Sirhan Bishara Sirhan nasceu em Jerusalém, em
19 de março de 1944, em uma família palestina cristã. Ele emigrou para os
Estados Unidos em 1957, após sua família fugir das consequências da guerra
árabe-israelense de 1948.
Sirhan é conhecido como o assassino confesso
do senador Robert F. Kennedy, candidato à presidência dos EUA pelo Partido
Democrata. O atentado ocorreu na madrugada de 5 de junho de 1968, por volta das
00:15 (horário local), no Hotel Ambassador, em Los Angeles, Califórnia.
Robert F. Kennedy acabara de fazer um
discurso de vitória na sala de baile do hotel, após conquistar as primárias
democratas da Califórnia - uma vitória crucial em sua campanha presidencial.
Ele estava otimista, saudando apoiadores e
funcionários, quando se dirigiu por um corredor de serviço (pantry/kitchen área)
para encontrar mais jornalistas e simpatizantes. Sirhan Sirhan, então com 24
anos, estava no local e disparou contra Kennedy com um revólver Iver Johnson
calibre .22.
O senador foi atingido por três tiros (um na
cabeça e dois nas costas; um quarto projétil atravessou sua jaqueta), enquanto
outras cinco pessoas ficaram feridas (nenhuma fatalmente).
Kennedy caiu gravemente ferido no chão de
concreto. Amigos e assessores, incluindo o escritor George Plimpton, o atleta
Rosey Grier e Rafer Johnson, imobilizaram Sirhan imediatamente. Ele foi preso
no local e teria dito frases como “Eu fiz isso pelo meu país”.
Robert F. Kennedy foi levado ao Good
Samaritan Hospital, mas não resistiu e faleceu cerca de 26 horas depois, na
manhã de 6 de junho de 1968.O principal motivo alegado por Sirhan foi político:
raiva contra o apoio de Kennedy a Israel, especialmente após a Guerra dos Seis
Dias (junho de 1967), na qual Israel ocupou territórios palestinos, incluindo
Jerusalém Oriental.
O atentado ocorreu exatamente no aniversário
de um ano do início daquela guerra. Sirhan via o apoio americano a Israel (e
promessas de Kennedy de enviar aviões de combate ao país) como traição aos
palestinos.
Em seu diário pessoal - conhecido como O
Diário de Sirhan Sirhan -, encontrado pela polícia após o crime, ele escreveu
repetidamente frases como “RFK deve morrer” (“RFK must die”) e expressou ódio
acumulado, fixando Kennedy como alvo principal.
Embora não haja evidências concretas de que
Sirhan integrasse grupos palestinos armados ou organizações específicas contra
a ocupação israelense, seu ato foi motivado por nacionalismo palestino e
ressentimento contra a política externa dos EUA no Oriente Médio.
Durante o julgamento, ele admitiu o crime,
embora em momentos posteriores tenha alegado não se lembrar dos disparos ou
questionado sua própria confissão.
O julgamento ocorreu em 1969. O promotor
principal foi Lynn “Buck” Compton, veterano da Segunda Guerra Mundial (membro
da Easy Company da 101ª Divisão Aerotransportada, famoso pelo livro e série
Band of Brothers), que mais tarde se tornou juiz no Tribunal de Apelações da
Califórnia.
Sirhan foi condenado por assassinato em
primeiro grau e cinco tentativas de assassinato, recebendo a pena de morte na
câmara de gás. Em 1972, a Suprema Corte da Califórnia invalidou todas as
sentenças de morte aplicadas antes de fevereiro daquele ano (decisão relacionada
à abolição temporária da pena capital no estado, no caso People v. Anderson).
Assim, a pena de Sirhan foi comutada para
prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Ao longo dos anos,
Sirhan enfrentou dezenas de audiências de liberdade condicional.
Em 2021, um painel recomendou sua soltura
pela primeira vez (após 15 negativas), mas o governador Gavin Newsom vetou a
decisão em 2022, alegando que Sirhan ainda representava risco à segurança
pública por falta de entendimento suficiente sobre o crime.
Ele foi negado novamente em 2023 e, mais
recentemente, em agosto de 2024 (sua 17ª audiência), permanecendo inelegível
por pelo menos mais três anos. Atualmente, Sirhan Sirhan, com mais de 80 anos,
cumpre pena na Richard J. Donovan Correctional Facility, perto de San Diego, na
Califórnia (ele foi transferido de Corcoran há alguns anos).
O caso continua gerando debates, incluindo
teorias conspiratórias (como a possibilidade de um segundo atirador, defendida
por alguns, incluindo Robert F. Kennedy Jr.), embora a versão oficial mantenha
que Sirhan agiu sozinho.








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