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quinta-feira, janeiro 01, 2026

Calças caídas e o significado

Se você acha que andar com as calças caídas abaixo da cintura é super estiloso e moderno, talvez valha a pena conhecer a história por trás dessa tendência e, separar fato de lenda urbana.

A moda de "sagging", como é chamada em inglês, realmente tem ligação com o sistema prisional dos Estados Unidos, mas não do jeito que muitos contam. O que aconteceu foi o seguinte: nas prisões americanas, os uniformes são padronizados e muitas vezes grandes demais para os detentos, pois não há opções de tamanhos personalizados.

Além disso, cintos são proibidos por razões de segurança, eles poderiam ser usados como arma ou para suicídio. Sem cinto para segurar as calças, elas naturalmente caíam, ficando baixas na cintura.

Quando ex-detentos saíam da prisão, alguns continuavam usando as calças assim, seja por hábito ou como uma forma de exibir "credibilidade de rua", mostrando que já tinham passado pelo sistema.

Nos anos 1990, essa estética foi adotada e popularizada pela cultura hip-hop. Artistas como Ice-T, Too Short, Kriss Kross e Tupac usavam calças largas e caídas como símbolo de rebeldia, autenticidade e conexão com a vida nas ruas.

A tendência explodiu entre os jovens, especialmente na comunidade negra urbana, e se espalhou globalmente, influenciando moda skate, rap e até o mainstream.

O mito do “sinal sexual”

Uma história que circula há décadas e, que aparece muito em correntes de e-mail, posts no Facebook e conversas de pais preocupados, diz que os detentos usavam calças caídas para sinalizar que estavam "disponíveis" para relações sexuais com outros presos, mostrando parte das nádegas como um código discreto para não alertar os guardas.

Segundo essa versão, quem usava assim na rua estaria, sem saber, copiando esse sinal. Mas isso é falso. Sites de checagem de fatos como Snopes, historiadores de moda e até relatos de ex-detentos confirmam que não há evidências históricas ou documentadas de que isso fosse um código intencional nas prisões.

É uma lenda urbana, muitas vezes espalhada com tom homofóbico para assustar jovens e desencorajá-los a usar a moda associando-a a algo negativo como prisão ou homossexualidade. Na realidade, as calças caíam simplesmente porque não tinham como ficar no lugar.

Polêmicas e acontecimentos ao longo dos anos

Essa tendência gerou muita controvérsia: Nos anos 2000, várias cidades americanas, como Dallas, Brooklyn e Wildwood, lançaram campanhas públicas contra o "sagging", com cartazes e até multas em praias ou transporte público. Escolas proibiram o estilo no uniforme, e até companhias aéreas recusaram passageiros por causa dele.

Em 2008, Barack Obama comentou o assunto, dizendo que leis contra calças caídas eram "perda de tempo", mas que "os irmãos deveriam puxar as calças para cima" por respeito próprio.

Em 2010, uma música viral chamada "Pants on the Ground", de um participante do American Idol, virou hit zoando a moda, comparando quem usa calças caídas a "pinguim andando".

Hoje, a tendência diminuiu bastante, jeans skinny e cortes mais ajustados dominam, mas ainda aparece em alguns estilos streetwear. No fim das contas, moda é expressão cultural e rebeldia juvenil.

Se alguém usa calças caídas, provavelmente é só por achar cool, influenciado pelo hip-hop, e não por nenhum "código secreto" da prisão. Se a gurizada soubesse a história real, talvez rissem do mito em vez de se preocupar. 


Não Volte ao Lugar Onde Foi Feliz


 

Nunca volte ao lugar onde você viveu no passado e foi feliz. Ali já não haverá ninguém esperando por você, apenas a saudade e a nostalgia, como fantasmas silenciosos que vagueiam entre as ruínas do tempo.

Os lugares onde um dia fomos plenamente felizes jamais permanecem os mesmos. O tempo, implacável e paciente, transforma tudo: as pessoas partem, os cenários se reinventam, as fachadas mudam, as vozes se calam.

Até o ar parece carregar uma melancolia discreta, como se soubesse que ali algo precioso já se foi. O que antes era abrigo agora soa estranho; o que era familiar torna-se distante.

As alegrias intensas que você experimentou não podem ser recriadas. Elas pertencem a um instante irrepetível, tecido com quem você era naquela época, com seus sonhos ainda intactos, com as pessoas que caminhavam ao seu lado e com as circunstâncias que jamais se repetirão da mesma forma.

A felicidade do passado não está apenas no lugar - ela estava em você. Talvez por isso seja melhor preservar apenas as lembranças puras, guardadas no coração como tesouros intocados.

Elas aquecem nos dias frios, confortam nas horas de silêncio, inspiram a seguir em frente e nos lembram de que fomos capazes de sentir luz, plenitude e pertencimento. A memória, quando respeitada, pode ser abrigo; quando confrontada, pode se tornar ferida.

