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domingo, setembro 27, 2026

A Explosão de Halifax


 

Na manhã de 6 de dezembro de 1917, Halifax, no Canadá, parecia viver mais um dia comum em meio à Primeira Guerra Mundial. Mas, no porto, uma tragédia estava prestes a acontecer.

O navio francês SS Mont-Blanc carregava cerca de 2.500 toneladas de explosivos destinados ao esforço de guerra na Europa. Entre sua carga havia substâncias altamente inflamáveis e explosivas.

Por volta das 8h45, o Mont-Blanc colidiu com o navio norueguês SS Imo, no estreito que liga o porto de Halifax à Bacia de Bedford. A colisão provocou um incêndio no Mont-Blanc.

A tripulação abandonou imediatamente o navio, sabendo que sua carga poderia explodir. E então aconteceu algo assustador: as pessoas começaram a se aproximar para assistir ao incêndio.

Moradores, trabalhadores do porto e crianças observavam das ruas, casas, janelas e cais. Muitos não faziam ideia de que estavam diante de uma enorme bomba flutuante. Durante aproximadamente 20 minutos, o navio permaneceu em chamas. Pouco depois das 9h04, o Mont-Blanc explodiu.

A força da detonação foi estimada em cerca de 2,9 quilotons de TNT, tornando-a a maior explosão causada pelo homem até então, superada apenas décadas depois pelas explosões nucleares. A explosão simplesmente desintegrou o Mont-Blanc.

Uma gigantesca onda de choque atravessou Halifax. Edifícios foram destruídos, casas desabaram, incêndios começaram e milhares de janelas estilhaçaram. A água do porto foi violentamente deslocada, formando uma enorme onda semelhante a um tsunami, que atingiu as áreas costeiras de Halifax e Dartmouth.

Fragmentos do navio foram lançados a quilômetros de distância. Pessoas que estavam próximas morreram instantaneamente. Outras ficaram presas sob os escombros.

O saldo foi devastador: cerca de 2.000 mortos e aproximadamente 9.000 feridos. Cerca de 1.630 casas foram destruídas, milhares de outras construções foram danificadas e aproximadamente 6.000 pessoas ficaram sem moradia.

E havia ainda uma consequência que poucos imaginariam. Muitas das vítimas sofreram graves ferimentos nos olhos porque estavam diante das janelas observando o incêndio quando a explosão aconteceu.

O desastre acabou contribuindo para avanços importantes no tratamento de lesões oculares e queimaduras, além de influenciar mudanças na reconstrução urbana de Halifax.

No dia seguinte, quando a cidade ainda tentava localizar sobreviventes entre os escombros, uma forte tempestade de neve atingiu Halifax, dificultando ainda mais os trabalhos de resgate.

O que começou como uma colisão entre dois navios transformou-se, em poucos segundos, em uma das maiores catástrofes provocadas pelo homem antes da era nuclear.

E talvez uma das partes mais assustadoras seja esta: milhares de pessoas estavam olhando para o navio em chamas quando ele explodiu. Uma história real que parece roteiro de filme.

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