A Ponte Dourada (Cầu Vàng), um ícone que parece saído de um conto de
fadas.
Empoleirada a cerca de 1.414 metros de altitude,
nas Montanhas Anamitas (ou Truong Son), a Ponte Dourada é uma das atrações mais
encantadoras e fotografadas do Vietnã.
Localizada no complexo turístico Sun World Bà Nà
Hills, a cerca de 25–35 km a sudoeste de Da Nang, ela oferece uma experiência
única: uma caminhada suspensa entre o céu e as nuvens, com vistas panorâmicas
deslumbrantes das montanhas, florestas e, ao longe, do litoral.
Construída para ligar a estação do teleférico aos
jardins (incluindo o Jardim do Paraíso e Le Jardin D’Amour), a ponte evita uma
inclinação muito íngreme do terreno e transforma o percurso em um verdadeiro
mirante.
Com cerca de 150 metros de comprimento e 5 metros
de largura, ela descreve uma curva suave que quase se fecha sobre si mesma,
como um laço dourado flutuando no ar.
O tabuleiro é feito de tábuas de madeira natural,
com cerca de 5 cm de espessura, e grades de aço inoxidável com acabamento
dourado que brilham ao sol. O que mais impressiona, porém, são as duas
gigantescas mãos de pedra que parecem emergir da encosta da montanha para
sustentar delicadamente a estrutura.
Feitas de fibra de vidro, tela de arame e estrutura
de aço, com uma textura envelhecida, rachaduras e musgo artificial, elas
transmitem a sensação de que são antigas ruínas esculpidas pelo tempo — como se
um deus da montanha tivesse gentilmente erguido uma fita de ouro da terra.
Os dedos chegam a ter cerca de 2 metros de
diâmetro. O conceito, inspirado no mundo dos deuses, gigantes e da natureza,
partiu do arquiteto principal Vu Viet Anh.
Um projeto com alma vietnamita
O cliente foi o Sun Group, que investiu bilhões no
desenvolvimento de Bà Nà Hills. O projeto foi desenvolvido pelo escritório TA
Landscape Architecture, ligado à Universidade de Arquitetura da Cidade de Ho
Chi Minh. Além de Vu Viet Anh (fundador e designer principal), participaram
Tran Quang Hung (designer da ponte) e Nguyen Quang Huu Tuan (gerente de
design).
A ideia inicial era simplesmente uma passarela
elevada, mas o desafio da declividade levou a essa solução criativa e poética,
que se integra harmoniosamente ao relevo acidentado.
A construção começou em julho de 2017 e foi
concluída em abril de 2018 — um ritmo impressionante para um projeto complexo
em terreno montanhoso, que exigiu transporte cuidadoso de materiais e mínimo
impacto ambiental.
A ponte foi inaugurada em junho de 2018 e, quase
imediatamente, explodiu nas redes sociais. Uma foto compartilhada por um
blogueiro malaio ajudou a torná-la viral, aparecendo em listas de “pontes mais
incríveis do mundo”, “lugares mais bonitos” da Time e elogiada por veículos
como The Guardian, CNN e Reuters.
Impacto e reconhecimento
Em maio de 2020, uma imagem aérea da ponte tirada
pelo fotógrafo vietnamita Tran Tuan Viet venceu o concurso internacional
#Architecture2020, organizado pelo aplicativo Agora. Dentre mais de 10 mil inscrições
de todo o mundo, a foto recebeu o maior número de votos do público e rendeu ao
autor o prêmio principal de US$ 1.000.
Esse reconhecimento reforçou o status da ponte como
símbolo da criatividade vietnamita contemporânea. Hoje, a Ponte Dourada não é
apenas uma passagem funcional: é um ponto de contemplação, um cenário de
selfies inesquecíveis e um marco que ajudou a impulsionar o turismo em Da Nang
e no Vietnã central.
O local tem raízes históricas — os franceses
fundaram ali um vilarejo de montanha em 1919 como refúgio de veraneio — mas a
ponte trouxe um sopro moderno e fantástico que encanta visitantes de todas as
idades. Se você for a Da Nang, reserve um dia para subir de teleférico e
caminhar por esse “fio de ouro” nas mãos da montanha.
O efeito, especialmente ao nascer ou pôr do sol, quando a névoa dança ao redor, é simplesmente mágico. Uma obra que prova como a arquitetura pode contar histórias e conectar pessoas à natureza de forma emocionante.















