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quarta-feira, janeiro 28, 2026

Coerência




Persistência inteligente: o segredo não é só continuar, mas continuar no caminho certo.

Se você persiste muito e, mesmo assim, não obtém sucesso, pergunte-se: estou persistindo em algo coerente? Estou agindo no lugar certo, no momento certo e com a abordagem adequada?

Imagine tentar vender cobertores no planeta Mercúrio, onde as temperaturas chegam a mais de 400 °C durante o dia, ou oferecer refrigeradores nos polos, onde o frio é extremo e constante.

E que tal comercializar galochas no meio do deserto do Saara? Essas ideias não são apenas difíceis: elas são fundamentalmente incoerentes com a realidade do mercado e do ambiente.

Nenhuma quantidade de esforço ou teimosia vai transformar uma oferta inadequada em sucesso sustentável. A persistência cega pode ser uma armadilha. Muitas pessoas gastam anos (e muita energia) defendendo uma ideia que simplesmente não faz sentido no contexto atual.

Antes de dobrar a aposta na força de vontade, faça uma análise honesta da sua oferta: Ela resolve uma dor real das pessoas? Existe demanda genuína no mercado? O preço, o momento e o canal de venda estão alinhados? Você está falando com o público certo?

Se a resposta for “sim” para a maioria dessas perguntas, então persista com inteligência. Ajuste, teste, melhore e continue, porque, como dizia Thomas Edison, o inventor que enfrentou mais de 10 mil tentativas fracassadas até aperfeiçoar a lâmpada incandescente:

“Existe uma maneira de fazer melhor. Encontre-a.”

(There's a way to do it better - find it.) Edison não persistiu apenas repetindo o mesmo erro. Ele usava cada fracasso como dado: eliminava o que não funcionava e refinava o processo.

Sua famosa frase “Não falhei. Apenas descobri 10.000 maneiras que não funcionam” mostra exatamente isso: persistência sem aprendizado é desperdício; persistência com análise e adaptação é o que leva à invenção e ao sucesso duradouro.

Outras citações inspiradoras de Edison que reforçam essa ideia:

“Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo para o sucesso é sempre tentar mais uma vez.”

“Muitos dos fracassos da vida são de pessoas que não perceberam o quão perto estavam do sucesso quando desistiram.”

Portanto, persista, mas persista com sabedoria. Avalie constantemente se o seu esforço está alinhado com a realidade. Se estiver, não pare: refine, experimente e encontre a maneira melhor.

O sucesso raramente vem da teimosia pura; ele nasce da persistência inteligente aliada à capacidade de aprender com cada obstáculo. E você, já parou para analisar se o que está perseguindo hoje é realmente coerente com o contexto?

Às vezes, o maior ato de coragem não é continuar no mesmo caminho, é ter a humildade de mudar de rota quando necessário.

terça-feira, janeiro 27, 2026

Jim Jones


 

James Warren “Jim” Jones nasceu em 13 de maio de 1931, no condado de Randolph, estado de Indiana, Estados Unidos. Tornou-se conhecido como fundador e líder da seita religiosa Templo dos Povos (Peoples Temple), responsável por um dos episódios mais chocantes do século XX: o assassinato-suicídio em massa ocorrido em novembro de 1978, na comunidade de Jonestown, na Guiana, que resultou na morte de 918 pessoas, entre elas mais de 300 crianças.

O episódio incluiu ainda o assassinato do congressista norte-americano Leo Ryan e de outras quatro pessoas, em Port Kaituma, Georgetown. A maioria das vítimas morreu por envenenamento com cianeto, administrado de forma coercitiva.

Jim Jones foi encontrado morto com um ferimento de bala na cabeça; embora não tenha havido testemunhas diretas, a versão mais aceita é a de suicídio.

Jim Jones nasceu em Creta, uma pequena cidade rural de Indiana. Era filho de James Thurman Jones (1887-1951), veterano da Primeira Guerra Mundial, e de Lynetta Putnam Jones (1902-1977), uma mulher profundamente religiosa que acreditava ter dado à luz alguém destinado a uma missão especial.

Jones afirmava ter ascendência indígena cherokee por parte materna, mas essa alegação jamais foi comprovada. Sua infância transcorreu durante a Grande Depressão, em um ambiente de pobreza e instabilidade familiar.

Em 1934, a família mudou-se para a região de Lynn, e, após a separação dos pais, Jim passou a viver com a mãe em Richmond, onde concluiu seus estudos em 1948.

Desde cedo, Jones demonstrou interesse intenso por religião, política e liderança social. Ainda jovem, leu avidamente obras sobre marxismo, socialismo e direitos civis. Admirava figuras como Paul Robeson, ativista negro e artista engajado, e apoiou a candidatura progressista de Henry A. Wallace à presidência dos Estados Unidos, em 1948.

