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domingo, março 01, 2026

Ho Van Lang “Tarzan real" – Fugindo da guerra do Vietnã viveu 40 anos na selva



Ho Van Lang, conhecido como o “Tarzan real”, viveu 41 anos isolado na selva do Vietnã, fugindo dos horrores da Guerra do Vietnã. A história começou em 1972, no auge do conflito, quando uma bomba lançada pelas forças americanas matou a esposa e dois filhos de Ho Van Thanh (pai de Lang).

Na época, Ho Van Lang tinha apenas dois ou três anos (algumas fontes variam ligeiramente, mas era uma criança pequena). Desesperado e traumatizado, Thanh fugiu com o filho pequeno para a densa floresta no distrito de Tra Bong, na província de Quang Ngai, no centro do Vietnã.

O pai acreditava que a guerra ainda continuava e desenvolveu uma profunda fobia de retornar à sociedade, convencido de que o perigo persistia. Durante mais de quatro décadas, o pai e o filho (e, em alguns relatos, o irmão mais novo Tri também esteve envolvido por períodos, mas o núcleo principal era o duo pai-filho) viveram completamente isolados da civilização.

Construíram uma cabana elevada de madeira a cerca de cinco metros do chão para proteção contra animais e inundações. Sobreviviam exclusivamente da floresta: colhiam frutas, mel, raízes e cultivavam milho em pequenas áreas; caçavam e comiam animais selvagens, como ratos, cobras, lagartos, macacos e outros.

Não tinham contato com outras pessoas, tecnologia, roupas modernas ou qualquer elemento da vida contemporânea. Em agosto de 2013, após 41 anos, a família foi descoberta por moradores locais e resgatada pelas autoridades vietnamitas.

O pai, então com cerca de 82 anos, estava doente, o que facilitou a persuasão para saírem da selva. Ho Van Lang, já com 41 anos, ganhou fama mundial como o “Tarzan real”, em referência ao personagem de Edgar Rice Burroughs.

O fotógrafo e explorador espanhol Álvaro Cerezo foi um dos que documentou a história de perto, visitando a família e acompanhando o processo de adaptação.

O choque cultural foi imenso. Lang nunca havia visto uma mulher em toda a vida - o pai nunca mencionou sua existência, e o isolamento total impediu qualquer exposição. Ao chegar à aldeia, ele ficou confuso ao ver pessoas do sexo feminino.

Segundo relatos de Cerezo, Lang conseguia distinguir visualmente homens e mulheres, mas não compreendia as diferenças biológicas ou sociais essenciais. O fotógrafo afirmou que Lang nunca demonstrou desejo sexual ou instinto reprodutor evidente, possivelmente devido ao longo isolamento e à falta de estímulos sociais.

O irmão mais novo, Ho Van Tri (que havia sido resgatado e criado por parentes anos antes), descreveu Lang como tendo “um cérebro como o de um bebê” em termos de desenvolvimento social e moral. “Se eu pedir ao Lang para bater em alguém, ele fará severamente.

Ele não sabe a diferença entre o bem e o mal. Lang é apenas uma criança”, explicou Tri. Apesar disso, Cerezo o descreveu como “provavelmente o ser humano mais adorável” que já conheceu - inocente, gentil e sem malícia.

A adaptação à vida na aldeia foi difícil. Lang sentia saudades intensas da selva e mantinha o hábito de caminhar horas todos os dias até a floresta, onde passava o dia cultivando frutas e vegetais, retornando apenas ao entardecer.

Em 2015, Cerezo o levou de volta à selva por uma semana para filmar suas habilidades de sobrevivência, e mais tarde mostrou a Lang o “mundo moderno”, incluindo voos de avião e o mar (que ele só conhecia por histórias do pai).

Infelizmente, a história tem um desfecho triste. O pai, Ho Van Thanh, faleceu em novembro de 2017, aos 86 anos. Lang sofreu muito com a perda, já que o pai era seu único companheiro por décadas. Em 2020, foi diagnosticado com câncer de fígado em estágio avançado e incurável.

Ho Van Lang morreu em setembro de 2021, aos 52 anos, cerca de oito anos após deixar a selva. Sua vida extraordinária - de sobrevivência extrema a um breve período de contato com o mundo moderno - permanece como um dos casos mais fascinantes de isolamento humano prolongado, destacando tanto a resiliência do espírito humano quanto os desafios profundos de reintegração após décadas de separação total da sociedade.

Eliane de Grammont - Assassinada pelo marido Lindomar Castilho



 

Eliane Aparecida de Grammont (São Paulo, 10 de agosto de 1955 - São Paulo, 30 de março de 1981) foi uma cantora e compositora brasileira, conhecida principalmente por ter sido vítima de um dos feminicídios mais emblemáticos da história do Brasil, cometido por seu ex-marido, o cantor Lindomar Castilho, conhecido como o "Rei do Bolero".

Filha da compositora Elena de Grammont, Eliane cresceu em uma família numerosa - com 11 irmãos -, na qual vários seguiram carreiras no jornalismo e no rádio, como sua irmã Helena de Grammont, que se tornou jornalista na Rede Globo.

Seu pai faleceu vítima de miocardiopatia, doença hereditária que também acometeu dois de seus irmãos. Em 1977, Eliane conheceu Lindomar Castilho nos corredores da gravadora RCA. Na época, ele vivia o auge da carreira, com álbuns vendendo mais de 800 mil cópias - um número impressionante para os padrões da época.

