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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Operação Valquíria



A Operação Valquíria (em alemão, Unternehmen Walküre) foi, originalmente, um plano de contingência do regime da Alemanha Nazista, elaborado durante a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de manter a ordem interna do país em caso de emergência.

O plano previa a mobilização do Exército de Reserva (Ersatzheer) para assumir o controle de pontos estratégicos caso houvesse levantes da população civil ou revoltas de trabalhadores estrangeiros - muitos deles submetidos a trabalho forçado e trazidos dos territórios ocupados para atuar na indústria bélica alemã.

O plano foi concebido sob a supervisão do general Friedrich Olbricht, chefe do Escritório Geral do Exército, e recebeu aprovação formal do próprio Adolf Hitler. Em sua forma original, tratava-se apenas de um mecanismo de defesa interna do regime nazista, destinado a preservar a estrutura estatal diante de possíveis tumultos.

Contudo, à medida que a guerra avançava e as derrotas militares alemãs se acumulavam - especialmente após Stalingrado - cresceu dentro de setores do Exército (Heer) a convicção de que Hitler conduzia o país à ruína total.

Oficiais como o general Henning von Tresckow, o general Friedrich Olbricht e, posteriormente, o coronel Claus von Stauffenberg passaram a enxergar na Valquíria uma oportunidade para derrubar o regime por meio de um golpe de Estado.

A ideia de assassinar Hitler já vinha sendo discutida desde 1942, e houve tentativas anteriores, como a fracassada ação de 13 de março de 1943. Após essas experiências malsucedidas, os conspiradores concluíram que seria necessário um plano mais abrangente e institucionalmente legitimado.

Assim, modificaram secretamente a Operação Valquíria para que, após a morte de Hitler, o Exército de Reserva pudesse ocupar ministérios, estações de rádio, centrais telefônicas, prédios do partido nazista, quartéis da SS e até campos de concentração.

A morte de Hitler - e não apenas sua prisão - era considerada essencial porque todos os soldados e oficiais alemães haviam prestado juramento de lealdade pessoal a ele (o Führereid). Enquanto estivesse vivo, qualquer ordem contrária poderia ser interpretada como traição direta.

Os conspiradores também redigiram uma declaração que seria divulgada imediatamente após o atentado, afirmando que Hitler havia sido morto por uma conspiração interna da SS, que tentaria tomar o poder.

A intenção era convencer os comandantes regionais de que estavam agindo para proteger o Estado alemão contra um suposto golpe da própria liderança nazista. A execução do plano dependia crucialmente do coronel-general Friedrich Fromm, comandante do Exército de Reserva, pois apenas ele - além de Hitler - tinha autoridade formal para ativar a Operação Valquíria.

Fromm tinha conhecimento da conspiração, mas manteve postura ambígua: não a denunciava à Gestapo, mas também não se comprometia plenamente com os conspiradores. Caso se recusasse a colaborar, deveria ser neutralizado.

Em 20 de julho de 1944, Stauffenberg levou uma bomba escondida em uma pasta para uma reunião no quartel-general de Hitler, a Toca do Lobo, na Prússia Oriental.

A explosão ocorreu, mas circunstâncias imprevistas - como a posição da pasta e a estrutura da sala - impediram que Hitler fosse morto. Embora ferido, ele sobreviveu.

Mesmo assim, acreditando inicialmente no sucesso do atentado, Stauffenberg retornou a Berlim e iniciou a Operação Valquíria. Por algumas horas, o golpe pareceu avançar: ordens foram transmitidas, unidades do Exército de Reserva ocuparam prédios estratégicos e oficiais da SS foram detidos em algumas localidades.

Porém, quando se confirmou que Hitler estava vivo, a situação se inverteu rapidamente. A lealdade ao Führer prevaleceu, e o plano desmoronou. Stauffenberg foi preso e executado na mesma noite.

Olbricht e outros oficiais também foram mortos. Tresckow, ao saber do fracasso, suicidou-se no front oriental. O marechal Erwin von Witzleben foi posteriormente executado após julgamento no infame Tribunal do Povo.

Ludwig Beck, ex-chefe do Estado-Maior, tentou suicídio e acabou sendo morto. Friedrich Fromm, buscando salvar a própria posição, ordenou execuções imediatas de alguns conspiradores, mas ainda assim foi preso depois e também executado.

As represálias foram severas. Milhares de pessoas foram detidas, e estima-se que cerca de 5 mil membros reais ou supostos da resistência alemã tenham sido executados nos meses seguintes. O regime intensificou a repressão, ampliando o poder da SS e da Gestapo.

Historicamente, a Operação Valquíria permanece um dos episódios mais complexos da resistência alemã ao nazismo. Embora seus líderes fossem militares conservadores - muitos deles inicialmente apoiadores do regime - passaram a agir movidos por razões morais, estratégicas e patrióticas, ao perceberem a dimensão dos crimes cometidos e a inevitável derrota da Alemanha.

Em 2008, o episódio foi retratado no cinema no filme Operação Valquíria, estrelado por Tom Cruise, que dramatiza os acontecimentos a partir da perspectiva de Stauffenberg, trazendo ao grande público um dos momentos mais dramáticos da história alemã do século XX.

A Operação Valquíria, apesar de fracassada, simboliza a existência de resistência interna ao regime nazista - ainda que tardia e limitada - e revela o conflito moral enfrentado por parte da elite militar alemã diante da catástrofe que se desenrolava na Europa.


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