Em 1949, casou-se com Marceline Baldwin, enfermeira que o acompanharia durante a ascensão do Templo dos Povos. O casal mudou-se para Indianápolis em 1951. Jones ingressou em um seminário metodista em 1952, mas foi afastado por defender abertamente a integração racial. Em seguida, teve contato com outros grupos religiosos, buscando uma síntese entre fé cristã e ação política.

Criação do Templo dos Povos

Em 1954, Jones fundou sua própria igreja em uma área racialmente integrada de Indianápolis. Após diversas mudanças de nome, a organização passou a chamar-se oficialmente Peoples Temple Christian Church Full Gospel, em 1959.

Nos primeiros anos, o Templo ganhou reconhecimento por sua atuação contra a segregação racial. Jones organizou campanhas para integrar restaurantes, hospitais e serviços públicos, o que lhe rendeu apoio político e atenção da imprensa local.

Em 1960, foi nomeado pelo prefeito Charles Boswell como diretor da Comissão de Direitos Humanos da cidade. Apesar disso, conflitos surgiram rapidamente. Jones passou a ser visto como uma figura controversa, acusado tanto de radicalismo político quanto de autoritarismo interno.

A “Família Arco-Íris”

Jim e Marceline Jones promoveram a adoção inter-racial como símbolo de igualdade e justiça social. Em 1954, adotaram Agnes, uma menina nativa americana. Nos anos seguintes, o casal adotou órfãos de guerra coreanos, uma criança afro-americana, a primeira a ser legalmente adotada por um casal branco em Indiana, e uma criança branca. O único filho biológico do casal foi Stephen Gandhi Jones.

Essa chamada “Família Arco-Íris” tornou-se uma vitrine pública do Templo, reforçando a imagem progressista de Jones. No entanto, ex-membros mais tarde relataram que muitas dessas ações eram utilizadas como instrumentos de propaganda e controle emocional.

Passagem pelo Brasil

A obsessão de Jones com a possibilidade de uma guerra nuclear marcou profundamente suas decisões. Em 1961, após discursos apocalípticos e a publicação de um artigo na revista Esquire que citava Belo Horizonte como um possível refúgio seguro, Jones decidiu viajar ao Brasil com a família.

Entre 1962 e 1963, viveu em Belo Horizonte e, posteriormente, no Rio de Janeiro, onde teve contato com comunidades pobres e explorou o sincretismo religioso local. Embora simpatizante do socialismo, Jones evitava se apresentar como comunista, preferindo falar em “vida comunitária apostólica”.

A experiência brasileira foi marcada por dificuldades financeiras, barreiras linguísticas e crescente instabilidade emocional. Ao saber que o Templo nos Estados Unidos corria risco de colapso sem sua presença, Jones retornou ao país.

Expansão na Califórnia

Em 1965, Jones iniciou a transferência da comunidade para Ukiah, na Califórnia. Na década seguinte, o Templo estabeleceu sedes em San Francisco e Los Angeles, tornando-se uma organização de grande visibilidade política e social.

Na primeira metade dos anos 1970, o Templo chegou a reunir cerca de 3 mil membros, majoritariamente afro-americanos de baixa renda. Jones construiu alianças com políticos, sindicatos e líderes comunitários. Paralelamente, aumentavam os relatos de abusos internos, controle psicológico e punições públicas.

Jonestown e o colapso final

Em 1974, o Templo arrendou terras na Guiana, próximo a Port Kaituma, onde criou o chamado Projeto Agrícola, conhecido como Jonestown. A comunidade começou a ser ocupada em 1977 e rapidamente tornou-se superpovoada, com condições precárias de alimentação, trabalho forçado, vigilância constante e isolamento total.

Jones passou a adotar um discurso cada vez mais paranoico, descrevendo o governo dos Estados Unidos como fascista e inimigo mortal da comunidade. Simulações de suicídio coletivo, chamadas de white nights, tornaram-se frequentes.

Após denúncias de ex-integrantes, o congressista Leo Ryan visitou Jonestown em novembro de 1978. Ao tentar deixar o local com desertores, Ryan e outras quatro pessoas foram assassinados por membros do Templo.

Poucas horas depois, Jones ordenou o envenenamento coletivo. 909 pessoas morreram em Jonestown, incluindo 304 crianças. O episódio foi registrado em uma gravação de áudio de 45 minutos, posteriormente recuperada pelo FBI.

Legado e significado histórico

A tragédia de Jonestown representou, até 2001, o maior número de civis norte-americanos mortos em um único ato deliberado. O caso tornou-se um marco no estudo de seitas, liderança carismática, manipulação psicológica e obediência extrema.

Jim Jones permanece como um símbolo sombrio de como discursos de justiça social, quando associados ao autoritarismo, à paranoia e ao culto à personalidade, podem resultar em violência extrema e destruição coletiva.

