Quem assistiu à novela Roque Santeiro,
exibida pela Rede Globo entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986,
certamente se lembra de Terêncio Apolinário,
o fiel e temido capataz do “coronel” Sinhozinho Malta, magistralmente
interpretado por Lima Duarte.
O personagem, marcado por obediência cega,
rigidez moral e presença constante, ganhou força dramática graças à atuação
segura e expressiva de Waldyr Sant’anna,
que soube imprimir humanidade e tensão a um papel secundário, mas fundamental
na engrenagem da trama.
Para muitos,
esse foi o melhor papel de sua carreira na televisão. Ainda assim, Waldyr
Sant’anna construiu uma trajetória muito mais ampla e diversa, consolidando-se
como um artista completo, tanto diante das câmeras quanto atrás dos microfones.
Nascido no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1936,
Waldyr iniciou sua carreira artística em São Paulo, em 1956,
como disc
jockey na Rádio Excelsior.
Posteriormente, trabalhou também na Rádio Nacional de São
Paulo, onde desenvolveu sua voz marcante, dicção precisa e
sensibilidade interpretativa, qualidades que mais tarde o tornariam um dos
grandes nomes da dublagem brasileira.
Na televisão,
participou de diversas telenovelas de sucesso, entre elas Água Viva,
Rosa
Baiana, Sol de Verão, Guerra dos Sexos, O
Salvador da Pátria e Suave Veneno. Em Roque
Santeiro, de Dias Gomes,
eternizou o personagem Terêncio, o jagunço leal e silencioso de Sinhozinho
Malta, figura emblemática da teledramaturgia nacional.
Também integrou
o elenco de Baila
Comigo, interpretando Jandir;
da minissérie Sex
Appeal, como Jonas;
e da novela Corpo
a Corpo, no papel de Agildo.
Já em 2007, fez uma participação especial em Sete Pecados, vivendo um juiz
de boxe, demonstrando, mais uma vez, sua versatilidade artística.
Paralelamente à
carreira como ator, Waldyr Sant’anna tornou-se um dos
mais reconhecidos dubladores do Brasil. Seu trabalho mais
famoso foi dar voz a Homer Simpson,
no desenho Os
Simpsons, personagem com o qual ficou profundamente associado pelo
público.
Também dublou Eddie
Murphy em diversos filmes, além de emprestar sua voz a inúmeros
personagens do cinema e da televisão. Na Globo, participou ainda de vários
programas e seriados, como Linha Direta, o seriado Mulher
e o infantojuvenil Sítio do Picapau Amarelo, durante a década de
1980, onde deu voz ao personagem Vidro Azul.
Realizou também narrações no seriado Juba e
Lula, reforçando sua presença constante na programação da emissora.
Em reconhecimento à sua contribuição para a dublagem brasileira, foi
homenageado em 2006 no Prêmio Yamato de Dublagem, conhecido
como o “Oscar da Dublagem”, ao lado dos dubladores Peterson
Adriano e Selma Lopes,
um tributo à excelência e longevidade de sua carreira.
Waldyr Sant’anna faleceu
em 21 de abril de 2018. À época, surgiram especulações sobre problemas relacionados ao álcool,
mas tais informações foram prontamente desmentidas por seus familiares.
Sabe-se que, em 2012,
o ator havia enfrentado problemas cardíacos e passado por procedimentos
clínicos, o que fragilizou sua saúde nos anos seguintes. Seu legado permanece
vivo na memória afetiva do público brasileiro.
Seja no rosto severo de Terêncio Apolinário,
seja na voz inconfundível de Homer Simpson, Waldyr Sant’anna deixou uma marca
definitiva na história da televisão e da dublagem no Brasil, um artista
discreto, consistente e profundamente talentoso.













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