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quarta-feira, agosto 12, 2026

As Massas


 

Em 1862, Fiódor Dostoiévski esteve em Londres durante sua primeira viagem pela Europa Ocidental. Suas impressões foram posteriormente reunidas em Notas de inverno sobre impressões de verão (Winter Notes on Summer Impressions), publicada em 1863.

Nessa obra, ele descreve Londres com enorme fascínio e, ao mesmo tempo, profundo desconforto diante da pobreza, da prostituição, do alcoolismo e da desigualdade social.

Há, inclusive, uma passagem documentada sobre Whitechapel em que Dostoiévski descreve as multidões como semelhantes a zumbis e observa que as pessoas corriam para beber até perder a consciência.

Entretanto, não encontrei fonte confiável que sustente exatamente a versão que você apresentou, especialmente a frase sobre ter se perdido às duas da manhã e vagado durante muito tempo pelas ruas. Por isso, eu evitaria publicar esse texto entre aspas como se fosse uma citação literal.

Uma versão historicamente mais segura seria:

Em 1862, durante sua viagem a Londres, Fiódor Dostoiévski ficou profundamente impressionado com a pobreza e a degradação que encontrou em bairros como Whitechapel.

Em Notas de inverno sobre impressões de verão, descreveu multidões miseráveis, embriagadas e aparentemente anestesiadas pela própria existência. Para ele, muitos pareciam correr desesperadamente para os bares, bebendo até perder a consciência.

O contexto torna a passagem ainda mais interessante. Dostoiévski não estava simplesmente criticando pessoas que bebiam. Ele estava observando os efeitos humanos de uma sociedade industrial em rápida transformação.

Londres representava, simultaneamente, o extraordinário poder econômico da modernidade e seu lado sombrio: riqueza, comércio e progresso convivendo com miséria, prostituição, fome e alcoolismo. Ele descreveu Whitechapel como uma das regiões mais assustadoras da cidade, contrastando-a com os espaços luxuosos e monumentais de Londres.

E há uma frase que resume muito bem o olhar de Dostoiévski: ele não enxergava apenas uma multidão de bêbados, mas pessoas aparentemente entorpecidas pela própria condição de vida.

Isso permite uma leitura bastante atual: quando uma sociedade oferece às pessoas muitas formas de distração, mas poucas possibilidades de transformar aquilo que as faz sofrer, o entretenimento pode deixar de ser prazer e tornar-se anestesia.

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