Apocalypto é um filme
norte-americano de 2006, pertencente aos gêneros épico, ação e drama, dirigido
e produzido por Mel Gibson. As filmagens tiveram início em 21 de novembro de 2005,
e o longa estreou nos cinemas brasileiros em 26 de janeiro de 2007. A narrativa
se passa na península de Iucatã, antes da colonização espanhola, durante o
declínio da civilização maia.
Um dos aspectos mais marcantes
da produção é a escolha linguística: todos os personagens falam o dialeto maia
yucateca, o que confere maior autenticidade cultural à obra.
A cinematografia, assinada por
Dean Semler, recebeu elogios pela intensidade visual, pelo uso expressivo da
luz natural e pela construção de uma atmosfera densa e imersiva na selva
mesoamericana.
O filme foi amplamente
debatido pela crítica. Embora muitos tenham elogiado a direção firme de Gibson,
o ritmo eletrizante e as atuações do elenco - composto majoritariamente por
atores indígenas ou descendentes de povos originários -, houve controvérsias
quanto à representação da civilização maia.
Alguns estudiosos acusaram a
obra de exagerar aspectos de violência e decadência, alimentando uma visão
estereotipada e negativa dessa cultura. Gibson, por sua vez, declarou que sua
intenção não era produzir um tratado histórico, mas uma narrativa de
sobrevivência ambientada em um contexto específico.
Enredo
A história acompanha Jaguar
Paw (Garras de Jaguar), um jovem caçador que vive com sua esposa grávida, seu
filho pequeno e seu pai em uma aldeia pacífica no coração da selva da América
Central. A rotina é simples e harmoniosa, marcada por caçadas, histórias
contadas ao redor da fogueira e forte ligação comunitária.
Essa tranquilidade é
brutalmente interrompida quando a aldeia é atacada por guerreiros de uma cidade
maia em declínio. O massacre é devastador: muitos são mortos, outros
capturados, e o pai de Jaguar Paw é assassinado diante dele.
Antes de ser capturado, Jaguar
Paw consegue esconder sua esposa e seu filho em um poço natural profundo,
prometendo retornar. Levado com outros sobreviventes até uma grande cidade
maia, ele testemunha sinais de decadência social: doenças, fome e desespero.
No caminho, uma jovem profere
um presságio sombrio, antecipando o destino de sangue que aguarda os
prisioneiros. Na cidade, as mulheres capturadas são vendidas como escravas,
enquanto os homens são destinados ao sacrifício ritual no alto de uma pirâmide,
em cerimônias públicas que buscam apaziguar os deuses diante das crises enfrentadas
pela sociedade.
Quando chega a vez de Jaguar
Paw ser sacrificado, ocorre um eclipse solar. O sumo-sacerdote interpreta o
fenômeno como sinal de que o deus-sol está satisfeito e não exige mais
oferendas naquele momento.
Os prisioneiros restantes, em vez
de serem libertados, são levados para um campo onde se tornam alvo de uma
caçada humana - precisam correr para sobreviver enquanto guerreiros atiram
lanças, flechas e pedras.
Jaguar Paw consegue escapar,
iniciando uma perseguição intensa pela selva. Durante a fuga, ele mata o filho
do guerreiro conhecido como Lobo Zero, o que transforma a perseguição em uma
vingança pessoal.
Mesmo ferido, ele utiliza seu
conhecimento da floresta para armar emboscadas e eliminar alguns perseguidores.
A tensão cresce porque sua esposa e seu filho permanecem presos no poço.
Com a aproximação das chuvas,
há o risco de o local inundar e afogá-los. Enquanto isso, sua esposa entra em
trabalho de parto dentro do poço alagado, em uma das cenas mais dramáticas do
filme, simbolizando vida e esperança em meio ao caos.
Jaguar Paw finalmente retorna
à antiga aldeia e consegue resgatar sua família, mas a perseguição ainda não
terminou. Lobo Zero o alcança, mas acaba caindo em uma armadilha e morre.
Restam apenas dois guerreiros, que continuam a caça até a praia.
Ali, todos se distraem com a
chegada de navios espanhóis ao horizonte - um prenúncio do fim de uma era e do
início de outra ainda mais devastadora para os povos originários.
Aproveitando o momento, Jaguar
Paw foge para a selva com sua família. Em vez de se aproximar dos estrangeiros,
ele escolhe desaparecer na floresta, buscando um novo começo longe da violência
e da destruição.
Mais do que um filme
histórico, Apocalypto é uma narrativa sobre sobrevivência, coragem e a
força dos laços familiares. O título - que remete à ideia de “novo começo” -
reforça a mensagem central: mesmo diante do colapso de uma civilização, a
esperança pode renascer na persistência da vida.










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