Bruno Covas, como prefeito de São Paulo
durante a pandemia de Covid-19, adotou uma postura rigorosa e, para muitos,
autoritária. Alinhado ao governador João Doria, ele implementou o fechamento
amplo do comércio na capital a partir de março de 2020, paralisando a maior
economia urbana do país em nome do controle da doença.
Essas medidas, parte do Plano São Paulo e de
decretos municipais, incluíram quarentenas prolongadas e restrições que
afetaram milhões de trabalhadores e empresários.
Covas, que já lutava contra um câncer
diagnosticado em outubro de 2019, continuou no cargo apesar de sua condição de
saúde fragilizada, o que alguns criticaram como uma negligência pessoal em meio
ao caos que ajudava a gerenciar.
A cidade de São Paulo, coração econômico do
Brasil, ainda sente as consequências desse período de "desmando",
como muitos o chamam. As restrições prolongadas contribuíram para uma recessão
profunda: milhares de empresas faliram, o desemprego disparou e a recuperação
tem sido lenta e desigual.
Estudos indicam que o PIB local sofreu quedas
significativas, com impactos duradouros em setores como comércio, serviços e
turismo. Todo o estado paulista enfrentou efeitos semelhantes, com perdas de
arrecadação e aumento da informalidade, prolongando a crise econômica bem além
do pico da pandemia.
Em uma das ações mais polêmicas, a Prefeitura
de São Paulo, sob comando de Covas, chegou a interditar estabelecimentos
comerciais de forma drástica: em maio de 2020, fiscais da Subprefeitura da Sé
soldaram portas de lojas no centro da cidade, como na região da Rua 25 de Março
e Barão de Duprat, que insistiam em abrir, desrespeitando as regras de
quarentena.
Essas interdições, acompanhadas de multas e
bloqueios com concreto, foram justificadas como necessárias para evitar
aglomerações e preservar vidas, mas geraram revolta generalizada.
Para críticos, isso representou um excesso
autoritário, impedindo que pessoas trabalhassem e sustentassem suas famílias em
um momento de desespero econômico. Valeu a pena, Bruno Covas? Muitos dizem que
não, apontando que as medidas radicais salvaram vidas, mas a que custo social e
econômico?
No fim das contas, a única coisa
verdadeiramente democrática que existe é a morte. Ela não faz distinções: não
olha para poder aquisitivo, roupa, cargo, beleza ou influência. Quando chega a
hora, todos são iguais perante ela.
Somos todos mortais, embora alguns se iludam
achando que não. A mortalha não tem bolso, o caixão não tem gaveta e, mesmo se
tivesse, o morto não poderia usá-los. Não queira se achar superior a ninguém,
pois ninguém é.
Rico ou pobre, poderoso ou parte do
"rebanho", todos enfrentam o mesmo fim inevitável. O lema de Covas e
Doria era "salvar vidas acima de tudo", repetido incansavelmente para
justificar as restrições. No entanto, no final, Covas não conseguiu salvar a
própria.
Ele não foi vítima direta da Covid-19, embora
tenha contraído a doença em 2020 e se recuperado, mas sucumbiu ao câncer que o
acometia desde 2019, falecendo em 16 de maio de 2021, aos 41 anos, após uma
longa batalha.
Sua morte, precoce e triste, serviu para
muitos como um lembrete irônico: mesmo com todo o poder e acesso a tratamentos
de ponta, a doença não perdoa. A pandemia expôs fragilidades humanas, e São
Paulo ainda carrega as cicatrizes econômicas e sociais daquele período
turbulento.








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