A nostalgia, afinal, não é apenas uma dor doce. Estudos psicológicos indicam que ela pode ser um recurso valioso: ajuda a combater a solidão, fortalece a resiliência emocional e nos reconecta com nossa identidade mais profunda.

Ao lembrar de quem fomos, reafirmamos quem ainda somos e, sobretudo, quem ainda podemos ser. A nostalgia dá sentido à vida mesmo em tempos difíceis, desde que não nos aprisione.

Mas, se apesar de tudo, um dia você decidir voltar, saiba que corre o risco de perder até mesmo aquilo que preservava com carinho dentro de si. Ao confrontar a realidade atual - talvez um lugar remodelado, esvaziado ou transformado além do reconhecimento - a imagem idealizada pode se desfazer como névoa ao sol.

O que era mágico vira comum; o que parecia eterno revela sua fragilidade. Voltar, muitas vezes, não resgata o passado, apenas o desmistifica. Como já se observou com sabedoria: há encantos que só sobrevivem na memória. Tocá-los novamente pode ser o gesto que os destrói.

No fim, o passado não é um lugar para morar, mas uma luz distante para orientar o presente. Ele existe para ensinar, não para aprisionar. Deixe-o brilhar à distância, com respeito e gratidão, e siga adiante.

Há novas felicidades esperando para nascer no caminho que ainda está por vir - e elas só se revelam a quem aceita continuar caminhando.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

A Piedade como Capital Político no Brasil


 

Em muitos países da América Latina - incluindo o Brasil - a influência religiosa permanece social e politicamente significativa, apesar da separação formal entre Estado e Igreja.

Nesse contexto, não é raro que políticos alcancem ou preservem o poder exibindo sinais públicos de piedade: participam de cultos e missas, contribuem para instituições de caridade, citam passagens bíblicas em discursos e, sobretudo, apresentam-se como “tementes a Deus”.

Trata-se de uma estratégia recorrente, enraizada em uma herança cultural profunda, inicialmente marcada pelo catolicismo histórico e, mais recentemente, pelo crescimento acelerado do evangelicalismo.

No caso brasileiro, é importante corrigir uma ideia comum, mas imprecisa: o Estado é oficialmente laico desde a Proclamação da República, em 1889. A separação entre Igreja e Estado foi estabelecida pelo Decreto nº 119-A, de 1890, e consagrada na Constituição de 1891, encerrando o catolicismo como religião oficial do Império.

Esse princípio foi reafirmado e fortalecido ao longo do século XX, culminando na Constituição de 1988, que proíbe o estabelecimento de cultos oficiais ou alianças privilegiadas com organizações religiosas (art. 19), ainda que permita colaborações em nome do interesse público.

Na América Latina, a laicidade seguiu trajetórias diversas. Enquanto países como o Uruguai adotaram uma separação rigorosa - a ponto de renomear feriados cristãos, como o “Dia da Família” em substituição ao Natal - outros, como Argentina, Bolívia e Costa Rica, ainda mantêm o catolicismo como religião oficial do Estado.

Essas variações revelam que a laicidade latino-americana, em muitos casos, é mais jurídica do que cultural. A história recente demonstra, contudo, que um político teísta - ou que se apresenta como tal - não é, por definição, mais ético, competente ou justo do que um ateu ou agnóstico.

A crença em Deus não imuniza ninguém contra práticas corruptas, autoritárias ou ineficientes. Escândalos políticos envolvendo figuras que se declaravam profundamente religiosas são abundantes e atravessam diferentes confissões e espectros ideológicos.

Ainda assim, em sociedades culturalmente conservadoras, a imagem pública de fé continua a conferir vantagens eleitorais significativas. No Brasil, onde aproximadamente metade da população ainda se declara católica e cerca de um terço evangélica, alianças com líderes religiosos podem mobilizar votos em bloco e influenciar decisivamente eleições.

O crescimento evangélico - que saltou de uma presença minoritária no final do século XX para mais de 30% da população nas últimas décadas - transformou o cenário político. Igrejas pentecostais e neopentecostais, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, passaram a atuar de forma organizada, orientando seus fiéis sob lemas como “irmão vota em irmão”.

Acontecimentos recentes ilustram esse fenômeno de maneira eloquente. Nas eleições de 2018, Jair Bolsonaro construiu uma narrativa fortemente associada a valores religiosos e conservadores, incluindo seu batismo no rio Jordão e o slogan “Deus acima de todos”. O apoio evangélico foi decisivo para sua vitória, influenciando pautas como a oposição ao aborto e à chamada “ideologia de gênero”.

Em 2022, embora Luiz Inácio Lula da Silva tenha vencido o pleito, Bolsonaro manteve expressivo apoio entre evangélicos, enquanto o eleitorado católico mostrou-se mais dividido. Hoje Jair Bolsonaro está preso e enganado por maioria dos seus seguidores sem nenhuma proteção divina.

Eventos de grande visibilidade pública, como a Marcha para Jesus, tornaram-se espaços disputados por políticos de diferentes partidos e ideologias - inclusive integrantes do atual governo - evidenciando que a busca por legitimidade religiosa transcende alinhamentos políticos tradicionais.

No Congresso Nacional, a chamada Bancada Evangélica - ou “bancada bíblica” - cresceu de forma consistente, atuando na defesa de agendas morais conservadoras. Figuras como Damares Alves e Marco Feliciano tornaram-se símbolos dessa influência, enquanto setores do catolicismo conservador, ligados a movimentos como o Opus Dei ou à Renovação Carismática, também reforçam esse padrão de atuação.

Em síntese, embora o Brasil não seja mais um “Império sacralizado” do ponto de vista jurídico, a mentalidade social ainda tende a premiar a piedade pública. Manter boas relações com igrejas - sejam católicas ou evangélicas - e invocar Deus no discurso político continuam sendo estratégias eficazes para conquistar e preservar poder.

Isso não revela uma simples “mentalidade medieval”, mas sim uma sociedade em transição religiosa, marcada pelo pluralismo, na qual a fé permanece um capital simbólico e eleitoral de grande valor, mesmo sob um regime formalmente laico.

Avançar rumo a um debate público mais racional, ético e menos instrumentalizado exigiria investimento consistente em educação cívica, fortalecimento das instituições republicanas e, sobretudo, uma separação mais efetiva entre púlpito e palanque.

Somente assim a fé poderia ocupar seu espaço legítimo na esfera privada e comunitária, sem se converter em ferramenta de manipulação política.

Matar Sem Punhal: As Mortes que a Lei Tolera


 

“Há muitas maneiras de matar uma pessoa: cravando um punhal, tirando o pão, não tratando sua doença, condenando-a à miséria, fazendo-a trabalhar até arrebentar, impelindo-a ao desespero, enviando-a para a guerra etc. Só a primeira é proibida por nosso Estado.”

Essa contundente afirmação é atribuída ao dramaturgo, poeta e pensador alemão Bertolt Brecht (1898-1956), um dos maiores expoentes do teatro épico e do pensamento marxista no século XX.

Embora a frase circule em diferentes versões - muitas vezes apresentada como poema curto ou aforismo -, seu conteúdo reflete fielmente o núcleo da crítica brechtiana à hipocrisia moral do Estado e às violências estruturais do capitalismo.

Brecht dedicou grande parte de sua obra a desmontar a ideia de que a violência se limita ao ato direto e individual. Para ele, matar não é apenas ferir com uma arma; é também negar condições mínimas de existência, retirar direitos, explorar até o esgotamento, abandonar à doença, à fome ou ao desespero. Trata-se de uma violência silenciosa, cotidiana e institucionalizada, invisível aos códigos penais, mas devastadora em seus efeitos.

Exilado durante o regime nazista, Brecht foi crítico implacável tanto do fascismo quanto das desigualdades profundas geradas pelo sistema capitalista. Em suas peças, poemas e ensaios, ele demonstrou como o Estado condena severamente o homicídio individual - porque este ameaça à ordem pública -, enquanto tolera ou legitima mortes em massa provocadas pela exploração econômica, pela negligência social ou por guerras travadas em nome de interesses políticos e econômicos.

Assim, o que é considerado crime não depende do sofrimento causado, mas de quem sofre e de quem se beneficia. Essa concepção atravessa sua produção das décadas de 1930 e 1940, período marcado pela Grande Depressão, pela ascensão do nazismo e pelas tensões que culminariam na Segunda Guerra Mundial.

Obras como Mãe Coragem e Seus Filhos expõem a lógica perversa da guerra como negócio, em que vidas humanas são reduzidas a números e perdas “necessárias”.

Nos poemas escritos durante o exílio em Svendborg, Brecht observa uma Europa em colapso, onde Estados enviavam milhões à morte nas frentes de batalha enquanto ignoravam a fome e a miséria de suas próprias populações.

Mais de meio século após sua morte, a crítica permanece inquietantemente atual. Em um mundo que produz alimentos suficientes para todos, milhões ainda morrem vítimas da fome e da pobreza extrema, consequência direta de desigualdades econômicas persistentes e políticas que priorizam o lucro em detrimento da dignidade humana.

O acesso à saúde continua desigual: cortes em sistemas públicos e crises sanitárias recentes demonstraram como a omissão estatal atinge, sobretudo, os mais vulneráveis.

No campo do trabalho, jornadas exaustivas, condições precárias e a pressão constante por produtividade resultam em adoecimento físico e psicológico, levando a mortes prematuras que raramente são reconhecidas como violência social.

O crescimento de casos de sofrimento extremo e autodestruição em diferentes países revela o impacto do desemprego, do endividamento e da ausência de redes de apoio, fenômenos que não surgem do acaso, mas de estruturas econômicas excludentes.

As guerras, por sua vez, seguem como a expressão mais explícita dessa lógica. Conflitos contemporâneos continuam enviando jovens à morte, muitas vezes sob discursos de patriotismo ou segurança, enquanto os interesses geopolíticos e econômicos que os sustentam permanecem ocultos. A condenação moral da violência aparece, assim, de forma seletiva.

