Em 1986, durante a Copa do Mundo do México,
Diego Maradona entrou em campo vestindo uma camisa com a frase “Não às drogas”. No mesmo período, Michel
Platini, outro ícone do futebol mundial, apareceu com uma mensagem igualmente
contundente: “Não à corrupção”. As imagens correram o
mundo e foram celebradas como exemplos de consciência social por parte de
grandes atletas.
O tempo, porém,
tratou de desmontar essas narrativas. Anos depois, Maradona travou uma longa e
pública batalha contra a dependência química, chegando a sofrer overdoses que
quase lhe custaram a vida. Platini, por sua vez, acabou envolvido em escândalos
administrativos e foi investigado, julgado e punido por irregularidades ligadas
à corrupção no futebol, manchando uma reputação antes considerada exemplar.
E Pelé? O maior
nome da história do futebol não estampou slogans em camisetas. No encerramento
de sua carreira profissional, fez um discurso emocionado pedindo que o mundo
cuidasse melhor das crianças, defendendo um futuro mais justo e humano.
No entanto, anos depois, sua vida pessoal
entrou em contradição com esse discurso quando se recusou, por longo tempo, a
reconhecer publicamente uma filha legítima, obrigando-a a recorrer à Justiça.
Esses episódios
não anulam o talento esportivo de nenhum deles, nem apagam suas conquistas
dentro de campo. Maradona, Platini e Pelé foram gênios da bola, cada um à sua
maneira.
O problema surge quando se tenta
transformá-los em referências morais absolutas, como se habilidade esportiva
fosse sinônimo de virtude ética.
A moral da história é simples e
desconfortável: o ser humano é contraditório, falho e,
muitas vezes, hipócrita. Ídolos também erram, às vezes de forma
grave. Por isso, talvez seja mais saudável admirar o atleta pelo que ele faz no
esporte - e apenas por isso.
Um craque do futebol é, no fim das contas, apenas um craque do futebol, não um guia moral para a vida.
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