Jakobus Onnen e "O Último Judeu de Vinnytsia"


 

Jakobus Onnen nasceu em 3 de agosto de 1906. Foi um professor escolar alemão que se filiou ao Partido Nazista (NSDAP) em 1º de novembro de 1931, sob o número de filiação 723.098.

Àquela altura, o partido ainda era uma força política minoritária na República de Weimar, mas já exercia forte atração sobre setores radicalizados da sociedade alemã, incluindo professores, funcionários públicos e intelectuais que viam no nazismo uma promessa de ordem, estabilidade e redenção nacional diante da crise econômica, do desemprego e da humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes.

Nascido na região da Frísia Oriental, provavelmente em ou nas proximidades de Tichelwarf, uma pequena localidade rural, Onnen atuava como professor primário antes da ascensão de Adolf Hitler ao poder.

Como muitos educadores de sua geração, estava inserido em um sistema escolar pressionado por mudanças ideológicas profundas, no qual a neutralidade pedagógica foi rapidamente substituída por exigências de lealdade política.

Após 1933, com a consolidação do regime nazista, o sistema educacional alemão foi progressivamente “nazificado”. Professores passaram a ser instrumentos de doutrinação, responsáveis por incutir valores raciais, nacionalistas e antissemitas nas crianças e nos jovens.

Muitos se adaptaram por medo ou conveniência; outros, como Onnen, foram além da mera conformidade administrativa.

Onnen ingressou na Schutzstaffel (SS), a organização paramilitar de elite do regime, e acabou servindo em uma unidade móvel de extermínio, as chamadas Einsatzgruppen, responsáveis por assassinatos em massa nos territórios ocupados do Leste Europeu.

Essas unidades seguiam o avanço do exército alemão, executando judeus, ciganos, comissários políticos soviéticos e outros grupos considerados “inimigos do Reich”, geralmente por meio de fuzilamentos coletivos à beira de valas comuns.

Seu nome ganhou notoriedade apenas décadas depois, em 2025, quando historiadores, com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, conseguiram identificar o executor presente em uma das fotografias mais conhecidas e perturbadoras do Holocausto: a imagem intitulada “O Último Judeu de Vinnytsia” (The Last Jew in Vinnitsa).

Tirada em 1941, na Ucrânia ocupada pelos nazistas, a fotografia mostra um soldado alemão apontando uma pistola para a cabeça de um homem judeu ajoelhado diante de uma vala repleta de cadáveres.

Por meio da análise facial, do cruzamento de registros militares e de documentos da SS, foi possível confirmar que o homem armado na imagem era Jakobus Onnen, então com cerca de 34 ou 35 anos.

A fotografia, apresentada publicamente pela primeira vez durante o julgamento de Adolf Eichmann, em 1961, tornou-se um símbolo da violência direta e cotidiana do genocídio, um lembrete de que o Holocausto não foi executado apenas por líderes distantes ou burocratas invisíveis, mas também por indivíduos comuns, muitas vezes com formação acadêmica e profissões socialmente respeitadas.

Jakobus Onnen morreu em 12 de agosto de 1943, aos 37 anos, provavelmente em combate ou em circunstâncias relacionadas à guerra. Nunca foi julgado nem responsabilizado judicialmente por sua participação nos crimes de extermínio.

Sua trajetória ilustra de forma exemplar o fenômeno dos chamados “perpetradores ordinários”: homens que não eram monstros no sentido caricatural, mas cidadãos comuns que, movidos por ideologia, ambição, obediência ou conformismo, tornaram-se agentes diretos de atrocidades em massa.

A história de Onnen permanece como um alerta inquietante sobre a facilidade com que a normalidade pode ser corrompida quando a violência é legitimada pelo Estado e a consciência moral é substituída pela obediência cega.

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Fazer Amor!


O mais importante não é a primeira vez que fizemos amor.

A primeira vez é fogo novo: descoberta, tremor, pressa e encanto. É o corpo ainda sem mapa, a curiosidade ardendo na pele, o coração acreditando que tudo começa ali e jamais terminará.

Mas ela logo se torna memória, uma fotografia antiga guardada no fundo da mente, algo que se conta com um sorriso nostálgico, quase sempre mais bonito do que foi.

Ela marca o começo, sim. Mas todo começo vem carregado de promessas que nem sempre se cumprem. O início é generoso com a esperança, pródigo em futuros inventados, indulgente com as imperfeições.

Acreditamos que o amor, só por ter nascido intenso, será eterno. O mais importante, porém, é a última vez.

A última vez não avisa que é a última. Não há placa, nem contagem regressiva, nem despedida solene. Não há música de fundo, nem discurso final. A vida segue banal, distraída, como se o amanhã estivesse garantido.

A gente faz amor como se houvesse tempo. Como se o corpo pudesse repetir cada gesto, cada suspiro, cada olhar que diz aquilo que as palavras nunca conseguem alcançar. É rotina e intimidade misturadas, é o conhecido que já não assusta, mas ainda acolhe.

