Todas as pessoas desejam, de alguma forma,
deixar vestígios para a posteridade. Um sinal mínimo de que passaram por aqui.
Uma marca, ainda que discreta, que resista ao esquecimento.
Há muito se
repete a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio simbólico que,
supostamente, nos garantiria uma espécie de imortalidade. Escreva um livro,
plante uma árvore, tenha um filho.
Como se essas três ações fossem suficientes
para driblar o tempo e assegurar permanência num mundo que insiste em apagar
tudo. Mas filhos crescem e se perdem no mundo, seguindo caminhos que já não nos
pertencem.
Árvores são cortadas, queimadas ou tombam
silenciosamente com o avanço dos anos. Livros, mesmo os mais bem-intencionados,
acabam esquecidos em prateleiras empoeiradas ou mofam em sebos, aguardando
leitores que talvez nunca cheguem.
O tempo é
implacável com as obras humanas. Ele corrói a matéria, dissolve os nomes e
transforma feitos grandiosos em notas de rodapé. Nada do que é físico parece
realmente preparado para durar.
Talvez, então, a
verdadeira permanência não esteja nas coisas que deixamos, mas nas pessoas que
tocamos. A única forma de imortalidade que resiste, de fato, é a memória
guardada por aqueles que nos amaram. Um gesto lembrado, uma palavra que ficou,
um afeto que se recusa a desaparecer.
Enquanto alguém se lembrar de nós com ternura, seguimos existindo, não nos livros, nem nas árvores, nem nos sobrenomes herdados, mas no território frágil e poderoso da lembrança. E talvez seja ali, nesse espaço invisível e humano, que a eternidade encontre seu único abrigo.









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