Oswald Pohl: o Administrador do Sistema de Extermínio Nazista
Oswald Ludwig Pohl nasceu em 30 de junho de
1892, na cidade alemã de Duisburg. Tornou-se um dos mais importantes oficiais
da Schutzstaffel (SS), desempenhando papel central no funcionamento do sistema
de campos de concentração e extermínio do regime nazista durante a Segunda
Guerra Mundial.
Embora não atuasse diretamente como carrasco,
Pohl foi o principal responsável pelo controle administrativo, financeiro e
econômico desses campos, organizando a exploração sistemática da mão de obra
forçada e viabilizando, do ponto de vista logístico e burocrático, o
assassinato em massa de milhões de judeus e outros grupos perseguidos pelo
Terceiro Reich.
Após concluir a escola secundária em 1912,
Pohl ingressou na Marinha Imperial Alemã, onde serviu durante a Primeira Guerra
Mundial, atuando no Mar Báltico e na costa de Flandres.
Com a derrota alemã em 1918 e o colapso do
Império, a Alemanha mergulhou em uma profunda crise política, econômica e
social, cenário que favoreceu o surgimento de movimentos nacionalistas
radicais.
No período pós-guerra, Pohl iniciou estudos
em comércio e direito, mas abandonou a universidade para integrar os Freikorps,
corpos paramilitares formados por veteranos de guerra e voluntários armados,
frequentemente envolvidos na repressão violenta de movimentos socialistas e
comunistas.
Essas experiências contribuíram para a
radicalização política de Pohl e para sua futura adesão ao nacional-socialismo.
Em Berlim, foi aceito na nova marinha alemã do pós-guerra e posteriormente
transferido para a Polônia.
Em 1925, tornou-se membro das SA
(Sturmabteilung), a milícia paramilitar do Partido Nazista, filiando-se
formalmente ao NSDAP no ano seguinte. Sua ascensão foi rápida, impulsionada por
sua habilidade administrativa e por sua lealdade ideológica.
O ponto decisivo de sua carreira ocorreu em 1933,
quando conheceu Heinrich Himmler, líder da SS. Tornando-se um de seus
protegidos, Pohl foi nomeado chefe do departamento administrativo do escritório
do Reichsführer-SS.
Em 1934, recebeu a patente de SS-Standartenführer,
passando a atuar diretamente no planejamento, organização e financiamento dos
campos de concentração.
A partir de 1935, Pohl passou a supervisionar
o sistema de campos, consolidando sua influência. Em 1939, assumiu o comando
dos principais departamentos responsáveis pela construção, administração,
orçamento e exploração econômica dos campos.
Sob sua direção, os prisioneiros passaram a
ser tratados como recursos econômicos, sendo distribuídos conforme a demanda de
trabalho forçado e até mesmo “alugados” a empresas privadas e projetos do
Estado nazista.
O campo de Mauthausen tornou-se um dos
exemplos mais brutais dessa política, com taxas de mortalidade extremamente
elevadas.
Em 1942, Pohl foi promovido a SS-Obergruppenführer
e general das Waffen-SS, alcançando um dos mais altos postos da hierarquia
nazista. Dois anos depois, tornou-se o chefe administrativo das próprias
Waffen-SS, ampliando ainda mais seu poder dentro do regime.
Nesse período, esteve à frente do WVHA
(Escritório Central Econômico-Administrativo da SS), órgão diretamente ligado à
implementação da chamada “Solução Final”.
Com o colapso do Terceiro Reich em 1945, Pohl
fugiu e escondeu-se inicialmente na Baviera, depois nos subúrbios de Bremen.
Foi localizado e preso pelas forças britânicas em 27 de maio de 1946.
No ano seguinte, foi levado a julgamento por
um tribunal militar norte-americano, no chamado Julgamento de Pohl, um dos
processos subsequentes aos Julgamentos de Nuremberg.
Pohl foi condenado à morte por crimes de
guerra, crimes contra a humanidade e assassinato em massa, devido à sua
responsabilidade administrativa direta sobre os campos de concentração e
extermínio.
A defesa sustentou que ele seria apenas um
“funcionário técnico”, argumento rejeitado pelo tribunal, que considerou sua
atuação essencial para o funcionamento do sistema genocida.
A execução, no entanto, não ocorreu
imediatamente. Pohl apresentou diversos recursos legais e pedidos de clemência,
inclusive apelos de caráter humanitário e religioso.
Após ter se afastado da Igreja Católica em
1935, reconciliou-se com ela durante o período de prisão, buscando apoio
espiritual e institucional para evitar a pena capital.
Todas as apelações foram negadas. Em 7 de
junho de 1951, Oswald Pohl foi enforcado na prisão de Landsberg, local onde
outros criminosos nazistas também cumpriram suas sentenças.
Até o fim, insistiu em sua inocência, afirmando ter sido apenas um administrador obediente às ordens do Estado. A história de Oswald Pohl evidencia como o genocídio nazista não foi apenas obra de assassinos diretos, mas também de burocratas eficientes, que transformaram o extermínio humano em um sistema organizado, racionalizado e economicamente explorado.









0 Comentários:
Postar um comentário