Ao afirmar que apenas o punhal é proibido, Brecht não relativiza o assassinato direto; ele expõe uma contradição fundamental: o verdadeiro crime não é apenas o ato individual, mas o sistema que produz e normaliza as outras formas de morte.

Sua reflexão é um convite incômodo à consciência crítica, à recusa da indiferença e à compreensão de que a justiça social não se limita à punição de indivíduos, mas exige a transformação das estruturas que tornam a morte cotidiana aceitável.

Mais do que uma denúncia, essa frase permanece como um chamado à responsabilidade coletiva - e à ação - diante das injustiças que, embora legalizadas, continuam a ceifar vidas em silêncio. 

terça-feira, dezembro 30, 2025

Encruzilhadas



Desde a minha infância escuto falar sobre os supostos malefícios das encruzilhadas. Histórias repetidas em voz baixa, advertências carregadas de medo, recomendações para jamais atravessá-las à noite ou nelas permanecer por muito tempo.

Confesso, porém, que nunca senti arrepio nem temor diante desses lugares. Ao contrário: sempre me pareceram espaços silenciosos, quase neutros, onde o mundo parece suspenso por um instante. Ainda assim, são inúmeras as narrativas que despertam inquietação em muitas pessoas, como se ali algo invisível estivesse à espreita.

Não é de hoje que as encruzilhadas são vistas como sítios especiais para as gentes. Desde tempos antigos, elas simbolizam o ponto de escolha, de transição, de ruptura.

Não pertencem totalmente a um caminho nem a outro; são territórios intermediários, fronteiras simbólicas entre o que foi e o que ainda pode ser. Por isso, ao longo da história, tornaram-se lugares carregados de significado espiritual, social e mítico.

Em diversas culturas, a encruzilhada é ponto de propiciação, local sagrado para determinados cultos e rituais. É ali que se fazem pedidos, que se agradece, que se firmam compromissos com forças consideradas superiores ou invisíveis. Também é ali que, segundo a crença popular, pactos são selados e promessas cobradas. O cruzamento dos caminhos espelha o cruzamento do destino.

Para alguns, trata-se de um ponto de encontro com o diabo, ideia fortemente difundida pelo imaginário cristão medieval, que associou esses espaços ao perigo, ao desvio moral e à tentação.

Para outros, no entanto, a encruzilhada é lugar de respeito e reverência. No candomblé e em outras religiões de matriz africana, é o ponto certo para deixar oferendas àquele que abre os caminhos:

Exu, o mensageiro entre os mundos, senhor do movimento, da comunicação e das escolhas. Exu não representa o mal, mas o dinamismo da vida, a possibilidade de mudança e a responsabilidade por cada decisão tomada.

Muito antes disso, na Grécia Antiga, a encruzilhada já era sagrada. Hécate, deusa associada à lua, à magia, às sombras e às passagens, era venerada nesses locais. Estátuas com três faces eram colocadas nos cruzamentos, olhando para todas as direções, simbolizando seu domínio sobre os caminhos visíveis e invisíveis.

Era a ela que se pediam proteção, orientação e clareza diante das incertezas. Assim, as encruzilhadas nunca foram apenas espaços físicos. Elas representam o momento em que somos obrigados a escolher, mesmo quando preferiríamos permanecer parados.

Talvez o medo que muitos sentem não venha do lugar em si, mas do que ele simboliza: a impossibilidade de seguir adiante sem decidir, a consciência de que cada caminho implica perdas, renúncias e consequências.

No fundo, a encruzilhada não ameaça,  ela revela. Revela quem somos quando o conforto do trajeto único se desfaz e somos confrontados com a liberdade, essa dádiva tão desejada quanto temida. 

Somos todos iguais


Bruno Covas, como prefeito de São Paulo durante a pandemia de Covid-19, adotou uma postura rigorosa e, para muitos, autoritária. Alinhado ao governador João Doria, ele implementou o fechamento amplo do comércio na capital a partir de março de 2020, paralisando a maior economia urbana do país em nome do controle da doença.

Essas medidas, parte do Plano São Paulo e de decretos municipais, incluíram quarentenas prolongadas e restrições que afetaram milhões de trabalhadores e empresários.

Covas, que já lutava contra um câncer diagnosticado em outubro de 2019, continuou no cargo apesar de sua condição de saúde fragilizada, o que alguns criticaram como uma negligência pessoal em meio ao caos que ajudava a gerenciar.

A cidade de São Paulo, coração econômico do Brasil, ainda sente as consequências desse período de "desmando", como muitos o chamam. As restrições prolongadas contribuíram para uma recessão profunda: milhares de empresas faliram, o desemprego disparou e a recuperação tem sido lenta e desigual.

Estudos indicam que o PIB local sofreu quedas significativas, com impactos duradouros em setores como comércio, serviços e turismo. Todo o estado paulista enfrentou efeitos semelhantes, com perdas de arrecadação e aumento da informalidade, prolongando a crise econômica bem além do pico da pandemia.

