Entre dois mundos vivo – e, talvez, em nenhum deles eu pertença de verdade.
Um deles é feito de memórias:
das coisas que vivi, dos sonhos que um dia alimentaram meus passos, dos lugares
que ficaram para trás e, principalmente, dos amores que o tempo levou, mas que
o coração nunca conseguiu esquecer completamente.
É um mundo onde o passado
continua respirando. Nele, algumas pessoas ainda estão presentes, algumas vozes
ainda podem ser ouvidas e certos momentos parecem acontecer outra vez, como se
o tempo tivesse apenas feito uma pausa.
O outro mundo é o presente.
É onde a vida continua, os
dias passam, as pessoas seguem seus caminhos e o relógio insiste em avançar,
mesmo quando em nós alguma coisa permanece parada.
E é nesse mundo que sigo.
Às vezes acompanhado por
pessoas, mas muitas vezes sozinho diante dos meus próprios pensamentos. Carrego
comigo aquilo que o tempo não conseguiu apagar: lembranças, perguntas sem
respostas, sonhos que não se realizaram e uma saudade que aprendeu a caminhar
ao meu lado.
Talvez seja esse o estranho
destino de quem vive intensamente: nunca estar completamente onde está. Uma
parte de nós permanece no passado, visitando lugares que já não existem da
mesma maneira e reencontrando pessoas que já não são as mesmas – ou que já não
estão mais aqui.
Enquanto isso, a outra parte
tenta aprender a viver no presente, aceitando que algumas histórias não terão
continuação, alguns abraços não voltarão a acontecer e determinados momentos
jamais poderão ser repetidos.
Entre esses dois mundos, sigo
tentando encontrar um lugar para chamar de meu. Talvez pertencer não seja
esquecer o que passou, mas aprender a carregar as lembranças sem permitir que
elas nos impeçam de continuar.
Porque a saudade não é apenas
a dor da ausência. Às vezes, ela é também a prova de que um dia fomos felizes,
amamos profundamente, sonhamos de verdade e tivemos algo que valeu a pena
guardar.
E, enquanto houver memória,
algumas histórias jamais estarão completamente terminadas. Entre o que fui e o
que ainda sou, sigo caminhando. Com o passado na memória, o presente nas mãos e
a saudade escondida no coração.









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