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domingo, setembro 13, 2026

A esteira que atravessa o deserto


 

No coração do Saara Ocidental existe uma obra de engenharia que parece saída de um filme de ficção: uma gigantesca esteira transportadora que atravessa o deserto por cerca de 98 quilômetros, sem parar.

Ela começa na mina de fosfato de Bou Craa, uma das maiores áreas de exploração de fosfato da região, e segue praticamente em linha reta pelo imenso deserto até chegar à costa atlântica. Ali, a rocha extraída do subsolo é despejada diretamente nos navios que aguardam para transportá-la.

É considerada a mais longa esteira transportadora do mundo e está em operação desde 1972. À primeira vista, pode parecer apenas uma enorme faixa mecânica atravessando uma paisagem árida e interminável. Mas, quando observamos o mapa, entendemos por que uma estrutura tão impressionante foi construída.

Entre a mina e o oceano existem dezenas de quilômetros de deserto. Não há cidades, cursos de água ou uma infraestrutura rodoviária capaz de suportar continuamente o transporte de milhares de toneladas de minério.

Construir e manter uma estrada, além de manter uma enorme frota de caminhões funcionando diariamente sob condições extremas, seria uma operação complexa e extremamente dispendiosa.

A solução encontrada foi transformar a própria distância em um caminho industrial. A estrutura é formada por 11 trechos interligados, cada um equipado com seus próprios sistemas de acionamento. A carga passa de uma seção para outra até completar o longo percurso entre a mina e o litoral.

Em conjunto, o sistema consegue transportar cerca de 2.000 toneladas de rocha por hora, vencendo diariamente o calor, a areia, os ventos e a imensidão do deserto.

A construção envolveu a empresa alemã Krupp, enquanto a operação da mina e do sistema de transporte está associada à Phosboucraa. As reservas de fosfato de Bou Craa são estimadas em mais de 1,7 bilhão de toneladas.

Mas talvez o mais impressionante não seja apenas a dimensão da esteira. É pensar no que significa construir uma estrutura dessa magnitude em um dos ambientes mais inóspitos do planeta. Onde o ser humano encontra silêncio, areia e distância, a engenharia encontrou uma maneira de criar movimento.

Dia após dia, quilômetro após quilômetro, milhares de toneladas de rocha percorrem o deserto até o oceano. Uma gigantesca máquina trabalhando quase como uma artéria artificial, levando a riqueza mineral do interior da terra até a costa.

A paisagem continua praticamente a mesma: areia, céu e horizonte. Mas, no meio dela, uma linha mecânica de quase cem quilômetros lembra que, quando existe necessidade, conhecimento e tecnologia, o ser humano consegue transformar até mesmo um deserto em uma gigantesca rota de transporte. No Saara, onde parece não haver caminho, alguém construiu um.

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