Em uma das ações mais polêmicas, a Prefeitura de São Paulo, sob comando de Covas, chegou a interditar estabelecimentos comerciais de forma drástica: em maio de 2020, fiscais da Subprefeitura da Sé soldaram portas de lojas no centro da cidade, como na região da Rua 25 de Março e Barão de Duprat, que insistiam em abrir, desrespeitando as regras de quarentena.

Essas interdições, acompanhadas de multas e bloqueios com concreto, foram justificadas como necessárias para evitar aglomerações e preservar vidas, mas geraram revolta generalizada.

Para críticos, isso representou um excesso autoritário, impedindo que pessoas trabalhassem e sustentassem suas famílias em um momento de desespero econômico. Valeu a pena, Bruno Covas? Muitos dizem que não, apontando que as medidas radicais salvaram vidas, mas a que custo social e econômico?

No fim das contas, a única coisa verdadeiramente democrática que existe é a morte. Ela não faz distinções: não olha para poder aquisitivo, roupa, cargo, beleza ou influência. Quando chega a hora, todos são iguais perante ela.

Somos todos mortais, embora alguns se iludam achando que não. A mortalha não tem bolso, o caixão não tem gaveta e, mesmo se tivesse, o morto não poderia usá-los. Não queira se achar superior a ninguém, pois ninguém é.

Rico ou pobre, poderoso ou parte do "rebanho", todos enfrentam o mesmo fim inevitável. O lema de Covas e Doria era "salvar vidas acima de tudo", repetido incansavelmente para justificar as restrições. No entanto, no final, Covas não conseguiu salvar a própria.

Ele não foi vítima direta da Covid-19, embora tenha contraído a doença em 2020 e se recuperado, mas sucumbiu ao câncer que o acometia desde 2019, falecendo em 16 de maio de 2021, aos 41 anos, após uma longa batalha.

Sua morte, precoce e triste, serviu para muitos como um lembrete irônico: mesmo com todo o poder e acesso a tratamentos de ponta, a doença não perdoa. A pandemia expôs fragilidades humanas, e São Paulo ainda carrega as cicatrizes econômicas e sociais daquele período turbulento.

segunda-feira, dezembro 29, 2025

A vida nos feudos


 A Vida nos Feudos: O Sistema Feudal na Europa Medieval

O feudalismo foi um sistema político, econômico e social predominante na Europa medieval, especialmente entre os séculos IX e XV, que surgiu após a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e as invasões bárbaras, vikings, muçulmanas e magiares.

Esse modelo organizava a sociedade em relações hierárquicas baseadas na posse da terra, com poder descentralizado e fundado em laços pessoais de lealdade. Os feudos eram porções de terra concedidas por um senhor (suserano) a vassalos em troca de fidelidade, serviços militares e outros deveres, como auxílio em tribunais ou conselhos.

No topo da hierarquia estava o rei ou os grandes senhores feudais, que detinham o domínio supremo das terras. Abaixo deles, os vassalos - geralmente nobres menores ou cavaleiros - recebiam feudos (benefícios ou feudos) e, em troca, prestavam homenagem, juravam fidelidade e forneciam tropas em tempos de guerra.

Essa relação era formalizada em cerimônias de homenagem e investidura. Os vassalos podiam, por sua vez, subdividir suas terras, criando uma pirâmide de obrigações. O senhor feudal era responsável pela proteção do feudo, administração da justiça local, por meio de tribunais senhoriais e coleta de tributos, como a banalidade, taxas pelo uso de moinhos, fornos ou pontes.

A base da sociedade feudal era composta pelos camponeses, que representavam a grande maioria da população - cerca de 90%. Divididos em vilãos, com mais direitos, podendo possuir pequenas parcelas e servos, ligados à terra, sem liberdade de movimento, eles trabalhavam nas terras do senhor.

Suas obrigações incluíam a corveia - trabalho gratuito nas terras senhoriais por vários dias por semana -, o pagamento de talha, imposto sobre a produção, censo, taxa pela uso da terra e dízimos à Igreja. Em troca, recebiam proteção e o direito de cultivar lotes para subsistência.

O clero ocupava uma posição privilegiada: igrejas, mosteiros e bispados possuíam vastas terras, às vezes um terço da Europa, isentas de muitos impostos, e ofereciam serviços espirituais, educação e assistência aos pobres.

A economia feudal era essencialmente agrária e autossuficiente, baseada no sistema de manso ou manor. Os feudos eram divididos em domínio senhorial, reservado ao senhor, terras dos camponeses e áreas comuns - pastos e florestas.

Utilizava-se o rodízio trienal de culturas, um terço da terra semeado com trigo no outono, outro com aveia na primavera e o restante em pousio para recuperação do solo, o que aumentou a produtividade a partir do século XI. Principais cultivos eram cereais - trigo, cevada, centeio -, legumes, vinhas e criação de animais.

