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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Violet Hilton e Daisy Hilton



Violet e Daisy Hilton foram gêmeas siamesas nascidas em 5 de fevereiro de 1908, em Brighton, na Inglaterra. Elas se tornaram famosas como artistas de entretenimento, passando de atrações de espetáculos secundário para estrelas de vaudeville e cinema nos Estados Unidos.

Sua mãe, Kate Skinner, era uma garçonete solteira que trabalhava em um pub. As meninas nasceram unidas pelos quadris e nádegas, compartilhando a circulação sanguínea e fundidas na pelve, mas possuíam órgãos vitais separados, o que, hoje em dia, facilitaria uma separação cirúrgica, mas na época era considerado impossível sem risco fatal.

O parto foi assistido pela empregadora de Kate, Mary Hilton, uma parteira e dona de pub que imediatamente viu potencial comercial nas gêmeas. Kate, possivelmente acreditando que a condição das filhas era um castigo divino por sua gravidez fora do casamento, entregou-as a Mary Hilton, que assumiu efetivamente a custódia.

As gêmeas passaram a infância sendo exibidas em pubs de Brighton, como o Queen's Head e depois o Evening Star, onde o público pagava para vê-las e até tocá-las. Mary Hilton, junto com o marido e a filha, exercia controle rígido, com relatos de abusos físicos, forçando-as a chamá-la de "Auntie Lou" (Tia Lou) e o marido de "Sir".

Elas foram treinadas intensivamente em canto, dança, sapateado e instrumentos musicais - como saxofone, violino, piano e clarinete - para se destacarem de outras atrações. Um relato médico detalhado do nascimento foi publicado no British Medical Journal pelo Dr. James Augustus Rooth, que atendeu o parto.

Ele destacou que as Hilton foram as primeiras gêmeas siamesas nascidas no Reino Unido a sobreviverem mais do que algumas semanas. A Sussex Medico-Chiurgical Society avaliou a possibilidade de separação, mas decidiu unanimemente contra, pois a cirurgia mataria pelo menos uma delas.

Aos três anos (1911), elas iniciaram turnês como "The United Twins" ou "The Double Bosses" na Grã-Bretanha, depois na Alemanha, Austrália e, a partir de 1916, nos Estados Unidos. Mary Hilton explorava-as em espetáculos com narrativas sensacionalistas, ficando com todo o dinheiro ganho.

Após a morte de Mary em 1919 sua filha Edith e o genro Myer (ou Meyer) Meyers assumiram o controle, continuando os abusos e treinando-as em jazz para torná-las mais únicas.

Em 1926, elas atuaram no show "Dancemedians" de Bob Hope, com números de sapateado. Moraram em uma mansão em San Antônio, Texas, por volta de 1930. Em 1931, as irmãs processaram os empresários Meyers em San Antônio, conquistando a emancipação legal, o rompimento do contrato e US$ 100.000 em danos (equivalente a cerca de US$ 1,7 milhão hoje).

Livre, elas abandonaram os espetáculos e passaram ao vaudeville com "The Hilton Sisters' Revue". Daisy tingiu o cabelo de loiro, e elas adotaram roupas diferentes para se distinguirem visualmente.

Tornaram-se atrações populares, com performances sofisticadas. A vida amorosa foi complicada: tiveram vários relacionamentos, mas pedidos de licença de casamento foram negados em pelo menos 21 estados por "indecência".

Violet ficou noiva do músico Maurice Lambert, mas sem sucesso. Houve um casamento de Violet com James Moore em 1936 no Cotton Bowl (Dallas), mas foi admitido como façanha publicitário (ele era gay).

Daisy engravidou uma vez, mas o filho foi dado para adoção. Elas apareceram no filme clássico Freaks (1932), de Tod Browning, interpretando a si mesmas. Em 1951, estrelaram Chained for Life, um filme exploração vagamente baseado em suas vidas, com trama de crime.

Com o declínio do vaudeville e burlesca nos anos 1940-1950, a fama diminuiu. Elas tentaram negócios como um snack bar em Miami, mas falhou. A última aparição pública foi em 1961, promovendo uma reexibição de Freaks em um drive-in em Charlotte, Carolina do Norte.

Abandonadas pelo gerente da turnê, sem dinheiro para voltar, aceitaram emprego em um supermercado (Park-N-Shop), trabalhando no caixa e na seção de hortifrúti - o dono adaptou o balcão para duas pessoas.

Em 4 de janeiro de 1969, após faltarem ao trabalho durante a pandemia de gripe Hong Kong (1968-1969, que matou milhões globalmente), o chefe chamou a polícia.

Elas foram encontradas mortas em casa, aos 60 anos. A autópsia indicou que Daisy morreu primeiro de complicações da gripe; Violet sobreviveu de 2 a 4 dias, devido à circulação compartilhada, Violet provavelmente enfraqueceu rapidamente.

Foram enterradas no Forest Lawn West Cemetery, em Charlotte, dividindo túmulo com outro falecido (sem lápide própria). Seu legado continua em obras culturais: em 1989, o musical Twenty Fingers Twenty Toes estreou off-Broadway (35 apresentações), com enredo fiel no início, mas fictício depois (tentativa de separação adulta).

Em 1997, Side Show (livro e letras de Bill Russell, música de Henry Krieger) estreou na Broadway, recebendo 4 indicações ao Tony Awards; revival em 2014. A história inspirou documentários e livros, destacando exploração, resiliência e busca por aceitação.

As Hilton representam uma trajetória trágica de exploração desde a infância até a independência tardia, mas com talento e determinação que as tornaram ícones da era do vaudeville.

 

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