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quinta-feira, novembro 20, 2025

Hannibal


 

“Hannibal”, dirigido por Ridley Scott, é uma sequência que não consegue capturar a essência que transformou “O Silêncio dos Inocentes” em um clássico absoluto do suspense psicológico.

O filme adota um tom excessivamente estilizado, priorizando a estética visual em detrimento da substância narrativa e da atmosfera de tensão que marcou o primeiro longa.

Embora Anthony Hopkins retorne ao papel icônico de Hannibal Lecter com o charme macabro que se tornou sua marca registrada, o roteiro carece da densidade psicológica e da sutileza que definiram o filme anterior.

Aqui, Lecter surge menos como o predador calculista e inquietante e mais como uma figura quase mitificada, o que enfraquece a camada de mistério e terror que o cercava.

A mudança de tom - agora mais voltada para o grotesco e para cenas de violência gráfica - parece uma tentativa deliberada de chocar o espectador. Contudo, esse recurso raramente acrescenta profundidade à narrativa, funcionando mais como espetáculo do que como desenvolvimento dramático.

A trama, apesar de promissora, se dispersa em subtramas e escolhas estilísticas que prejudicam a coesão da história. A substituição de Jodie Foster por Julianne Moore no papel de Clarice Starling também altera a dinâmica entre os protagonistas.

Embora Moore entregue uma atuação sólida e convincente, a química com Hopkins não alcança a mesma intensidade emocional e psicológica que fez da dupla original um dos pilares de “O Silêncio dos Inocentes”. A relação entre Lecter e Clarice, que antes era um jogo complexo de fascínio e repulsa, aqui se torna mais distante e menos provocadora.

O ritmo do filme é irregular, alternando longos momentos de pouca tensão com sequências de ação abruptas, que parecem inseridas apenas para manter o interesse do público. Além disso, certas escolhas narrativas - como o controverso desfecho envolvendo Clarice e Lecter - dividem opiniões, justamente por romperem com a construção cuidadosa que havia sido feita na obra anterior.

“Hannibal” também dedica bastante tempo aos antagonistas secundários, como o milionário desfigurado Mason Verger, cuja busca por vingança adiciona camadas de horror físico, mas pouco contribui para a profundidade dramática do enredo.

Suas cenas, por mais impactantes que sejam visualmente, acabam reforçando a sensação de que o filme privilegia o grotesco em vez do psicológico. No conjunto, “Hannibal” fica aquém de seu antecessor.

Embora conte com direção competente, produção caprichada e performances fortes, a obra não consegue reproduzir a atmosfera de tensão, o brilhantismo narrativo e a sutileza psicológica que tornaram o primeiro filme memorável.

O resultado é uma continuação visualmente impressionante, porém emocionalmente distante e narrativamente dispersa.


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