E, de repente, aquele abraço que parecia igual aos outros vira o último. Aquele beijo, ainda carregado do gosto da rotina, vira o último. A pele que se conhece de cor, de memória e de cansaço, transforma-se em ausência.

A primeira vez virou passado, um capítulo bonito, encerrado. A última vez, não. Ela ainda pulsa. Está na pele que arrepia sozinha quando a lembrança chega sem aviso, no vazio que se instala no peito quando o silêncio da ausência grita.

Está no modo como o corpo trai a razão e revive, sem permissão, cada detalhe daquela noite que não sabia ser fim. Porque o amor raramente termina com palavras duras ou com uma porta batendo.

Muitas vezes ele acaba em silêncio, nas pequenas coisas que deixamos de fazer sem perceber: o último café tomado juntos sem pressa, o último “boa noite” dito sem drama, o último “eu te amo” que soou comum demais para ser reconhecido como adeus.

É exatamente por isso que a última vez pesa mais. Ela carrega todo o não-dito, tudo o que ainda poderíamos ter sido, todos os gestos adiados, todas as conversas que ficaram para depois. Carrega o futuro que evaporou sem alarde, sem escândalo, sem aviso.

Enquanto a primeira vez nos deu a ilusão da eternidade, a última nos entrega sua lição mais cruel e mais humana: nada é para sempre. Ainda assim, aquilo que foi verdadeiro não morre por completo. Fica gravado na alma, insistente, vivo, latejando, mesmo depois que o outro já se foi.

Francisco Silva Sousa

127 Horas de Aron Ralston


Esta imagem de Aron Ralston, isolado no fundo do Cânion Bluejohn, ultrapassa o simples registro de um acidente. Ela se transforma em um retrato cru da mente humana colocada diante do limite absoluto.

Com o braço direito preso sob uma rocha de cerca de 360 quilos, Aron não estava apenas imobilizado fisicamente; encontrava-se confrontado com a possibilidade real da própria finitude.

Nos primeiros momentos, sua reação foi dominada pela lógica e pela esperança racional. Tentou calcular forças, utilizar equipamentos, buscar soluções técnicas. Esse estágio revela um mecanismo psicológico comum: a recusa inicial em aceitar a gravidade da situação.

A mente insiste em acreditar que o controle ainda é possível. No entanto, à medida que as horas se transformaram em dias, essa ilusão começou a se desfazer.

O isolamento extremo teve um impacto profundo. Sem qualquer estímulo externo além do silêncio do cânion, Aron foi obrigado a voltar-se para dentro de si. A ausência de contato humano intensificou memórias, arrependimentos e reflexões sobre escolhas passadas.

Gravando mensagens para a família, ele não apenas se despedia, mas organizava simbolicamente sua própria história, como se precisasse dar sentido à vida antes que ela terminasse.

Nesse ponto, ocorre a virada psicológica mais significativa: a aceitação lúcida da realidade. Aron compreendeu que a espera passiva significaria a morte. A decisão que tomou não nasceu do desespero cego, mas de uma clareza dolorosa.

Ele escolheu a vida, mesmo sabendo que isso exigiria uma atitude extrema. Essa escolha representa um dos atos mais radicais do instinto de sobrevivência humano: a disposição de abrir mão de uma parte de si para preservar o todo.

Do ponto de vista simbólico, a rocha assume um papel poderoso. Ela não é apenas um obstáculo físico, mas a materialização do peso das decisões, do acaso e da vulnerabilidade humana diante da natureza.

O braço preso torna-se o elo entre o passado e o futuro, aquilo que o mantinha imobilizado e, ao mesmo tempo, aquilo que precisava ser deixado para trás para que o movimento fosse possível. Ele então livrou-se do próprio membro para salvar o resto.

Após libertar-se, Aron ainda enfrentou um percurso extenuante até alcançar ajuda, o que reforça que sua maior batalha não terminou ao sair da rocha, mas continuou na resistência mental necessária para seguir adiante.

Sobreviver exigiu não apenas força física, mas uma determinação psicológica rara, alimentada por imagens mentais de reencontro, continuidade e sentido. A experiência de Aron Ralston tornou-se um símbolo contemporâneo da capacidade humana de transformar limites em decisões.

Sua atitude extrema não deve ser lida como glorificação do sofrimento, mas como um testemunho da potência da consciência quando confrontada com o inevitável.

Sua história nos lembra que, diante de certas circunstâncias, viver é escolher, mesmo quando o preço dessa escolha é profundo, irreversível e transformador.

domingo, janeiro 25, 2026

O Amor

 

Você não foi o amor da minha vida, não aquele que permanece em todos os dias, nem o que se instala no tempo como morada definitiva. Também não foi o amor do meu momento exato, aquele que chega quando tudo conspira a favor.

Ainda assim, eu te amei. E continuo amando, mesmo sabendo que o destino nos escreveu em linhas paralelas, próximas o suficiente para se reconhecerem, distantes demais para se encontrarem.