Ferramentas eram simples, como arados de madeira puxados por bois. As moradias refletiam a estratificação social: senhores viviam em castelos fortificados, inicialmente de madeira, depois de pedra ou casas senhoriais com salão central para banquetes e audiências; vassalos em residências mais modestas; camponeses em cabanas de madeira, palha e barro, frequentemente com uma única divisão para família e animais.

As condições eram precárias: falta de higiene, infestações de parasitas e alta mortalidade infantil. A dieta era monótona e variava por classe. Camponeses consumiam pão preto de centeio, mingau, legumes, queijo e, raramente, carne, geralmente porco salgado; cerveja fraca era a bebida comum, pois a água era insegura.

Nobres tinham acesso a carnes, peixes, especiarias importadas após as Cruzadas e vinhos. Vestuário também indicava status: nobres usavam tecidos finos como seda e veludo, com joias; camponeses, lã grosseira e linho caseiro.

O entretenimento era limitado: para nobres, caçadas, torneios de cavalaria, banquetes e jogos como xadrez; para camponeses, festas religiosas, danças comunitárias e feiras sazonais. A Igreja organizava o calendário com numerosas festas santas, que interrompiam o trabalho.

Apesar da aparente estabilidade, a vida nos feudos era marcada por dificuldades: fome periódica, doenças devido à falta de saneamento e medicina, conflitos locais entre senhores e guerras. A Igreja exercia forte influência, controlando a educação em mosteiros e promovendo a ideia de uma sociedade tripartida (oratores - que rezam; bellatores - que lutam; laboratores - que trabalham).

Principais Acontecimentos e a Crise do Feudalismo

O feudalismo atingiu seu auge nos séculos XI-XIII, mas entrou em crise na Baixa Idade Média (séculos XIV-XV). As Cruzadas (1095-1291), expedições militares convocadas pela Igreja para reconquistar Jerusalém, tiveram impacto profundo: enfraqueceram nobres, muitos morreram ou se endividaram para financiar campanhas, estimularam o comércio com o Oriente, especiarias, sedas via cidades italianas como Veneza e Gênova, e promoveram o renascimento urbano e comercial.

Isso fortaleceu a burguesia e incentivou camponeses a fugirem para cidades em busca de liberdade. O golpe mais devastador veio com a Peste Negra (1347-1351), pandemia de peste bubônica que matou 30-60% da população europeia, cerca de 25-75 milhões.

Transmitida por pulgas de ratos via rotas comerciais, causou escassez de mão de obra, aumento de salários, revoltas camponesas, como a Jacquerie na França, 1358) e o enfraquecimento da servidão. Senhores tentaram manter obrigações antigas, mas muitos camponeses negociaram melhores condições ou migraram para cidades.

Outros fatores incluíram a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra, que exauriu recursos feudais, e o crescimento demográfico anterior, que pressionou as terras.

Essas crises aceleraram a transição para monarquias centralizadas, o capitalismo mercantil e o fim do feudalismo, pavimentando o caminho para a Idade Moderna.

Apesar dos desafios, o feudalismo moldou a Europa por séculos, influenciando estruturas sociais, jurídicas e culturais que persistem em traços como a propriedade da terra e hierarquias. Seu legado é uma marca indelével na história, refletindo uma era de resiliência em meio à adversidade. 

Veneza: uma cidade sobre pilares de madeira


Veneza: uma cidade erguida sobre pilares de madeira

A história de Veneza tem início no século V d.C., em um período de profundas transformações na Europa. Com a queda do Império Romano do Ocidente, sucessivas invasões de povos bárbaros vindos do norte, como hunos, lombardos e visigodos, tornaram a vida insegura nas antigas cidades do continente italiano.

Para escapar da violência e do colapso das estruturas romanas, populações locais buscaram refúgio nos pântanos da Lagoa de Veneza, uma região inóspita, alagadiça e aparentemente imprópria para a habitação humana.

Os primeiros assentamentos surgiram em ilhas arenosas como Torcello, Jesolo e Malamocco. Inicialmente, esses núcleos eram considerados provisórios, usados apenas como abrigo temporário.

No entanto, à medida que as ameaças no continente persistiam e a vida lagunar se mostrava possível, os habitantes passaram a se estabelecer de forma permanente. Assim, pouco a pouco, nascia Veneza. Construir uma cidade sobre água exigiu soluções engenhosas.

Para garantir estabilidade às edificações, os venezianos desenvolveram um método construtivo singular: milhares de estacas de madeira eram cravadas verticalmente no solo arenoso e lodoso da lagoa até atingir camadas mais firmes. Sobre essas estacas, eram colocadas plataformas de madeira, que serviam de base para a construção dos edifícios de pedra e tijolo.

Um livro técnico do século XVII descreve minuciosamente esse processo e revela a dimensão colossal dessas obras. Segundo a obra, somente para a construção da Igreja de Santa Maria della Salute, iniciada em 1631, foram utilizadas 1.106.657 estacas de madeira, cada uma com cerca de quatro metros de comprimento, todas cravadas sob a água.

