Lago Retba, Senegal - Mais salgado que o Mar Morto em algumas épocas
O Lago Retba, também conhecido como Lac Rose -
“Lago Rosa” -, localiza-se no noroeste da África, na região de Dakar, capital
do Senegal. Situado a cerca de 29-35 km a nordeste da cidade, na península de
Cabo Verde, o lago fica separado do Oceano Atlântico por uma estreita faixa de
dunas de areia.
Sua característica mais famosa é a cor rosa
ou avermelhada intensa de suas águas, causada pela microalga halófila
Dunaliella salina. Essa alga produz grandes quantidades de betacaroteno (um
pigmento vermelho-alaranjado) como mecanismo de proteção contra a alta radiação
solar e a salinidade extrema.
O betacaroteno ajuda a alga a absorver melhor
a luz para a fotossíntese e a produzir energia na forma de ATP. A tonalidade
rosa fica mais vibrante durante a estação seca (novembro a junho), quando a
evaporação é intensa e a concentração de sal e algas aumenta.
Na estação chuvosa (julho a outubro), a água
doce das chuvas dilui o lago, tornando a cor menos pronunciada ou até quase
inexistente. Altíssimo teor de sal - Superior ao Mar Morto em períodos de seca
O Lago Retba é um dos corpos d’água mais salgados do planeta.
Durante a estação seca, a salinidade pode
atingir 380-400 g/L (38-40%), superando frequentemente o Mar Morto (que varia
em torno de 34-35% em média). Essa alta concentração resulta da entrada
constante de água salgada do Atlântico (por infiltração através das dunas)
combinada com elevada evaporação no clima quente e árido da região.
Assim como no Mar Morto, a densidade da água
é tão alta que as pessoas flutuam com extrema facilidade, sem esforço, o que
atrai turistas para experiências de “flutuação”.
Extração artesanal de sal e o trabalho dos garimpeiros
O lago é explorado há décadas como importante
fonte de sal para o Senegal e países vizinhos da África Ocidental. Cerca de
1.000 a 3.000 trabalhadores (homens e mulheres, muitos vindos de outras regiões
ou países próximos) extraem o sal manualmente.
Eles entram nas águas salgadas por 6 a 8
horas diárias, usando ferramentas simples para raspar e coletar os cristais do
fundo. Para proteger a pele da agressão do sal concentrado (que causa
queimaduras e feridas graves), os coletores aplicam generosamente beurre de
karité (manteiga de karité), um produto natural extraído das nozes da árvore de
karité.
Essa manteiga atua como emoliente e barreira
protetora, sendo essencial para evitar danos graves à pele. O sal coletado é
empilhado nas margens em grandes montanhas brancas impressionantes, que secam
ao sol antes de ser transportado em caminhões ou barcos para distribuição.
Grande parte é usada na conservação de peixes
pela indústria pesqueira local, sendo ingrediente fundamental no preparo do
thieboudienne, o prato nacional senegalês à base de peixe, arroz e vegetais.
Vida no lago: adaptações extremas
Apesar da salinidade extrema, o Lago Retba
abriga algumas formas de vida adaptadas. Além da Dunaliella salina, existem
pequenos crustáceos como artêmias e peixes de água salgada que desenvolveram
mecanismos fisiológicos para expelir o excesso de sal e manter o equilíbrio
osmótico.
Esses peixes tendem a ser significativamente
menores (fenômeno chamado nanismo salino) do que espécies semelhantes em
ambientes menos salgados. O lago é bastante pequeno, com área aproximada de 3
km² (cerca de 3 km de comprimento por 1 km de largura em média), e sua
profundidade máxima raramente ultrapassa 3 metros.
Turismo e importância atual
Nos últimos anos, o Lago Retba tornou-se um
dos principais pontos turísticos do Senegal, atraindo visitantes para banhos
flutuantes, fotos nas águas cor-de-rosa e observação das montanhas de sal.
Atividades como passeios de quadriciclo pelas
dunas próximas e visitas às aldeias dos trabalhadores do sal também são
populares. Recentemente, há preocupações com o impacto do turismo excessivo,
mudanças climáticas e extração intensiva.
Em períodos de seca prolongada, o nível da
água caiu bastante, e alguns anos mostraram coloração menos intensa.
Organizações locais e o governo senegalês têm discutido medidas de
sustentabilidade para preservar o ecossistema único e garantir que a atividade
econômica continue sem esgotar o recurso.
O Lago Retba permanece um exemplo fascinante
de como a natureza cria paisagens e condições extremas, transformando um
pequeno lago costeiro em um fenômeno natural e econômico único na África
Ocidental.










0 Comentários:
Postar um comentário