Helena dos Santos Oliveira, conhecida
simplesmente como Helena dos Santos, foi uma compositora brasileira nascida em
Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, no dia 7 de janeiro de 1922. Ela se tornou
famosa principalmente por suas composições gravadas pelo cantor Roberto Carlos,
o "Rei" da música brasileira, com quem manteve uma longa e frutífera
parceria artística.
Vida e superação
Helena dos Santos foi uma mulher do povo,
humilde e resiliente, que enfrentou inúmeras dificuldades ao longo da vida, mas
soube transformar suas dores e experiências em letras e melodias marcantes.
Filha de Francisco dos Santos e Maria Amália
dos Santos, cresceu em condições precárias. Ainda criança, perdeu a mãe e
passou a viver com a madrasta até os 11 anos de idade.
Aos 12 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro
junto com uma irmã e o cunhado, em busca de melhores oportunidades. No Rio, começou
a trabalhar cedo: primeiro em uma fábrica de tecidos e depois em uma loja de
confecções masculinas na Rua Frei Caneca, onde aprendeu a costurar.
Um grave acidente de trem a deixou quase dois
anos sem trabalhar, mas, recuperada, ela se empregou como doméstica. Aos 17
anos, conheceu Lauro de Oliveira, um jovem de Cabo Frio que havia trabalhado na
mesma fábrica que ela.
Os dois se namoraram, casaram-se e tiveram
seis filhos. Tragicamente, doze anos depois, Lauro faleceu, deixando Helena
viúva e grávida do sexto filho. Em situação de extremo desamparo financeiro,
ela precisou se virar sozinha para sustentar a família.
Após um período fazendo faxinas, voltou à
máquina de costura e passou a confeccionar roupas sob medida para clientes de
bairros nobres como Copacabana, Ipanema e Leblon, trabalhando muitas vezes até
altas horas da madrugada.
Com apenas o ensino primário concluído em sua
cidade natal, Helena não dominava as regras gramaticais formais, mas aprendeu
noções de composição, rimas e estrutura de canções com o marido Lauro, que a
incentivava artisticamente.
A entrada no mundo da música
Nos anos 1960, o rock e a Jovem Guarda
dominavam a cena musical brasileira, especialmente entre os jovens. Inspirada
pelo movimento, Helena decidiu compor no estilo da época. Em 1963, finalizou
sua primeira música, "Na Lua Não Há", uma canção leve e romântica que
questionava se haveria "um broto legal" até na Lua.
Determinada, a ex-faxineira e costureira
começou uma verdadeira batalha para encontrar um intérprete. Após muita insistência,
durante uma visita à Rádio Nacional, conseguiu apresentar a composição ao então
iniciante Roberto Carlos.
Ele gostou imediatamente da música e decidiu
gravá-la no mesmo ano, incluída em seu LP de estreia, Splish Splash (1963). Foi
o início de uma parceria de sucesso e de uma amizade sincera que durou décadas.
Roberto Carlos gravou ao todo cerca de dez
composições de Helena dos Santos, incluindo sucessos como: "Na Lua Não
Há" (1963), "Meu Grande Bem" (1964), "Como É Bom
Saber" (1965), "Sorrindo Para Mim" (1965), "Esperando
Você" (1966), "Fiquei Tão Triste" (1966), "Agora Eu
Sei" (1972, em parceria com Epitácio Magalhães). E outras, com três delas
em coautoria com o compositor Edson Ribeiro.
Roberto considerava que Helena lhe trazia
"sorte", e as músicas dela ajudaram a consolidar seu estilo romântico
e jovem nos anos iniciais da carreira. Com os direitos autorais recebidos,
Helena conseguiu melhorar de vida: mudou-se com os filhos para um apartamento
no Horto Florestal e também morou em Bangu, no Rio de Janeiro.
Em 1970, publicou o livro O Rei e Eu,
serializado em capítulos pela revista Contigo. Nele, ela relatava detalhes da
amizade com Roberto Carlos, revelando momentos pessoais, confidências e o
impacto que a parceria teve em sua vida.
Legado e falecimento
Helena dos Santos faleceu no Rio de Janeiro
em 23 de outubro de 2005, aos 83 anos, em sua residência em Bangu. Apesar de
sua trajetória inspiradora - de doméstica e costureira a compositora de hits do
maior ídolo da música brasileira -, ela permanece pouco lembrada pelo grande
público, o que é uma injustiça diante de sua contribuição à Jovem Guarda e ao
cancioneiro popular.
Sua história é um exemplo de superação, talento nato e persistência, mostrando como uma mulher simples, sem formação acadêmica formal na música, pode deixar um legado duradouro ao transformar vivências pessoais em canções que tocaram gerações.









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