O trabalho levou aproximadamente dois meses apenas para a fundação. A madeira utilizada era transportada por vias fluviais desde florestas distantes, localizadas nas regiões que hoje correspondem à Eslovênia, Croácia e Montenegro, o que evidencia a impressionante logística e o poder econômico da República de Veneza.

À primeira vista, o uso da madeira como principal elemento estrutural pode parecer paradoxal, já que ela é considerada menos durável que a pedra ou o metal. No entanto, o segredo da longevidade das fundações venezianas reside justamente no ambiente em que estão inseridas.

A decomposição da madeira ocorre principalmente devido à ação de microrganismos, como fungos e bactérias que necessitam de oxigênio para sobreviver. Como as estacas permanecem permanentemente submersas, privadas de oxigênio, esse processo é drasticamente reduzido.

Além disso, o contato contínuo com a água salgada favorece um processo de mineralização ao longo dos séculos, endurecendo a madeira e tornando-a extremamente resistente. Assim, paradoxalmente, a água que ameaça Veneza é também a responsável por sustentar suas bases há mais de mil anos.

Mais sobre Veneza

Veneza está localizada no nordeste da Itália e é formada por um conjunto de 117 pequenas ilhas, separadas por canais e interligadas por mais de 400 pontes. A cidade situa-se na Lagoa de Veneza, uma extensa área pantanosa ao longo da costa do Mar Adriático, entre as desembocaduras dos rios Po e Piave.

Sua singularidade arquitetônica, artística e histórica levou parte da cidade e toda a lagoa a serem reconhecidas como Patrimônio Mundial da Humanidade. Veneza é a capital da região do Vêneto.

Em 2009, o município contava com cerca de 270 mil habitantes, dos quais aproximadamente 60 mil residiam na cidade histórica. A maioria da população vive na região continental, conhecida como Terraferma, especialmente em Mestre e Marghera, além de outras ilhas da lagoa.

Juntamente com Pádua e Treviso, Veneza integra a área metropolitana conhecida como PATREVE, que reúne cerca de 2,6 milhões de habitantes. O nome da cidade deriva do antigo povo dos vênetos, que habitava a região desde o século X a.C.

Ao longo da história, Veneza tornou-se a capital da poderosa República de Veneza, sendo conhecida por títulos como La Serenissima, Rainha do Adriático, Cidade da Água, Cidade Flutuante e Cidade dos Canais.

Durante a Idade Média e o Renascimento, a República de Veneza foi uma das maiores potências marítimas do mundo. Controlou rotas comerciais estratégicas, participou das Cruzadas, teve papel decisivo na Batalha de Lepanto e tornou-se um centro essencial do comércio de especiarias, seda e outros produtos orientais entre os séculos XIII e XVII.

Essa prosperidade refletiu-se em sua arquitetura monumental, nas artes plásticas e na vida cultural intensa. Após as guerras napoleônicas e o Congresso de Viena, Veneza foi anexada ao Império Austríaco.

Somente em 1866, após um referendo decorrente da Terceira Guerra de Independência Italiana, passou a integrar o Reino da Itália.

Veneza também ocupa um lugar de destaque na história da música, especialmente da música sinfônica e da ópera, sendo a cidade natal de Antônio Vivaldi, um dos maiores compositores do período barroco.

domingo, dezembro 28, 2025

Asa Butterfield e Jack Charles Scanlon – Do filme O Menino do Pijama Listrado


 

Asa Bopp Farr Butterfield, cujo nome completo é Asa Maxwell Thornton Farr Butterfield - sendo “Bopp” uma referência ao cometa Hale-Bopp - nasceu em 1º de abril de 1997, em Islington, Londres.

Filho da psicóloga Jacqueline Farr e do publicitário Sam Butterfield, ele iniciou sua trajetória artística ainda na infância e, ao longo dos anos, consolidou-se como um dos atores britânicos mais consistentes de sua geração, destacando-se pela transição bem-sucedida de papéis infantis para personagens mais complexos e maduros.

Butterfield ganhou projeção internacional muito cedo, aos 10 anos, ao interpretar Bruno no filme O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas, 2008), dirigido por Mark Herman e baseado no romance homônimo de John Boyne.

Sua atuação como o filho inocente de um comandante nazista - que desenvolve uma amizade proibida com um menino judeu do outro lado da cerca de um campo de concentração - foi amplamente elogiada pela sensibilidade e naturalidade.

O desempenho lhe rendeu indicações ao British Independent Film Award e ao London Film Critics’ Circle Award como Jovem Ator Britânico do Ano. Em 2011, Butterfield protagonizou Hugo (Hugo Cabret), dirigido por Martin Scorsese, no papel do jovem órfão que vive escondido em uma estação de trem parisiense.

O filme foi um marco em sua carreira, rendendo-lhe o Young Hollywood Award de Melhor Performance Masculina, além de indicações ao Critics’ Choice Movie Award de Melhor Jovem Ator e ao Empire Award de Melhor Estreante Masculino.

