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segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Sirhan Bishara Sirhan


Sirhan Bishara Sirhan nasceu em Jerusalém, em 19 de março de 1944, em uma família palestina cristã. Ele emigrou para os Estados Unidos em 1957, após sua família fugir das consequências da guerra árabe-israelense de 1948.

Sirhan é conhecido como o assassino confesso do senador Robert F. Kennedy, candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata. O atentado ocorreu na madrugada de 5 de junho de 1968, por volta das 00:15 (horário local), no Hotel Ambassador, em Los Angeles, Califórnia.

Robert F. Kennedy acabara de fazer um discurso de vitória na sala de baile do hotel, após conquistar as primárias democratas da Califórnia - uma vitória crucial em sua campanha presidencial.

Ele estava otimista, saudando apoiadores e funcionários, quando se dirigiu por um corredor de serviço (pantry/kitchen área) para encontrar mais jornalistas e simpatizantes. Sirhan Sirhan, então com 24 anos, estava no local e disparou contra Kennedy com um revólver Iver Johnson calibre .22.

O senador foi atingido por três tiros (um na cabeça e dois nas costas; um quarto projétil atravessou sua jaqueta), enquanto outras cinco pessoas ficaram feridas (nenhuma fatalmente).

Kennedy caiu gravemente ferido no chão de concreto. Amigos e assessores, incluindo o escritor George Plimpton, o atleta Rosey Grier e Rafer Johnson, imobilizaram Sirhan imediatamente. Ele foi preso no local e teria dito frases como “Eu fiz isso pelo meu país”.

Robert F. Kennedy foi levado ao Good Samaritan Hospital, mas não resistiu e faleceu cerca de 26 horas depois, na manhã de 6 de junho de 1968.O principal motivo alegado por Sirhan foi político: raiva contra o apoio de Kennedy a Israel, especialmente após a Guerra dos Seis Dias (junho de 1967), na qual Israel ocupou territórios palestinos, incluindo Jerusalém Oriental.

O atentado ocorreu exatamente no aniversário de um ano do início daquela guerra. Sirhan via o apoio americano a Israel (e promessas de Kennedy de enviar aviões de combate ao país) como traição aos palestinos.

Em seu diário pessoal - conhecido como O Diário de Sirhan Sirhan -, encontrado pela polícia após o crime, ele escreveu repetidamente frases como “RFK deve morrer” (“RFK must die”) e expressou ódio acumulado, fixando Kennedy como alvo principal.

Embora não haja evidências concretas de que Sirhan integrasse grupos palestinos armados ou organizações específicas contra a ocupação israelense, seu ato foi motivado por nacionalismo palestino e ressentimento contra a política externa dos EUA no Oriente Médio.

Durante o julgamento, ele admitiu o crime, embora em momentos posteriores tenha alegado não se lembrar dos disparos ou questionado sua própria confissão.

O julgamento ocorreu em 1969. O promotor principal foi Lynn “Buck” Compton, veterano da Segunda Guerra Mundial (membro da Easy Company da 101ª Divisão Aerotransportada, famoso pelo livro e série Band of Brothers), que mais tarde se tornou juiz no Tribunal de Apelações da Califórnia.

Sirhan foi condenado por assassinato em primeiro grau e cinco tentativas de assassinato, recebendo a pena de morte na câmara de gás. Em 1972, a Suprema Corte da Califórnia invalidou todas as sentenças de morte aplicadas antes de fevereiro daquele ano (decisão relacionada à abolição temporária da pena capital no estado, no caso People v. Anderson).

Assim, a pena de Sirhan foi comutada para prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Ao longo dos anos, Sirhan enfrentou dezenas de audiências de liberdade condicional.

Em 2021, um painel recomendou sua soltura pela primeira vez (após 15 negativas), mas o governador Gavin Newsom vetou a decisão em 2022, alegando que Sirhan ainda representava risco à segurança pública por falta de entendimento suficiente sobre o crime.

Ele foi negado novamente em 2023 e, mais recentemente, em agosto de 2024 (sua 17ª audiência), permanecendo inelegível por pelo menos mais três anos. Atualmente, Sirhan Sirhan, com mais de 80 anos, cumpre pena na Richard J. Donovan Correctional Facility, perto de San Diego, na Califórnia (ele foi transferido de Corcoran há alguns anos).

O caso continua gerando debates, incluindo teorias conspiratórias (como a possibilidade de um segundo atirador, defendida por alguns, incluindo Robert F. Kennedy Jr.), embora a versão oficial mantenha que Sirhan agiu sozinho.

O assassinato de Robert F. Kennedy marcou profundamente a história americana, ocorrendo apenas dois meses após o de Martin Luther King Jr., em um ano de grande turbulência política (1968).


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