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domingo, fevereiro 08, 2026

Algum dia


O Encontro Inevitável

“Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente te encontrarás consigo mesmo. E esse encontro, só esse, poderá ser a hora mais luminosa e plena da tua existência - ou a mais dolorosa, cruel e inescapável de todas as tuas horas.”

Pablo Neruda

Essa frase, tão repetida em livros de autoajuda e reflexões psicológicas, guarda uma verdade profunda e incômoda: não há fuga permanente de si mesmo. Por mais que a vida nos empurre para o movimento contínuo - viagens, mudanças de cidade, de relacionamentos, de trabalho ou até de país -, sempre chega o momento em que o deslocamento deixa de ser libertação e passa a ser adiamento.

Esse instante costuma surgir sem aviso. Não respeita agendas nem discursos prontos. É quando as máscaras caem, as distrações se esgotam e ficamos, finalmente, frente a frente com nossa essência mais crua: os medos não resolvidos, as feridas antigas, os desejos abafados, as contradições mal digeridas - e, paradoxalmente, também nossa capacidade de beleza, coragem e redenção.

Neruda conhecia bem esse território. Viveu intensamente os extremos da existência: o exílio forçado, os amores avassaladores, o engajamento político, a solidão, o reconhecimento mundial com o Prêmio Nobel e as perdas que nunca cicatrizam por completo.

Sua obra é atravessada por dualidades constantes: o êxtase amoroso de Vinte poemas de amor e uma canção desesperada convivendo com a dor da ausência; a celebração do cotidiano nas Odes elementares dialogando com o peso da morte, da injustiça e da violência histórica em sua poesia política. Em Neruda, o homem nunca está inteiro sem o conflito.

Esse “encontro consigo mesmo” está longe de ser, necessariamente, um momento romântico de autodescoberta serena. Muitas vezes é um choque brutal: o luto por quem acreditávamos ser, a queda das narrativas que sustentavam nosso orgulho ou nossas escolhas.

Em outros casos, porém, pode ser uma libertação profunda - quando, exaustos de fugir, aceitamos quem realmente somos, com limites, falhas e possibilidades.

No tempo das redes sociais, da performance constante e da autoimagem cuidadosamente construída, essa frase ganha ainda mais força. Quantas pessoas fogem de si mesmas por meio de curtidas, consumo excessivo, trabalho compulsivo ou relacionamentos que funcionam mais como anestesia do que como encontro verdadeiro?

Quanto mais barulho externo, mais distante fica o silêncio necessário para ouvir a própria consciência. Mas, cedo ou tarde - numa madrugada insone, numa viagem solitária, numa perda irreparável, numa crise existencial, numa doença, numa ruptura ou simplesmente no silêncio que sobra depois de tanto ruído -, o encontro acontece. E então não há mais para onde correr.

A beleza (e o terror) da frase está exatamente nessa palavra: indefectivelmente. Não é opcional. Não depende de vontade, fé ou preparo. É uma lei da existência humana. Podemos adiar, disfarçar, negociar, mas não abolir.

E você? Já teve - ou está tendo - esse encontro? Foi mais doce ou mais amargo? Neruda nos lembra que, qualquer que seja a resposta, esse momento é sagrado. Porque, no fim das contas, é o único que não pode ser delegado, encenado ou vivido por outro. É o único que é, inteiramente, nosso.

A verdadeira Bíblia


Por milhares de anos, a humanidade vem escrevendo a verdadeira Bíblia - e ela continua sendo escrita dia após dia. Jamais estará concluída enquanto houver no ser humano vida, consciência e fôlego. Trata-se de um livro sem capa, sem dogmas finais, sem autores exclusivos, mas pleno de experiências, erros, descobertas e superações.

Nele estão inscritos todos os fatos que realmente conhecemos, os acontecimentos que de fato ocorreram; as descobertas científicas que rasgaram o véu da ignorância e as invenções que transformaram radicalmente a maneira como vivemos.

Estão ali as máquinas extraordinárias, cujas engrenagens parecem pulsar com vida própria, fruto da inteligência acumulada de gerações que ousaram imaginar o impossível.

