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terça-feira, fevereiro 10, 2026

Ontem Máscara, Hoje Pix, Amanhã Chip: O Caminho da Obediência Coletiva


Depois do que vivenciamos com a pandemia de COVID-19, já não me surpreendo com quase nada. A experiência coletiva daqueles anos deixou uma marca profunda: aprendemos, talvez da forma mais dura possível, que o impensável pode se tornar regra da noite para o dia - e que a exceção, quando bem administrada pelo medo, tende a se eternizar.

Lembra bem? Em 2020 e 2021, sem máscara você simplesmente não entrava em lugar nenhum. Supermercados, lojas, ônibus, metrô, aviões. Era uma exigência quase universal.

No Brasil - especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e nas capitais do Nordeste -, na Europa, nos Estados Unidos, na Austrália. Quem descumpria era barrado na porta, constrangido em público ou multado.

A normalidade passou a ser policiada, e a obediência, celebrada como virtude cívica. O discurso era sempre o mesmo: “é temporário”, “é para o seu bem”, “é por segurança”. E funcionou. Aceitamos.

Hoje, o cenário muda de forma, mas não de essência. Amanhã - ou melhor, já agora -, sem cartão, Pix ou aplicativo de pagamento, torna-se cada vez mais difícil comprar qualquer coisa. O dinheiro em espécie começa a ser recusado, tratado como inconveniente, suspeito ou arcaico.

A Suécia e a Noruega praticamente eliminaram o papel-moeda. A China avança com o yuan digital em várias cidades. No Brasil, o Banco Central prepara o DREX, a moeda digital oficial, enquanto dezenas de países testam ou implantam as chamadas CBDCs.

O passo seguinte já está desenhado: o dinheiro programável. Não se trata apenas de pagar digitalmente, mas de permitir que o próprio sistema determine onde, quando e para que você pode gastar. O controle deixa de ser externo e passa a ser embutido no próprio meio de troca.

Ontem foi a máscara. Depois, a vacina. Você não está vacinado? Então perde o direito de viajar, trabalhar, entrar em eventos, restaurantes, academias, shoppings. Na União Europeia, o Certificado Digital COVID tornou-se praticamente obrigatório para a vida cotidiana.

Na Austrália e na Nova Zelândia, houve quarentenas forçadas em hotéis para não vacinados. No Canadá, caminhoneiros bloquearam estradas em protesto contra os mandatos. No Brasil, empresas e prefeituras passaram a exigir comprovantes para o retorno presencial e o acesso a serviços públicos.

Nada disso começou como punição. Começou como “responsabilidade coletiva”.

Agora, projeta-se o próximo degrau: a identidade digital integrada. Num cenário mais extremo - mas já tecnicamente possível -, chips implantados na mão ou dispositivos corporais conectados a sistemas centrais poderiam se tornar a chave para tudo: transporte, pagamentos, saúde, trabalho, acesso a espaços. Sem isso, você simplesmente deixa de existir no sistema.

Na Suécia, mais de quatro mil pessoas já implantaram voluntariamente microchips RFID na mão para abrir portas, acessar o metrô, fazer pagamentos ou armazenar dados médicos.

Empresas como a Biohax venderam a ideia como conveniência, modernidade, liberdade. E talvez seja - enquanto é opcional. A História mostra que quase toda tecnologia começa como escolha e termina como exigência.

Quando a recusa passa a ser vista como ameaça, o indivíduo se transforma em pária. Um “inimigo do sistema”. Direitos humanos deixam de ser direitos e passam a ser concessões condicionadas ao cumprimento das regras digitais.

O roteiro é conhecido: crise, medidas emergenciais “temporárias”, normalização, aceitação passiva. Quando percebemos, a exceção já virou padrão.

O Fórum Econômico Mundial fala abertamente em “Grande Reinicialização” e na necessidade de identidades digitais globais como solução para o mundo pós-pandemia.

Coincidência ou projeto, pouco importa. O fato concreto é que as liberdades cedidas em nome da segurança raramente retornam intactas - quando retornam.

Talvez o maior erro seja achar que tudo isso acontece de uma vez. Não acontece. Vem em parcelas pequenas, aceitáveis, razoáveis. Vem embalado em boas intenções, gráficos coloridos e slogans tranquilizadores.

Por isso, desligue a televisão por um instante. Afaste-se um pouco da bolha das redes sociais. Observe o padrão, não o discurso. Porquê da próxima vez, talvez não seja apenas uma restrição passageira. Talvez seja o novo normal - e, desta vez, sem volta.

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