Houve dias em que acreditamos que o acaso poderia ser vencido, que bastaria insistir um pouco mais para que o impossível cedesse. Criamos promessas silenciosas, planos que só existiam no território frágil da imaginação.

Mas a vida, com sua lógica implacável, tratou de nos lembrar que nem todo amor nasce para durar, alguns existem apenas para ensinar. Os acontecimentos nos empurraram para margens opostas: escolhas inadiáveis, tempos desencontrados, silêncios que cresceram onde antes havia palavras.

Não foi falta de sentimento, tampouco ausência de entrega. Foi excesso de realidade. Amamos como se fosse suficiente, mas aprendemos que, às vezes, amar não garante permanência.

Hoje compreendo que certos amores não pedem posse, pedem aceitação. Permanecem não na rotina, mas na memória; não no futuro, mas naquilo que nos transformaram. Você não ficou, mas deixou marcas e, talvez esse seja o modo mais honesto de continuar existindo na vida de alguém.

Assim, sigo em frente com essa certeza agridoce: não fomos, não somos, talvez nunca seremos. Ainda assim, houve amor. E isso, por si só, já foi imenso. Você não foi o amor da minha vida, nem o dos meus dias longos, nem o instante exato em que tudo finalmente se encaixa.

Não foste permanência, nem abrigo. Ainda assim, eu te amei. E te amo, mesmo sabendo que há destinos que se tocam apenas para aprender a se despedir.

Houve um tempo em que acreditamos no quase. Quase nós. Quase para sempre. Vivíamos de promessas não ditas, de olhares que sustentavam mundos inteiros, de planos frágeis que desmoronavam ao primeiro confronto com a realidade.

Amávamos com urgência, como quem sabe que o tempo é curto, mesmo sem admitir. Os acontecimentos chegaram silenciosos, como chegam as coisas definitivas: decisões impostas, caminhos que se bifurcaram, palavras engolidas pelo medo de ferir.

Não foi falta de amor que nos separou, foi o excesso de vida. A vida que exige escolhas duras e não pergunta se o coração está pronto. Aprendi, então, que nem todo amor nasce para permanecer.

Alguns existem para atravessar, como um incêndio breve que ilumina a noite e depois se apaga, deixando o cheiro da fumaça na memória. Você foi esse amor: intenso, verdadeiro, impossível de sustentar no tempo.

Hoje carrego você não como ausência, mas como parte daquilo que me tornei. Porque certos amores não ficam, mas transformam. Não caminham ao nosso lado, mas nos ensinam a andar sozinhos.

E talvez seja esse o sentido mais profundo do amar: aceitar que nem tudo o que é verdadeiro está destinado a durar. Você não foi. Nós não fomos. Ainda assim, houve amor. E isso ninguém nos tira.

Ele quis saber!


Não houve conversão no leito de morte - afirmou Ann Druyan. Não existiu apelo tardio a Deus, nem súplica por milagres, nem conforto buscado na promessa de uma vida após a morte.

Também não houve qualquer fingimento reconfortante de que eles, inseparáveis por vinte anos de amor, parceria intelectual e cumplicidade cotidiana, não estavam se despedindo para sempre.

Diante da pergunta inevitável - ele não quis acreditar? - Ann foi direta, quase dura, como quem defende não apenas a memória do marido, mas a dignidade de uma vida inteira pautada pela honestidade intelectual.

Carl nunca quis “acreditar”, respondeu. E então corrigiu com veemência aquilo que julgava ser um equívoco comum: “Ele quis saber.”

Essa distinção era essencial. Para Carl Sagan, acreditar sem evidências não era consolo, mas renúncia. Sua postura diante da morte foi coerente com tudo o que defendera em vida: a busca incansável pelo conhecimento, a reverência profunda pelo universo real, não por promessas invisíveis, mas pela beleza concreta da existência, ainda que finita.

Nos últimos dias, o que houve entre eles não foi negação, mas lucidez. Não foi desespero, mas aceitação. Houve amor, gratidão e uma consciência serena de que o tempo compartilhado, embora breve diante da vastidão cósmica que Carl tanto amava, havia sido extraordinário.

Eles sabiam que cada átomo que os compunha retornaria ao universo, esse mesmo universo que ele dedicara a vida a compreender e a ensinar.

Ann Druyan não relata esse momento como um vazio espiritual, mas como um testemunho de integridade. Carl Sagan morreu do mesmo modo que viveu: fiel à razão, à curiosidade e à coragem de encarar a realidade sem adornos.

Para ele, não havia necessidade de mitos finais, o assombro diante do cosmos já era, por si só, suficiente. E assim, mesmo diante da morte, permaneceu aquilo que sempre os uniu: não a fé cega, mas o amor pela verdade.

sábado, janeiro 24, 2026

Princípio do fim



 

Esta fotografia captura o instante exato em que uma marmota se dá conta de que seu destino foi selado: à sua frente está uma raposa tibetana, silenciosa, atenta, pronta para o ataque. O olhar da presa, congelado no tempo, traduz um medo primal, aquele que antecede o fim e que atravessa todas as espécies.

A imagem foi registrada no planalto tibetano pelo fotógrafo chinês Yongqing Bao e conquistou o mais prestigioso reconhecimento da fotografia de natureza: o Wildlife Photographer of the Year, concedido pelo Museu de História Natural de Londres.

O júri destacou a obra por ter “capturado uma interação tão poderosa”, capaz de revelar, em um único quadro, a tensão absoluta entre vida e morte, predador e presa.

O medo da marmota é compreensível. Naquele ambiente inóspito, a mais de 4.500 metros acima do nível do mar, não há espaço para distrações nem segundas chances.

O planalto tibetano é um dos ecossistemas mais extremos do planeta, onde o frio intenso, o ar rarefeito e a escassez de recursos tornam a sobrevivência um desafio diário.

A raposa tibetana (Vulpes ferrilata) é um caçador diurno, astuto e solitário, perfeitamente adaptado a essas condições severas. Habita regiões elevadas do Nepal, da China e da Índia, e desenvolveu uma estratégia de caça baseada na paciência, no silêncio e na observação minuciosa.

Sua principal presa são pequenos mamíferos, especialmente marmotas e pikas, dos quais depende para sobreviver. O momento retratado na fotografia não é encenação nem crueldade gratuita: é a própria natureza em seu estado mais cru e honesto.

A imagem nos força a encarar uma verdade incômoda, a de que a vida selvagem é regida por um equilíbrio delicado, sustentado pela morte tanto quanto pela vida.

Sim, a raposa matou a marmota. Mas, ao fazê-lo, garantiu sua própria sobrevivência e a continuidade de um ciclo que existe muito antes da presença humana.

O impacto da fotografia não está apenas no desfecho trágico, mas na capacidade de revelar, com brutal clareza, a fragilidade da existência e a implacável lógica natural que governa o mundo selvagem.

Mais do que um registro técnico impecável, a imagem de Yongqing Bao é um lembrete visual de que, na natureza, não há vilões nem vítimas morais, apenas seres vivos lutando, cada um à sua maneira, para permanecer por mais um dia sob o céu vasto e indiferente do planalto tibetano.


Testemunhas de Jeová



Para compreendermos essa questão, é necessário começar por uma pergunta fundamental: o que é uma seita?

O Dicionário Aurélio - Século XXI define, entre outras acepções, seita como uma “comunidade fechada, de cunho radical”. Essa definição, embora simples, fornece um ponto de partida importante para a análise de determinados movimentos religiosos contemporâneos.

Ao tratar especificamente das Testemunhas de Jeová, a própria revista A Sentinela, edição de 15 de fevereiro de 1994, levanta a seguinte indagação:
“São as Testemunhas de Jeová uma seita?”

E prossegue afirmando que membros de seitas, com frequência, se isolam da família, dos amigos e até da sociedade em geral. A pergunta então se impõe: isso ocorre com as Testemunhas de Jeová? Deixemos que a própria organização responda por meio de suas publicações oficiais.

Isolamento da família e dos amigos

“Ainda há aqueles que pensam que podem permitir a si mesmos buscar associação com amigos ou familiares mundanos para entretenimento”
(A Sentinela, 15 de fevereiro de 1960 - edição em inglês).

Isolamento da sociedade

“Não deve haver nenhuma parceria, nenhuma associação, nenhuma parte, nenhuma partilha com incrédulos. Por outras palavras, nenhuma associação com eles...”

(A Sentinela, mesma edição).

Isolamento de quem discorda

“Não queremos confraternizar com pecadores deliberados, porque não temos nada em comum com eles.”

(A Sentinela, 15 de março de 1996).

Essas declarações demonstram um padrão claro de separação sistemática, não apenas do mundo exterior, mas também de qualquer pessoa que não compartilhe integralmente da visão da organização.

Radicalismo e hostilidade aos dissidentes

Como são tratados aqueles que abandonam a organização ou passam a discordar de seus ensinos?

“Nunca os receba em seu lar nem os cumprimente... Estas são palavras enfáticas, orientações claras.”

(A Sentinela, 15 de março de 1986, p. 13).

Mais adiante, a própria revista legitima esse comportamento com base em uma interpretação bíblica:

“Queremos ter a lealdade que o rei Davi evidenciou ao dizer: ‘Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó Jeová? Odeio-os com ódio consumado...’”

(A Sentinela, 15 de março de 1996, p. 16).

Diante disso, surge uma pergunta inevitável: esse ensinamento promove amor ou fomenta o ódio?

A contradição evidente

A hipocrisia torna-se ainda mais evidente quando se compara tais declarações com outras publicações da própria organização:

“É verdade que as pessoas talvez discordem veementemente entre si nas suas crenças religiosas, mas não existe base para odiar uma pessoa só porque ela tem um ponto de vista diferente...”

(O Homem em Busca de Deus, p. 10).

Se não há base para o ódio, por que então ensinar o afastamento, a rejeição e até o desprezo por aqueles que pensam diferente ou que deixaram a organização?

Outra publicação reforça essa incoerência:

“Não tem sido culpada de representar uma farsa por dizerem ‘amamos a Deus’ ao passo que odeiam seus irmãos de outra nacionalidade, tribo ou raça.”

(Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, pp. 189–190).

À luz dessas próprias palavras, é legítimo questionar: o que foi apresentado até aqui pode realmente ser chamado de amor cristão?

Consequências práticas na vida dos adeptos

Não é necessário recorrer apenas à literatura para perceber os efeitos desse sistema de crenças. Basta observar a vida cotidiana de um membro das Testemunhas de Jeová. Eles são proibidos de receber transfusões de sangue, mesmo em situações de risco de vida; não participam de celebrações amplamente aceitas na sociedade, como Natal, Ano Novo ou aniversários; recusam-se a prestar serviço militar e afirmam ser a única religião verdadeira.

Esses elementos revelam um conjunto de práticas que reforçam o isolamento social, a obediência irrestrita à organização e uma visão exclusiva da verdade religiosa. Diante disso, a pergunta final é inevitável: você estaria disposto a viver sob tais restrições e sob constante vigilância doutrinária?

Conclusão

À luz das definições apresentadas, das próprias declarações oficiais da organização e das consequências práticas impostas aos seus membros, torna-se difícil negar que as Testemunhas de Jeová se enquadram no conceito de uma seita de cunho radical. Como tal, devem ser analisadas com cautela e discernimento.

O próprio Jesus advertiu:

“Acautelai-vos dos falsos profetas.”

Essa advertência permanece atual e serve como um chamado à reflexão crítica diante de qualquer sistema religioso que, em nome de Deus, promova o medo, a exclusão e a ruptura dos laços humanos mais básicos.

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Crepúsculo


Contra a fachada do crepúsculo erguem-se sombras, fogo e silêncio. Não um silêncio absoluto, mas um silêncio em combustão, um fogo invisível que faz a sombra respirar, pulsar, como se tivesse vida própria. É um silêncio que não se limita à ausência de som; ele pesa, observa, envolve.

Para atravessar esse muro silencioso, não basta avançar o corpo. É preciso abandonar algo de si. Cada passo exige um desprendimento, uma renúncia íntima, como se o passado precisasse ficar do outro lado para que o presente pudesse existir.

O muro não impede apenas a passagem física; ele testa a coragem de quem ousa atravessá-lo. Nesse limiar entre luz e escuridão, o sujeito se dissolve. A identidade se fragmenta, e o que resta é um estado de espera, um intervalo onde o eu se confronta com o vazio.

Penetrar o silêncio é aceitar o risco da perda, é compreender que nem toda travessia garante retorno.

Como na obra de Paul Auster, o silêncio aqui não é ausência, mas revelação. Ele expõe aquilo que tentamos ocultar de nós mesmos: o medo, a solidão, a consciência de que toda jornada interior cobra um preço.

Para seguir adiante, é inevitável deixar-se para trás, ainda que não se saiba exatamente o que será encontrado do outro lado.

Os hipócritas

 


Em 1986, durante a Copa do Mundo do México, Diego Maradona entrou em campo vestindo uma camisa com a frase “Não às drogas”. No mesmo período, Michel Platini, outro ícone do futebol mundial, apareceu com uma mensagem igualmente contundente: “Não à corrupção”. As imagens correram o mundo e foram celebradas como exemplos de consciência social por parte de grandes atletas.

O tempo, porém, tratou de desmontar essas narrativas. Anos depois, Maradona travou uma longa e pública batalha contra a dependência química, chegando a sofrer overdoses que quase lhe custaram a vida. Platini, por sua vez, acabou envolvido em escândalos administrativos e foi investigado, julgado e punido por irregularidades ligadas à corrupção no futebol, manchando uma reputação antes considerada exemplar.

E Pelé? O maior nome da história do futebol não estampou slogans em camisetas. No encerramento de sua carreira profissional, fez um discurso emocionado pedindo que o mundo cuidasse melhor das crianças, defendendo um futuro mais justo e humano.

No entanto, anos depois, sua vida pessoal entrou em contradição com esse discurso quando se recusou, por longo tempo, a reconhecer publicamente uma filha legítima, obrigando-a a recorrer à Justiça.

Esses episódios não anulam o talento esportivo de nenhum deles, nem apagam suas conquistas dentro de campo. Maradona, Platini e Pelé foram gênios da bola, cada um à sua maneira.

O problema surge quando se tenta transformá-los em referências morais absolutas, como se habilidade esportiva fosse sinônimo de virtude ética.

