Beba água onde o cavalo bebe.
Coma a fruta tocada por um verme.
Se o inseto provou e permaneceu vivo, é sinal
de que a fruta está livre de venenos e excessos artificiais. A vida simples reconhece
o que é saudável.
Colha os cogumelos onde os insetos pousam.
Os pequenos seres da floresta distinguem com
precisão o que nutre do que mata. Eles são guardiões invisíveis de um saber
ancestral que o homem moderno desaprendeu a ouvir.
Plante uma árvore onde a
toupeira cava.
A toupeira escolhe solos profundos, férteis e
bem drenados. Ali, a árvore encontrará sustentação firme e crescerá forte.
Construa sua casa onde as
cobras se aquecem ao sol.
As cobras buscam locais equilibrados,
protegidos da umidade excessiva e aquecidos pela luz. São espaços de harmonia
natural, onde a vida se mantém em estabilidade.
Cave seu poço onde os
pássaros se abrigam do calor.
Os pássaros, sensíveis às variações do
ambiente, revelam onde há frescor, sombra e água próxima. Eles conhecem os
segredos do equilíbrio invisível.
Durma e acorde no ritmo
dos pássaros.
Ao respeitar o ciclo natural do dia e da
noite, você colherá os verdadeiros “grãos de ouro” da vida: vitalidade, clareza
mental, serenidade e gratidão pelo tempo vivido.
Coma mais verde - folhas,
verduras e ervas.
Assim, suas pernas serão fortes como as do
cervo, e seu coração pulsará com a resistência silenciosa da floresta, que vive
em constante harmonia.
Nade com frequência em
rios e lagos limpos.
Você se sentirá na terra como o peixe se
sente na água: leve, integrado, em paz com o elemento que sustenta a vida.
Olhe mais para o céu e
fale menos.
Permita que o azul infinito e o movimento
silencioso das nuvens entrem em você. No silêncio, a paz desce ao coração, o
espírito se aquieta e a existência se enche de uma serenidade profunda.
Essa sabedoria
reflete o modo de vida de São Serafim de Sarov
(1754-1833), um dos santos mais venerados da tradição ortodoxa russa. Durante
muitos anos, ele viveu como eremita na floresta de Sarov, entregando-se à
oração, ao silêncio e à contemplação da criação.
Conta-se que
alcançou tamanha harmonia com a natureza que animais selvagens se aproximavam
sem temor. Um urso, em especial, tornou-se símbolo dessa comunhão:
aproximava-se mansamente, comia de sua mão e permanecia ao seu lado como um
companheiro fiel.
Para São
Serafim, a natureza não era apenas cenário, mas mestra e revelação do amor
divino. Os animais, em sua inocência instintiva, indicam caminhos de
simplicidade, pureza e confiança - virtudes que o homem moderno, cercado de
ruído e pressa, frequentemente esquece.
Que possamos,
como ele, reaprender a escutar os sussurros da criação e, por meio deles,
reencontrar o caminho da paz interior, da humildade e da verdadeira alegria.







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