Propaganda

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Lago Retba, Senegal – Mais Salgado que o Mar Morto


Lago Retba, Senegal - Mais salgado que o Mar Morto em algumas épocas

O Lago Retba, também conhecido como Lac Rose - “Lago Rosa” -, localiza-se no noroeste da África, na região de Dakar, capital do Senegal. Situado a cerca de 29-35 km a nordeste da cidade, na península de Cabo Verde, o lago fica separado do Oceano Atlântico por uma estreita faixa de dunas de areia.

Sua característica mais famosa é a cor rosa ou avermelhada intensa de suas águas, causada pela microalga halófila Dunaliella salina. Essa alga produz grandes quantidades de betacaroteno (um pigmento vermelho-alaranjado) como mecanismo de proteção contra a alta radiação solar e a salinidade extrema.

O betacaroteno ajuda a alga a absorver melhor a luz para a fotossíntese e a produzir energia na forma de ATP. A tonalidade rosa fica mais vibrante durante a estação seca (novembro a junho), quando a evaporação é intensa e a concentração de sal e algas aumenta.

Na estação chuvosa (julho a outubro), a água doce das chuvas dilui o lago, tornando a cor menos pronunciada ou até quase inexistente. Altíssimo teor de sal - Superior ao Mar Morto em períodos de seca

O Lago Retba é um dos corpos d’água mais salgados do planeta.

Durante a estação seca, a salinidade pode atingir 380-400 g/L (38-40%), superando frequentemente o Mar Morto (que varia em torno de 34-35% em média). Essa alta concentração resulta da entrada constante de água salgada do Atlântico (por infiltração através das dunas) combinada com elevada evaporação no clima quente e árido da região.

Assim como no Mar Morto, a densidade da água é tão alta que as pessoas flutuam com extrema facilidade, sem esforço, o que atrai turistas para experiências de “flutuação”.

Extração artesanal de sal e o trabalho dos garimpeiros

O lago é explorado há décadas como importante fonte de sal para o Senegal e países vizinhos da África Ocidental. Cerca de 1.000 a 3.000 trabalhadores (homens e mulheres, muitos vindos de outras regiões ou países próximos) extraem o sal manualmente.

Eles entram nas águas salgadas por 6 a 8 horas diárias, usando ferramentas simples para raspar e coletar os cristais do fundo. Para proteger a pele da agressão do sal concentrado (que causa queimaduras e feridas graves), os coletores aplicam generosamente beurre de karité (manteiga de karité), um produto natural extraído das nozes da árvore de karité.

Essa manteiga atua como emoliente e barreira protetora, sendo essencial para evitar danos graves à pele. O sal coletado é empilhado nas margens em grandes montanhas brancas impressionantes, que secam ao sol antes de ser transportado em caminhões ou barcos para distribuição.

Grande parte é usada na conservação de peixes pela indústria pesqueira local, sendo ingrediente fundamental no preparo do thieboudienne, o prato nacional senegalês à base de peixe, arroz e vegetais.

Vida no lago: adaptações extremas

Apesar da salinidade extrema, o Lago Retba abriga algumas formas de vida adaptadas. Além da Dunaliella salina, existem pequenos crustáceos como artêmias e peixes de água salgada que desenvolveram mecanismos fisiológicos para expelir o excesso de sal e manter o equilíbrio osmótico.

Esses peixes tendem a ser significativamente menores (fenômeno chamado nanismo salino) do que espécies semelhantes em ambientes menos salgados. O lago é bastante pequeno, com área aproximada de 3 km² (cerca de 3 km de comprimento por 1 km de largura em média), e sua profundidade máxima raramente ultrapassa 3 metros.

Turismo e importância atual

Nos últimos anos, o Lago Retba tornou-se um dos principais pontos turísticos do Senegal, atraindo visitantes para banhos flutuantes, fotos nas águas cor-de-rosa e observação das montanhas de sal.

Atividades como passeios de quadriciclo pelas dunas próximas e visitas às aldeias dos trabalhadores do sal também são populares. Recentemente, há preocupações com o impacto do turismo excessivo, mudanças climáticas e extração intensiva.

Em períodos de seca prolongada, o nível da água caiu bastante, e alguns anos mostraram coloração menos intensa. Organizações locais e o governo senegalês têm discutido medidas de sustentabilidade para preservar o ecossistema único e garantir que a atividade econômica continue sem esgotar o recurso.

O Lago Retba permanece um exemplo fascinante de como a natureza cria paisagens e condições extremas, transformando um pequeno lago costeiro em um fenômeno natural e econômico único na África Ocidental.


0 Comentários: