“Amamos a vida não porque estamos acostumados
a viver, mas porque estamos acostumados a amar. Há sempre alguma loucura no
amor. Mas há sempre também alguma razão na loucura.”
- Friedrich Nietzsche
Essa frase belíssima captura uma das ideias
mais profundas do filósofo sobre a existência humana: o amor não é apenas um
acidente ou um hábito da vida, ele é o que dá sentido e vigor à própria vida.
Não amamos a existência simplesmente por
estarmos nela há anos, por rotina ou por inércia biológica. Amamos a vida
porque o ato de amar - seja a uma pessoa, uma causa, uma arte, um ideal ou o
próprio mistério do existir - nos torna capazes de afirmar a vida com entusiasmo,
mesmo diante de suas dores e contradições.
Nietzsche sugere que o amor carrega
inevitavelmente um elemento de loucura, ele nos faz exagerar, idealizar,
arriscar, perder a medida, ignorar cálculos frios de conveniência.
Quem ama de verdade frequentemente age de
modo que, aos olhos da razão estreita e utilitária, parece absurdo ou
imprudente. No entanto, nessa aparente desrazão há uma sabedoria mais profunda:
a loucura do amor muitas vezes revela verdades que a pura racionalidade não
alcança.
Ela nos conecta ao instinto vital, à força
dionisíaca que impulsiona a criação, a superação e a afirmação do mundo tal
como ele é, belo e cruel ao mesmo tempo.
Em um mundo cada vez mais calculista e
controlado - especialmente nestes tempos de algoritmos, métricas de produtividade
e relacionamentos “otimizados” -, essa frase de Nietzsche soa quase como um
manifesto de resistência.
Ela nos lembra que o que realmente nos mantém
vivos não é a segurança, a previsibilidade ou o conforto, mas a capacidade de
nos entregarmos a algo maior que nós mesmos - mesmo que isso envolva um pouco
de desatino.
E você, já sentiu essa loucura razoável em algum momento da sua vida? Aquele instante em que o coração gritou mais alto que qualquer argumento sensato? Nietzsche diria que, nesses momentos, estamos mais próximos daquilo que realmente vale a pena ser chamado de “viver”.









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