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domingo, outubro 18, 2026

Duas Caras...


Edward Mordake: o homem que teria nascido com dois rostos

A expressão popular “duas caras” costuma ser utilizada para descrever alguém falso, dissimulado ou que esconde suas verdadeiras intenções. Mas e se uma pessoa tivesse, literalmente, dois rostos?

Uma das histórias mais perturbadoras associadas a essa ideia é a de Edward Mordake, um suposto jovem inglês do século XIX que teria nascido com uma segunda face na parte de trás da cabeça.

Segundo os relatos que circulam há mais de um século, Mordake pertencia a uma família nobre da Inglaterra e possuía um rosto principal considerado bonito e harmonioso. A face adicional, localizada na região posterior do crânio, seria deformada e apresentaria uma aparência que inspirava medo.

As versões mais conhecidas da narrativa afirmam que a segunda face parecia acompanhar as emoções do jovem, exibindo expressões diferentes das de seu rosto principal. Algumas histórias chegam a afirmar que ela sorria quando ele estava triste ou parecia demonstrar raiva, enquanto ele permanecia tranquilo.

O aspecto mais assustador do relato, porém, não era apenas a aparência da segunda face. Dizia-se que Mordake acreditava ouvir sussurros e palavras malignas vindas dela, especialmente durante a noite. Incapaz de encontrar alívio para o sofrimento que supostamente enfrentava, ele teria procurado médicos e implorado que a face fosse removida.

Na época, os recursos cirúrgicos eram muito mais limitados do que os atuais. Segundo a narrativa, nenhum médico teria conseguido ajudá-lo. Tomado pelo desespero, o jovem teria desenvolvido uma profunda angústia psicológica e, aos 23 anos, teria tirado a própria vida.

Mas existe um detalhe fundamental nessa história: não há comprovação histórica confiável de que Edward Mordake tenha realmente existido. O relato ganhou notoriedade no final do século XIX, especialmente após ser publicado em 1895 pelo médico e escritor norte-americano George M. Gould e por Walter L. Pyle, em uma obra que reunia casos médicos incomuns.

Entretanto, a publicação não constitui, por si só, prova de que a história seja verdadeira, e não há documentação médica independente que confirme a existência de Mordake ou os acontecimentos atribuídos a ele.

Isso não significa que condições congênitas capazes de produzir duplicações ou anomalias faciais sejam impossíveis. A medicina reconhece alterações raras do desenvolvimento embrionário, incluindo formas de duplicação craniofacial. No entanto, essas condições não comprovam a existência de uma pessoa com as características sobrenaturais descritas na lenda.

Assim, Edward Mordake permanece entre o mistério, o folclore e a literatura de horror. Sua história atravessou gerações porque combina uma imagem inquietante com uma questão profundamente humana: até que ponto o sofrimento, o isolamento e o medo podem transformar a vida de alguém?

Talvez o verdadeiro rosto dessa história não seja o de um homem com duas faces, mas o de uma lenda que conseguiu sobreviver ao tempo, confundindo leitores e despertando a curiosidade de quem ainda procura separar os fatos da ficção.

Morte na represa



Hoover Dam: a tragédia que uniu pai e filho na história de uma grande obra

Treze anos separam duas mortes marcadas pela mesma data. A primeira vítima foi o pai; a última, seu próprio filho.

A construção da Hoover Dam, uma das principais obras de engenharia dos Estados Unidos, deixou um legado impressionante de progresso, mas também uma história de perdas humanas e uma coincidência que atravessou gerações.

Localizada no rio Colorado, na fronteira entre os estados de Nevada e Arizona, a represa foi construída para controlar as cheias, armazenar água, fornecer recursos para irrigação e gerar energia elétrica.

Sua construção começou em 1931 e se tornou um dos grandes desafios da engenharia norte-americana durante a Grande Depressão. Entre os números associados ao empreendimento, um chama a atenção: 112 mortes foram relacionadas ao projeto, segundo registros históricos do governo norte-americano.

Esse total, porém, inclui ocorrências anteriores ao início efetivo da construção, além de mortes por diferentes causas. O número oficial de mortes por acidentes industriais no local da obra foi de 96.

É nesse contexto que surge a história de John Gregory Tierney, conhecido como J. G. Tierney. Em 20 de dezembro de 1922, enquanto participava de trabalhos de levantamento geológico no rio Colorado, ele morreu afogado durante uma enchente repentina.

Treze anos depois, em 20 de dezembro de 1935, seu filho, Patrick W. Tierney, que trabalhava como ajudante de eletricista, também morreu durante as atividades relacionadas ao projeto. Ele caiu de uma das torres de captação de água da represa.

A coincidência é impressionante: pai e filho morreram no mesmo dia do calendário, separados por exatamente treze anos. Patrick ficou conhecido como a última fatalidade registrada na relação histórica de mortes associadas ao projeto da Hoover Dam.

A história também exige uma ressalva: J. G. Tierney é frequentemente citado como a primeira vítima da construção, mas os registros históricos identificam Harold Connelly, morto em 15 de maio de 1921 durante trabalhos de levantamento no rio, como a primeira morte associada ao projeto. Tierney foi a segunda.

A Hoover Dam permanece como um marco da engenharia moderna. Sua imponência, entretanto, não deve apagar a memória daqueles que morreram em atividades ligadas à sua realização.

Por trás de toneladas de concreto, máquinas gigantescas e cálculos de engenharia, existiam pessoas, famílias e histórias interrompidas. E, entre tantas tragédias, a de J. G. Tierney e Patrick Tierney continua a chamar a atenção pela coincidência dolorosa que marcou a história dessa obra monumental.