A moral da história é simples e desconfortável: o ser humano é contraditório, falho e, muitas vezes, hipócrita. Ídolos também erram, às vezes de forma grave. Por isso, talvez seja mais saudável admirar o atleta pelo que ele faz no esporte - e apenas por isso.

Um craque do futebol é, no fim das contas, apenas um craque do futebol, não um guia moral para a vida.

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Gloria Stewart - Rose DeWitt Bukater velha do Titanic


Gloria Frances Stuart, nascida Gloria Stewart, nasceu em Santa Mônica, Califórnia, em 4 de julho de 1910. Foi uma atriz norte-americana de cinema, teatro e televisão, além de artista visual, pintora e ativista política.

Alcançou fama mundial sobretudo por sua interpretação da idosa Rose Dawson Calvert - anteriormente Rose DeWitt Bukater - no épico Titanic (1997), dirigido por James Cameron.

O filme tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema à época, arrecadando mais de US$ 2 bilhões mundialmente e conquistando 11 estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme.

Em 1998, aos 87 anos, Gloria Stuart tornou-se a pessoa mais idosa da história a receber uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Até hoje, ela mantém esse recorde especificamente nessa categoria, embora outros artistas tenham sido indicados em idades semelhantes ou superiores em categorias distintas.

Sua atuação sensível e comovente como a centenária Rose - que relembra o naufrágio do Titanic em 1912 - também lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e a vitória no Screen Actors Guild Award de Melhor Atriz Coadjuvante, em um empate com Kim Basinger por L.A. Confidential.

Curiosamente, Gloria Stuart foi a única integrante do elenco de Titanic que já estava viva na época do desastre real, em 1912. Além disso, viveu exatamente até os 100 anos, a mesma idade aproximada de sua personagem no filme, um detalhe que contribuiu para o simbolismo e a força de sua presença na obra.

Sua carreira teve início nos anos 1930. Após participar de grupos de teatro universitários e produções amadoras - ela estudou na Universidade da Califórnia, em Berkeley -, assinou contrato com os estúdios Universal Pictures em 1932.

Destacou-se especialmente em filmes de terror e suspense dirigidos por James Whale, como The Old Dark House (1932) e The Invisible Man (1933), este último ao lado de Claude Rains. Também atuou em The Kiss Before the Mirror (1933), igualmente sob a direção de Whale.

Pouco depois, transferiu-se para a 20th Century Fox, onde participou de mais de 40 filmes até o final da década de 1930. Embora frequentemente elogiada pela crítica por sua elegância e presença cênica, não alcançou o estrelato absoluto típico de algumas atrizes da Era de Ouro de Hollywood.

Ainda assim, trabalhou com nomes consagrados como Shirley Temple - em Rebecca of Sunnybrook Farm (1938) -, Lionel Barrymore, Kay Francis, Raymond Massey e Paul Lukas, além de aparecer em musicais como Gold Diggers of 1935.

Na década de 1940, atuou em poucos filmes e, desiludida com papéis repetitivos - frequentemente limitados ao estereótipo da “repórter” ou “detetive” -, aposentou-se das telas em 1946 para se dedicar à pintura. Como artista visual, conquistou reconhecimento: suas obras foram expostas em galerias nos Estados Unidos e na Europa.

Também se envolveu com impressão artística de livros e com a arte da jardinagem de bonsais. Paralelamente, Gloria Stuart manteve um forte engajamento político e social ao longo da vida.

Foi uma das fundadoras do Screen Actors Guild (SAG) em 1933 e integrou a Hollywood Anti-Nazi League durante os anos 1930, posicionando-se contra o avanço do fascismo e em defesa dos direitos dos artistas.

Após quase três décadas afastada do cinema, retornou às telas em 1975, no telefilme The Legend of Lizzie Borden. A partir de então, passou a atuar de forma esporádica em produções para a televisão e o cinema, como My Favorite Year (1982).

Nesse período, também enfrentou e superou um câncer de mama, demonstrando mais uma vez sua notável força pessoal. Seu grande renascimento artístico ocorreu com Titanic, em 1997.

Embora tivesse 86 anos na época das filmagens, foi envelhecida com maquiagem para interpretar Rose aos 101 anos. O papel lhe trouxe aclamação crítica, renovou sua visibilidade pública e abriu caminho para trabalhos posteriores, como The Million Dollar Hotel (2000) e Land of Plenty (2004), ambos dirigidos por Wim Wenders.

Gloria Stuart faleceu na noite de 26 de setembro de 2010, em sua residência em Los Angeles, aos 100 anos, em decorrência de falência respiratória. Seu corpo foi cremado.

Ela deixou um legado notável de resiliência, talento multifacetado e longevidade artística, com uma carreira que atravessou mais de sete décadas, tornando-se um símbolo de que o reconhecimento e o sucesso podem chegar em qualquer fase da vida.