Para compreendermos essa
questão, é necessário começar por uma pergunta fundamental: o que é uma seita?
O Dicionário Aurélio -
Século XXI define, entre outras acepções, seita como uma “comunidade
fechada, de cunho radical”. Essa definição, embora simples, fornece um ponto de
partida importante para a análise de determinados movimentos religiosos contemporâneos.
Ao tratar especificamente das
Testemunhas de Jeová, a própria revista A Sentinela, edição de 15 de
fevereiro de 1994, levanta a seguinte indagação:
“São as Testemunhas de Jeová uma seita?”
E prossegue afirmando que membros de seitas, com frequência, se isolam da família, dos amigos e até da sociedade em geral. A pergunta então se impõe: isso ocorre com as Testemunhas de Jeová? Deixemos que a própria organização responda por meio de suas publicações oficiais.
Isolamento da família e dos amigos
“Ainda há aqueles que pensam
que podem permitir a si mesmos buscar associação com amigos ou familiares
mundanos para entretenimento”
(A Sentinela, 15 de fevereiro de 1960 - edição em inglês).
Isolamento da sociedade
“Não deve haver nenhuma
parceria, nenhuma associação, nenhuma parte, nenhuma partilha com incrédulos.
Por outras palavras, nenhuma associação com eles...”
(A Sentinela, mesma
edição).
Isolamento de quem discorda
“Não queremos confraternizar
com pecadores deliberados, porque não temos nada em comum com eles.”
(A Sentinela, 15 de
março de 1996).
Essas declarações demonstram
um padrão claro de separação sistemática, não apenas do mundo exterior, mas
também de qualquer pessoa que não compartilhe integralmente da visão da
organização.
Radicalismo e hostilidade aos dissidentes
Como são tratados aqueles que
abandonam a organização ou passam a discordar de seus ensinos?
“Nunca os receba em seu lar
nem os cumprimente... Estas são palavras enfáticas, orientações claras.”
(A Sentinela, 15 de
março de 1986, p. 13).
Mais adiante, a própria
revista legitima esse comportamento com base em uma interpretação bíblica:
“Queremos ter a lealdade que o
rei Davi evidenciou ao dizer: ‘Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó
Jeová? Odeio-os com ódio consumado...’”
(A Sentinela, 15 de
março de 1996, p. 16).
Diante disso, surge uma
pergunta inevitável: esse ensinamento promove amor ou fomenta o ódio?
A contradição evidente
A hipocrisia torna-se ainda
mais evidente quando se compara tais declarações com outras publicações da
própria organização:
“É verdade que as pessoas
talvez discordem veementemente entre si nas suas crenças religiosas, mas não
existe base para odiar uma pessoa só porque ela tem um ponto de vista
diferente...”
(O Homem em Busca de Deus,
p. 10).
Se não há base para o ódio, por
que então ensinar o afastamento, a rejeição e até o desprezo por aqueles que
pensam diferente ou que deixaram a organização?
Outra publicação reforça essa incoerência:
“Não tem sido culpada de
representar uma farsa por dizerem ‘amamos a Deus’ ao passo que odeiam seus
irmãos de outra nacionalidade, tribo ou raça.”
(Poderá Viver Para Sempre
no Paraíso na Terra, pp. 189–190).
À luz dessas próprias palavras,
é legítimo questionar: o que foi apresentado até aqui pode realmente ser
chamado de amor cristão?
Consequências práticas na vida dos adeptos
Não é necessário recorrer
apenas à literatura para perceber os efeitos desse sistema de crenças. Basta
observar a vida cotidiana de um membro das Testemunhas de Jeová. Eles são
proibidos de receber transfusões de sangue, mesmo em situações de risco de
vida; não participam de celebrações amplamente aceitas na sociedade, como
Natal, Ano Novo ou aniversários; recusam-se a prestar serviço militar e afirmam
ser a única religião verdadeira.
Esses elementos revelam um
conjunto de práticas que reforçam o isolamento social, a obediência irrestrita
à organização e uma visão exclusiva da verdade religiosa. Diante disso, a pergunta
final é inevitável: você estaria disposto a viver sob tais restrições e sob
constante vigilância doutrinária?
Conclusão
À luz das definições
apresentadas, das próprias declarações oficiais da organização e das
consequências práticas impostas aos seus membros, torna-se difícil negar que as
Testemunhas de Jeová se enquadram no conceito de uma seita de cunho radical.
Como tal, devem ser analisadas com cautela e discernimento.
O próprio Jesus advertiu:
“Acautelai-vos dos falsos
profetas.”
Essa advertência permanece atual e serve como um chamado à reflexão crítica diante de qualquer sistema religioso que, em nome de Deus, promova o medo, a exclusão e a ruptura dos laços humanos mais básicos.








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