Faltavam poucos dias para o casamento de Adolfo, e a ansiedade típica dos momentos
que antecedem uma grande mudança já rondava seus pensamentos. Em uma tarde
aparentemente comum, enquanto conversava na sala, sentado no sofá, foi
surpreendido por uma situação completamente inesperada.
A mãe de sua
noiva, Sônia, uma mulher de pouco mais de quarenta
anos, elegante e segura de si, respirou fundo e, com certo constrangimento,
iniciou uma conversa delicada:
- Adolfo, quero
que você saiba que sempre te considerei um homem muito atraente - hesitou por
um instante. - Estou até sem graça de continuar.
Sem imaginar o
rumo que aquilo tomaria, ele respondeu, tentando manter a cordialidade:
- Pode falar,
dona Sônia. Fique à vontade.
Ela então foi
direta, sem rodeios, deixando-o completamente atônito:
- Antes de você
se casar, eu gostaria de ficar com você.
Adolfo ficou
imóvel, boquiaberto, tentando processar o que acabara de ouvir. Sônia,
percebendo o choque, levantou-se e concluiu com frieza calculada:
- Vou para o
quarto. Se quiser ir embora, você sabe onde fica a porta. Se decidir me
acompanhar, estarei lá.
Ela saiu,
deixando no ar um silêncio pesado. Adolfo permaneceu parado por um breve
segundo, tempo suficiente para avaliar tudo o que estava em jogo: seu caráter,
seu futuro casamento e os valores que dizia defender.
Sem hesitar
mais, levantou-se, caminhou rapidamente até a porta e saiu da casa. Ao se
aproximar do carro, encontrou alguém inesperado: seu
sogro, encostado calmamente no veículo, com um sorriso
satisfeito no rosto.
- Parabéns,
Adolfo - disse ele. - Queríamos ter certeza de que você era um homem fiel,
honesto e leal à minha filha. E você passou no teste.
Nesse momento,
Sônia também apareceu, agora com um semblante aliviado, e cumprimentou o futuro
genro, como quem encerra um experimento bem-sucedido.
A tensão se
dissipou, dando lugar a um misto de alívio e aprendizado.
Moral da história:
Em certas situações da vida, é melhor estar
preparado para o inesperado - e, sobretudo, manter os valores no lugar certo,
mesmo quando a tentação bate à porta.









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