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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Helena dos Santos – Compositora de Roberto Carlos



Helena dos Santos Oliveira, conhecida simplesmente como Helena dos Santos, foi uma compositora brasileira nascida em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, no dia 7 de janeiro de 1922. Ela se tornou famosa principalmente por suas composições gravadas pelo cantor Roberto Carlos, o "Rei" da música brasileira, com quem manteve uma longa e frutífera parceria artística.

Vida e superação

Helena dos Santos foi uma mulher do povo, humilde e resiliente, que enfrentou inúmeras dificuldades ao longo da vida, mas soube transformar suas dores e experiências em letras e melodias marcantes.

Filha de Francisco dos Santos e Maria Amália dos Santos, cresceu em condições precárias. Ainda criança, perdeu a mãe e passou a viver com a madrasta até os 11 anos de idade.

Aos 12 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro junto com uma irmã e o cunhado, em busca de melhores oportunidades. No Rio, começou a trabalhar cedo: primeiro em uma fábrica de tecidos e depois em uma loja de confecções masculinas na Rua Frei Caneca, onde aprendeu a costurar.

Um grave acidente de trem a deixou quase dois anos sem trabalhar, mas, recuperada, ela se empregou como doméstica. Aos 17 anos, conheceu Lauro de Oliveira, um jovem de Cabo Frio que havia trabalhado na mesma fábrica que ela.

Os dois se namoraram, casaram-se e tiveram seis filhos. Tragicamente, doze anos depois, Lauro faleceu, deixando Helena viúva e grávida do sexto filho. Em situação de extremo desamparo financeiro, ela precisou se virar sozinha para sustentar a família.

Após um período fazendo faxinas, voltou à máquina de costura e passou a confeccionar roupas sob medida para clientes de bairros nobres como Copacabana, Ipanema e Leblon, trabalhando muitas vezes até altas horas da madrugada.

Com apenas o ensino primário concluído em sua cidade natal, Helena não dominava as regras gramaticais formais, mas aprendeu noções de composição, rimas e estrutura de canções com o marido Lauro, que a incentivava artisticamente.

A entrada no mundo da música

Nos anos 1960, o rock e a Jovem Guarda dominavam a cena musical brasileira, especialmente entre os jovens. Inspirada pelo movimento, Helena decidiu compor no estilo da época. Em 1963, finalizou sua primeira música, "Na Lua Não Há", uma canção leve e romântica que questionava se haveria "um broto legal" até na Lua.

Determinada, a ex-faxineira e costureira começou uma verdadeira batalha para encontrar um intérprete. Após muita insistência, durante uma visita à Rádio Nacional, conseguiu apresentar a composição ao então iniciante Roberto Carlos.

Ele gostou imediatamente da música e decidiu gravá-la no mesmo ano, incluída em seu LP de estreia, Splish Splash (1963). Foi o início de uma parceria de sucesso e de uma amizade sincera que durou décadas.

Roberto Carlos gravou ao todo cerca de dez composições de Helena dos Santos, incluindo sucessos como: "Na Lua Não Há" (1963), "Meu Grande Bem" (1964), "Como É Bom Saber" (1965), "Sorrindo Para Mim" (1965), "Esperando Você" (1966), "Fiquei Tão Triste" (1966), "Agora Eu Sei" (1972, em parceria com Epitácio Magalhães). E outras, com três delas em coautoria com o compositor Edson Ribeiro.

Roberto considerava que Helena lhe trazia "sorte", e as músicas dela ajudaram a consolidar seu estilo romântico e jovem nos anos iniciais da carreira. Com os direitos autorais recebidos, Helena conseguiu melhorar de vida: mudou-se com os filhos para um apartamento no Horto Florestal e também morou em Bangu, no Rio de Janeiro.

Em 1970, publicou o livro O Rei e Eu, serializado em capítulos pela revista Contigo. Nele, ela relatava detalhes da amizade com Roberto Carlos, revelando momentos pessoais, confidências e o impacto que a parceria teve em sua vida.

Legado e falecimento

Helena dos Santos faleceu no Rio de Janeiro em 23 de outubro de 2005, aos 83 anos, em sua residência em Bangu. Apesar de sua trajetória inspiradora - de doméstica e costureira a compositora de hits do maior ídolo da música brasileira -, ela permanece pouco lembrada pelo grande público, o que é uma injustiça diante de sua contribuição à Jovem Guarda e ao cancioneiro popular.

Sua história é um exemplo de superação, talento nato e persistência, mostrando como uma mulher simples, sem formação acadêmica formal na música, pode deixar um legado duradouro ao transformar vivências pessoais em canções que tocaram gerações.

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