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terça-feira, dezembro 30, 2025

Somos todos iguais


Bruno Covas, como prefeito de São Paulo durante a pandemia de Covid-19, adotou uma postura rigorosa e, para muitos, autoritária. Alinhado ao governador João Doria, ele implementou o fechamento amplo do comércio na capital a partir de março de 2020, paralisando a maior economia urbana do país em nome do controle da doença.

Essas medidas, parte do Plano São Paulo e de decretos municipais, incluíram quarentenas prolongadas e restrições que afetaram milhões de trabalhadores e empresários.

Covas, que já lutava contra um câncer diagnosticado em outubro de 2019, continuou no cargo apesar de sua condição de saúde fragilizada, o que alguns criticaram como uma negligência pessoal em meio ao caos que ajudava a gerenciar.

A cidade de São Paulo, coração econômico do Brasil, ainda sente as consequências desse período de "desmando", como muitos o chamam. As restrições prolongadas contribuíram para uma recessão profunda: milhares de empresas faliram, o desemprego disparou e a recuperação tem sido lenta e desigual.

Estudos indicam que o PIB local sofreu quedas significativas, com impactos duradouros em setores como comércio, serviços e turismo. Todo o estado paulista enfrentou efeitos semelhantes, com perdas de arrecadação e aumento da informalidade, prolongando a crise econômica bem além do pico da pandemia.

Em uma das ações mais polêmicas, a Prefeitura de São Paulo, sob comando de Covas, chegou a interditar estabelecimentos comerciais de forma drástica: em maio de 2020, fiscais da Subprefeitura da Sé soldaram portas de lojas no centro da cidade, como na região da Rua 25 de Março e Barão de Duprat, que insistiam em abrir, desrespeitando as regras de quarentena.

Essas interdições, acompanhadas de multas e bloqueios com concreto, foram justificadas como necessárias para evitar aglomerações e preservar vidas, mas geraram revolta generalizada.

Para críticos, isso representou um excesso autoritário, impedindo que pessoas trabalhassem e sustentassem suas famílias em um momento de desespero econômico. Valeu a pena, Bruno Covas? Muitos dizem que não, apontando que as medidas radicais salvaram vidas, mas a que custo social e econômico?

No fim das contas, a única coisa verdadeiramente democrática que existe é a morte. Ela não faz distinções: não olha para poder aquisitivo, roupa, cargo, beleza ou influência. Quando chega a hora, todos são iguais perante ela.

Somos todos mortais, embora alguns se iludam achando que não. A mortalha não tem bolso, o caixão não tem gaveta e, mesmo se tivesse, o morto não poderia usá-los. Não queira se achar superior a ninguém, pois ninguém é.

Rico ou pobre, poderoso ou parte do "rebanho", todos enfrentam o mesmo fim inevitável. O lema de Covas e Doria era "salvar vidas acima de tudo", repetido incansavelmente para justificar as restrições. No entanto, no final, Covas não conseguiu salvar a própria.

Ele não foi vítima direta da Covid-19, embora tenha contraído a doença em 2020 e se recuperado, mas sucumbiu ao câncer que o acometia desde 2019, falecendo em 16 de maio de 2021, aos 41 anos, após uma longa batalha.

Sua morte, precoce e triste, serviu para muitos como um lembrete irônico: mesmo com todo o poder e acesso a tratamentos de ponta, a doença não perdoa. A pandemia expôs fragilidades humanas, e São Paulo ainda carrega as cicatrizes econômicas e sociais daquele período turbulento.

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