Propaganda

domingo, janeiro 18, 2026

Nos Banheiros da Roma Antiga



Na Roma Antiga, a higiene pessoal ocupava um lugar de grande importância no cotidiano da população. Por essa razão, os governantes investiram na construção de numerosos balneários públicos, espaços amplos e sofisticados onde homens e mulheres, em horários distintos, tomavam longos banhos coletivos.

Esses locais não eram apenas destinados à limpeza do corpo, mas também funcionavam como centros de convivência social, lazer e até negócios. Entretanto, quando se tratava da eliminação de resíduos corporais, a situação era bem diferente.

Inicialmente, muitas pessoas utilizavam vasilhas domésticas, descartando seu conteúdo em terrenos baldios, ruas ou cursos d’água. Outros simplesmente faziam suas necessidades no mato, o que contribuía para a sujeira, o mau cheiro e a proliferação de doenças dentro da cidade.



Com o crescimento urbano e o agravamento desses problemas, o governo romano passou a se preocupar mais seriamente com a limpeza e a salubridade urbana.

Assim, durante o período republicano (509–27 a.C.), surgiram os primeiros banheiros públicos, conhecidos como latrinae. Diferentemente dos balneários, esses espaços eram destinados exclusivamente à micção e à defecação.

A latrina pública consistia, em geral, em uma longa bancada de pedra com diversos orifícios alinhados, sobre os quais as pessoas se sentavam para realizar suas necessidades.

Nas construções mais avançadas para a época, havia um engenhoso sistema hidráulico: um fluxo contínuo de água corria sob os assentos, conduzindo os dejetos para os esgotos, frequentemente ligados à famosa Cloaca Máxima, uma das maiores obras de engenharia sanitária do mundo antigo.

Havia, sim, separação entre banheiros masculinos e femininos, mas a noção de privacidade praticamente não existia. Homens e mulheres faziam suas necessidades diante de outras pessoas, conversando naturalmente.

 


As latrinas tornaram-se, assim, espaços de sociabilidade inesperada: ali se discutiam acontecimentos políticos, fofocas do dia, combinavam-se jantares, encontros e até negócios. Em alguns casos, especialmente entre as mulheres, aproveitava-se o tempo para pequenos trabalhos manuais, como bordados.

Esses locais eram mantidos por escravos e escravas, responsáveis pela limpeza e pela manutenção básica. Também auxiliavam os usuários com utensílios de higiene, entre eles a famosa tersorium: uma esponja presa a um cabo, utilizada para limpeza íntima e compartilhada por todos.

Doenças e riscos à saúde

Apesar de representarem um avanço em termos de organização urbana, as latrinas estavam longe de serem ambientes saudáveis. Eram geralmente úmidas, escuras e mal ventiladas, o que favorecia o surgimento de ratos, insetos e outros animais que, não raramente, mordiam ou picavam as nádegas e as pernas dos usuários.

Além disso, o acúmulo de gases como o metano nos esgotos chegou, em alguns relatos, a provocar pequenas chamas ou explosões ocasionais, aumentando ainda mais o temor em torno desses espaços.



O uso compartilhado das esponjas de limpeza contribuía significativamente para a disseminação de bactérias e parasitas, podendo favorecer doenças graves, como a febre tifoide, infecções intestinais e outras enfermidades transmitidas por contaminação fecal. Some-se a isso o contato constante com o ambiente do esgoto, onde não era raro sofrer mordidas ou picadas de animais que ali habitavam.

Assim, as latrinas romanas simbolizam um paradoxo da civilização antiga: ao mesmo tempo em que revelam o alto nível de engenharia, organização urbana e vida social dos romanos, também expõem os limites do conhecimento sanitário da época e os riscos cotidianos enfrentados por uma população que buscava, à sua maneira, conciliar convivência, higiene e sobrevivência.


0 Comentários: