Propaganda

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Os hipócritas

 


Em 1986, durante a Copa do Mundo do México, Diego Maradona entrou em campo vestindo uma camisa com a frase “Não às drogas”. No mesmo período, Michel Platini, outro ícone do futebol mundial, apareceu com uma mensagem igualmente contundente: “Não à corrupção”. As imagens correram o mundo e foram celebradas como exemplos de consciência social por parte de grandes atletas.

O tempo, porém, tratou de desmontar essas narrativas. Anos depois, Maradona travou uma longa e pública batalha contra a dependência química, chegando a sofrer overdoses que quase lhe custaram a vida. Platini, por sua vez, acabou envolvido em escândalos administrativos e foi investigado, julgado e punido por irregularidades ligadas à corrupção no futebol, manchando uma reputação antes considerada exemplar.

E Pelé? O maior nome da história do futebol não estampou slogans em camisetas. No encerramento de sua carreira profissional, fez um discurso emocionado pedindo que o mundo cuidasse melhor das crianças, defendendo um futuro mais justo e humano.

No entanto, anos depois, sua vida pessoal entrou em contradição com esse discurso quando se recusou, por longo tempo, a reconhecer publicamente uma filha legítima, obrigando-a a recorrer à Justiça.

Esses episódios não anulam o talento esportivo de nenhum deles, nem apagam suas conquistas dentro de campo. Maradona, Platini e Pelé foram gênios da bola, cada um à sua maneira.

O problema surge quando se tenta transformá-los em referências morais absolutas, como se habilidade esportiva fosse sinônimo de virtude ética.

A moral da história é simples e desconfortável: o ser humano é contraditório, falho e, muitas vezes, hipócrita. Ídolos também erram, às vezes de forma grave. Por isso, talvez seja mais saudável admirar o atleta pelo que ele faz no esporte - e apenas por isso.

Um craque do futebol é, no fim das contas, apenas um craque do futebol, não um guia moral para a vida.

0 Comentários: