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sábado, janeiro 17, 2026

O Padre Moderno


Era sábado à noite quando aquele padre moderninho, adepto de homilias leves e discursos atualizados, resolveu fazer uma visita pastoral a um dos membros mais assíduos da paróquia.

Imaginava encontrar uma família reunida, talvez um café simples, algumas queixas espirituais e a costumeira conversa edificante.

Mal tocou a campainha, porém, foi recebido por uma cena que nenhum seminário ousaria preparar: o anfitrião surgiu completamente nu, sorridente, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Antes mesmo que o padre pudesse articular qualquer palavra, foi atingido por uma explosão de sons vindos do interior da casa: gritaria, música sensual em volume exagerado e gargalhadas escancaradas. Bastou um rápido olhar para perceber que ali acontecia uma festa nada convencional, dessas que jamais entram nos relatórios paroquiais.

- Entre, padre! - convidou o dono da casa, com a maior naturalidade, abrindo espaço na porta.

O sacerdote recuou instintivamente, mas a curiosidade - e talvez um resquício de ingenuidade pastoral - o fez espiar para dentro. Foi então que o anfitrião, orgulhoso do espetáculo, explicou:

- Estamos brincando de um joguinho muito interessante! Está vendo aquelas garotas de olhos vendados? Pois é… elas precisam apalpar o peru dos homens para descobrir quem é quem. Um desafio de percepção, entende? Quer participar? É divertidíssimo!

O padre sentiu o rosto arder. Endireitou o colarinho, pigarreou e respondeu, tentando manter a dignidade:

- Desculpe, meu filho, mas creio sinceramente que aqui não é o meu lugar.

Já se preparava para virar as costas quando ouviu a réplica, carregada de malícia:

- Ora, padre! Deixe de cerimônias! O senhor está fazendo sucesso… Seu nome já foi citado três vezes nas tentativas de adivinhação!

O padre saiu apressado, murmurando uma oração que misturava espanto, constrangimento e um leve questionamento interior. Afinal, naquela noite, quem mais precisaria de absolvição: os fiéis ou a própria ideia de modernidade?

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