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segunda-feira, janeiro 19, 2026

Oswald Pohl



Oswald Pohl: o Administrador do Sistema de Extermínio Nazista

Oswald Ludwig Pohl nasceu em 30 de junho de 1892, na cidade alemã de Duisburg. Tornou-se um dos mais importantes oficiais da Schutzstaffel (SS), desempenhando papel central no funcionamento do sistema de campos de concentração e extermínio do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora não atuasse diretamente como carrasco, Pohl foi o principal responsável pelo controle administrativo, financeiro e econômico desses campos, organizando a exploração sistemática da mão de obra forçada e viabilizando, do ponto de vista logístico e burocrático, o assassinato em massa de milhões de judeus e outros grupos perseguidos pelo Terceiro Reich.

Após concluir a escola secundária em 1912, Pohl ingressou na Marinha Imperial Alemã, onde serviu durante a Primeira Guerra Mundial, atuando no Mar Báltico e na costa de Flandres.

Com a derrota alemã em 1918 e o colapso do Império, a Alemanha mergulhou em uma profunda crise política, econômica e social, cenário que favoreceu o surgimento de movimentos nacionalistas radicais.

No período pós-guerra, Pohl iniciou estudos em comércio e direito, mas abandonou a universidade para integrar os Freikorps, corpos paramilitares formados por veteranos de guerra e voluntários armados, frequentemente envolvidos na repressão violenta de movimentos socialistas e comunistas.

Essas experiências contribuíram para a radicalização política de Pohl e para sua futura adesão ao nacional-socialismo. Em Berlim, foi aceito na nova marinha alemã do pós-guerra e posteriormente transferido para a Polônia.

Em 1925, tornou-se membro das SA (Sturmabteilung), a milícia paramilitar do Partido Nazista, filiando-se formalmente ao NSDAP no ano seguinte. Sua ascensão foi rápida, impulsionada por sua habilidade administrativa e por sua lealdade ideológica.

O ponto decisivo de sua carreira ocorreu em 1933, quando conheceu Heinrich Himmler, líder da SS. Tornando-se um de seus protegidos, Pohl foi nomeado chefe do departamento administrativo do escritório do Reichsführer-SS.

Em 1934, recebeu a patente de SS-Standartenführer, passando a atuar diretamente no planejamento, organização e financiamento dos campos de concentração.

A partir de 1935, Pohl passou a supervisionar o sistema de campos, consolidando sua influência. Em 1939, assumiu o comando dos principais departamentos responsáveis pela construção, administração, orçamento e exploração econômica dos campos.

Sob sua direção, os prisioneiros passaram a ser tratados como recursos econômicos, sendo distribuídos conforme a demanda de trabalho forçado e até mesmo “alugados” a empresas privadas e projetos do Estado nazista.

O campo de Mauthausen tornou-se um dos exemplos mais brutais dessa política, com taxas de mortalidade extremamente elevadas.

Em 1942, Pohl foi promovido a SS-Obergruppenführer e general das Waffen-SS, alcançando um dos mais altos postos da hierarquia nazista. Dois anos depois, tornou-se o chefe administrativo das próprias Waffen-SS, ampliando ainda mais seu poder dentro do regime.

Nesse período, esteve à frente do WVHA (Escritório Central Econômico-Administrativo da SS), órgão diretamente ligado à implementação da chamada “Solução Final”.

Com o colapso do Terceiro Reich em 1945, Pohl fugiu e escondeu-se inicialmente na Baviera, depois nos subúrbios de Bremen. Foi localizado e preso pelas forças britânicas em 27 de maio de 1946.

No ano seguinte, foi levado a julgamento por um tribunal militar norte-americano, no chamado Julgamento de Pohl, um dos processos subsequentes aos Julgamentos de Nuremberg.

Pohl foi condenado à morte por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e assassinato em massa, devido à sua responsabilidade administrativa direta sobre os campos de concentração e extermínio.

A defesa sustentou que ele seria apenas um “funcionário técnico”, argumento rejeitado pelo tribunal, que considerou sua atuação essencial para o funcionamento do sistema genocida.

A execução, no entanto, não ocorreu imediatamente. Pohl apresentou diversos recursos legais e pedidos de clemência, inclusive apelos de caráter humanitário e religioso.

Após ter se afastado da Igreja Católica em 1935, reconciliou-se com ela durante o período de prisão, buscando apoio espiritual e institucional para evitar a pena capital.

Todas as apelações foram negadas. Em 7 de junho de 1951, Oswald Pohl foi enforcado na prisão de Landsberg, local onde outros criminosos nazistas também cumpriram suas sentenças.

Até o fim, insistiu em sua inocência, afirmando ter sido apenas um administrador obediente às ordens do Estado. A história de Oswald Pohl evidencia como o genocídio nazista não foi apenas obra de assassinos diretos, mas também de burocratas eficientes, que transformaram o extermínio humano em um sistema organizado, racionalizado e economicamente explorado.

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