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sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Ponte de Oresund


A Ponte de Oresund é uma impressionante estrutura que liga a Dinamarca à Suécia, conectando a capital Copenhague à cidade de Malmö através do estreito de Oresund. Trata-se de uma ponte rodoferroviária combinada, a mais longa da Europa nesse formato, com 7.845 metros de comprimento na seção de ponte propriamente dita e uma altura máxima de 204 metros nos pilares.

Ela permite uma folga vertical de 57 metros acima do nível da água no vão principal. O nome oficial adotado pela empresa concessionária é Oresundsbron, uma forma híbrida que mescla as grafias dinamarquesa e sueca, simbolizando a identidade cultural compartilhada na região de Oresund e o espírito de integração entre os dois países nórdicos.

O complexo total, conhecido como Ligação de Oresund, tem cerca de 15,9 km e é composto por três partes principais: A ponte propriamente dita: 7.845 m; A ilha artificial de Peberholm: 4.055 m; O túnel submarino imerso: cerca de 3.510 m.

Essa configuração híbrida (ponte + ilha + túnel) foi escolhida por razões técnicas e ambientais cruciais. Uma ponte contínua exigiria vãos muito maiores e pilares mais altos para permitir a passagem de grandes navios pelo canal de navegação principal, o que aumentaria custos e riscos.

Além disso, o Aeroporto Internacional de Copenhague fica muito próximo, e uma estrutura elevada poderia interferir nas rotas de aproximação e decolagem das aeronaves.

Assim, o trecho mais próximo da Dinamarca foi construído como túnel, enquanto a ponte elevada fica do lado sueco, sobre o canal principal.

História

A ideia de uma ligação fixa entre Dinamarca e Suécia remonta ao século XIX, mas o projeto ganhou força na década de 1990. O acordo bilateral foi assinado em 1991, e a construção começou em 1995.

O último segmento foi concluído em 14 de agosto de 1999, três meses antes do previsto, demonstrando eficiência notável da engenharia envolvida. A inauguração oficial ocorreu em 1º de julho de 2000, com a presença da rainha Margarida II da Dinamarca e do rei Carlos XVI Gustavo da Suécia.

No mesmo dia, a ponte foi aberta ao tráfego. Antes disso, em 12 de junho de 2000, cerca de 79.871 corredores participaram de uma meia-maratona simbólica de Amager (Dinamarca) até Skåne (Suécia), cruzando a estrutura recém-concluída - um evento marcante que celebrou a integração.

O custo total da obra foi de aproximadamente 30,1 bilhões de coroas dinamarquesas (em valores de 2000), equivalentes a cerca de 4 bilhões de euros ou 5,7 bilhões de dólares na época (valores aproximados, variando conforme fontes e ajustes).

Os dois países dividiram os custos igualmente, e o financiamento foi majoritariamente por meio de empréstimos pagos pelos usuários via pedágios e tarifas ferroviárias.

O projeto foi projetado pela firma de engenharia Arup (Ove Arup & Partners), com contribuições de arquitetos e engenheiros como Georg Rotne, Jorgen Nissen, Klaus Falbe Hansen e Niels Gimsing.

Características técnicas

A seção de ponte é uma estrutura estaiada com um vão principal de 490 metros - um dos maiores do mundo para esse tipo de uso combinado (rodoviário e ferroviário). Os dois pilares principais atingem 204 metros de altura (os mais altos da Suécia na época).

A estrutura pesa cerca de 82 mil toneladas e suporta quatro faixas de rodovia na parte superior e dois trilhos ferroviários na inferior. A largura total é de cerca de 23,5 metros.

O túnel submarino foi construído com 20 blocos gigantes de concreto pré-moldados em terra firme, transportados por balsas e assentados com precisão milimétrica no leito marinho escavado (enfrentando rochas duras em alguns trechos).

A ilha artificial de Peberholm foi criada com material dragado do mar, rochas e entulhos da própria obra - hoje, ela é um santuário ecológico protegido, com flora e fauna únicas.

Impacto e tráfego atual

Inicialmente, o tráfego foi abaixo das expectativas, atribuído aos altos custos de pedágio. Em 2000, a tarifa para carros era de cerca de 260 coroas dinamarquesas (equivalente a aproximadamente 36 euros na época), mas descontos progressivos (até 75% para usuários frequentes via programas como OresundGO) ajudaram a impulsionar o uso.

A partir de 2005-2006, houve um crescimento rápido, impulsionado pela migração pendular: muitos dinamarqueses mudaram-se para Malmo e arredores (onde moradia era mais barata) e passaram a trabalhar em Copenhague, aproveitando o tempo de travessia curto (cerca de 10 minutos de carro ou 30–35 minutos de trem).

Em 2007, já eram quase 25 milhões de passageiros anuais. O crescimento continuou ao longo dos anos. Em 2025, a ponte registrou um recorde histórico: mais de 8 milhões de travessias rodoviárias (incluindo 6,98 milhões de carros), com média diária de cerca de 21.925 veículos.

O tráfego de caminhões pesados e lazer também bateu recordes, refletindo a integração econômica da região de Oresund, que hoje funciona como uma grande área metropolitana transfronteiriça.

A ponte não só facilitou o transporte, mas também impulsionou o comércio, o turismo, o mercado de trabalho integrado e a coesão cultural entre Dinamarca e Suécia.

Ela se tornou um símbolo icônico da cooperação nórdica e europeia, aparecendo inclusive na série de TV The Bridge, que explorou temas de colaboração transfronteiriça.

Hoje, mais de 25 anos após sua inauguração, a Ponte de Oresund continua essencial para a mobilidade na região, com tráfego crescente e um papel cada vez mais central na economia do norte da Europa.

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