez seja por isso que o futuro provoque simultaneamente esperança e medo. Se pudéssemos enxergar o que existe após cada momento, talvez muitas de nossas decisões fossem diferentes.

Mas também perderíamos uma das características mais fascinantes da existência: a possibilidade da surpresa. O desconhecido pode trazer sofrimento, mas também pode trazer aquilo que jamais imaginamos.

Quantas vezes algo que parecia uma perda acabou abrindo uma porta? Quantas vezes uma despedida nos conduziu a um novo encontro? Quantas vezes um fracasso nos obrigou a seguir por um caminho que, mais tarde, descobrimos ser melhor?

É impossível saber. O ser humano gostaria de possuir uma espécie de legenda para o futuro. Gostaria que cada fotografia da vida viesse acompanhada de uma explicação: “Depois disso acontecerá aquilo.” Mas a vida não funciona assim.

Recebemos apenas a imagem do presente. O restante permanece oculto. Talvez essa seja uma das maiores limitações – e, ao mesmo tempo, uma das maiores belezas – da existência.

Não sabemos o que há depois da fotografia porque ainda estamos vivendo a história que um dia poderá ser lembrada por meio dela. Hoje, alguém pode estar vivendo um momento aparentemente insignificante.

Uma conversa, um café, uma caminhada, uma despedida, uma decisão. Talvez pareça apenas mais um instante entre milhares de outros. Mas pode não ser. Pode ser justamente o momento que, muitos anos depois, será lembrado como o começo de alguma coisa.

O problema é que só descobriremos isso quando o tempo tiver passado. Por isso, talvez devêssemos olhar para o presente com um pouco mais de atenção. Não porque controlemos o futuro, mas porque o futuro está sendo construído justamente pelos pequenos instantes que hoje parecem comuns.

Não sabemos o que existe do outro lado da fotografia. Não sabemos o que existe após uma escolha, de um encontro, de uma despedida ou de uma manhã aparentemente igual a tantas outras.

Não sabemos sequer quantas fotografias ainda serão acrescentadas ao nosso álbum. E talvez seja exatamente essa incerteza que torna a vida tão extraordinária.

O passado é a fotografia que já podemos contemplar. O presente é o instante em que a fotografia está sendo tirada. E o futuro é aquilo que ainda não podemos ver – porque a imagem ainda não existe.

Talvez viver seja justamente isso: continuar caminhando mesmo sem saber o que existe do outro lado da foto.