"Aviso de conteúdo sensível: Este texto contém
descrições gráficas de crimes violentos e detalhes da execução por injeção
letal. Não é adequado para todos os públicos."
As Últimas 24 Horas do “Monstro” Feminino:
Aileen Wuornos - Os Horrendos Crimes da Assassina em Série Mais Notória dos EUA
e Suas Últimas Palavras Antes da Morte.
Aileen Carol Wuornos (nascida Pittman, em 29
de fevereiro de 1956) é considerada uma das assassinas em série mais infames da
história americana moderna - e a primeira mulher a se encaixar no perfil
clássico de serial killer segundo o FBI.
Entre novembro de 1989 e novembro de 1990,
ela matou sete homens (todos motoristas de meia-idade) na região central da
Flórida, enquanto trabalhava como prostituta nas rodovias interestaduais.
Wuornos atirava nas vítimas à queima-roupa,
roubava seus pertences (carros, dinheiro, objetos pessoais) e abandonava os
corpos em áreas remotas ou à beira da estrada.
Os crimes chocaram os Estados Unidos pela
brutalidade, pela rapidez (apenas 12 meses) e pelo fato de a autora ser uma
mulher - algo raro em casos de assassinos em série motivados por assalto e
violência sexual.
Wuornos alegava inicialmente que matava em
legítima defesa, afirmando que os homens tentavam estuprá-la ou agredi-la durante
os encontros pagos. No entanto, em confissões posteriores, ela admitiu ter
agido com frieza e premeditação em vários casos.
Principais vítimas e cronologia dos
assassinatos
30 de novembro de 1989: Richard Mallory (51
anos), dono de uma loja de eletrônicos. Corpo encontrado baleado várias vezes.
1º de junho de 1990: David Spears (43 anos),
trabalhador da construção. Encontrado nu e com múltiplos tiros.
Julho de 1990: Charles Carskaddon (40 anos),
baleado nove vezes.
4 de agosto de 1990: Troy Burress (50 anos),
vendedor.
11 de setembro de 1990: Charles “Dick”
Humphreys (56 anos), oficial aposentado.
19 de novembro de 1990: Walter Gino Antônio
(60 anos), policial aposentado.
Peter Siems (cerca de 65 anos): Desaparecido
em junho de 1990; corpo nunca encontrado, mas Wuornos confessou o crime.
Ela foi presa em janeiro de 1991 após
testemunhas ligarem seu rosto a um carro roubado de uma das vítimas. Sua
parceira, Tyria Moore, cooperou com a polícia e ajudou a obter confissões
gravadas por telefone. Wuornos foi condenada em seis dos sete assassinatos
(recebeu seis sentenças de morte) e passou mais de dez anos no corredor da
morte na Flórida.
As Últimas 24 Horas: Do Isolamento à Execução
Nos dias que antecederam a data marcada para
a execução, Wuornos (então com 46 anos) estava detida na Florida State Prison,
em Raiford/Starke. Em 30 de setembro de 2002, o governador Jeb Bush concedeu
uma suspensão temporária para avaliar sua saúde mental, mas exames
psiquiátricos de três especialistas concluíram que ela era competente para ser
executada.
Nas últimas 24 horas (8 a 9 de outubro de
2002), Wuornos permaneceu em uma cela especial de observação. Ela recusou a
oferta de uma última refeição elaborada (o limite era de US$ 20), optando
apenas por uma xícara simples de café preto.
Não comeu nada sólido. Na manhã de 9 de
outubro de 2002, por volta das 9h30, ela foi levada à câmara de execução.
Deitada em uma maca de aço inoxidável, com as cortinas marrons da sala se
abrindo para as testemunhas, Wuornos exibiu um sorriso com dentes faltando
antes de falar.
Quando perguntada se queria fazer uma
declaração final, ela proferiu palavras enigmáticas e desconexas, misturando
referências religiosas, ficção científica e filmes:
“Sim, eu gostaria de dizer que estou
navegando com a rocha (‘sailing with the rock’), e eu voltarei, como em
Independence Day, com Jesus, 6 de junho, como no filme. A grande nave-mãe e
tudo mais. Eu voltarei, eu voltarei.”
As frases fazem alusão ao filme Independence
Day (1996), com a “mothership” (nave-mãe alienígena), e possivelmente a O
Exterminador do Futuro (“I’ll be back”).
Muitos interpretaram isso como sinal de
delírio ou instabilidade mental, embora os psiquiatras a tivessem considerado
competente. Após as palavras, o procedimento começou: injeção letal com uma sequência
de três drogas (tiopental sódico para sedação, brometo de pancurônio para
paralisia muscular e cloreto de potássio para parar o coração).
Wuornos piscou, engoliu em seco, ofegou,
fechou os olhos e abriu a boca como se fosse falar algo mais. Às 9h47, ela foi
declarada morta. Wuornos foi a décima mulher executada nos EUA desde a retomada
da pena de morte em 1976, e a segunda na Flórida.
Legado e polêmicas
O caso de Aileen Wuornos continua gerando
debates: trauma infantil extremo (abuso sexual, abandono, prostituição desde a
adolescência), questões de saúde mental (ela alegava ouvir vozes e sofrer de
paranoia), sexismo na cobertura midiática e a questão de se suas mortes foram
realmente premeditadas ou reações a violência.
Documentários como os de Nick Broomfield e o
filme Monster (2003, com Charlize Theron no papel principal, ganhador do Oscar)
ajudaram a eternizar sua história. Aileen Wuornos morreu insistindo que
“voltaria” - mas seu corpo foi cremado e as cinzas entregues a uma amiga de
infância.
Seu nome permanece como sinônimo de uma das
assassinas mais controversas e trágicas da criminologia americana.
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