A Ponte de Oresund é uma impressionante
estrutura que liga a Dinamarca à Suécia, conectando a capital Copenhague à
cidade de Malmö através do estreito de Oresund. Trata-se de uma ponte
rodoferroviária combinada, a mais longa da Europa nesse formato, com 7.845
metros de comprimento na seção de ponte propriamente dita e uma altura máxima
de 204 metros nos pilares.
Ela permite uma folga vertical de 57 metros
acima do nível da água no vão principal. O nome oficial adotado pela empresa
concessionária é Oresundsbron, uma forma híbrida que mescla as grafias
dinamarquesa e sueca, simbolizando a identidade cultural compartilhada na
região de Oresund e o espírito de integração entre os dois países nórdicos.
O complexo total, conhecido como Ligação de Oresund,
tem cerca de 15,9 km e é composto por três partes principais: A ponte
propriamente dita: 7.845 m; A ilha artificial de Peberholm: 4.055 m; O túnel
submarino imerso: cerca de 3.510 m.
Essa configuração híbrida (ponte + ilha +
túnel) foi escolhida por razões técnicas e ambientais cruciais. Uma ponte
contínua exigiria vãos muito maiores e pilares mais altos para permitir a
passagem de grandes navios pelo canal de navegação principal, o que aumentaria
custos e riscos.
Além disso, o Aeroporto Internacional de
Copenhague fica muito próximo, e uma estrutura elevada poderia interferir nas
rotas de aproximação e decolagem das aeronaves.
Assim, o trecho mais próximo da Dinamarca foi
construído como túnel, enquanto a ponte elevada fica do lado sueco, sobre o
canal principal.
História
A ideia de uma ligação fixa entre Dinamarca e
Suécia remonta ao século XIX, mas o projeto ganhou força na década de 1990. O
acordo bilateral foi assinado em 1991, e a construção começou em 1995.
O último segmento foi concluído em 14 de
agosto de 1999, três meses antes do previsto, demonstrando eficiência notável
da engenharia envolvida. A inauguração oficial ocorreu em 1º de julho de 2000,
com a presença da rainha Margarida II da Dinamarca e do rei Carlos XVI Gustavo
da Suécia.
No mesmo dia, a ponte foi aberta ao tráfego.
Antes disso, em 12 de junho de 2000, cerca de 79.871 corredores participaram de
uma meia-maratona simbólica de Amager (Dinamarca) até Skåne (Suécia), cruzando
a estrutura recém-concluída - um evento marcante que celebrou a integração.
O custo total da obra foi de aproximadamente
30,1 bilhões de coroas dinamarquesas (em valores de 2000), equivalentes a cerca
de 4 bilhões de euros ou 5,7 bilhões de dólares na época (valores aproximados,
variando conforme fontes e ajustes).
Os dois países dividiram os custos
igualmente, e o financiamento foi majoritariamente por meio de empréstimos
pagos pelos usuários via pedágios e tarifas ferroviárias.
O projeto foi projetado pela firma de
engenharia Arup (Ove Arup & Partners), com contribuições de arquitetos e
engenheiros como Georg Rotne, Jorgen Nissen, Klaus Falbe Hansen e Niels
Gimsing.
Características técnicas
A seção de ponte é uma estrutura estaiada com
um vão principal de 490 metros - um dos maiores do mundo para esse tipo de uso
combinado (rodoviário e ferroviário). Os dois pilares principais atingem 204
metros de altura (os mais altos da Suécia na época).
A estrutura pesa cerca de 82 mil toneladas e
suporta quatro faixas de rodovia na parte superior e dois trilhos ferroviários
na inferior. A largura total é de cerca de 23,5 metros.
O túnel submarino foi construído com 20
blocos gigantes de concreto pré-moldados em terra firme, transportados por
balsas e assentados com precisão milimétrica no leito marinho escavado
(enfrentando rochas duras em alguns trechos).
A ilha artificial de Peberholm foi criada com
material dragado do mar, rochas e entulhos da própria obra - hoje, ela é um
santuário ecológico protegido, com flora e fauna únicas.
Impacto e tráfego atual
Inicialmente, o tráfego foi abaixo das
expectativas, atribuído aos altos custos de pedágio. Em 2000, a tarifa para
carros era de cerca de 260 coroas dinamarquesas (equivalente a aproximadamente
36 euros na época), mas descontos progressivos (até 75% para usuários
frequentes via programas como OresundGO) ajudaram a impulsionar o uso.
A partir de 2005-2006, houve um crescimento
rápido, impulsionado pela migração pendular: muitos dinamarqueses mudaram-se
para Malmo e arredores (onde moradia era mais barata) e passaram a trabalhar em
Copenhague, aproveitando o tempo de travessia curto (cerca de 10 minutos de
carro ou 30–35 minutos de trem).
Em 2007, já eram quase 25 milhões de
passageiros anuais. O crescimento continuou ao longo dos anos. Em 2025, a ponte
registrou um recorde histórico: mais de 8 milhões de travessias rodoviárias
(incluindo 6,98 milhões de carros), com média diária de cerca de 21.925
veículos.
O tráfego de caminhões pesados e lazer também
bateu recordes, refletindo a integração econômica da região de Oresund, que
hoje funciona como uma grande área metropolitana transfronteiriça.
A ponte não só facilitou o transporte, mas
também impulsionou o comércio, o turismo, o mercado de trabalho integrado e a
coesão cultural entre Dinamarca e Suécia.
Ela se tornou um símbolo icônico da
cooperação nórdica e europeia, aparecendo inclusive na série de TV The Bridge,
que explorou temas de colaboração transfronteiriça.
Hoje, mais de 25 anos após sua inauguração, a
Ponte de Oresund continua essencial para a mobilidade na região, com tráfego
crescente e um papel cada vez mais central na economia do norte da Europa.









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