Após dois anos de namoro, o casal se casou em 1979. A família dela se opôs fortemente à união, mas Eliane seguiu em frente, insistindo em regime de separação total de bens para demonstrar que não estava interessada na fortuna do marido.

Castilho, no entanto, exigiu que ela abandonasse a carreira artística. O relacionamento foi marcado por violência: abuso de álcool por parte dele, crises intensas de ciúme, agressões físicas, separações e reconciliações constantes.

Eles tiveram uma filha, Liliane (Lili) de Grammont, nascida em 1979. Após pouco mais de um ano de casamento, Eliane pediu o desquite em 1980. Seis meses depois, ela ainda tentou uma reconciliação, mas Lindomar impôs condições humilhantes, como assinar um documento com dez compromissos, incluindo pedir perdão a uma empregada doméstica que era motivo de brigas.

Diagnosticada com a mesma miocardiopatia que matara familiares, Eliane decidiu retomar a carreira musical. Recebeu convite do violonista e cantor Carlos Randall (nome artístico de Carlos Roberto da Silva, primo de Lindomar) para se apresentar no Café Belle Époque, em São Paulo.

Os dois iniciaram um romance, o que agravou o ciúme possessivo de Castilho.

O crime

Na madrugada de 30 de março de 1981, Eliane se apresentava no Café Belle Époque, próximo à Avenida Paulista, acompanhada por Randall ao violão. Enquanto cantava a música "João e Maria", de Chico Buarque - exatamente nos versos "Agora era fatal / Que o faz-de-conta terminasse assim" -, Lindomar Castilho invadiu o local armado com um revólver calibre .38.

Ele disparou cinco tiros contra a ex-mulher, atingindo-a mortalmente no peito (ou nas costas, conforme algumas fontes). Um dos disparos também feriu Randall no abdome (ou na virilha, segundo relatos variados).

Eliane caiu no palco e morreu a caminho do hospital. Castilho tentou fugir, mas foi contido por Randall (mesmo ferido) e pelo dono da casa noturna, William Schmidt, que o amarraram até a chegada da polícia. Populares o espancaram antes da detenção.

O julgamento e o contexto histórico

O caso chocou o país e ocorreu em uma época em que "crimes passionais" eram frequentemente relativizados pela sociedade e pelo Judiciário, com defesas baseadas na "legítima defesa da honra", "violenta emoção" ou "passionalidade".

O adultério ainda era crime no Código Penal brasileiro, e expressões como "defesa da honra" eram usadas para justificar feminicídios. O julgamento ocorreu em agosto de 1984, no icônico Salão do Júri do Palácio da Justiça, em São Paulo - um dos últimos grandes casos julgados ali.

A defesa, liderada pelo advogado Waldir Troncoso Perez, explorou alegações de que Eliane era uma mãe negligente, infiel e de "conduta reprovável". Enquanto isso, mulheres protestavam em frente ao fórum com faixas como "Quem ama não mata".

Homens (alguns supostamente contratados) se juntaram para hostilizá-las, jogando ovos e gritando frases como "mulher que bota chifre tem que virar sanduíche".

A assistência à acusação contou com o então presidente da OAB, Márcio Thomaz Bastos. Após 36 horas de debates e ampla cobertura da imprensa, cinco dos sete jurados votaram pela condenação.

Lindomar foi sentenciado a 12 anos e dois meses de prisão por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e traição). Cumpriu cerca de sete anos em regime fechado e o restante em semiaberto, ficando quite com a Justiça em 1996.

O caso foi influenciado pelo julgamento anterior de Doca Street (que matou Ângela Diniz em 1976 e foi absolvido no primeiro júri, mas condenado no segundo), ajudando a enfraquecer a tese da "defesa da honra".

Impacto e legado

O assassinato mobilizou o movimento feminista brasileiro. Após uma missa na Igreja da Consolação em 4 de abril de 1981, mais de mil mulheres vestidas de preto marcharam até o Cemitério do Araçá com o lema "Quem ama não mata".

Surgiram grupos de apoio, como o "Grupo Masculino de Apoio à Luta das Mulheres", que lançou manifestos contra a violência. O humorista Henfil, em sua coluna na revista IstoÉ, criticou ironicamente a misoginia da sociedade ao comentar humilhações contra homens comparadas à condição feminina.

Em 1982, manifestantes impediram Castilho de se apresentar em Goiânia com panfletos dizendo: "Eliane de Grammont não vai cantar hoje. Ela está morta".

Em homenagem, ruas foram batizadas com seu nome em São Paulo (Bairro da Barra Funda, desde dezembro de 1981) e em Londrina (PR). Existe a Casa Eliane de Grammont, centro de acolhimento e apoio psicossocial e jurídico a mulheres em situação de violência, mantido pela Prefeitura de São Paulo.

A filha do casal, Lili de Grammont (coreógrafa), órfã aos dois anos, transformou a dor em ativismo: participa de eventos contra a violência de gênero e perdoou o pai publicamente, mas destacou que "ao tirar a vida da minha mãe, ele também morreu em vida".

Lindomar viveu recluso após a pena, faleceu em 20 de dezembro de 2025, aos 85 anos. Esse feminicídio foi pivotal para mudar a percepção social sobre crimes contra mulheres no Brasil, pavimentando o caminho para avanços como a Lei Maria da Penha (2006) e a tipificação do feminicídio (2015).