Na década seguinte, ele consolidou sua versatilidade em produções variadas, como Ender’s Game (2013), no papel de Ender Wiggin; X+Y (2014), também conhecido como A Brilliant Young Mind, interpretando o matemático prodígio Nathan Ellis, atuação que lhe garantiu nova indicação ao British Independent Film Award de Melhor Ator; Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children (2016), dirigido por Tim Burton; e The Space Between Us (2017).

Entre 2019 e 2023, Asa Butterfield alcançou um novo patamar de reconhecimento ao interpretar Otis Milburn, protagonista da série de comédia dramática Sex Education, da Netflix.

O personagem - um adolescente socialmente inseguro que passa a administrar uma “clínica de aconselhamento sexual” na escola, inspirando-se no trabalho da mãe terapeuta - tornou-se um dos mais emblemáticos da televisão recente. A série foi um fenômeno global, elogiada por sua abordagem sensível e inclusiva sobre sexualidade, amadurecimento e identidade, além de lançar coestrelas como Ncuti Gatwa e Emma Mackey.

Mais recentemente, em 2025, Butterfield estreou nos palcos com a peça Second Best, um monólogo de aproximadamente 90 minutos apresentado no Riverside Studios, em Londres, entre janeiro e fevereiro, com extensão da temporada devido à boa recepção.

Adaptada do romance de David Foenkinos, a obra narra a história de um ator que quase foi escolhido para interpretar Harry Potter, explorando temas como frustração, rejeição e os caminhos alternativos da vida - os famosos “e se?”.

No mesmo ano, ele dublou o protagonista do filme de animação Stitch Head (2025) e tem projetos futuros anunciados, incluindo o thriller psicológico Out of the Dust, da Netflix, e o longa de animação sci-fi Rogue Trooper.

Além da atuação, Butterfield ministra master classes anuais de interpretação desde 2017 e é conhecido por seu interesse em games, música e tecnologia, áreas nas quais costuma se envolver de forma ativa e criativa.

Início da carreira

Asa Butterfield começou a atuar aos sete anos, no Young Actors Theatre Islington. Seus primeiros trabalhos foram pequenos, mas significativos, incluindo a produção televisiva After Thomas (2006), o filme Son of Rambow (2007) e um episódio da série Ashes to Ashes (2008), no qual interpretou o personagem Donny.

O grande ponto de virada veio em 2008, quando participou de um processo de audição rigoroso para O Menino do Pijama Listrado. Foram cerca de dez testes, e apenas após o sexto ele começou a acreditar que poderia conquistar o papel.

O produtor David Heyman e o diretor Mark Herman buscavam uma criança capaz de transmitir uma inocência genuína e não ensaiada. Durante as audições, os candidatos foram questionados sobre o que sabiam a respeito do Holocausto; Butterfield demonstrou saber muito pouco - algo que foi deliberadamente mantido durante as filmagens para preservar a pureza emocional do personagem Bruno.

As cenas finais, de forte impacto dramático, foram gravadas apenas no encerramento da produção, permitindo que os jovens atores se preparassem emocionalmente.

Ambientado na Segunda Guerra Mundial, o filme aborda a amizade improvável entre Bruno, filho de um oficial nazista, e Shmuel, um menino judeu prisioneiro do campo de concentração.

Embora amplamente elogiado pelas atuações e pela carga emocional, o longa também gerou debates, sendo criticado por alguns historiadores por sua abordagem ficcional e por simplificações do contexto do Holocausto.

Ainda assim, a obra é frequentemente reconhecida como uma porta de entrada acessível para o tema, especialmente para públicos mais jovens.


Asa Butterfield - Bruno


Jack Scanlon

Jack Charles Scanlon, nascido em 6 de agosto de 1998, em Canterbury, Kent, Inglaterra, é um ex-ator infantil conhecido principalmente por interpretar Shmuel em O Menino do Pijama Listrado (2008).

Criado na cidade de Deal, Scanlon viveu com os pais e o irmão mais novo e estudou na Sir Roger Manwood’s School, antes de cursar Música Comercial na Bath Spa University.

Ele foi selecionado para o papel de Shmuel por meio de seu clube local de teatro. O diretor Mark Herman reduziu a escolha final a três candidatos e testou cada um ao lado de Asa Butterfield.

A química entre os dois jovens atores foi decisiva, levando Herman a comentar que “Jack e Asa se complementaram muito bem”, algo essencial para a credibilidade emocional do filme.

Embora O Menino do Pijama Listrado tenha sido sua estreia no cinema, Scanlon já havia atuado no curta-metragem The Eye of the Butterfly e em um episódio de The Peter Serafinowicz Show (2007). Posteriormente, interpretou o irmão mais novo do protagonista na minissérie infantil Runaway (2009), da BBC.

Após esses trabalhos, Jack Scanlon optou por se afastar da atuação, concentrando-se nos estudos e na vida pessoal. Desde então, não há registros de projetos recentes no cinema ou na televisão, mantendo-se distante dos holofotes que marcaram sua infância.


Jack Charles Scanlon - Shmuel