Também fazem parte dessa escritura viva todos os poemas que tocam a alma e expandem o sentir; as joias do intelecto humano; as flores do coração que brotam em gestos simples e profundos; as canções de amor - tristes ou jubilosas - que embalam a memória coletiva.

Estão registrados os grandes dramas da imaginação, as pinturas admiráveis, verdadeiros milagres de forma, cor, luz e sombra; as esculturas que parecem respirar e sentir; os segredos revelados pelas rochas e pelas estrelas, pelo pó e pelas flores, pela chuva e pela neve, pelo frio e pelo fogo, pelas correntes de ar e pela areia do deserto, pelas alturas das montanhas e pelo eterno movimento das ondas do mar.

Nessa Bíblia escrita pela humanidade encontram-se ainda toda a sabedoria que prolonga e enobrece a existência: aquela que previne e cura doenças, que enfrenta a dor e alivia o sofrimento, que transforma o medo em conhecimento. Estão ali as leis verdadeiramente justas, criadas não para oprimir, mas para orientar a convivência humana em direção à harmonia, à dignidade e à equidade.

Ela também reúne todos os pensamentos que alimentam as chamas do amor genuíno; a música que transfigura, arrebata e enfeitiça a alma; as vitórias do coração e da mente sobre a ignorância, o preconceito e o ódio.

Estão registrados os milagres construídos por mãos humanas: as mãos sábias e calejadas daqueles que trabalharam incansavelmente por suas famílias, suas comunidades e pelas gerações futuras.

Fazem parte dessa narrativa as histórias de feitos nobres, de homens e mulheres corajosos e produtivos; os exemplos de amor leal entre companheiros e companheiras; o amor incondicional das mães; os conflitos travados em nome da justiça; os sacrifícios assumidos em defesa da verdade e da liberdade. Cada escolha ética, cada renúncia em favor do bem comum, cada resistência contra a barbárie acrescenta uma nova página a esse livro coletivo.

Tudo isso - e muito mais - constitui os tesouros acumulados do coração e do intelecto humano ao longo dos séculos. São essas realizações, esses lampejos de genialidade, compaixão e coragem que formam as verdadeiras Sagradas Escrituras da raça humana.

Foi essa a visão expressa por Robert G. Ingersoll, conhecido como “o Grande Agnóstico”, em seu ensaio About the Holy Bible (1894). Orador brilhante e defensor intransigente do livre-pensamento, Ingersoll criticava severamente o que via como erros, contradições e crueldades presentes na Bíblia tradicional, sobretudo no Antigo Testamento.

Para ele, a verdadeira revelação não estava em um livro antigo, supostamente ditado por Deus, mas no progresso contínuo da humanidade - nas ciências, nas artes, na ética e nos atos cotidianos de bondade.

Ingersoll via a “Bíblia real” como um livro vivo, escrito coletivamente por todos os povos, em todas as épocas, por meio de suas conquistas, aprendizados e fracassos.

Em vez de uma revelação divina estática e imutável, ele defendia uma escritura em permanente construção, moldada pela razão, pela empatia e pelo esforço humano para melhorar o mundo.

Essa ideia ressoa com força ainda hoje, em um tempo marcado por avanços científicos vertiginosos - como a medicina genômica, a exploração espacial e a inteligência artificial -, por lutas globais em defesa dos direitos humanos e por novas formas de expressão artística que continuam a desafiar e inspirar gerações.

Ao mesmo tempo, ela nos confronta com nossas responsabilidades: cada descoberta pode curar ou destruir; cada tecnologia pode libertar ou controlar; cada escolha moral pode ampliar ou restringir a dignidade humana.

A “verdadeira Bíblia”, segundo Ingersoll, jamais se fecha. Ela se renova a cada vida salva, a cada injustiça combatida, a cada gesto de solidariedade, a cada criação que eleva o espírito humano.

Seu texto não exige fé cega, mas consciência; não impõe dogmas, mas convida à reflexão; não promete salvação em outro mundo, mas aponta para a possibilidade - sempre inacabada - de construir um mundo melhor aqui e agora.