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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Franz Stofel




Xaver Stärfel, conhecido também por Franz Stofel, nasceu em 5 de outubro de 1915, em Hamburgo, na Alemanha. Foi um oficial da SS nazista, com patente de SS-Hauptscharführer (equivalente aproximado a sargento-mor), e atuou como comandante em campos de concentração e subcampos durante a Segunda Guerra Mundial.

Após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, Stärfel serviu inicialmente no Reichswehr (forças armadas da República de Weimar) entre 1934 e 1935. Em abril de 1936, ingressou na SS em busca de uma carreira militar mais promissora e foi designado para a SS-Totenkopfverbände (unidades de caveira, responsáveis pela administração e guarda dos campos de concentração nazistas).

Ele foi enviado ao campo de concentração de Dachau em março de 1939, onde permaneceu até janeiro de 1944, atuando em diversas funções de supervisão e guarda.

Em meados de janeiro de 1944, foi transferido para o complexo de Mittelbau-Dora (um campo criado principalmente para o trabalho forçado na produção de armas secretas, como os foguetes V-2 na fábrica subterrânea Mittelwerk).

A partir de agosto de 1944, Stärfel assumiu o cargo de Kommandoführer (comandante de destacamento) responsável pela construção e operação do subcampo de Kleinbodungen, um dos muitos subcampos de Mittelbau-Dora.

Entre outubro de 1944 e janeiro de 1945, ele foi o comandante efetivo desse subcampo, que abrigava cerca de 620 prisioneiros (majoritariamente estrangeiros, incluindo soviéticos, poloneses e outros), forçados a trabalhar em condições extremas na Mittelwerk, produzindo e reparando componentes dos mísseis V-2.

O regime era brutal, com alta mortalidade por exaustão, desnutrição, doenças e punições arbitrárias. Com a aproximação das tropas aliadas (especificamente as forças americanas) no início de abril de 1945, Stärfel recebeu ordens da SS para evacuar o subcampo de Kleinbodungen em 4 de abril.

No dia seguinte, 5 de abril, cerca de 610 prisioneiros foram retirados sob escolta de 45 guardas da SS. Inicialmente, pretendia-se transportá-los de trem até Herzberg (no Harz), mas, devido ao risco constante de ataques aéreos aliados e à desorganização das ferrovias, Stärfel optou por conduzir os prisioneiros em uma marcha da morte (Todesmarsch) rumo ao campo de Bergen-Belsen, ainda sob controle nazista.

A marcha foi extremamente penosa: os prisioneiros, muitos já debilitados, marcharam por dias em condições precárias, usando tamancos de madeira, com pouca comida e água, sob vigilância armada e punições violentas.

Relatos indicam que execuções sumárias ocorreram durante o trajeto para eliminar os que não conseguiam acompanhar o ritmo. Em 11 de abril de 1945, apenas 590 prisioneiros chegaram a Bergen-Belsen; 20 haviam morrido no caminho ou conseguido fugir (embora fugas bem-sucedidas fossem raras nessas marchas).

Quatro dias depois, em 15 de abril, tropas britânicas libertaram Bergen-Belsen, encontrando um cenário de horror: cerca de 60 mil sobreviventes em estado crítico de desnutrição e doenças, além de aproximadamente 10-13 mil corpos não enterrados.

Os guardas da SS, incluindo Stärfel, foram imediatamente detidos pelos britânicos, forçados a carregar e enterrar os cadáveres expostos e, em seguida, interrogados.

Stärfel foi julgado no Julgamento de Belsen (Belsen Trial), um processo militar britânico realizado em Lüneburg entre setembro e novembro de 1945, contra Josef Kramer (o último comandante de Bergen-Belsen) e outros 44 acusados.

Ele foi acusado de crimes de guerra relacionados à marcha da morte de Kleinbodungen e ao tratamento geral de prisioneiros em Bergen-Belsen (embora sua principal responsabilidade tenha sido a evacuação).

O tribunal considerou-o culpado por participar do sistema de maus-tratos que resultou em mortes e sofrimentos. Condenado à morte por enforcamento, Franz Stofel foi executado em 13 de dezembro de 1945, na prisão de Hamelin, junto com outros condenados do mesmo julgamento, como Wilhelm Dörr (seu adjunto em Kleinbodungen) e Franz Höbler.

O caso de Stärfel exemplifica o papel dos suboficiais da SS-Totenkopfverbände na implementação do terror nos campos e nas evacuações finais do regime nazista, quando as marchas da morte causaram dezenas de milhares de mortes adicionais nos últimos meses da guerra.

Sua rápida condenação e execução refletem a determinação dos Aliados em punir responsáveis por esses crimes contra a humanidade logo após a libertação dos campos.

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